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O que Trump representa para os progressistas, por Ricardo Lopes

 

 

O que Trump representa para os progressistas

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE POLÍTICA

 

Neste artigo, vou esmiuçar a histeria coletiva que se gerou recentemente em torno, primeiro da candidatura de Trump à presidência dos EUA, e depois da sua eleição.


Ora, para perceber a reação ao fenómeno “Trump”, é preciso perceber aquilo que representou e em que se tornou e a forma como cresceu o fenómeno “Obama”, e é preciso enquadrar os discursos progressistas e esquerdistas no quadro dos valores culturais atuais.


É comum ouvir dos progressistas modernos que a humanidade conseguiu grandes feitos, principalmente nos últimos 200 ou 200 e tal anos. Por exemplo, que acabou com a escravatura, que se instaurou a democracia de uma forma mais ou menos generalizada pelo mundo inteiro, graças à revolução francesa, que acabou o racismo, entre outras histórias da carochinha lindas para adormecer as crianças entre os 2 e os 7 anos à noite.


O que representou Obama? Obama foi o orquestrador perfeito (melhor teria sido quase impossível) de um processo de branqueamento do estado atual do mundo moderno, sob o sistema vigente do capitalismo. Obama foi o pretinho, que por ser pretinho, ninguém considerado “decente” podia criticar. Obama transformou uma coisa chata, enfadonha e muito difícil de compreender como a política numa coisa “cool”. Transformou a imagem do político como alguém série, muitas vezes sisudo, a recorrer a linguagem complicada de decifrar, numa estrela pop. Obama foi o político dos talk shows, dos discursos humorísticos, das paródias familiares, da abertura de portas da casa branca à populaça, das redes sociais.


Mas Obama, para os progressistas, através disso, representou algo muito mais profundo e importante, aquilo que dá alento a todas as lutinhas grupais ridículas, que é o facto de, finalmente, ter conseguido convencer as pessoas de que o mundo progrediu mesmo, de que o mundo mudou muito, e de que os atuais progressistas vivem num tempo privilegiado. Obama fê-los sentirem-se importantes. Os progressistas atuais, perante a imagem que Obama pintou do mundo e do país mais influente do mundo, sentiram-se os herdeiros do legado de grandes lutadores pelos direitos humanos. Com Obama à proa do mundo, os progressistas acreditaram que, não só era possível melhorar o mundo rápida e infinitamente, como eles poderiam participar, todos, nessa mudança, e imortalizar o seu nome.


O problema é que nada mudou. E é isso que Trump representa. Trump representa o falhanço total de tudo aquilo por que os progressistas acharam estar a combater e a conseguir concretizar, ao longo de 8 anos de Obama, contando já com o legado de franceses, Martins Luther King, Ghandis, Einsteins, John Lennons, Johns F. Kennedy, Malcolms X, Jiddus Krishnamurti, Karls Marx, e toda a panóplia de grandes oradores dos últimos dois séculos. Trump veio negar o mundinho das histórias de carochinha que os progressistas acreditaram existir, mas que nunca passou da cabeça deles.


Trump, acima de tudo, é o político da realidade. As suas ideias e opiniões são as ideias e opiniões de uma esmagadora maioria das pessoas, e que continuarão a ser durante muito tempo, como irei explicar.


Uma das principais armas de que os progressistas sempre se socorreram, e provavelmente a mais usada de todas, foi o sistema legal. Os progressistas que são tão progressistas, são tão ou mais rápidos a condenar o que é diferente deles, tal como os racistas, machistas, homofóbicos, chauvinistas, etnocêntricos, conservadores e retrógrados que tanto acusam de pretender interferir com a vida alheia. Os progressistas que são tão progressistas, e que não perdem dois segundos a apontar o dedo a alguém que consideram ser retrógrado e a acusá-lo de interferir com a vida alheia, nunca perderam dois segundos a condenar a uma vida miserável pessoas que pensavam de forma diferente deles. Os progressistas querem resultados imediatos, porque interessa que seja reconhecido o seu trabalho e a sua luta. E, como é que se conseguem resultados rápidos? Através de imposição, nomeadamente por vida legal. Ora, então, toca a proibir determinados tipos de comportamento.


Agora, isto não só é estúpido, como é altamente injusto e perverso. Os progressistas, que supostamente existem para representar os desfavorecidos, os que não têm voz, por via da sua estupidez, e por mais que tal lhes custe a aceitar, condenam precisamente esses. Os progressistas, que acham que toda a gente tem de papar a ideologia deles, porque só através de tal ideologia é que o mundo pode funcionar melhor do que funcionava antes de eles intervirem, querem saber de tudo, menos de providenciar condições materiais favoráveis à maioria das pessoas. E, mais, querem saber de tudo, menos de melhorar o sistema de ensino, para que as pessoas tenham acesso a conhecimentos relevantes acerca dos vários aspetos da vida em sociedade e do mundo no geral, e de facilitar o acesso das pessoas a esse mesmo sistema melhorado. Não, os progressistas querem resultados rápidos.


Por isso, são tão afins de revoluções, de manifestações, de protestos, de tentar influenciar o poder legislativo. Porque, sabem que mais? Mudar o mundo, como ele deveria ser mudado, dá muito trabalho, e leva muito tempo. Principalmente, leva muito tempo porque teria de se modificar drasticamente a cultura em que vivemos – e falo de uma cultura, porque o sistema é cada vez mais globalizado. Daria tanto trabalho e levaria tanto tempo a fazer, que provavelmente nenhuma pessoa ou grupo de pessoas sozinho o conseguiria fazer e, puf, lá se ia a imortalização com os porcos.


Agora, o Trump deu cabo dessa rica imagem do mundo moderno, da imagem que deu tanto tempo aos progressistas construir, e das ideias que tinham do mundo das quais tiveram tanto trabalho a convencer-se. Não, nós não vivemos num mundo no qual a escravatura acabou. Não, nós não vivemos num mundo no qual o racismo acabou. Não, nós não vivemos num mundo no qual imperam os valores democráticos. Não, nós não vivemos num mundo que cumpre com os direitos estabelecidos na Carta dos Direitos Humanos. Não!, nós vivemos num mundo que é tão primitivo como o mundo era quando alguém decidiu criar a primeira forma de linguagem escrita. Aliás, nós vivemos num mundo que é tão primitivo como o mundo era quando alguém decidiu criar uma forma de comunicar verbalmente. O problema, é que ainda ninguém reparou.


Ou, melhor, não tinham reparado até há bem pouco tempo, e continuam a insistir na sua negação com toda a força. Daí tanta gente agora se manifestar contra Trump, daí terem querido que se fizesse a recontagem dos votos, daí quererem recorrer a todas as vidas possíveis para impedir a sua indigitação. Mas, isso não vai acontecer, por mais que queiram. E, ainda bem que não vai, porque as pessoas precisam de olhar para o mundo tal como ele é. Trump traz consigo a iluminação, e não aquela que os iluminados progressistas disseram possuir durante tanto tempo.


Trump representa o fracasso total das tentativas de mudar o mundo através de discursos orais ou escritos bonitos e bem-sonantes. Trump representa o fracasso total da tentativa fútil dos progressistas de remeterem ao silêncio e ao ostracismo todos aqueles que defendem ideologias opostas.


A sociedade moderna continua carregada de primitivismos, porque a sociedade moderna continua a operar com base nos mesmos princípios de exclusão que todas as sociedades e culturas humanas operaram desde que existe organização e grupos sociais. Lamento, meus caros progressistas, mas o que tentaram fazer, e não resultou, tal como nunca resultou ao longo da história, nem nunca resultará, foi varrer o pó para debaixo do tapete, e deixá-lo lá escondido na esperança de que desaparecesse por si próprio, deixando simplesmente o tempo fazer o seu trabalho. A questão é que o tempo não faz trabalho nenhum. O tempo apenas cria condições para que, mais cedo ou mais tarde, capitalizando momento de descontentamento generalizado, as antigas figuras de proa dos valores que norteavam a humanidade assomem à superfície, em todo o seu esplendor.


Aprendam de uma vez. A sociedade não muda por via de revoluções, porque as revoluções são movimentos exclusivos. As revoluções fazem apenas com que determinados grupos sociais se vejam obrigados a operar na clandestinidade, até que surjam condições favoráveis ao seu ressurgimento e possam retomar o poder.


E, a sociedade não muda por via de imposições. Para além disso, as imposições são absolutamente injustas, porque a maioria das pessoas que carregam valores retrógrados vivem em condições desfavoráveis, tal como já disse.


Muitos sociólogos e historiadores olham para a história humana e veem ciclos que se repetem, e passam a acreditar que é uma questão de destino, de sina, de vontade divina, ou algo que não se pode mudar porque o ser humano é naturalmente de uma maneira ou de outra. Pois, mas eu tenho-vos a ensinar uma coisa: o ser humano não é naturalmente coisa nenhuma. O ser humano é o resultado do ambiente em que vive, das condições de vida que tem, das experiências e das influências que recebe.


A inveja, a avareza, a competitividade, e todas essas supostas vontades de se impor, não são mais do que o resultado da vivência num sistema que opera com base na escassez de recursos, materiais e intelectuais, e com base nas vantagens diferenciais. As vantagens diferenciais constituem tudo aquilo de que determinadas pessoas favorecem por pertencerem a determinado grupo social.


Ora, e se antes as pessoas viviam num sistema no qual a escassez era inevitável, agora vivem num sistema que cria situações de escassez, e é com base nisso que a sociedade opera. A tal ordem social que toda a gente, de todos os polos políticos, almeja, é mantida com base no princípio da criação de condições de escassez artificial.


O que esperam que aconteça, nestas condições?


Por isso, é que a história humana é cíclica. Por isso é que caem impérios, e reinos, e países, e uns tomam poder, para depois serem depostos por aqueles a quem o usurparam. Por isso é que esta fantochada de aparente progresso e constante retrocesso, numa espécie de tentativas frustradas de remendar um sistema obsoleto, para além do progresso tecnológico – que, esse sim, é real – não permite um verdadeiro progresso de valores.


Por isso, meus caros, é que toda a gente ficou muito chocada quando o Trump ganhou, e quando o “Sim” ganhou no Brexit, e quando se gerou uma vaga de xenofobia e discriminação religiosa, e de outros tipos, na Europa, perante uma vaga de refugiados de guerra e económicos.


Agora, se eu gosto do Trump como político? Sim, e não. Não, porque o Trump é um completo retrógrado. Sim, porque o Trump representa a verdade sobre o mundo moderno, com a qual os progressistas não querem ter contacto, principalmente porque é carregada pelos desgraçados deste mundo, os únicos que não têm voz e aos quais nenhum progressista quer dar voz… até que aparece alguém como o Trump, e permite, através da sua campanha e da sua posição privilegiada, que estas pessoas voltem a ter tempo de antena no espaço público. Trump deu voz aos verdadeiros esquecidos deste sistema. Trump deu voz aos desencorajados. Mais, Trump é uma evidência, Trump é honesto, Obama era uma mentira. Trump é muito menos perigoso que Obama. Obama era o palhaço mediático que, tal como qualquer outro palhaço, pintava a cara para ninguém o reconhecer. Por detrás da maquilhagem de pretinho progressista, estava a triste figura de um opressor sanguinário. A triste figura de alguém que, com os seus discursos cheios de floreados e esperança, conseguiu sufocar, vez após vez, os desfavorecidos e desencorajados que são uma maioria nos EUA. A triste figura de alguém que, com as suas atitudes populistas, conseguiu branquear o imperialismo, conseguiu entrar em mais guerras do que qualquer outro presidente da história dos EUA, transformando-as em “luta pelos valores democráticos”. A triste figura de alguém que foi figura de proa de um país onde ainda existe a pena de morte, onde existe a maior população prisional do mundo, onde a esmagadora maioria das pessoas vai parar ao sistema prisional, sem condições para alguma vez conseguir sair de lá, por fazer coisas tão inofensivas como drogar-se, faltar às aulas ou ter de cometer crimes porque não tem outra via através da qual se afirmar socialmente ou ter uma vida digna, um país onde a esmagadora maioria da população tem um acesso altamente precário a cuidados médicos, mesmo que pague um seguro de saúde, um país onde minorias são maltratadas e votadas ao desprezo desde que alguém se lembrou de as explorar e roubar-lhes a terras, como os pretos, os nativos americanos, os hispânicos, etc.


Admiram-se realmente que pessoas pertencentes a minorias tenham aderido tão facilmente à campanha do Trump? Meus caros, o Trump fez a campanha que lhes deu voz! Aquelas são as ideias de pessoas que vivem em condições desfavoráveis!


Podem vociferar o que quiserem, podem tentar ir atrás dos discursos bonitos que quiserem, mas as pessoas que carregam as ideologias do Trump não o fazem porque são merdosas, mas sim porque sofrem muito neste sistema! Vão estudar sociologia, mas a verdadeira, não a da serpente, ou dragão, de Ouroboros, que anda a morder a própria cauda, como que a cumprir com uma profecia demoníaca da qual não se consegue libertar?


Onde proliferam más ideias? Onde é que as pessoas mais facilmente aderem à religião? A que grupos sociais pertencem as pessoas que, estatisticamente, cometem mais crimes considerados violentos?


Foi a esta gente que Trump deu voz! Trump deu voz aos desfavorecidos! Trump não deu voz aos privilegiados, estragados pela forma como foram criados e educados. Não! Trump deu voz aos desfavorecidos! Por isso, é que deu voz a uma maioria!


A esmagadora maioria das pessoas neste mundo vive em condições precárias. Do dito terceiro mundo, acho que nem preciso de falar. Mas, no primeiro mundo, há cada vez mais pessoas que lutam para conseguir manter-se vivas e, muitas outras que, não lutando propriamente para sobreviver, são obrigadas a cumprir com determinados papéis que não as permitem realizar-se enquanto pessoas. São obrigadas a ter “bullshit jobs” – se não conhecem o conceito, vão ler David Graeber -, não encontram mais sentido na vida do que o de serem escravos-consumidores. Escravos de patrões que os exploram, de forma cada vez mais subtil, tão subtil que até aos países mais progressistas já conseguiram impingir trabalhos e formas de trabalho altamente prejudiciais à saúde mental dos seres humanos. Consumidores, porque o sistema capitalista é o sistema de consumo por excelência.


E, não é tão lindo como o novo slogan político de todas as campanhas, à direita e à esquerda, é o de “criar empregos”? Criar empregos, sejam eles quais forem e como forem. Criar empregos, nem que esses empregos não permitam ter um ordenado que sirva para satisfazer o acesso às necessidades da vida e a produtos e serviços básicos da vida moderna. Criar empregos, mesmo que se tenha de andar a ter mais do que um emprego ao mesmo tempo, e não se goste de nenhum. Criar empregos, mesmo que nenhum deles, na verdade, sirva para nada, e pudesse perfeitamente ser integrado no trabalho de um menor número de pessoas ou, até, automatizado.


Por isso, eu disse, no início, que os grandes progressistas, os grandes oradores líricos, os grandes ideólogos que não servem para nada porque nem sequer conhecem o mundo em que vivem, mas vivem e fazem atividade baseada exclusivamente nas merdas que têm dentro da cabeça, com a atitude que sempre tiveram todos os grupos sociais ao longo da história humana, e que esta gentalha considera diferente apenas por pretender transmitir valores diferentes, agarrados às suas políticas identitárias, vão arruinar o mundo. Não, não será o Trump a arruinar o mundo de vez, até porque já é mais do que hora de ultrapassar essa visão individualista da história e do mundo humano, como se alguém sozinho alguma vez tivesse causado impacto significativo no mundo, ou sequer num país.


Insistam nas políticas identitárias, das quais Hillary Clinton era a candidata representante nestas eleições, por ser mulher, tal como Obama era preto, insistam nos vossos sistemas legais que não mudam nada, mas que apenas alienam determinados comportamentos e os remetem para a clandestinidade, mas nunca para a inexistência, insistam em tentar fazer remendos num sistema que funciona com base no princípio do crescimento infinito na exploração de recursos naturais finitos, insistam em políticas acéfalas de ética do trabalho em vez de promoção do acesso universal a produtos e serviços, insistam nas revoluções, nas manifestações, nos protestos, na redação de textinhos cheios de floreados, de cartinhas e tratados cheios de palavras rebuscadas, que apenas há de piorar tudo com o tempo. É garantido. Podem passar mais 1000 anos a lutar nestes moldes, que nunca deixará de existir nenhuma prática condenada por moda. Aliás, a mentalidade primitiva é tão dos que são considerados retrógrados como vossa, como expliquei.


Principalmente, continuem a acreditar que os vossos mundinhos das ideias e as grandes artes servirão para dar propósito à vida dos escravos-consumidores, que, e já que os terroristas são uma das vossas principais preocupações, e que justificavam as ações do querido Obama nos países do Médio Oriente e do Norte de África, pode ser que, tal como já acontece mas intensificar-se-á, comecem a dar mais frequentemente de caras com pessoas que vos são familiares a lutar do lado dos terroristas, de tão desencorajados que já estão num mundo que não lhes permite a realização pessoal. Ou pensam que os jovens dos vossos idílicos países ocidentais decidem integrar grupos terroristas em países distante porquê? Porque são malucos? Não. Mais uma vez, vão ler os estudos sociológicos que traçam as condições de vida dos desencorajados do vosso sistema das histórias da carochinha.


Então, pode ser que chegue o dia, em que, mesmo depois de se terem negado a ver a realidade do mundo tal como ela é, porque arranjaram subterfúgios mentais e “safe spaces” a funcionar como câmaras de eco para sobreviver ao(s) seu(s) mandato(s), olhem na cara dos terroristas e já não os consigam distinguir de vocês próprios, porque quem está do outro lado é uma pessoa exatamente igual a vocês, com a mesma cor de pele, que fala a mesma língua, que nasceu e viveu a maior parte da vida no mesmo país, que foi criada na mesma cultura. A diferença é que essa pessoa terá sido alienada pelo sistema, por fatores externos, enquanto vocês se perderam no labirinto da própria cabeça, o qual criaram para não ter de ter contacto direto com o mundo humano tal como ele é atualmente. Não tal como ele era há 2000, há 500 ou há 200 anos, mas sim como ele continua a ser.


Portanto, continuem a viver nos mundinhos das vossas próprias cabeças, simplesmente não se julguem os salvadores da humanidade porque, isso, nunca serão.

Ricardo Lopes

 
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