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Pensamentos Nómadas

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A solução vegana: contra factos não há argumentos

 

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Novo estudo levado a cabo pela Universidade Oxford mostra que o consumo de produtos de origem animal pode traduzir-se num aumento monstruoso da despesa pública e privada com a saúde. Está na hora de pensar nisto

   SOCIEDADE Ciência

 

Quando se fala de veganismo num contexto em que prevalece como norma a adoção de uma dieta omnívora surgem, de parte da maioria das pessoas, inúmeros argumentos que não primam pela objetividade mas que, pelo contrário, quase sempre permanecem ancorados em questões relacionadas com tradições, usos e costumes, opiniões e gostos. Quando se enceta uma discussão a partir de premissas assentes em critérios pessoais — não só aqueles atrás referidos mas também na moral e na ética — dificilmente se chega a um consenso com base no qual se possam operar mudanças ao nível da mentalidade ou do comportamento.

 

Não é que a ética seja de menosprezar neste caso, pois é um facto que, diariamente, vários milhões de animais não humanos são sujeitos a atos da mais inimaginável crueldade a fim de alimentarem variadíssimas indústrias que subsistem com base na sua exploração. Os argumentos da senciência e da consciência dos animais não humanos estão bem fundamentados cientificamente a ponto de, até ao momento, serem incontestáveis.

 

Contudo, isso não se reflete na legislação aplicada aos comummente designados por “animais de consumo” nem impede que, na maior parte do planeta, continuem a utilizar animais não humanos para fins recreativos, como é o caso daquilo que se passa nas touradas, nos circos, nos zoos. E porquê? Essencialmente porque no modelo económico vigente, que estabelece o princípio da maximização do lucro como objetivo máximo e que é norteado pela utopia da racionalidade económica, a exploração animal é extremamente rentável. Esta rentabilidade é garantida e justificada por um sem-número de hábitos de consumo reforçados pela cultura dominante.

 

Por este motivo, aquilo que o novo estudo levado a cabo pela Universidade de Oxford traz à luz é que o consumo de produtos de origem animal pode traduzir-se num aumento monstruoso da despesa pública e privada com a Saúde — com todos os impactos políticos, sociais e económicos que daí derivam — e que a adoção de uma dieta vegana poderia conduzir à diminuição do número de mortes por questões relacionadas com o consumo de produtos de origem animal e que, por ano, até 2050, 8,1 milhões de pessoas poderiam ser salvas.

 

Por outro lado e no que que à emissão de gases de efeito estufa diz respeito, através da aceitação de uma dieta vegana, conseguir-se-ia uma percentagem significativa de poupança ao nível da gestão dos problemas derivados das alterações climáticas. Ou seja, não estamos a falar da (qualidade de) vida de animais não humanos que, perante interesses e alegações economicistas, pode facilmente perder o seu valor. Não se estão a contrapor gostos, não se está a fazer um prédica vegetariana que a tanta gente desagrada e à qual alguns vegetarianos/veganos recorrem erradamente — por raramente se traduzir em resultados frutíferos para a causa que dizem defender — para veicularem o seu estilo de vida e justificarem a sua opção. Não se está a sustentar toda uma crítica a hábitos de consumo prejudiciais com base em opiniões e bitaites pessoais. Não estamos a falar de morais nem éticas subjetivas.

 

Nestes estudos apresentam-se factos científicos que ao serem transpostos para a realidade sociocultural podem resultar em benefícios económicos muitíssimo significativos que, num mundo capitalista, são sempre bem-vindos. Contudo, pode-se continuar a optar por ignorar estes factos, pode-se enveredar por uma atitude autista e suicida, pode-se fingir que não se acredita e persistir em carregar o estandarte da “minha opinião” mas, em plena consciência, saber-se-á que aquilo que a cultura sustenta no que à forma como mercantilizamos os animais não humanos diz respeito é indefensável. Objetivamente.

 

Ana Leitão

 
 
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