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Síria, acreditar em quem? (parte 3), por Luís Garcia

 

 

Síria, acreditar em quem (parte 3)

 

 

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE 

 

 

Os media ocidentais, orwellianamente auto-denominados "donos da verdade" dizem uma coisa. A "propaganda" do "regime sírio" e do mauzão do Putin dizem o contrário. E então, em quem devemos acreditar?  

 

 

Autocarros para rebeldes ardendo

A acreditar nas estórias (mainstream) de mega-cemitérios provocados por bombardeamentos aéreos russos, já não deveria haver vivalma em Aleppo. A acreditar nas estórias (mainstream) de execuções de civis e de al-Assad vampiro, já não deveria haver vivalma em Aleppo. Mas há! E são tantas que só terroristas "rebeldes" vivos contam-se aos milhares! Ora essa!?!

 

Havendo aos milhares e, dada a derrota militar dos terroristas "rebeldes", deveríamos neste momento estar a receber notícias, vídeos e imagens mostrando os soldados sírios executando-os em massa, torturando-os, queimando-os vivos, comendo-lhes os corações, não? Afinal, se comprovadamente os bons terroristas "rebeldes" cometeram todos estes tipos de atrocidades com soldados sírios capturados, por que razão não haveriam os maus soldados sírios de fazer igual ou pior? Ahhhh não, raios, perdoaram alguns e os restantes deixam-nos fugir para a região de Idlib em autocarros oferecidos pelo próprio governo sírio! Ora essa!

 

Rebeldes saindo de Aleppo de autocarro rumo a Idlib

 

E sim, é mesmo isso que se passa. Terroristas "rebeldes" e suas famílias, em vez de mal tratados, são muitíssimo bem tratados pela Síria e seus aliados, não há como desmentir. Porquê? Porque quem procura a paz é pragmático e não se importa de fazer concessões aparentemente ilógicas e contraproducentes se, ao fazê-lo, puder salvar vidas humanas. Por isso a Rússia, a Síria e o Irão propuseram aos terroristas "rebeldes" o seguinte acordo:

1 - Evacuar os civis de Aleppo leste para zonas controladas pelo governo sírio.

2 - Evacuar os civis feridos de Kafraya e Foua dos subúrbios de Idlib para zonas controladas pelo governo sírio.

3 - Evacuar os miitantes [terroristas] de Aleppo leste para os subúrbios a oeste, e daí para a região de Idlib.

 

O acordo foi proposto por quem obteve a vitória militar em Aleppo (Síria e aliados), como é óbvio, e demonstra bem o interesse destes pelo respeito da vida humana. Em vez de chacinarem "rebeldes" (e também civis, segundo os media ocidentais), a Síria deixa-os partir em liberdade de forma a poder resgatar civis das mãos dos "rebeldes libertadores"! Ora que estória bizarra! E porquê Kafraya e Foua? Primeiro porque são controladas por forças fiéis ao governo sírio apesar de situadas numa região controlada por "rebeldes" que mantêm o cerco total a estas terras. Em segundo porque os seus habitantes são maioritariamente xiitas e o Irão (xiita) teme a morte destes pelas mãos dos grupos terroristas "rebeldes" financiados pelo estado bárbaro saudita, seu inimigo. Em terceiro porque já foram mortos 2.000 civis pelo grupos "rebeldes", incluindo 400 crianças e muitos encontram-se feridos sem acesso a cuidados médicos. É portanto urgente resgatar estes civis. Além do mais, devido ao cerco "rebelde", nessa aérea não entra comida, de modo que os sobreviventes passam fome há semanas! E já agora, onde andam os lamechas troca-tintas da AJ+ anti-cercos militares sírios que "provocavam fome" em zonas controladas por rebeldes? Há fome boa e fome má, é isso? Triste gente!!

 

Para uma melhor compreensão deste acordo analise o seguinte mapa, tendo em mente que as zonas vermelhas são controladas pela Síria e seus aliados, enquanto que as verdes são controladas pelos terroristas "rebeldes":

 

Se o mapa não estiver a funcionar clique aqui 

 

Porque falhou o acordo? Por várias razões. Primeiro porque os "rebeldes" mais radicais (ou mais NATOnianos) recusavam se render. Segundo porque fazem batota, tentando levar com eles armamento e reféns. Terceiro, porque lembraram-se, alguns dos "rebeldes", de queimar os autocarros nos quais chegaram são e salvos à região controlada por "rebeldes". É suposto os autocarros, de forma faseada, levarem terroristas de Aleppo para Idlib e trazerem, na volta, civis feridos de Kafraya/Foua para Aleppo. E não era suposto serem abatidos a tiro os condutores (civis) dos autocarros! Alguém ouviu falar de execuções de civis condutores na RTP ou na Rede Globo? Não, pois claro que não!

 

Pelo contrário, só nos contam baboseiras vagas, típicas de quem não quer dizer o que sabe e, pior, desconhece também muito do que haveria a dizer! Em poucas palavras, sobre os autocarros, pouco ou nada nos conseguem contar os media ocidentais. Lendo as suas notícias sobre o tema, uma pessoa fica com as seguintes embaciadas impressões : 

  • 1000 pessoas já saíram de Aleppo para algures.
  • a interrupção do uso de autocarros deve-se a uma birra dos sírios ou a uma birra dos iranianos.
  • toda a gente quer sair de Aleppo e portanto está tudo chateado com a interrupção.

 

A sério, 1000 pessoas? Não foram mil, foram mais, E quais pessoas? Custa muito adicionar que essas pessoas são "rebeldes" ou familiares de rebeldes? Custa! Não é uma vergonha tentar passar vagamente a ideia (uma vez mais!) de que os civis sírios querem sair de Aleppo, recorrendo a tão disparatada manipulação! É! É uma vergonha! Não é ilógico querer passar esta ideia e ao mesmo tempo, numa nuvem de confusão, informar, ainda assim, que os autocarros deveriam trazer de volta civis! É ilógico, pois é! Ou os civis querem fugir do "mega-cemitério de Aleppo" ou os civis querem se ver a salvo de terrorismo "rebelde" em Aleppo. As duas hipóteses em simultâneo não, não dá! 

 

E ainda há pior, há quem tente, em alguns media ocidentais, defender que os autocarros foram destruídos por "milícias iranianas" fiéis ao governo sírio! A sério! Porquê? Para quê? Para que os feridos que protegem não possam sair das zonas cercadas!?! Onde está a lógica? Sim, existem grupos armados pelo Irão que se encontram protegendo as terras xiitas de Kafraya e Foua. Encontraram-se legalmente na Síria e, apesar dos seus membros serem afegãos e paquistaneses, não são "milícias terroristas afegãs/paquistanesas" como os media ocidentais e do golfo lhes chamam. São um género de Legião Francesa do Irão, legalmente enquadradas nas forças armadas iranianas. A Liwa Zainebiyoun é composta por paquistaneses residentes no Irão e a Liwa Fatemiyoun por afegãos residentes no Irão e na Síria. Não há mistério nenhum, parai de inventar milícias-papões! E se não há papões, não-papões não metem autocarros a arder porque sim!

 

Vídeo dos autocarros ardendo

 

Fotografias dos autocarros ardendo

 

Certo é que os autocarros arderam, e arderam em zonas controladas pelos rebeldes! Como é que os media ocidentais não conseguem associar a temporária interrupção da troca de pessoas com o facto anterior? Ahhh, tristes não-jornalistas!

 

E mais, porque não explicam que foi retomada e como foi retomada? Porque não informam que, para que não haja mais comportamento terrorista parvo, só são libertados mais "rebeldes" terroristas quando os civis feridos de Kafraya e Foua chegam em segurança a Aleppo? Porque não informam que pelo menos 7 autocarros trouxeram pelo menos 511 pessoas feridas de Kefraya e Foua até Jebrin (Aleppo), onde já se encontram instaladas no centro de recolhimento temporário instalado pelo governo sírio? Ahhhh, triste não-jornalismo!

 

Eu prefiro jornalismo:

 

E bons artigos:

 

E reportagens objectivas com factos concretos:

 

Metodologias opostas

Se, de forma pragmática, o "sanguinário" al-Assad amnistia e liberta "rebeldes" terroristas em troca de poder resgatar civis de Aleppo, Kafraya e Foua, por outro, os "freedom fighters" pagos pelo "humanitário" ocidente, aquando da captura de soldados sírios ou seus declarados apoiantes (crianças inclusive), não tiveram nunca problema em cometer torturas horríveis e execuções massivas!  Não vale a pena dizer grande coisa perante o caudal de provas filmadas! Não assista aos vídeos se achar que o podem transtornar em demasia, sobretudo o vídeo com a tortura de civis.

 

Soldados sírios executados pelo Exército de Libertação Sírio

 

220 soldados sírios executados pelo Exército de Libertação Sírio

 

28 soldados sírios executados pelo Exército de Libertação Sírio

 

Civis torturados até à morte pelo Exército de Libertação Sírio

 

Criança degolada pelo Exército de Libertação Sírio

 

Chocante, sim, realidade imensamente chocante, mas mais chocante é o facto desta realidade ser quase completamente ignorada no nosso querido ocidente! Há mais, muitos mais vídeos do género, pelo twitter, youtube, facebook e por aí fora. Tragicamente são muitíssimo abundantes as provas dos crimes horrendos realizados pelas organizações terroristas pagas com os nossos impotos! Quem ainda não estiver convencido, procure. É demasiado fácil de encontrar!

 

Que mais os media ocidentais não contam

Não contam que o embaixador sírio na ONU, o governo sírio e os seus orgãos de comunicação informaram que foram capturados em Aleppo dezenas de militares de estados membros da NATO e de estados associados da NATO, revelando-se os nomes de 14 deles:

 

 

Não contam que Cuba enviou para a Síria quase 300.000 vacinas para a meningite no valor de 1.000.000 de dólares:

 

 

Não contam que militares russos distribuem ajuda alimentar russa em Aleppo:

 

 

Não nos contam que em Aleppo, neste momento, os festejos da libertação da cidade misturam-se com os festejos de Natal. Não nos contam que cristãos, alauitas, sunitas e xiitas festejam juntos esta celebração cristã:

 

 

 

Não demonstram, como fizeram a Sputnik ou a 21stcenturywire, que a "Menina de Aleppo que viralizou no Twitter é exemplo flagrante de propaganda':

 

Pelo contrário ainda ontem foi publicado na RTP a seguinte javardice não-notícia:

 

Agora, depois de ler o não-artigo da RTP, veja esta foto! Veja o excelente ambiente familiar e as magníficas relações pessoais em volta de Bana Alabed, A Menina de Aleppo, ahahahah:

por Tim Anderson

 

 

Sim, A Menina de Aleppo não tem culpa nenhuma, concordo, mas não és estranho encontrar o seu pai armado e rodeado de "rebeldes" terroristas? Ou pousando para a fotografia com armas e o logo do ISIS? E que dizer da família de Bana Alabed, A Menina de Aleppo, toda reunida e acompanhada por bandeiras da Turquia, pelo senhor Erdogan presidente da Turquia e pela esposa do senhor Erdogan? Hehehe! Esta faz me lembrar uma outra menina muito (pouco) inocente. Aquelea menina assustadinha fugida dos horrores de Saddam Hussein que veio testemunhar sobre as ordens de Saddam Hussein de mandar arrancar bebés de incubadoras... e que depois veio-se a saber que era filha do Embaixador do Kuwait nos EUA e que nunca teria estado presente nos locais em que afirmava ter assistido às referidas atrocidades, hehehe! A única diferença entre a trafulhice mediático-emocional da Filha do Embaixador e a da Menina de Aleppo é que, nos anos 90, não havia Twitter! Ahahahah!

 

Luís Garcia, 21.12.2016, Chengdu, China

ler também:

Síria, acreditar em quem? (parte 1), por Luís Garcia  3a.JPG

 
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