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O que serve o pós-modernismo, por Ricardo Lopes

  

RICARDO MINI copy SOCIEDADE LITERATURA 

  

Não devemos ser incautos, e muito menos tolerantes em demasia, para com a corrente de pensamento e criação artística pós-moderna.

 

Chega-nos de autores como Jacques Lacan, Michel Foucault, Gilles Deleuze ou Félix Guattari que a identidade é constituída pela linguagem e através dela, que as relações sexuais são uma troca de significantes, e que cada um de nós é uma multiplicidade de partes de fragmentos, unidos por ligações eivadas de desejo. Que o “eu” deve ser encarado como essencialmente descentrado, pois as exigências normais da vida quotidiana exercem uma grande pressão sobre as pessoas para que assumam a responsabilidade pelos seus atos e se vejam a si próprias como autores intencionais e unitários.

 

É um movimento caracterizado pela primazia da superfície sobre a profundidade, do lúdico sobre o sério, da simulação sobre o “real”.

 

Digo que não tomemos estas informações de ânimo leve, pois, principalmente quando aplicadas no seio deste sistema cultural (capitalista, de redução do indivíduo a uma máquina de trabalho, de fazer dinheiro e de consumir, de atenção, de um ritmo de vida alucinante e de sede de redução da identidade a um qualquer rótulo que se encontre mais à mão) contribuem para soterrar ainda mais o indivíduo nos mecanismos que, curiosamente, o pós-modernismo arroga combater.

 

O “eu” espartilhado não tem como se condensar unitariamente para recuperar funções anímicas tão essenciais à emancipação e à construção individual como são a autoconsciência e a autorresponsabilidade. As pessoas não devem ser desresponsabilizadas, mas sim desculpabilizadas. Não é culpa delas que todo o seu existencialismo seja limitado pelas influências externas que recebem, mas é do seu máximo interesse no processo de individuação que lhes seja feito o apelo à responsabilização nesse processo. Ao contrário, tornam-se seres anestesiados e passivos.

 

O pós-modernismo dispõe os indivíduos a uma abordagem superficial dos seus problemas e das suas lutas, muitas vezes deixando-se ficar pela aquisição de um qualquer rótulo associado a um movimento com um conjunto de cânones a seguir acriticamente, caso contrário já não serão benquistos naquela baiuca, onde não é dado lugar a discutir os dogmas vigentes, sob uma pretensa criação de um “espaço seguro” para os seus membros. Se bem que eu nunca conheci nada mais perigoso do que a opressão, a repressão e o obscurantismo intelectual.

 

E, nesta sede de rótulos – que constituem a tal teorização superficial – para a qual cada excluído social se vê enveredado a satisfazer nem que seja para que possa reconstruir o simples mecanismo de aperceção sensorial, funda-se um neoconsumismo. Cria-se todo um mercado de bens de consumo dirigido a cada qual que sacrificou a capacidade de ser pessoa à necessidade de uma designação que creu mais definida do que as oferecidas em massa aos integrantes da cultura hegemónica. Um micro mercado e uma micro economia só para os freaks. Aqueles que são tudo, não sendo nada.   

Ricardo Lopes

 

 

 
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