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Pensamentos Nómadas

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Operação Mali - parte 4, Luís Garcia

 

 

Bandeira de Azauade

Luís Garcia POLITICA    

 

ATAQUE TERRORISTA EM IN AMENAS

No dia 16 de Janeiro de 2013, com o ataque terrorista à refinaria de In Amenas, o conflito malinês estendia-se (finalmente para a França) até à Argélia. O líder desta tomada de reféns terá sido Mokhtar Belmokhtar, um senhor treinado pela CIA nos anos 80 e que se juntou aos mujahidines encarregados pelos EUA de combater  através de uma guerra de guerrilha a invasão da União Soviética no Afeganistão. Mais, este senhor está ligado a várias organizações terroristas (Al Qaeda, AQMI) que recentemente roubaram Azauade ao movimento independentista tuaregue, assim como a uma organização terrorista baseada na Argélia, a GIA (Grupo Islâmico Armado). Segundo Lawrence Freeman (Executive Intelligence Review) numa entrevista à PressTV, Mokhtar Belmokhtar e os seus combatentes receberiam desde há muito financiamentos provenientes da família real inglesa, dos  EUA e dos seus protectorados árabes do Catar e da Arábia Saudita.

 

Uma vez mais, as acções destes grupos que destruíram o sonho tuaregue a mando do ocidente, do ponto de vista estratégico, agiram de forma completamente incoerente e improvável não obtendo nada de útil à sua causa (a ser real) de querer controlar Azauade para a aí criar o seu estado ultra-islâmico. Vejamos, se já são por demais numerosos e  evidentes os laços que unem estes grupos islâmicos àqueles (Ocidente) que há pouco vieram (oficialmente) combatê-los, acrescentando os erros estratégicos que servem na perfeição a agenda ocidental na região, não há dúvidas que esta malta são umas tremendas marionetas do colonialismo ocidental no norte de África  e Médio Oriente.

  • Primeiro, se fosse genuína a sua vontade de criar um estado islâmico em Azauade não teriam atacado e roubado os tuaregues que já tinham obtido esse mesmíssimo feito. No máximo poderiam influenciar o governo desse país a tomar decisões mais radicais acerca da Sharia e afins o que não seria de todo impossível pois a população já é muçulmana.
  • Segundo, se foram bem decididos em roubar Azauade aos tuaregues e já tinham um estado onde impor as suas supostas paranóias, por que raio se lembraram de destruir o património cultural do Mali e, sobretudo, atacar militarmente o Mali do sul, convidando o ocidente a intervir em nome de "valores humanitários", não só para os fazer recuar do Mali, mas também do estado de Azauade? A reposta poderia ser simplesmente burrice, mas com franceses preparados para intervir meses antes da esperteza e da burrice islamista ter tido lugar, a história cheira a esturro.
  • Terceiro, 6 dias depois da França lhe invadir Azauade, estes senhores lembraram-se de atacar uma refinaria na Argélia? Para quê? A TV ocidental, trapalhona e malabarista da verdade, ia nos dizendo que o mundo ocidental estaria estupefacto com a aventura colonial francesa, como quem diz, não, nós ocidentais democratas não nos metemos em ilegalidades dessas. Tretas, basta olhar para Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, e constatar o contrário.  E mais, sabe-se que forças especiais inglesas chegaram ao terreno antes mesmo dos islamistas terem atacado o Mali do Sul. Mas bom, a propaganda lá foi maquievelicamente transmitindo a ideia de que o ocidente não estaria de acordo com o comportamento colonial da França. Pois claro, fica tão bem fazer parecer tal. Faltava era algo de mediático para mudar o clima e virar o ocidente inteiro contra os islamistas. Os mesmos islamistas fizeram o favor (!?!) e invadiram In Amenas. Óptimo, de loucos invasores os franceses passaram a visionários heróis da liberdade, e toda a gente apoiava agora a França. EUA, Canadá e vários países europeus participam na ilegal força invasora em colaboração com a França. E Portugal já anunciou para breve o envio de 7 militares!
  • Portanto, que ganharam os islamistas com esta história? Nada. Que perderam? Tudo, perderam Azauade e têm a NATO em peso preparada para (oficialmente) os esmagar se for o caso. Sim, podem ser burros, muito burros os tais islamistas, mas nesta não caio eu...

 

ARGÉLIA

Como diz o provérbio francês, «O apetite vem em se  comendo». Depois de recolonizar a Costa do Marfim  Líbia, e de tratar de apoderar-se da Síria, a França olha novamente face ao Mali como meio para alcançar o flanco argelino. (9) Palavras do jornalista francês, Thierry Meissant que adianta ainda: No momento da caída de Yamahiria, eu fui pessoalmente testemunha da recepção que os membros do Conselho Nacional de Transição [Líbia] ofereceram  aos dirigentes do AQMI  no hotel Corinthia que acabava de ser tomado por um grupo especial britânico trazido expressamente do Iraque. Era evidente que o próximo alvo do colonialismo ocidental seria a Argélia e que o AQMI viria  a desempenhar um papel nesta acção. No entanto, eu não ainda em que  momento e que conflito poderia ser utilizado para justificar una ingerência internacional. (9) Ei-lo agora, muito convenientemente: In Amenas! 

 

A Argélia era desde há muito uma colónia económica da França, através da ditadura argelina amiga de Paris, assim como a ditadura de Mubarak no Egipto era para os EUA. Basta relembrar que duas semanas antes da queda da ditadura argelina vergada à vontade popular, uma ministra francesa foi recebida em Argel. Tal como na Costa do Marfim ou no Mali, a França tem todo o interesse em fazer negócios com ditaduras atrozes e impopulares, desde que haja recursos susceptíveis de serem enviados para França. Como as reformas democráticas trouxeram ao poder na Argélia forças políticas (democraticamente eleitas) que antipatizam com Paris, urge aos franceses destruir a democracia na Argélia e restabelecer o controlo económico da sua antiga colónia.

 

Portanto, da mesma forma que os grupos islamistas serviram como razão para invadir o Mali, poderão esses mesmo servir de desculpa para a invasão da Argélia. Não é preciso muito, basta que propriedade ocidental seja atacada e que alguns europeus sejam vítimas do terrorismo encomendado. In Amenas ofereceu tudo isto e mais. Os militares argelinos são basicamente  os mesmos do período ditatorial,  é sabido (tal como no Egipto) que os militares têm mais poder neste país que os políticos agora elegíveis, e além do mais boa parte (altas patentes) continua como dantes fiéis a Paris. Sabendo tal, não é muito espantosa a forma bélica e homicida com que trataram de resgatar os reféns ocidentais trazendo-os de volta a casa embalados em caixões. Este tipo de anarquia, perícia e falta de táctica é o melhor presente possível que podem oferecer a França, um forma de trespassar futuros incidentes para as forças armadas francesas que se estabelecerão depois permanentemente na Argélia com a mesma desculpas de sempre, as mesmas já conhecida de Iraques  e Afeganistões...

 

Aconselho estes 2 artigos a quem quiser aprofundar o tema:

 

ÁFRICA RECOLONIZADA Além da Costa do Marfim, do Mali ou da Argélia, há a Guiné e Gana com novas reservas provadas de óleo e outros recursos minerais. Estes serão possivelmente os próximos, mas mais países da África francesa podem ser incluídos na lista. Temas de próximos artigos que atempadamente serão publicados denunciando a ingerência, o colonialismo e o terrorismo do Estado Francês por terras africanas. Fiquem atentos!

 

Notas

 

Referências

  • Estes são os principais artigos usados para a construção deste meu artigo, mas muitos outros  lidos na imprensa online portuguesa e estrangeira não ficam aqui referenciados, assim como não serão referenciados programas noticiosos visionados em canais como a Russia Today, a PressTV, a HispanTV, a Telesur e canais mainstream ocidentais que prefiro não publicitar. 

Luís Garcia, Ribamar, Portugal, 08.02.2013

 

 
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