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Síria, acreditar em quem? (parte 1), por Luís Garcia

 

 

Síria, acreditar em quem (parte 1)

 

Luís Garcia POLITICA  SOCIEDADE 

Media Ocidentais

Os media ocidentais, orwellianamente auto-denominados "donos da verdade" dizem uma coisa. A "propaganda" do "regime sírio" e do mauzão do Putin dizem o contrário. E então, em quem devemos acreditar? Eu proponho não acreditar em ninguém e, em alternativa, estabelecer 3 métodos de análise que se complementam entre si:

  1. Exigir dados, factos, assim como as suas fontes e a identidade das fontes.
  2. Raciocinar com lógica
  3. Comparar o evento actual com eventos históricos similares.

 

Ora, quanto à Síria, e mais precisamente quanto à reconquista de Aleppo por parte do Exército Sírio entre 27 de Novembro e 16 de Dezembro, qual é a verdade?

 

Comecemos pelo lado do "bem", dessa "comunidade internacional" (expressão incoerente usada para falar de menos de 40 dos 193 estados membros da ONU), esses que propõem fazer agora uma caça às Fake news (Falsas Notícias). Que nos conta este lado? Conta-nos que o "regime" sírio e seus aliados:

  • provocam uma catástrofe humanitária
  • transformam Aleppo num mega-cemitério a céu aberto
  • "chacinam",  "exterminam",  provocam "um genocídio de dezenas de milhares de civis"
  • que o exército sírio "executa", a sangue frio, "mulheres e crianças", porque sim.

 

Analisemos o que nos propõem:

  1. Há fotografias ou vídeos de bombardeamentos massivos sobre civis? Não. Há fotografias ou vídeos de soldados sírios executando mulheres e crianças? Não. Existem imagens ou fotografias mostrando multidões de gente morta em Aleppo? Não. Quantos media ocidentais se encontram neste momento em Aleppo transmitindo provas sobre estas acusações gravíssimas? Zero. 
  2. Porque razão haveriam os sírios de dar liberdade aos "rebeldes" terroristas e executar os civis? Porque razão o exército sírio realiza uma demorada guerra de guerrilha urbana, conquistando bairro após bairro sem bombardeamentos aéreos para, após a conquista, executar os civis que tentou poupar actuando daquela forma? Se o Exército Sírio é "sanguinário", composto de "monstros bárbaros", "desejosos de matar civis", por que não limparam Aleppo leste com uma chuva de bombas, matando sem esforço nem risco  "rebeldes" terroristas e civis, e poupando assim as vidas dos seus "sanguinários" militares? 
  3. Na Nicarágua e em muitos outros países da América Latina, os media ocidentais chamavam à resistência popular indígena de "terroristas", enquanto que chamavam de "libertadores" aos mercenários contras treinados e pagos pelos EUA. Na guerra colonial portuguesa, o estado português considerava "terroristas" aqueles africanos que lutavam pela independência das suas terras e de "bravos patriotas" os portugueses que os dizimavam. Na guerra do Vietname, os media ocidentais não tinham dúvidas em chamar "bárbaros", "sanguinários" e "terroristas" aos vietnamitas comunistas (e muitos nem sequer) que se bateram de forma desigual contra a invasão dos EUA, o "país da liberdade", certo? E por aí fora...

 

Retomando o ponto 1, aqui ficam as  provas de "Aleppo transformada em mega-cemitério", assim como das "mulheres e crianças executadas pelo exército sírio" (atenção, não estou a negar a versão ocidental, estou apenas a partilhar as suas provas):

ZERO!

Exemplo perfeito deste zero redondo é a ONU, tão citada pelos nossos media ocidentais como fonte credível sobre o "mega-cemitério a céu aberto" ou as "execuções de mulheres e crianças pelos soldados sírios". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, falou de relatos transmitidos que davam conta de atrocidades contra civis em Aleppo  mas nunca indicou as fontes dos relatos, não explicou os tipos de atrocidades, não mostrou provas, não indicou sequer os supostos autores.  O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stephane Dujarric, afirmou "acreditar" que "atrocidades estarão a ser cometidas contra mulheres e crianças", acrescentando no entanto que "a ONU não consegue verificar de forma independente aquela informação". Zero, zero, redondo zero.

 

Propaganda sírio-russa

Do lado sírio e seus aliados, a versão é radicalmente diferente. A síria e seus aliados afirmam que o seu objectivo foi o de libertar Aleppo leste das mãos de mercenários pagos pelo ocidente e estados árabes pertencentes a grupos "libertadores" como a al-Qaeda, Ahrar al-Sham e companhia. Afirmam que nesse processo libertaram milhares de civis a quem deram comida, medicação e alojamento. Afirmam que durante esse processo civis e militares sírios foram atacados a tiro pelos "rebeldes" terroristas enquanto saiam de Aleppo leste. Afirmam que os civis sírios até então habitando em Aleppo leste os receberam como libertadores. Afirmam que em Aleppo se festeja a vitória contra os "rebeldes" terroristas. Afirmam que tratam os "rebeldes" terroristas de forma digna e humana, perdoando alguns e enviando a restante maioria de autocarro para o noroeste da Síria zona controlada ainda por "rebeldes terroristas".

 

Vamos às provas:

"Rebeldes" terroristas e suas famílias saindo de Aleppo em segurança, rumo a Idlib

(obrigado pelo vídeo South Front)

 

 Civis em fuga de Aleppo leste e militares sírios atacados a tiro

 

Civis fugindo em paz Aleppo 

 

Civis em fuga de Aleppo leste, recebidos e ajudados  pelas forças sírias

SLIDESHOW 1 

 

SLIDESHOW 2

SLIDESHOW 3

 

 

vídeo

 

Sírios festejando a reconquista de Aleppo leste

 

 

 

Síria, acreditar em quem? Raciocine um pouco.

 

Se quiser brincar um pouco mais com raciocínio lógico, proponho-lhe ainda um exercício facílimo: desmontar e espancar este não-artigo de opinião do apóstolo da negação (do facilmente provável) e histérico poeta de apocalipses inventados:

 

Luís Garcia, 19.12.2016, Chengdu, China

 

ler também:

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