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Desespero Mediático por omissão, por Luís Garcia

 

 Desespero Mediático 19

DESESPERO MEDIÁTICO 15  

Luís Garcia  POLITICA SOCIEDADE    

 

RTP e terrorismozinhos

Sim, sei que mentira, propaganda e omissão de informação são uma epidemia que afecta a quase totalidade dos grandes e médios médias nacionais e internacionais. E por isso sim, poderia descarregar ataques em muitos mais média que não apenas a RTP, mas tenho uma razão para o fazer deste modo: a RTP, além de ser um média de informação criado no meu país natal e que é produzido na minha língua materna, é também público, pago pelos impostos de todos os portugueses e, portanto, carrega sobre si mais responsabilidades que os restantes privados. Daí a minha insistência em falar sobretudo da RTP e de brincar com o logo da RTP nos artigos do tema Desespero Mediático.

 

O tema de hoje são as omissões, mas comecemos pelo acontecimento que foi noticiado até à exaustão, o ataque supostamente terrorista em Londres que inundou os nossos médias de lágrimas e levou políticos de todo o mundo (Presidente da República Portuguesa incluído) a enviarem condolências ao pessoal lá do Reino Unido.

 

Não digo que não tenha acontecido ou que tenha sido simulado o ataque mas, por outro lado, não vejo terrorismo nenhum no caso. E não deveria ser só eu pois, quando há uma semana um jovem francês de pele branquinha realizou uma brincadeira semelhante (ler aqui), não só essa brincadeira foi quase por completo ignorada como, para os media que não ignoraram, a conclusão feita poucas horas depois foi a de que o jovem responsável pelo crime era maluquinho e que precisava de acompanhamento psicológico, imagine-se! E como chegaram a essa conclusão tão rápida? E como chegaram a conclusão tão diferente da conclusão da moda, "terrorismo"? Ahhh, querem ver que a diferença se encontra mesmo na cor mais branquinha da pele do rapaz, no azulinho da cor dos olhos do rapaz e no facto do rapaz ser francês não-muçulmano? Então, ver se compreendi, árabes muçulmanos, árabes não muçulmanos e muçulmanos não árabes serão uma espécie aparte incapaz de perder o juízo e, sabendo tal, podemos concluir com bastante rigor que sempre e quando árabes muçulmanos, árabes não muçulmanos e muçulmanos não árabes realizam um crime do qual resulte malta da nossa espécie ferida e/ou morta, esse crime entra na categoria de "terrorismo", certo? Acho que cheguei lá!

 

Omissões mediáticas

Quanto às omissões dos últimos dias o caso é grave, gravíssimo. Por exemplo, quem nos médias portugueses fez alguma referência, por exemplo:

  • Ao ataque das forças venezuelanas a um grupo de mercenários na posse de equipamento militar norte-americano dentro do seu território junto à fronteira da Colômbia: Fuerzas venezolanas incautan materiales de Ejército de EEUU. Então e estes mercenários, ilegalmente dentro da Venezuela, não são terroristas? E não merece notícia esta invasão gringa?
  • Chegada ao Mar Negro de barcos de guerra dos EUA desenhados especificamente para desembarques e carregados com tanques e militares norte-americanos: Buque de asalto anfibio de EEUU entra en el mar Negro. Dado o carácter ostensivamente ofensivo desta movimentação norte-americana, não deveria ser notícia em destaque durante o horário nobre?

 

Mas sim, sei que o que vende hoje em dia é terrorismo, o resto não interessa. Aliás interessa se for possível ser apresentado como uma prova do comportamento criminoso, perverso, tresloucado ou ilegal de Putin e restantes russos. Se não for possível encaixar uma notícia nessa estreita categoria, não há sequer notícia. Mas voltando ao terrorismo, é verdade que vende... em determinadas condições: tem de ser realizado contra malta branquinha não muçulmana, tem de ter lugar na Europa ou nos EUA e tem de ser realizada por árabes muçulmanos, árabes não muçulmanos ou muçulmanos não árabes. O resto não passa na inspecção do lápis azul. Aqui vão uns exemplos: 

 

  • Terrorismo de estado dos EUA que mata civis às dezenas e às centenas quase todos os dias em Mossul. Esta semana houve inúmeros bombardeamentos desse criminoso estado que acabaram assim, em morte de civis. Não vale a pena partilhar todas as as notíicias, fica apenas aqui a mais grave delas, de hoje, e que mereceu zero artigos da RTP: Mueren 200 civiles iraquíes en ataques de EEUU en Mosul. Como é possível que terror deste nível não seja noticiado? Como é possível que os nossos médias não acusem os EUA de cometerem "genocídios" ou "mega-cemitérios a céu aberto" ou "bombardeamentos indiscriminados"? Por que não acusam o "regime" norte-americano de ser "sanguinário"? Porque não exigem conselhos de segurança e reprimendas e castigos para este estado pária terrorista?
  • Nesta última semana, como nas anteriores, o exército sírio tem realizado enormes avanços contra a organização terrorista do ISIS, conquistando 2, 3, 5, 7 vilas e aldeias por dia, na província de Aleppo, na direcção da cidade de Raqqa. Anteontem conseguiram conquistar a cidade de Dayr Hafir, a maior aglomeração urbana que separa a região de Aleppo sob controlo sírio da cidade de Raqqa controlada pelo ISIS. Como é possível que nada disto seja noticiado na RTP e companhia? Como é possível que o mundo não festeje estas óptimas novidades sobre a libertação de dezenas de localidades e milhares de seres-humanos até então nas mãos dos bárbaros do ISIS? 

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  • Terrorismo dos "rebeldes libertadores", al-Qaeda e companhia, em Hama e Damasco, parece que passou completamente ao lado da RTP também.  Damasco desde há 6 dias e Hama desde há 4 dias têm sofrido inúmeros ataques na forma de roquetes, de bombistas suicidas e de carros bombas, assim como tem sofrido percas de terreno para os mercenários terroristas estrangeiros ("rebeldes moderados libertadores" na gíria ocidental), sobretudo Hama, onde esses trogloditas pagos pelo ocidente já estão quase às portas da cidade. Leram bem? Até ataques de bombistas suicidas. Ataques esses que em médias anglófonos são noticiados enquanto "sucessos de combatentes anti-regime" e que em Portugal não são de todo notícia. Um gajo tolo tentando espetar uma navalhada num bófia no Museu do Louvre é terrorismo do pior, leva jornalistas à histeria parva e a ovelhada ao estado de choque bronco. Na Síria, afegãos fazem-se rebentar em atentados suicídios em Damasco e, claro, não passa nada!

 

E depois não é só o terrorismo contra a Síria que é censurado, grotescas omissões encontram-se em vários outros temas. Aqui vai uma:

  • Desconfio que, por não lhes agradar mesmo nada, RTP e companhia não noticiam o acordo realizado esta semana entre curdos do YPG-PKK (curdos sírio-turcos) e russos para a criação de uma base militar russa na zona síria sob controlo das FDS (curdos-sírio-turcos+NATO+EUA+curdoS-iraquianoS+toda a trafulhice) na parte ocidental do país. Os EUA devem estar fodidos com a estória e, portanto, os porta-vozes beija-cus têm de assobiar para o lado e fingir que não sabem nada. E assim na RTP ninguém informa que na cidade de Efrin já se encontram inclusive tropas russas.

 

 

E aqui vai outra omissão:

  • Pela 5ª vez em 10 dias o Pentágono anunciou ter enviado 1000 soldados norte-americanos para o nordeste da Síria, para a zona controlada pelas SDF. Para quem sabe contar, são 5000 soldados norte-americanos que entram ilegalmente no estado soberano sírio. Como flagrante acto de invasão que é, são coisas que não se devem dizer na RTP, orgulhoso média de mentira e propaganda pró-EUA, repleto de beija-cus prostituídos. E se fosse ao contrário, e se a Rússia entrasse com 5000 soldados em Israel, também assobiavam para o lado? Ahhh, puta que pariu, não há paciência! E mais, enviaram também um esquadrão de bombardeiros B-52! Assim, na boa, ilegalmente, sem autorização do estado em questão. Al-Assad tem repetido que o seu país está neste momento a sofrer um invasão armada dos EUA, mas que interessa o que diz esse senhor, não é? 

 

E só mais uma:

  • Esta semana, parte do território controlado pelas FDS foi entregue de forma completamente amigável ao exército sírio. As Forças Democráticas Sírias, que não são nem democráticas nem tampouco sírias, antes uma mistela intragável de NATO, EUA, curdos iraquianos (peshmergas fiéis a Israel) e curdos sírio-turcos. Desta mistela só se aproveitam os curdos da Síria e da Turquia, embora promessas norte-americanas de um Curdistão independente no território sírio tenham levado parte dos curdos sírio-turcos a trair temporariamente a Síria. Devido a várias razões que dariam um artigo à parte, voltaram a ganhar juízo e a aproximarem-se do governo legítimo sírio. A ideia por detrás desta entrega de território é a de se criar uma zona tampão (laranja no mapa abaixo) entre o território sírio ocupado pelo estado terrorista turco (verde-azulado) e a zona controlada pelas FDS (amarelo), de forma a evitar conflitos armados entre turcos e curdos, e que ficará sobre controlo do exército regular sírio (vermelho). O problema é que esta brincadeira não estava nos planos do estado terrorista norte-americano, é um grande embaraço para os EUA esta prova de falta de controlo sobre a totalidade das FDS e, assim sendo, não escapa ao lápis azul da RTP, pese embora a sua enorme importância.

 

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A próxima omissão merece um artigo à parte e fica para amanhã. 

 

Luís Garcia, 24.03.2017, Chengdu, China

 leia mais artigos de Desespero Mediático aqui

 

 
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