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Pensamentos Nómadas

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Sistemas eleitorais alternativos, por Ricardo Lopes

 

 

Sistemas eleitorais alternativos

 

RICARDO MINI copy   POLÍTICA

 

Agora anda para aí montada a histeria em torno da possibilidade – que para os media ocidentais que operam com base no clickbait e no sensacionalismo mais rebuscado, é, e sempre foi, uma certeza -, e também porque a sociedade moderna se gere muito com base na histeria e comportamentos afins, de os russos, em particular o Putin – porque neste sistema já se sabe que, apesar da grande progressão cultural (not!), se continua a fazer o culto da personalidade e as pessoas regem a vida com base nas prescrições feitas por outras pessoas que tomam como autoridades -, terem interferido com as eleições americanas – ou, antes, estadounidenses, porque americanos são todos os habitantes das Américas, incluindo os nativos que foram chacinados, explorados e torturados de todas as maneiras que uma mente humana perversa consegue conceber, e ainda hoje sofrem por isso -, provocando o resultado que toda a gente conhece, e que uns festejam e outros lamentam como se o apocalipse se avizinhasse, como se o apocalipse não se avizinhasse independentemente de o Trump ser presidente ou não.

 

Portanto, para estes grandes entendidos em geopolítica e em sistemas informáticos, o Putin interferiu nos resultados, para que fosse eleito o único candidato elegível que estava abertamente disposto a estabelecer relações diplomáticas com a Rússia.

 

Logo para começar, este raciocínio carrega em si muita coisa que soa muito mal a quem analisa estas coisas de fora, e muitas contradições também. Primeiro, fica tudo histérico por causa de o Putin potencialmente ter interferido nas eleições americanas, mas ninguém fica histérico – pelo menos, não aparece na televisão mainstream nada sobre isso, e a televisão mainstream é a propagadora-mor de histeria coletiva – com o facto de o sistema eleitoral estadounidense estar todo minado. Se querem esclarecimentos em relação a esta afirmação, e já que gostam tanto de séries, vejam o episódio 7 da Adam Ruins Everything, que deve ser das poucas séries de jeito que anda para aí. E, sim, uma série não ficcional também é uma série, lamento desiludir quem anda desesperado a ver séries de fantasia para colmatar o vazio deixado pela inexistência de deus. E, sem segundo lugar, então dois países que andam em conflito político há décadas e que participaram em guerras que envolvem terceiros tentarem estabelecer relações diplomáticas é algo mau? Eh pá, e isto a sair da boca de gente que se diz de esquerda e libertária ou o raio que os parta, gente que anda sempre com as cartinhas dos direitos humanos na boca, e que é adepto ferrenho da democracia, do multiculturalismo, dos diálogos interpartidários, dos acordos e demais documentos bonitinhos de formular, mas que não servem para nada nem protegem ninguém, e escandaliza-se quando o presidente do país mais influente do mundo se dispõe a estabelecer relações diplomáticas com outro dos líderes mais influentes do mundo? Ainda por cima quando tal pode contribuir para resolver, e até evitar, conflitos bélicos que custam a vida a milhões de pessoas inocentes?! Estão contra o Trump querer tornar-se “amigo” do Putin e resolver esta fantochada que já dura há décadas?! Eh pá, nem que fosse o Hitler! O que é que poderia vir de mal de estabelecer relações diplomáticas com ele para evitar guerras imperialistas?! Mas anda tudo a marar da cabeça por causa das hormonas e neurotransmissores associados à histeria?

 

Enfim, mas não comecem já a estrebuchar, que eu até levei a sério as vossas lamentelas, e, por isso, desenvolvi uma série de sistemas de votos alternativos, 100% antifraude.

 

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1 – Pauzinhos e figuras geométricas de madeira

Estão a ver esta imagem? É o desenho para os meninos que só consomem conteúdo mainstream. Fui buscá-la à série mais vista em todo o mundo na atualidade, Game of Thrones, porque representa exatamente o primeiro sistema que eu proponho, à prova de bala, para votar, e sem isto vocês nunca conseguiriam processar a informação.

 

Portanto, seria muito simples. Mandar-se-iam construir no meio do parlamento, ou senado, ou o que for, lá aquela casinha de marionetas onde se juntam os políticos de proa para tomar decisões por quem votou por eles, e às vezes até aqueles por quem ninguém votou mas que o sistema elegeu, uns paus grandes como o caralho, porque teriam de ter a capacidade de suportar milhões de figuras geométricas – e, atenção, eu sugiro que fossem colocados no meio do parlamento, porque acho que arejam muito pouco estes edifícios, aquilo fica com um odor bafiento e acaba até por fazer mal à cabeça de quem chega lá pela primeira vez com a intenção de fazer mudanças, mas por causa daqueles ares, e porque a política não permite mudar nada de qualquer maneira, apercebe-se que é melhor é ficar só a mamar os 4000€ por mês -, e seria atribuída uma figura geométrica a cada candidato. Cada pessoa pegaria na figura geométrica, subiria uma escada também ela grande como o caralho, e largaria a figura.

 

Únicos problemas disto:

- De uma tão grande altura, e antes de começarem a empilhar-se figuras, poderiam chegar cá abaixo com grande velocidade, partir-se, e o voto não contar. Mas, não fica a perder em relação ao sistema atual.

- Toda a gente saberia em quem cada pessoa tinha votado, e, portanto, deixava de existir esse tipo de sigilo. Mas, também, após cada eleição, e porque, como retardados formatados que são, não conseguiram ainda perceber que o sistema democrático não funciona com gente estúpida a votar, incluindo vocês próprios, continuam a ir para o facebook fazer os posts a perguntar quem é que votou em candidato qual que vocês acham que vai ser o próximo Estaline, e andam à caça dos votantes como se fossem Pokémons raros para, quando finalmente encontram um, ficarem chocados e fazerem um texto para o Capazes a dizer que, mesmo assim, e porque é vosso amigo, e como Jesus disse para o fazer, vão perdoá-lo, qual é o real problema? É da maneira que fica logo o problema resolvido à partida, e como gostam tanto de adotar práticas primitivas de linchamento público, mais uma vez como parte do pack de histeria coletiva pós-moderna, mais facilmente podem exercer tal prática, ainda por cima sem risco de sofrer represálias, uma vez que há uma prova factual de que tal votante é mesmo uma autêntica besta insensível e ignorante.

 

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2 – Casinhas de brincar dos putos com sólidos geométricos para meter lá dentro

Toda a gente brincou com isto até aos 3 anos, não é? Claro que sim. Muitos deixaram de brincar, mas continuam a ter 3 anos de idade mental, mas isso é um assunto à parte. E outros ainda, gostariam de usar isto na idade adulta, e quem sabe nem usem até, para praticar parafilias sexuais. Mas, não é para discutir isso que estou a escrever este texto.

 

A ideia é a mesma, só que desta vez faziam uma casinha grande como o caralho, dentro do parlamento, que eu continuo a insistir que se areje aquilo, mesmo que não sirva para nada, porque aquilo até quando fazem uma reportagem lá dentro aquilo tem um ar tão pesado que as pessoas nem conseguem ver bem e ficam a pensar que aquilo é uma coisa muito séria, quando na verdade não passa de um sítio onde se juntam pessoas periodicamente para tomar decisões baseadas em ideologia e mandar bocas uns aos outros, principalmente mandar bocas uns aos outros.

 

Únicos problemas disto:

- Como o tamanho dos sólidos corresponde sempre ao tamanho da abertura no telhado da casinha, seria bastante complicado para os eleitores carregarem ou uma coisa pesadíssima ou leve mas muito grande ao longo de toda a extensão da escada, sem deixar cair ou sem caírem eles próprio e haver um risco elevado de morte. Por outro lado, e como também toda a gente que apoia um partido deseja a morte de todos os que compõe e votam pelos partidos da oposição, seria engraçado meter uns colchões junto aos escadotes e ver as pessoas desesperadas a tentar removê-los quando viesse a cair alguém para votar no partido do contra. Não é de histeria que gostam? Mais histeria então para vocês.

- Mais uma vez, o problema das figuras se destruírem ao cair e perderem-se votos. A minha resposta é a mesma.

 

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3 – Mijadeiras do tamanho de piscinas

Estão a ver estas mega piscinas que mandam construir no Dubai, a rebentar com o solo todo e a paisagem, para os turistas poderem banhar-se no meio do deserto e, periodicamente, levar com o conteúdo do esgoto nas trombas? Pronto, é nisto que pensei.

 

Mega piscinas destas, mas vazias, uma para cada candidato, e cada eleitor iria espetar a sua mijadela na piscina do candidato que pretendia eleger. No fim, a piscina que contivesse mais urina, medida em decímetros cúbicos, ganhava, assim como o respetivo candidato.

 

Únicos problemas disto:

- Seria bastante fácil o pessoal enganar-se e pensar que era para mijar no candidato que não queriam que ganhasse. Mas, seria bastante interessante ver como as pessoas preferiam que um perdesse em vez do seu preferido ganhar, para estudar as dinâmicas sociais em ambiente político. Para além disso, em que é que isto redundaria? Mais histeria! Ai agora queres vir aqui mijar na piscina do meu candidato, seu sabujo de merda? Deixa estar que se soubesse tinha ido mijar na do teu! E és mas é um grande troca-tintas, que tinhas-me dito que ias mijar na piscina do não sei quantos. Eh pá, delicioso, super sensacionalista e um bom reality show, finalmente!

- Diferentes pessoas poderiam libertar diferentes quantidades de urina. Mas, e como qualquer pessoa mentalmente sã sabe, a política não existe para resolver problemas, nem reais nem imaginários e, portanto, para quê tratar isto com tanta seriedade, quando se podia simplesmente passar uma tarde bem passada a ver prosélitos à batatada, algo que já é promovido pelo problema indicado no primeiro ponto?

 

4 – Método inquisitorial

Posto que isto é tudo uma palhaçada de qualquer maneira, e porque uma das últimas coisas que me apetece é andar a levar com as lamentelas de virgens ofendidas e de florzinhas de estufa de merda que pensam que o mundo tem de ser exatamente como o idealizaram, poder-se-ia resolver logo o assunto, e provocar a eleição do favorito dos bem-pensantes. Como?

 

Simples, pegava-se no candidato com discursos mais baseados em moralidade pós-religiosa e cheios de floreados para indicar que ama todos os seres humanos que existem à face da Terra, e atirava-se ao rio. Se flutuasse era porque tinha sido escolhido pela energia positiva que a ideologia de esquerda fez percorrer o rio. Se afundasse, era porque tinha sido um grande mártir na luta contra os tiranos de direita, e poderia ser eleito postumamente e exercer o cargo na mesma. Como?

 

Simples, bastava que mumificassem o cadáver, o maquilhassem bem para dar um bom aspeto de vivo, e lhe enfiassem um gravador na faringe para sair de lá o discurso feito pelos apoiantes empresários e empreendedores com potencial. Não é o que acontece de qualquer maneira? E, também, verdade seja dita, alguém percebe verdadeiramente o que eles dizem cada vez que fazem um discurso? Aquilo que eles dizem tem alguma relevância, ou não passa de discursos bonitos para deixar as pessoas comovidas? Para além disso, se estivéssemos a falar de um líder político a comunicar na sua língua materna, e principalmente se fosse uma língua que poucos dominam, como o alemão ou o húngaro, bastava mudar as legendas para algo bem-sonante e de acordo com a agenda política da ONU, da NATO e demais organismos de manutenção da ordem pública. Os nativos da língua, tal como já disse, não percebem nada de qualquer maneira. Pensam que sim, mas não. Tanto que se percebessem, não precisavam para nada de comentadeiros em horário nobre a tentar descodificar a mensagem, qual Tomás de Noronha especialista máximo em semiótica, e nem sequer acontecia comentadeiros de pólos políticos diferentes terem interpretações que mais convêm à sua ideologia. Para os que interpretassem mal, e causassem tumultos nas ruas, bastava fazer o mesmo, mudar as legendas para fazer parecer que eram apenas um grupo de delinquentes anarquistas ou então um grupo terrorista extremista… ou até um autêntico grupo terrorista extremista, mas caracterizado como combatentes pela liberdade (freedom fighters).

 

Ricardo Lopes

 
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