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Pensamentos Nómadas

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Sim, deve-se desperdiçar o talento

 

 

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RICARDO MINI copy  SOCIEDADE 

 

Se há algo que o sistema capitalista, através da sua máquina de moldagem de mentes, propaganda e mediatismo, é profícuo, é na elucubração de ladainhas sem fundamento real.

 

Desta vez, venho exigir esclarecimentos às pessoas que repetem que outras devem dar a conhecer o seu talento “ao mundo”, caso contrário estão a “desperdiçá-lo”. Mas, o que é que o talento tem a ver com reconhecimento, fama, distinção ou capacidade de gerar dinheiro? Nada.

 

Por alguma razão, os filósofos antigos - e ainda Schopenhauer – se exprimiam contra a fama. É uma das tentações mais perniciosas para o ser humano. Fá-lo desviar-se do seu fim último e mais elevado. Neste caso, a criação que faz através do seu talento, seja ele artístico, científico ou de qualquer outra índole.

 

Em verdade, o que não nos falta são exemplos de muitos artistas – e foco-me nos artistas, porque são aqueles sobre quem mais facilmente é colocado este ónus de se “darem a conhecer” – que, na senda da exploração popular do seu talento se perdem completamente e, aí sim, o desperdiçam irremediavelmente. Michael Fassbender, por exemplo, um ator de cinema que admiro muito e que principiou a sua carreira com performances formidáveis em filmes como “Hunger” e “Shame”, anda a abafar as suas capacidades numa Hollywood já bem fomentada na sua ação de sensacionalismo opressivo a operar contra o talento dos seus artistas. Ele, tal como muitos outros artistas, dos mais diversos ramos, com o tempo tornam-se medíocres.

 

Porque o talento é uma questão de trabalho. Não vem de nascença, como é comum acreditar. E quem não o pratica, quem não o treina e quem não o trabalha, perde-o. Mas, pode-se perfeitamente fazê-lo no anonimato, resguardado do vício da fama que faz enveredar por uma espiral de mediocridade em crescendo.

 

No caso de crianças, o prejuízo que a fama pode representar para a sua mente é ainda mais nefasto. Quem de nós não conhece, ou pelo menos se lembra ainda que vagamente, de um caso de uma criança que tenha sido convencida pelos pais a participar num concurso de talentos? Mas não é isto de uma irresponsabilidade inominável? O que vai acontecer àquela criança quando, de repente, deixar de receber atenção? Vai procurar mais atenção. Como procuram muitas jovens, hoje em dia, criando autênticos espetáculos de horrores mascarados de arte, na senda da cultura de choque.

 

Por isso, sim, se o aproveitamento do talento significa a sua capitalização, a sua rentabilização, então deve-se desperdiçá-lo, contra tudo e contra todos.

 

Até a questão da imortalidade que supostamente se pode atingir com a obra que se cria é desprezível face ao risco. No fim, sobrará, de cada um, uma mera produção fria e impessoal. Durante uns tempos ainda haverá, possivelmente, quem consiga transmitir a outros algo da sua pessoalidade. Mas, depois disso, sobra uma pálida e miseravelmente ténue projeção de si próprio naquilo ao qual o seu nome ficou atribuído. E o que guarda o nosso nome de nós mesmos? Nada.

 

Ricardo Lopes

 

 

 
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