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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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“Fúria Divina”, uma diarreia literária de José Rodrigues dos Santos (1ª PARTE)

 

grandessissimo cona copy

 

LITERATURA  POLITICA SOCIEDADE Luís Garcia

 

O pior romance que já li na vida. Aliás, isto nem sequer é um romance, é um manual de maus costumes: mentira, propaganda, manipulação, racismo, xenofobia, prepotência! E, como o autor é famoso e o público tuga analfabeto político, passa tudo. A doutrinação deste livro, igual à dos media mainstream, mas com o bónus nas últimas páginas garantido que as mentiras alqaedeanas e as baboseiras de José Rodrigues dos Santos são todas verdades, é muito bem sucedida e agora é vê-los a apelar à morte de refugiados sírios a caminho de Portugal, inclusive crianças inocentes! Parabéns José Rodrigues dos Santos por ajudares a criar um mundo PIOR!

 

Dada a falta de enredo e de personagens com profundidade e dinâmica intelectual minimamente realistas, posso resumir em poucas palavras que no seu todo Fúria Divina é um pingue-pongue simples e linear, entre capítulos sobre os bons (os norte-americanos e o herói português) e capítulos sobre os maus (os muçulmanos ou os árabes, ou as duas coisas, pois José Rodrigues dos Santos parece nem sequer ser capaz de fazer a distinção entre os dois).

 

Quase metade do livro é pretensa informação verídica, como se fosse possível em 2008 ainda acreditar na fantochada das cassetes de vídeo e mensagens da bonecada da AlQaeda (principal fonte de informação para esta obra, imagine-se! Que riso!), ainda mais quando se é jornalista há dezenas de anos. Ou melhor, precisamente por isso é que estará habituado a mentir sobre esta fantochada encenada pelos EUA! A outra quase metade é uma irritante repetição do que de mais violento há no Corão, junto com o esforço desonesto e perverso de fazer crer o leitor desatento que todos os árabes ou muçulmanos verão o mundo por esse prisma violento. Parece tirado de um manual do ministro da propaganda de Hitler que ficou famoso por afirmar que uma mentira muitas vezes repetida torna-se uma verdade. A ver pelos comentários no GoodReads, Goebbels estava definitivamente certo.

 

O resto é sobre um macho português azeiteiro mandando piropos "à trolha" a uma loira de olhos azuis de mamas em bico. Não exagero. Agora vamos à dissecação!

 

Incoerências

O espião otário - A CIA manda um agente seguir Noronha (o tuga personagem principal mulherengo) nos Açores. Nos Açores porque tem a Base das Lajes (cliché), O homem está lá de férias com a mãe e descobre aos poucos que é perseguido constantemente por um homem sinistro. Inquieto, tenta apanhar o homem que entretanto foge, que em seguida muda de ideias e vem ter com o Noronha, que tem algo muito importante a lhe dizer mas que não fala, e que por fim lhe passa um telemóvel e o põe à conversa com... um agente da CIA seu ex-patrão! Que risada! Das duas uma, ou têm medo de espionagem electrónica e mandam alguém pessoalmente falar com Noronha ou, não têm problemas desses e telefonam directamente dos EUA! Agora mandar alguém pessoalmente que em vez de se dirigir directamente anda não sei quanto tempo a brincar aos "polícias e ladrões", para depois acabar o herói tuga a falar ao telemóvel com o ex-patrão! O ex-patrão que lhe telefonasse!

 

O código para decifrar - Na segunda guerra mundial o Reino Unido pegou no seu génio da teoria da computação, Turing, e encarregou-o de decifrar os códigos múltiplos da Enigma, a máquina de encriptação militar do 3º Reich. Turing teve de passar da teoria à prática e inventar uma coisa nova: o computador digital. Custou milhões, levou meses e ocupou centenas de engenheiros, mas valeu a pena, acabaram por conseguir obter um bom algoritmo num computador suficientemente rápido que passou a decifrar os códigos alemães. Os EUA no séc. XXI, a era da hegemonia digital, lembram-se de pedir a um historiador tuga que decifre um código... de 12 dígitos! Da AlQaeda! E os super-computadores, estão todos avariados? Para cúmulo dos cúmulos, basta ler da direita para a esquerda (como os árabes), e a decifração é quase óbvia! Mas bom, era preciso um tuga para chegar lá. A sério José Rodrigues dos Santos (JRS), a tua obra parece-me uma daquelas anedotas do "Havia um inglês, um francês e um português...". E depois... AlQaeda, uma sub-agência da CIA! Pedissem-lhe a porra do código! Ahahah!

 

Reunião ultra-secreta no meio da multidão - A CIA precisa de fazer uma reunião ultra-secreta e em vez de usar uma das suas centenas ou milhares de localizações secretas próprias, não, escolhe um edifício super turístico na super-turística Veneza. Mas o génio do José Rodrigues dos Santos pensou em tudo, o manhoso, e a sua personagem da CIA lembrou-se de encenar umas providenciais obras de restauração no local para que este estivesse fechado para visitas! Ohhhh, brávô, brávô! Oh JRS, sim, um Código da Vinci que se respeite tem de passar por locais cliché como Veneza, Paris ou Florença mas, não sei se te explicaram, convém arranjar uma desculpa minimamente... plausível! Entendes "plausível"? Mmmmm, não me cheira.

 

O professor de estudos árabes de uma tribo da Papua -  Então o herói tuga da obra (JRS é perito em obrar) é fluente em aramaico, hebraico e árabe, é historiador perito em Médio-Oriente, estudou na grande universidade egípcia de Al-Azhar e, quando uma loira de "lábios suculentos e apetitosos como morangos" lhe diz que Portugal é um alvo prioritário do "terrorismo islâmico" porque a CIA (agência que criou a AlQaeda) encontrou uns vídeos da AlQaeda nos quais uns trogloditas afirmam (em nome deles não do mundo árabe muçulmano que eu conheço) que têm como objectivo conquistar a Península Ibérica e recriar o Al-Andaluz, o raio do homem espanta-se e cabisbaixo acredita na lengalenga! Que raio de perito é este que engole cassetes riscadas da propaganda que já nem norte-americanos lobotimizados têm paciência para ouvir. Soa estrondoso, fantástico, catastrófico... mas é um disparate! Um pessoa que tenha estudado, vivido e viajado no Médio Oriente sabe que nessa parte do planeta os seres-humanos, SIM, são seres-humanos, e não bombas com cronómetro embutido como nos impingem vendidos apresentadores em Jornais da Noite, ganhadores de prémios de jornalismo da CNN! Se Noronha fosse o historiador que JRS diz ser, ter-se-ia cagado a rir com a história da carochinha dos retardados agentes da CIA que acreditam nas suas próprias mentiras e teria voltado para o estudo dedicado de livros sobre a complexidade e riqueza da história e cultura árabe como fazem... os historiadores!

 

Bom, e chega por agora que a lista é interminável como o livro!

 

O Absurdo Russo

Quanto ao enredo fraco fraquinho que envolve material nuclear russo, primeiro, JRS baseia-se em "informações" de meios tendenciosos de muito fraca credibilidade, assim como em confissões de russos ainda menos credíveis. Mas tudo bem, quero acreditar que durante o colapso da URSS há 20 anos atrás muitas kalashnikovs terão sido vendidas ao desbarato por oficiais russos esfomeados, assim como peças de artilharia, tanques,  barcos de guerra e até porta-aviões! O JRS, que é jornalista, diz que sim, que gamaram porta-aviões! Enfim. Segundo ponto: tecnologia de programas especiais e/ou secretos não são deixados à sorte nem mesmo quando uma civilização "colapsa" parcial e temporariamente. A Rússia nem sequer colapsou, foi antes hiper-pilhada durante o processo de remodelação. Se não colapsa, por mais milhões que morram de fome com o processo de transição, o topo do poder bélico e do conhecimento científico nem sequer chega a ser beliscado. Aliás, mesmo numa guerra nuclear que matasse a maioria dos seres humanos, muitos milhares de russos, norte-americanos e chineses sobreviveriam junto ao seu conhecimento tecnológico em inúmeras cidades bunkers secretas ou não.

 

Por estas 2 razões juntas pergunto-me: como é que alguém pode não vomitar intelectualmente perante o roubo de material nuclear russo às mãos de uns trogloditas proposto neste livro? Para JRS, basta matar a tiro (com um silenciador, pois claro, de génio!) um, sim, UM militar russo sentinela à entrada da base militar russa, chantagear um outro com a decapitação da sua filha e mulher para obter os códigos desse e de um terceiro militar para abrir uma porta. Depois pega-se no material a roubar, matam-se silenciosamente todos os militares que testemunharam o acto, mete-se os cadáveres junto ao material roubado dentro do camião dos assaltantes, remove-se a neve vermelha de sangue do pátio da base militar e já está, siga pra Namec! A sério? É esta a ideia que JRS tem das bases militares nucleares russas? É este o tipo de segurança simples e não redundante que lá encontraria? Com esta receita, por favor!,  nem num armazém de enferrujadas kalashnikovs do museu do exército russo entrariam!

 

Má fé

Pôr uma criança egípcia a recitar de memória páginas do Corão exemplificativas da barbárie e agressividade islâmicas, da vontade infinita de degolar infiéis, do ódio doentio ao ocidental, e por aí fora, é um acto de má. Primeiro é mais provável alguém ganhar o euromilhões do que uma criança muçulmana venha algum dia a comportar-se assim de forma espontânea, sem condicionamento impingido por adultos de más intenções, ainda mais quando não cita meia dúzia de palavras mas sim páginas inteiras de texto e salta para trás e para a frente mentalmente como se fosse um motor de pesquisa. Depois, dá a sensação que essa criança de forma conveniente só escolhe as passagens más por que racialmente será um  bárbaro, não? Senão por que razão crianças fanáticas católicas não chegariam às mesmas conclusões influenciadas pelas equivalentes passagens bíblicas? A resposta só pode estar numa diferença racial ou genética! O muçulmano não é um de nós, não é como nós (como nos tentam convencer o tempo todo medias paranóicos). O árabe é "o outro", "o estrangeiro", o inimigo do nosso bem estar por definição! É o mal em pessoa! E não, não são os professores de religião os responsáveis do fanatismo de Ahmed no enredo deste livro pois a criança é o personagem  que possui a dinâmica de radicalismo mais forte e que tem a personalidade dominante, o que não se compreende numa criança de tão tenra idade. Mas aí está, o árabe é doutra espécie, não há portanto que supor que as crianças deles se comportem como as nossas.

 

O JRS escolhe as partes violentas do Corão, mete as na boca de uma criança que virá a ser um adulto terrorista (como se os mercenários islâmicos se geram-se assim) e com manifesta má fé propõe indirectamente ao leitor desatento (uma muito boa parte) que os muçulmanos pensam  e agem assim. Eu digo que não, viajei e passei bastante tempo em países do Médio Oriente e convivi largos períodos com muçulmanos leitores assíduos do Corão e sei que NÃO agem nem pensam assim. Agora psicopatas há sempre em todo o lado, como o católico Breivik da Noruega ou os da imensa lista norte-americana. Por que não também em países de maioria muçulmana! Caro que os há!

 

Que haja malucos que sigam a letra barbaridades de escritos sagrados não nego, mas por favor que se pare de propor que seja uma exclusividade islâmica. Bem pelo contrário, colonialismo, escravatura e mil e uma aberrações foram justificadas por barbáries escritas na bíblia. Baseados nos escritos sagrados judaicos, sionistas executam agora mesmo um genocídio sobre o povo palestiniano. Ou, insisto, o Breivik que matou quase 100 jovens na Noruega era um conservador católico! E que me prova isso, que uma pessoa que leia a Bíblia é uma bomba relógio por activar? Por favor não, as testemunhas de Jeová são por norma uns grandessíssimos chatos mas nada me leva a supor que não sejam boas pessoas e cidadãos exemplares! E que me dirão se, baseado no massacre da Noruega e em passagens bíblicas tão violentas como as do Corão escolhidas à má fé por JRS, um escritor muçulmanos ou árabe propusesse os mesmos preconceitos primitivos sobre o ocidente católico que JRS propõe neste livro sobre os muçulmanos! E enfim, tá gasta esta lavagem de guerra de civilizações, chega! Ou não? A novidade sou chegou a Portugal em 2009? Que país!

 

Querem um exemplo retirado do livro? Vou vos mostrar um que JRS propõe sem dúvida à má fé , pois ninguém nos adverte que são afirmações bélicas de Maomé proferidas num contexto concreto de guerra e não de paz. Tampouco o cultíssimo escritor pródigo a debitar fora de contexto e de forma muito forçada toneladas de "informação" ora irrelevante ora proposta à má fé, não é capaz em 600 páginas de fazer o leitor desconhecedor destas matérias descobrir que Maomé era acima de tudo um político. um estratega (mesmo que isto que acabei de dizer seja uma ofensa para os crentes da fé islâmica), e que por consequência via-se na necessidade de doutrinar as massas de forma a mobilizá-las!  E quê, nada de novo debaixo do sol!

 

O excerto: "abriu os o braços, fechou os olhos, levantou o rosto e, com a expressão mística de um asceta em transe, entoou o versículo que a revelação progressiva autenticar. "Matai os idólatras onde os encontrardes. Apanhai-os! Preparai-lhes todas as espécies de emboscadas!"

 

Clichés

Escritor poliglota - Vamos às caricaturas. Neste livro o norte-americano diz "fucking" uma 500 vezes, o alemão diz "mein gott", o italiano "buongiorno" e o árabe, pois claro, diz "allahu akbar" até fartar. JRS é tipo um Dostoiévski versão pimba da nossa "cultura".  Mas com claras diferenças! Dostoiévski e outros contemporâneos seus, imbuídos quiçá num profundo sentimento de superioridade intelectual (ou não) face aos não falantes da língua francesa, inundavam os seus livros com frases inteiras em francês. A desculpa é que as próprias personagens russas teriam a mania de querer mostrar que sabiam falar francês! Compro-a! Além do mais, Dostoiévski escreveu DE FACTO grandes obras da literatura mundial, defendo eu. No caso deste livro, o norte-americano diz uma palavra em inglês, o alemão em alemão e o italiano em italiano... porque o  nosso artista quer provar que é um poliglota, além de uma mente genial! Caso contrário, em vez das suas personagens estrangeiras falaram 99,9% em português, falariam 100%! Afinal o autor é português, não? Qual é o valor acrescido ao enredo trazido por essas palavras estrangeiras parva e aleatoriamente espalhadas pelo livro? Para mim nenhum! E sem nota de rodapé, haverá quem não as entenda, o que não é nada simpático para com quem desembolsou uma fortuna pelo calhamaço.

 

Perigo nuclear - Para não variar, e tal como nos noticiários apresentados por JRS, o perigo nuclear vem do Irão, da Coreia do Norte, da Síria e da Líbia, assim como vagamente dos "países pobres", dos "países subdesenvolvidos" e "dos países em via de desenvolvimento". Este man encarna à bruta a personagem do "bom aluno" cavaquiano, é mais papista que o papa e mais simplista que o pior dos falcões reaccionários dos EUA.

 

E que treta é essa da eventual produção de uma arma nuclear por parte de um país pobre constituir um perigo pois deixa de ser possível, a partir desse momento, impor sanções a esse estado? É perigoso para quem perder-se uma vítima de bullying estatal? Para o capital a quem beijas o cu? A realidade real não será ao inverso? Não será antes o fim do perigo para o estado pobre que encontrou forma de neutralizar as tentativas de bullying de estado?

 

No mundo real, caro JRS, a maioria dos países do Movimento dos Não-Alinhados, que constituem mais de 80%  da população mundial, não só não querem ter armas nucleares como passam o tempo a assinar acordos anti-nuclear e a propor resoluções na ONU para o fim das armas nucleares neste planeta. Exemplos concretos? Venezuela, Cuba e Bolívia.

 

No mundo real, os EUA despejaram 2 bombas atómicas sobre um Japão que já se tinha rendido (aos russos), ao contrário do que dizem os livros de história ocidental.

 

No mundo real os EUA e Israel usam armas radioactivas (bombas-sujas a que JRS faz referência neste livro) sobre alvos militares e sobre civis.

 

No mundo real George W. Bush ameaçou inúmeras vezes o Irão com o uso de bombas nucleares tácticas e nos últimos 3 anos Barack Obama tem feito igual à Síria de Bashar Al-Assad. Para quem não sabe, a definição militar desse eufemismo pentagonês é: uma bomba nuclear táctica tem o poder explosivo equivalente de entre 3 a 8 bombas atómicas de Nagasaqui. Táctica o tanas, este pessoal e os seus eufemismos! "Terror nuclear de grande escala" mas é!

 

O árabe mau - O romance em si é um hino à paralisia mental. Fúria Divina é um amontoado de clichés gastos utilizados para denegrir de forma simplista e simplória conjuntos complexos de centenas de milhões de pessoas que podem ser árabes muçulmanas, não-árabes muçulmanas  e inclusive árabes não muçulmanas.

 

Para a mente primitiva de José Rodrigues dos Santos é tudo igual, daí que proponha que um agente da Mossad estaria em condições de fazer o perfil do "terrorista islâmico" (marroquino, português, norte-americano, indonésio, sírio, não importa) pela simples razão de já ter interrogado (ler torturado) milhares de terroristas (ler resistentes palestinianos anti-ocupação sionista, o que não é de todo o mesmo). É como entrevistar 3000 católicos não praticantes franceses e depois ser-se capaz de perceber profundamente o que vai na cabeça de um católico filipino fanático quando se deixa pregar numa cruz durante a Via Sacra!

 

Nesta matéria de propaganda anti-Islão e anti-árabes JRS é como o Cristóvão Colombo da doutrinação: o último descobridor da América! Neste caso, da propaganda norte-americana. Quando já nem um cidadão dos EUA reage mais a bestialização dos árabes e do Islão,  JRS fá-lo no nível mais baixo e reles nível possível, acreditando ainda assim que terá acabado de descobrir a pólvora. A ver pelas referências de leitores lusos deste livro em sites como o GoodReads e a discursos de portugueses que conheço pessoalmente, o mesmo se aplica à população média do nosso país. O que é triste! O português engole tudo, até merda paginada!

 

Por que digo isto? Vejamos, ao contrário do que se passa noutras propagandas modernas e mais sofisticadas, neste vómito de propaganda em forma de livro, os árabes/muçulmanos, pois claro:

 

 

  • batem nas mulheres: "o pai já estaria a espancar a mãe", entre outras passagens bem mais descritivas e gráficas que esta;
  • são brutos, porcos e maus, daí que polícia árabe espanque sem razões aparentes um detido que não oferece resistência e que responde cordialmente às autoridades! E pelo meio ainda deitam ao chão uma criança testemunha do acto; Guardas prisionais metem beatas, pedras e areia na comida dos presos por simples divertimento, e metem-nos a correr porque sim, e quem parar de correr é chicoteado!?! Para não falar das torturas e violações de presos sob interrogatório. Sim, até são credíveis, infelizmente, mas perante tantos exemplos de muçulmanos e árabes vítimas desses tipos de barbárie às mãos de norte-americanos e seus lacaios em locais como Guantanamo ou Abu Ghraib, qual era a ideia de JRS, chocar-nos com os horrores "exclusivamente" muçulmanos? Brincamos? Ah, que reles doutrinação.
  • são feios e têm os dentes podres! Ou JRS, por favor, isso é propaganda de Hollywood do tempo em que eras bebé de colo! Como és um gajo cultíssimo que regurgita referências à bruta no fim de cada livro, parto do princípio que conheces melhor que a tua mãe o sociólogo e realizador Sut Jahlly e o seu documentário Reel Bad Arabs: How Hollywood Vilifies a People. Daí que me pergunte como tens o descaramento de ainda sair à rua depois de publicar esta coisa livresca. "Arif encarou-o e abriu a boca num sorriso feio, revelando incisivos apodrecidos." Há mais passagens similares, acreditem!
  •  

  • têm um gene terrorista. Assim que activado, já não há remédio! Sim, porque no mundo real terroristas islâmicos são mercenários religiosos criados e financiados pelos EUA. No mundo de JRS terroristas islâmicos são crianças árabes que ao aprender as incoerências intrínsecas  ao Islão (igual para as outras 2 religiões Abraâmicas), acabam inevitavelmente a rebentar bombas suicidas por entre ocidentais modernos e bem-pensantes;
  • desconhecem o conceito de democracia, e é preciso um turista ocidental com tom paternalista para lhes importar a novidade! JRS ou é um enormíssimo imbecil ou então não tem escrúpulos, deixando-se enriquecer mentido ostensivamente. O Egipto de 2008 tinha uma das mais activas e corajosas comunidades bloguistas/activistas políticos do planeta, coisa que em Portugal praticamente não existe e faz imensa falta. Em 2008 viviam sobre um regime ditatorial e opressivo, não por terem mentalidades medievais mergulhadas cegamente no Islão, mas sim porque o regime de Mubarak era patrocinado pelos "democráticos" EUA que lhe oferecia anualmente 3.000 milhões de dólares em armamento moderno! Basta pegar num orçamento de estado oficial dos EUA, está lá tudo escrito! Quem já viajou (turista não conta, em princípio) a sério em países do Médio Oriente sabe que umas das grandes paixões sociais é a discussão política. O contrário de Portugal. Existe nessa zona do planeta um grande nível de cultura política e a sua história está repleta de grandes pensadores deste tema. O cidadão comum discute política como o português discute futebol efusivamente (sim, também discute futebol, e é ainda mais efusivo), e adora fazê-lo com estrangeiros quando se lhe apresenta a oportunidade. Mas não, neste livro é o turista ocidental, cidadão do mundo por norma socialmente alienado e apolítico convicto, que vem ensinar definições políticas a egípcios, imagine-se! Que barbaridade! O excerto: "O que é isso, mister?" Foi a vez de o turista se rir. "Democracia? Nunca ouviste falar de democracia?" "Eu não, mister." "É tu poderes escolher o teu presidente", explicou o europeu. "É tu teres uma palavra a dizer na forma como se governa e se fazem as leis do teu país. Não gostavas?" "Mas para que preciso eu disso, mister?" A pergunta pareceu ao turista tão ingénua que o deixou por momentos desconcertado. "Sei lá, para... para poderes substituir o teu presidente, por exemplo. Olha, imagina que achas que ele está a governar mal. Em vez de o teres a mandar para sempre, podes tirá-lo e pôr lá outro que governe melhor." "Mas ele não vai deixar, mister." O turista riu-se outra vez. "Claro que não! É por isso que precisas de leis democráticas, que permitam substituí-lo. Não gostavas de as ter?""
  • são todos polígamos, inclusive o muçulmano português de origem moçambicana! Todos, de Moçambique à Tunísia, de Marrocos à Indonésia, espectáculo, haja mulheres para esta malta toda. Que raio que eu que tanto viajo em países muçulmanos é que não dei nunca por ela!
  • são bárbaros psicopatas: "Uma vez vi num desses chat-rooms um internauta fundamentalista dizer que pertencia a um grupo qu estava na posse de um refém e queria saber se, à luz do islão, era permissível decapitá-lo com um serrote ou se teriam de usar uma faca ou uma espada, conforme o exemplo do Profeta..." "E o que respondeu o especialista?" "Disse que o exemplo do Profeta devia ser seguido, como ordena o Alcorão, e aconselhou-os a usarem a faca ou a espada."
  •  vendem as filhas para casamento e falam delas como se fosse gado bovino ou caprino. "Terás de a domar, claro. A minha filha é um pouco rebelde e precisa da mão firme de um homem. Sentes-te à altura dessa tarefa?"
  • são tarados sexuais e pedófilos: "Logo que teve a primeira menstruação, o pai ordenou-lhe que se cobrisse quando saísse à rua, não fosse a nudez da sua pele leitosa desencadear involuntariamente a excitação sexual dos homens."

 

Don Juan de cortar os pulsos

Nada contra trolhas, profissão que respeito e que já realizei para ganhar um guito extra, mas a sério, a personagem Noronha é "um trolha", não no sentido profissional mas no sentido figurado mais machista e misógino que se pode imaginar, e os seus amigos da CIA não ficam atrás. Diria mais, esta diarreia foi escrita para agradar a leitores "trolhas" portugueses, que farão uma festa a ler a superioridade do macho latino bronco numa perspectiva hormonal-nacionalista. O tal Noronha, imagine-se, aceita trabalhar para a CIA porque uma gaja boa loira diz-lhe "Não me diga que quer trabalhar para mim...", disse Rebecca, fazendo beicinho e pestanejando muito."! Jasus, parece Looney Tunes para adultos em versão impressa! Quanto às descrições da gaja boa, por favor, que coisa simplória. Ficam aqui algumas citações desta temática, podiam ser 10 vezes mais, mas não, não me vou cansar a copiar aquela baboseira toda:

 

  • "Tenha cuidado com este português", avisou. "Tem ar de sonso mas é um predador de fêmeas";
  • "rapariga de cabelo curto e tão loiro que parecia palha. Tinha uns grandes olhos azuis, (...), e uns lábios suculentos e apetitosos como morangos."
  • "Despindo-a com o olhar, Tomás reparou que o corpo dela se desenhava curvilíneo como uma viola, com seios pequenos mas arrebitados, (...)" 
  • "Era a brasa prometida por Bellamy."
  • "Você é um fucking tarado!"
  • "Gee, não sabia que você falava italiano!" "Oh, falo muitas línguas." Piscou-lhe o olho verde e sorriu com malícia. "Na verdade, adoro exercitar línguas!" Atenta ao duplo sentido da graçola, Rebecca não deu parte de fraca e soltou uma gargalhada. "Reserve a língua para o sorvete."

 

fim da primeira parte, o melhor ainda está para vir!

 

Luís Garcia, Lampang, Tailândia, 10.11.2015

 

 

 

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