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Síria, acreditar em quem? (parte 2), por Luís Garcia

 

 

Síria, acreditar em quem (parte 2)

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE 

  

Os media ocidentais, orwellianamente auto-denominados "donos da verdade" dizem uma coisa. A "propaganda" do "regime sírio" e do mauzão do Putin dizem o contrário. E então, em quem devemos acreditar? Vamos por partes.

 

Armas químicas de al-Assad

Do lado ocidental, várias foram as vezes em que se acusou o "regime" sírio de atacar os seus civis (por que razão!?!) com armas químicas. O mais famoso exemplo é o "ataque químico de Guta perpetrado pelo exército sírio". Este mito foi repetido até à exaustão, entre histeria e fundamentalismo, até que se tornou uma verdade no ocidente. O problema é que... não aconteceu! O exército sírio não cometeu ataque químico nenhum em Guta. Todas as provas mostrando com clareza a autoria dos ataques ("rebeldes" terroristas") foram entregues pela Síria e pela Rússia na ONU, As várias organizações e pessoas que analisaram o ataque nunca encontraram provas contra a Síria. E, no entanto, quem no ocidente tem dúvidas de que "o culpado foi al-Assad"? Ninguém, pois claro, graças à versão oficial dos media ocidentais que não noticiaram as provas nem as pesquisas e conclusões que inocentam o "regime" sírio. Já para não falar do uso da lógica, algo que todos podem fazer sozinhos em casa. Eu, para não me estender muito, convido-o antes a ler este artigo de Thierry Meyssan, um dos muitos que já desmontou, pela lógica aplicada aos factos acessíveis, esta mentira de Guta: 

 

 

Para os francófonos, também um vídeo de Thierry Meyssan:

 

 

Armas químicas dos "rebeldes"

No sentido oposto, durante estes últimos 3 anos, os media russos, media sírios e outros media "Fake News" têm de forma constante comunicado ataques químicos dos "rebeldes" terroristas a um ritmo alucinante, quase sempre mostrando imagens e frequentemente vídeos. Não passa nos media ocidentais? Hehe, porque será?

 

Todas as semanas vejo este tipo de notícias. Todas as semanas vejo pelo menos um conjunto de imagens ou um vídeo provando que "rebeldes" terroristas produzem armas químicas e/ou que as usam contra os civis que era suposto "libertarem". Quase todas as semanas o governo sírio (por vezes em conjunto com o governo russo) entrega na ONU os seus relatórios sobre os ataques químicos de rebeldes, acompanhados pelas provas recolhidas. Sempre que tal acontece, vejo notícias dos media "Fake News" relatando precisamente estes actos sírio-russos na ONU. Portanto, insisto, por que razão não passam nos media ocidentais os ataques químicos "rebeldes", nem as acusações sírio-russas, nem tampouco as entregas de documentos sírio-russos na ONU?

 

Para não o cansar muito, partilho aqui apenas os 2 mais recentes vídeos sobre ataques químicos de "rebeldes" terroristas. O primeiro mostra claramente um roquete com um contentor de gás sendo lançado pelo Exército de Libertação Sírio. Sim, Exército de Libertação Sírio, o logo no canto superior esquerdo (deste grupo terrorista) do vídeo não deixa margens para dúvida. Pior, o vídeo foi publicado pelo próprio Exército de Libertação Sírio, tão adorado pelos media ocidentais, portugueses inclusive. Mas estes media ocidentais são tão mas tão selectivos que, apesar de passarem o tempo a partilhar baboseiras de campanhas de relações públicas "rebeldes" (tipo criancinha cheia de pó com um fundo laranja), não partilham escandalosas provas de terrorismo do Exército de Libertação Sírio como:  

 

 

O segundo vídeo mostra o arsenal de armas químicas dos "rebeldes" terroristas deixado para trás na recentemente libertada Aleppo leste, escondido em escolas e até num hospital. O vídeo mostra ainda a equipa de sapadores russos desminando Aleppo leste das minas instaladas pelos libertadores "rebeldes"! Ahhh, esses malvados russos:

 

 

 

Acreditar em quem?

Em quem uma pessoa quiser? Porque não. Agora a sério, eu não me importo nada de fazer o esforço de acreditar nas "notícias" dos media ocidentais nestes temas de guerras estratégicas. Faço-o, muitas vezes, ao contrário daquilo que o leitor poderá crer, mas por uma razão lógica. Imagino-me a acreditar que sim, que quando os media portugueses me informam que al-Assad ordena ataques químicos como o de Guta quando acorda mal-disposto, essa é, a partir de então, a verdade absoluta, mesmo sem provas absolutamente nenhumas, mesmo com toda a histeria. Tudo bem (mal, quero dizer, coitados civis sírios).

 

Mas depois, vejo notícias de "media alternativos" sobre ataques químicos "rebeldes", repletos de fotografias e imagens. Mais, vejo as publicações de grupos "rebeldes" e confirmo que estes também partilham informações e conteúdos sobre esses mesmos ataques. E fico confuso, ou não.

 

Porquê? Porque os media ocidentais/portugueses que me "informam" sobre ataques químicos de al-Assad, se são orgãos de informação, têm de me informar sobre todos os ataques químicos, não? Se não me informam nunca sobre os constantes ataques químicos de "rebeldes" extensivamente documentados, porque que raio decidem me "informar" sobre os raros ataques químicos de al-Assad não documentados? É aí que concluo que não acredito nos media ocidentais/portugueses. Não há coerência no comportamento. Não é produzida informação quando é necessário e, pelo contrário, produz-se histeria baseada em vazio. Mesmo acreditando que os 2 lados cometem ataques químicos, eu, enquanto leitor de media de informação, concluo: se são orgãos de informação, têm de informar e não seleccionar! Se seleccionam, não são orgãos de informação, no máximo orgãos de comunicação, que comunicam desinformações. Se desinformam, ahhh, então... ide todos com o caralho!

 

Luís Garcia, 20.12.2016, Chengdu, China

ler também:

Síria, acreditar em quem? (parte 1), por Luís Garcia  2a.JPG

 

 

 
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