Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

Últimos dias em Doğubeyazıt, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 24  

Últimos dias em Doğubeyazıt

  

bw  Luís Garcia  VIAGENS   

 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

02/05.06.2014

Era suposto partirmos no dia 3 de Julho para Trabzon, cidade na costa turca do Mar Negro, mas a partida súbita em trabalho (para o Irão) do nosso anfitrião Mehmet trocou-nos as voltas. Com a ajuda e contactos de Mehmet, teríamos a certeza de obter o visto para o Irão (em Trabzon) no próprio dia. Sem ele, algo poderia correr mal, de forma que ficámos em vão à sua espera mais uns dias.


Foram dias calmos, com poucas saídas e muito tempo a escrever no escritório de Mehmet. Ainda assim, em cada um dos 4 dias aconteceram situações divertidas e/ou absurdas sempre que saímos à rua e até mesmo sem sair. Fica aqui um resumo dessas últimas peripécias em Doğubeyazıt.

 

Dia 2 de Julho

A manhã foi passada exclusivamente a lavar e limpar o apartamento/agência de Mehmet onde muitos viajantes, amigos e conhecidos de Mehmet vêm dormir, comer, beber chá, usar internet ou tomar banho. Tudo bem, são muito bem vindos, o problema é que ninguém se dá ao trabalho de manter a casa limpa. Chegou a um ponto em que as paredes da cozinha e casa de banho passaram de brancas a castanhas escuras, viscosas e colantes. Com tempo livre para gastar e de novo com água na cisterna, fizemos a casa voltar a brilhar e cheirar bem!


À tarde saímos para imprimir umas fotos. Na Turquia chá nunca falta, de forma que tivemos que aceitar beber um chá enquanto se imprimiam as folhas na papelaria. Depois pedimos emprestada uma tesoura para recortar as fotos e enquanto o fizemos bebemos ainda um café a cada, também de graça. Também deu para rir, quando um dos muitos curdos dentro da livraria apontou para a bandeira curda na nossa mala e perguntou-nos se era a bandeira do Brasil!?! Ah, coitado, não conseguiu escapar ao gozo do resto dos curdos presentes! 


De volta a casa para montar o quadro (para oferecer a Mehmet) com as fotografias imprimidas, fomos encontrar Mahmud à nossa espera na sala principal. Coincidência, estávamos a planear telefonar-lhe para saber se podia nos emprestar o jipe e ei-lo à nossa espera. Mas não, o seu irmão levou o jipe para ir a outra cidade, não teríamos jipe desta vez. Azar.


À noite fomos passear com o nosso amigo Armağan, que nos comprou doces pelo caminho, até à zona do costume onde nos enchíamos de chás todas as noites. Desta vez houve um extra, aprender a jogar tavla, o jogo de tabuleiro mais jogado na Turquia. A caminho da casa da família de Armağan encontrámos um amigo seu: mais doces e figos secos! Na casa da família de Armağan, com a sua eufórica mãe (Fatma) e a sua querida irmã (Derya), passámos um belo serão a rir, conversar e comer! Que sensação de estar em casa entre família! 

 

Dia 3 de Julho

O dia mais calmo da viagem. Manhã a dormir, tarde a escrever, noite convívio com a nossa família adoptiva em sua casa: Armagan, a sua mãe Fatma e a sua irmã Derya. Quanto ao Pai, Mehmet Arik, continuava no Irão por mais uns dias ganhando a vida como sabe (organização de excursões turísticas).

 

Dia 4 de Julho

Depois de almoço, aborrecidos de estar em casa, pedimos 2 bicicletas emprestadas aos suecos (que ainda continuavam a dormir no quarto de visitas da agência) e fomos desbravar terreno em direcção ao monte Ararat, sem plano nem rota programada, apenas com a omnipresente vontade de explorar lugares desconhecidos e encontrar outras gentes…


Assim que saímos de Doğubeyazıt, deixámos a estrada principal e seguimos a direito com as bicicletas, atravessando campos de variadas cores e formas, como um dinâmico caleidoscópio que nos obrigava a sair constantemente da bicicleta para tirar “só mais uma foto”… e passou-se bem um dia assim, sobretudo quando se tem o monte Ararat pela frente e se está numa planície rodeada a 360º por uma imponente cadeia de montanhosa.

 

 

Umas horas depois de sair de casa, e após ter vistos rebanhos, encontrado gente, descansado em cima de fardos de palha, e por aí fora, estávamos por fim a uns metros da aldeia que avistáramos ao longe, no sopé do Ararat. Estar tão perto e tão longe, uns 15 ou 20 metros de pântano entre nós e a aldeia de Demir Tepe obrigou-nos a sair das bicicletas sem saber o que fazer. Felizmente encontrámos uns camponeses perto e fomos pedir ajuda. Uma jovem muito simpática que se preparava para voltar para casa chamou-nos e aconselhou-nos a seguir os seus passos calculados por entre o pântano. Para não estragar as botas, prendemo-las às bicicletas e atravessámos o pântano descalços. Do outro lado do pântano fomos encontrar a casa desta sorridente jovem e a sua acolhedora família que nos deu água para lavar as pernas e nos encheu as garrafas com água gelada que bem precisávamos! Como de costume, a mãe apareceu com chá e lá ficámos quase até ao por-do-sol na “treta” com gente curiosa como nós, com muita vontade de ouvir e perguntar, de descobrir as diferenças e semelhanças que separaram o seu “mundo” do “mundo” deste dois maluquinhos que atravessam pântanos de bicicleta… ah, que tarde linda passada em frente ao monte Ararat.

 

lkçlkçlkçlkçlçlkçlkçlkçlç.jpg

 

Ao pôr-do-sol fomos finalmente dar uma volta de bicicleta pela aldeia de Demir Tepe, para depois nos metermos à estrada em ritmo acelerado receosos de ter de andar de bicicleta à noite numa zona sem iluminação e com tanto “piloto de formula 1”! Mas não, não chegámos a por as rodas das bicicletas no asfalto da estrada principal. Quando nos faltava apenas 200 metros de terra batida (e ainda 5km para Doğubeyazıt) uma carrinha parou e dela saiu um senhor com vontade de ajudar. Meteu as bicicletas dentro da carrinha e prometeu nos levar a Doğubeyazıt. 1 km à frente parou numa fábrica de cimento que nos garantiu ser sua e convidou-nos para jantar na cantina onde comem os seus empregados! Ah, que banquete, sobretudo pela qualidade da comida! Findo o jantar, voltámos à carrinha e o gentil senhor foi nos deixar em frente à porta da agência de Mehmet, ou seja, à porta de casa…. que luxo!
À noite, fomos ao sítio do costume para conversas e chás… 

 

Dia 5 de Julho

O grande momento da manhã foi descobrir que havia um camião dos bombeiros estacionado num parque perto da agência a distribuir gratuitamente água. Como já não havia uma gota de água na nossa cisterna, nem sequer nos garrafões, andámos para trás e para a frente com garrafões de 20 e de 5 litros, com a ajuda de 2 miúdos que vieram para ganhar uns trocos extra. Quando já não nos podíamos mexer, fomos chamar os suecos (os tais que residem há semanas na agência para nos ajudar!

 

Durante o resto do dia passei um bocado no escritório, saindo com Claire para ir jogar à bola junto a uma vintena de miúdos curdos endiabrados, na praça imunda e fétida por detrás do edifício da agência. À noite, para a despedida, voltámos ao sítio do costume para mais chás e conversas. Ah, é verdade, Claire voltou a receber umas prendas “meio maradas” do pessoal dos chás… mundo louco, hehe!

 

Álbuns de fotografia

 

Luís Garcia, 26.04.2017, Ribamar, Portugal

 

Se quiser ler mais estórias desta viajem clique em:

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

À boleia até Van, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 23  

À boleia até Van

 

bw  Luís Garcia  VIAGENS  POLITICA 

 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

30.06.2014

Primeiro tomámos o pequeno-almoço com a agradável companhia da alemã, uma pessoa sábia e muito viajada. Depois, já com a mochila para a viagem às costas, fomos com Mehmet até à sede da Juventude do Partido Democrático do Curdistão, onde estivemos à conversa com o líder do grupo (que passou metade dos seus 34 anos em prisões turcas) e alguns dos seus membros. Aqui ficam algumas das queixas:

 

  • Ao contrário daquilo que dizem os media lobotimizantes turcos, o Partido Democrático do Curdistão, não pede nem defende a independência do Curdistão Turco (ao contrário do Curdistão Iraquiano que estás a poucos dias de se tornar independente com a ajuda e cumplicidade dos EUA, de Israel e sim, da incoerente Turquia que passa o tempo a dar tiros nos pés (ler artigo de Thierry Meyssan: EIIL : Que alvo após o Iraque?)
  • Pede antes a libertação imediata de Abdullah Öcalam, o seu líderes histórico encarcerado na prisão especial da Ilha de Imralı, no Mar de Marmara, onde é o único residente. Segundo o líder da juventude do PDK, a população curda anseia por um Öcalam livre que os guie e inspire na revolução cultural “ao estilo internacionalista” que o Curdistão tanto precisa, combatendo não só a omnipresente opressão turca, como também a falta de dinamismo da sociedade curda, perdida entre muitos preconceitos e pouca eficácia. Esperam que Öcalam os guie na necessária liberalização das mulheres curdas, na criação de um ensino universal em curdo, etc,… no fundo, que os guie na protecção e modernização de uma sociedade curda que em plena posse dos seus direitos enquanto seres humanos e cidadãos da Turquia, “não se vejam na obrigação de fazer luta armada por uma independência do Curdistão Turco”! Que “antes que se sintam parte integrante e respeitada da Turquia!”. Daí que acusem (tal como eu) o nacionalismo militarista, o terrorismo de estado e as tentativas de genocídio cultural do estado turco como os verdadeiros responsáveis pelo aparecimento dos movimentos rebeldes independentistas do Curdistão Turco.
  • Lamentam a presença absurda de bases militares turcas dentro das suas cidades; lamentam ainda mais o comportamento da polícia turca que “descaradamente distribui drogas por entre a população curda adolescente”. A ser verdade, faz-me lembrar a distribuição e o incentivo ao consumo de álcool nas populações aborígenes por parte das entidades oficias australianas, de forma a destruir o que sobra das sociedades aborígenes espezinhadas e criar uma péssima imagem pública destas, de grande utilidade para a sua diabolização nos media nacionais australianos. Dá que pensar!
  • Garantiram-me que respeitam imenso as restantes minorias da Turquia, e que mantém contactos frequentes com algumas dessas comunidades, como é o caso dos arménios da Turquia. Insistiram que anseiam por uma Turquia “internacionalista”, unida num estado mas rico e diversificado em cultura proveniente dos inúmeros grupos étnicos.

 

Marcámos um outro encontro para uns dias mais tarde, com mais tempo e alguém fluente em inglês para traduzir. Infelizmente por várias razões não foi possível realizar essa planeada entrevista gravada. Fica para a próxima visita ao Curdistão Turco.

 

Sim, íamos fazer uma viagem hoje! Começámos à boleia uns metros depois da sede da juventude do PDK, onde de imediato apanhámos boleia de Mahmud, um jovem desportista curdo da selecção nacional de esqui da Turquia. Mahmud levou-nos até à saída da cidade, ofereceu-se para emprestar o seu (maravilhoso) jipe no caso de queremos passear pelos montes e convidou-nos para jantar em sua casa assim que voltássemos da viajem de 2 dias até Van. De onde nos deixou, com uma imensa sorte, apanhámos de imediato outra boleia num bom jipe que a mais de 140 km/h nos levou directamente para Van!!! Pelo caminho vimos montanhas belas de cortar a respiração e inúmeros vilarejos curdos espalhados pelos montes e vales. Passámos a menos de 2 km da fronteira com Irão (viam-se as torres de vigia) e também em algumas cidades curdas, todas com a claustrofóbica presença de bases militares turcas em plena zona urbana central!


Van é uma cidade enorme. A nossa boleia deixou-nos apenas na entrada. Daí que tenhamos precisado de mais 3 curtas boleias dentro da cidade para chegar à beira do Lago Van, o maior da Turquia. A última boleia foi a mais interessante, a de um casal curdo lindo e super apaixonado, muito bem vestidos, de bom-humor e donos de um formidável bólide. Com muita gentileza pararam primeiro para nos comprar garrafas de água gelada. Só depois seguiram para nos deixar mesmo em frente ao lago! Que gente boa!

 

A vontade de saltar para dentro de água era imensa, mas uma vez mais fomos “obrigados” a tomar uns chás oferecidos por uns simpáticos pescadores que descansavam à sombra de um chapéu de sol. Bebemos os chás à pressa, impacientes, e 15 minutos depois conseguimos nos “libertar”! Fugimos um pouco do porto, na esperança de encontrar sossego e privacidade naquela praia imunda. Quando fomos tomar banho estávamos sozinhos naquela zona da praia. Quando saímos de água, além de desiludidos pela nível de poluição da água (horrível), tivemos de aturar um bando de 15 putos e adolescentes bárbaros que começaram a mexer nas malas, a tirar comida sem pedir e parando a 15 cm de nós como se fossemos invisíveis. A situação ficou muito tensa, ainda levei um pontapé de um dos putos, e só resolvemos o assunto à pedrada (não para assustar mas a sério, para doer mesmo), gritando-lhes de forma agressiva e por fim caminhando na direcção dos pescadores sempre com um grande calhau na mão. De volta à companhia segura dos pescadores, fomos perguntar ao mais velho deles se sempre cumpriria a promessa de nos levar no seu carro até ao Castelo de Van. Assim fez, feliz da vida, levou-nos até à entrada e voltou para trás a sorrir! Mas antes, ainda foi ralhar com os tresloucados miúdos que nos tinham atacado sem motivo lógico.


Depois do Lago Van e do Castelo de Van, estava na hora de ver a cidade de Van. Fomos à boleia (nada de novo!) e saímos mesmo no centro, perto de uns jardins bonitos. Para eles nos encaminhávamos quando um sorridente senhor meteu conversa connosco. Vendia Çiğ Köfte na rua e ofereceu-nos alguns em troca de o fotografar! Imagine-se! E não foi tudo, feliz por falar com um português e uma francesa num turco primitivo, convidou-nos para subir à esplanada do restaurante no 2º andar onde perguntou o que queríamos tomar. Pedimos 2 cafés, acabámos por receber 2 cafés, 2 chás, 2 garrafas de água e uma refeição de Çiğ Köfte, tudo oferta da casa. Vale a pena viajar na Turquia!


Ao fim da tarde recomeçámos a boleia na direcção de Doğubeyazıt. Queríamos ir apenas até a Muradye, onde existem umas cascatas famosas na região, mas não conseguimos lá chegar. A primeira boleia avançou-nos uns quilómetros até à saída da cidade de Van, numa zona industrial. Aí nem tivemos tempo de respirar, saímos de um carro e entrámos logo noutro, num carro que parou sem nós sequer pedirmos. Mais, até estávamos de costas a despedirmo-nos da primeira boleia! Dentro seguia Roger Can, um curdo que trabalha como segurança na sede da divisão regional da TRT (Rádio Televisão Turca) de Van. De lembrar que a TRT é a grande fonte de propaganda política na Turquia, grande formador de opiniões, manifestamente anti-curdos! Para tornar o quadro ainda mais louco, Roger Can confessou-nos que nas férias costuma ir para o norte da Síria, onde combate pelas populações curdas atacadas pelos “rebeldes sírios”, os tais que não são nem rebeldes nem sírios e que são patrocinados pelo ocidente (Turquia inclusive) para provocar o caos e o horror na Síria!

 

jantar com os seguranças da TRT Van

 

Roger Can levou-nos até ao seu local de trabalho, o posto de controlo da sede da TRT, onde nos apresentou o seu colega de turno também curdo. Estamos no período do Ramadão, portanto tivemos de esperar ouvir “Alá qualquer coisa” do minarete mais perto para ter ordem para comer, mas valeu a pena! Ah que montanha de salada, pizza turca e pide, parece que queriam nos rebentar com tanta comida! Depois do jantar, tivemos direito a banho de água quente e sim, um quarto onde dormir! Mais uma noite sem precisar da tenda que andava sempre às costas!

 

01.07.2014

De manhã tomámos o pequeno-almoço com Roger Can, que nos deu ainda de presente um saco cheio de pimentos, pepinos e queijo branco. Minutos depois fomos os 3 à boleia num mini-autocarro até à estrada principal. Roger foi para a cidade de Van, nós recomeçámos a boleia em direcção a Muradye. Depois de uma noite hospedados por membros do PKK, apanhámos uma boleia de um policia turco e sua esposa, para variar. A terceira boleia foi de um camião de cimento, cujo condutor teve a gentileza de sair da estrada principal e deixar-nos mesmo em frente às cascatas de Muradye. À entrada o logro do costume, 2 adolescentes com uma espécie de bilhetes, cobrando 3 liras (1€) por pessoa para passar a ponte e chegar às cascatas! Não faltava mais nada! Dissemos que não tínhamos dinheiro e seguimos. Os 2 trafulhas insistiram e foram atrás de nós. Como avistei do outro lado da ponte um café-restaurante, disse que não pagava porque não ia às cascatas mas sim ao café. Um dos putos, fino, responde-me: “Então não tens dinheiro e vais ao café?”. Pois, teve bem. Disse que sim, que ia ao café sem dinheiro, virámos as costas aos putos e atravessámos a ponte. Tiveram de desistir, menos 2 euros gamados!

 

Cascatas de Muradye

 

Do outro lado da ponte… mais uma desilusão. Tal como o Lago Van, as cascatas estavam sujas e a água poluída, cheirando mal quando nos aproximamos dela. Ahh, e nós a morrer com o calor sufocante do meio-dia, sonhando com um banho/jacuzzi refrescante debaixo das quedas de águas. Não pôde ser. Ficámos no cimo da falésia, num banco do restaurante por debaixo de uma árvores, à sombra, a descansar e pensar na vida… E não tínhamos de facto muito dinheiro, quase 1 euro que não deu nem para comprar um café (chulos!), teve de ser 2 chás, para podermos ficar ali sentados. E a casa de banho ao lado também se pagava, tive de andar a fugir do puto que cobrava as descargas orgânicas, eheh!


Nós não pagámos a entrada, pois claro, não fazia sentido nenhum nem era uma entrada para lado nenhum, apenas uma ponte para passar para o outro lado do rio, e ainda bem. Imagine-se, pagar para ficar a ver ao longe um cascata a cheirar a podre. Mas há quem pague! 20 minutos depois apareceu uma camioneta turística da qual desceram 23 turistas. Jackpot para os putos e família, 23 euros num minuto, sem produzir riqueza, espetando o golpe à turistada. Foram todas beber café (a 1 euro, no meio do nada!), mais 23 euros! Depois foram à casa de banho,1 lira turca por pessoa! Ah, como se vive bem por aqui à beira de uma queda de água imunda e de uma outra queda de guito!

 

Depois de quase adormecermos e de almoçarmos o pão, queijo e legumes herdados de manhã, voltámos muito vagarosamente à estrada para pedir boleia. Ou melhor, ainda antes de chegar à estrada mas já com o braço esticado, vimos espantados um carro a alta velocidade parar 200 metros à frente para nos recolher. Com a sonolência do almoço e do calor, no tempo que levámos a chegar ao carro parado, uma outra carrinha parou para nos dar boleia (embora não tivessemos pedido). Não aceitámos, preferimos andar mais uns metros, certos de poder avançar bem mas rápido com o carro. E sim, andámos a 150 km/h, mas não fomos longe, até à cidade Çaldiran umas dezenas de quilómetros à frente. Em Çaldiran apanhámos por fim boleia para Doğubeyazıt, de um amigo do nosso amigo Mehmet que nos deixou à porta da sua agência (nossa casa temporária).


À noite fomos jantar a casa da família de Mahmut, o jovem que no dia anterior nos havia dado boleia e nos dissera para lhe telefonar quando voltássemos a Doğubeyazıt. Muito chás, bombons iranianos e jantar (só depois de alá deixar!). A família de Mahmut é das mais conservadoras que encontrámos na viagem: o pai é perito no Alcorão e ensina religião, enquanto que uma das irmãs acabou agora o curso universitário para ensinar religião também. A irmã não me deu a mão para nos cumprimentarmos, por estarmos no período do Ramadão, e o mesmo fez o pai de Mahmut a Claire! E mais, Claire, de camisa e calças justas, foi “obrigada” a aceitar (e vestir) uma saia que tapava inclusive os pés! Que paranóia! Senão, muita gentil e hospitaleira toda a família de Mahmut.


Por volta das 22h fomos da casa tradicional de seu pai com animais e árvores de fruta, para o seu apartamento ultra-moderno no 5º andar de um prédio no centro de Doğubeyazıt. Ficámos a conhecer a sua mulher, muito querida e sorridente, e o seu bebé de 2 meses. Ah, como fomos mimados por esta jovem senhora com um bola/gelado que preparou na hora, com café, com chocolate, com frutos-secos, com chá… e no final, antes de partirmos, ainda nos preparou uma caixinha com bombons tradicionais e 2 lembranças com o nome da sua bebé! Muito boa gente, sim, sem dúvida!

 

Álbuns de fotografia

Luís Garcia, 24.04.2017, Ribamar, Portugal

 

Se quiser ler mais estórias desta viajem clique em:

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Vivendo em Doğubeyazıt - IV, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 22  

Vivendo em Doğubeyazıt - IV

 

bw  Luís Garcia VIAGENS  

 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

29.06.2014

A manhã começou como uma divertida conversa (para mim) com o tal turco que tem medo dos curdos e que no entanto vem passear de bicicleta para aqui, onde foi hospedado à grande por curdos vítimas do terrorismo de estado turco. Bom moço, sem dúvida, mas vítima da enorme lavagem cerebral nacionalista. Perante todo o que lhe disse, mais ou menos ou que escrevi no artigo anterior, só me sabe responder incoerentemente que se posiciona politicamente contra os curdos pois estes chegaram as estas terras à força, trazendo violência e terror. Que piada. Respondi-lhe perguntando que país, que povo, que nação não fez o mesmo? Como foi criado o Brasil pelos portugueses senão pela escravização, tortura e morte? E os EUA? E todos os outros países? Ahhh, e a Turquia? Se os curdos chegaram a estas terras com violência, terá sido há milhares de anos. Os turcos apenas à 500 anos com igual terror e violência! Brincamos? Coitado, fez-me pena ver esta muito boa pessoa sem resposta, clara vítima de ridículos clichés nacionalistas anti-curdos repetidos sem cessar aos seus ouvidos.

 

hjkhjkhk.jpg

 

 

Claire e eu decidimos ir passear de novo até ao Palácio de Ishak Pasha, não sem antes ir devolver a chave de fendas emprestada. A ideia era ir a pé, mas as boleias aparecem do nada, mesmo sem que as procuremos, de modos que a maior parte do percurso fizemos num autocarro que nos levou ao cimo do monte de graça. Para baixo igual, um carro de 2 técnicos da rádio e televisão turca que vinham de reparar a antena de retransmissão por detrás de Ishak Pasha levaram-nos para baixo. Não fomos até à cidade. Pedimos para nos deixarem 2 km antes junto a Yunus, a nossa amiga que andava a pastar as suas ovelhas. Conversámos um pouco e aceitámos o convite para jantar em sua casa à noite. Dali fomos até ao Restaurante Lalezar, uns metros mais abaixo, para visitar o dono do grandioso estabelecimento, um nosso conhecido e amigo de Mehmet, que nos ofereceu chás e cafés, e que nos fez saber que era familiar da pastora Yunus!

 

De volta a casa, mais viajantes! Uma alemã muito simpática e poliglota, que ficou na nossa companhia uma noite, e uma iraniana tresloucada que desapareceu meia hora depois de termos chegado!

 

Tal como combinado, por volta das 20h30 saímos de casa para ir ao encontro de Yunus e da sua família. Numa cidade praticamente sem iluminação nocturna e com os subúrbios 100% às escuras, foi um grande filme encontrar a casa. Avançámos à boleia até junto ao bairro que Yunus nos falara, mas uma vez chegados, não sabíamos como dar com a casa. Andámos às voltas, fomos perguntando pela Yunus a quem passava na rua (pelos vistos existem dezenas de Yunus na zona) e, pouco a pouco, fomos ter à casa, sem ter a certeza de estarmos no sítio certo. Faltava bater à porta ou chamar pela pastora, no entanto dois cães enormes e soltos ladrando para nós na escuridão fizeram-nos hesitar. Tão perto e tão longe, acabámos por caminhar passo a passo até à entrada e batemos à porta. Nada. Gritámos pelo nome Yunus. Também nada. Vimo-nos obrigados a espreitar e bater nas janelas com luz! Aleluia, a insistência deu os seus frutos e da casa saiu uma Yunus muito assustada com uma lanterna na mão. Em poucos minutos montou-se uma sala de jantar no jardim, com a ajuda dos 2 irmãos de 11 e 12 anos, enquanto a mãe aqueceu e preparou comida enquanto o diabo esfregou um olho! A comida era maravilhosa, mas ainda mais foi alegria com que a sua mãe nos acolheu em sua casa. Ao invés de Yunus e os 2 irmãos, a sua mãe era uma fala-barato, eufórica pelo enorme prazer de ter estrangeiros a jantar em sua casa. Contou-nos que desde há 17 anos recebe pelo menos uma visita por ano de estrangeiros viajantes como nós! Confessa que adora estes encontros fortuitos e afirma se encontrarem por entre os mais belos momentos da sua vida. Não admira. A querida senhora não parava de falar um segundo enquanto os seus 3 filhos mais pareciam surdos-mudos! Ahah! Era já muito tarde quando fomos embora, para desconsolo da mãe de Yunus que nos abraçou e beijou com ternura, repetindo eufórica uma miríade de diferentes formas de despedida em turco e curdo, implorando pelo meio para que voltássemos a visitá-la um dia! Que experiência intensa, dificilmente olvidável… 

 

Álbuns de fotografia

Luís Garcia, 23.04.2017, Ribamar, Portugal

 

Se quiser ler mais estórias desta viajem clique em:

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Vivendo em Doğubeyazıt - III, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 21 

Vivendo em Doğubeyazıt - III

 

bw  Luís Garcia VIAGENS  POLITICA

 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

28.06.2014

O terceiro dia em Doğubeyazıt foi preenchido com vários encontros com membros do PKK, apoiantes do PKK e vítimas da destruição programa das vilas e cidades curdas por parte das forças militares turcas. O nosso amigo e anfitrião Mehmet, por exemplo, viu a sua casa arrasada por tanques turcos inúmeras vezes, até que abandonou o seu terreno na colina e construiu a sua casa actual no centro de Doğubeyazıt. Um irmão mais velho de Mehmet, Metin Arik foi um de muitos curdos que morreram a combater pelo PKK contras as forças militares turcas, já lá vão 24 anos. O dia foi portanto em grande parte ocupado a falar de política e história com estas gentes curdas que têm os 2 temas sempre debaixo da língua, ao contrário do nosso belo país onde o desinteresse é generalizado e o obediência aos média nacionais é quase total.

 

Uma vez mais, vou meter os EUA ao barulho. A quem anda desatento, convêm informar que os EUA formam desde os anos 50 guerrilhas ultra-secretas (Gladio) no seio das forças armadas dos seus países aliados da NATO. Na maior parte dos casos nem sequer os membros do governo do país em questão estão a par da existência dessas forças especiais de intervenção que foram criadas, em teoria, para despoletar uma contra-revolução em caso de ocupação da Europa e Turquia pela URSS durante o período da guerra fria. Em 1990 a URSS começou a desmoronar-se e a verdade veio ao de cima pela boca de um ex-governante italiano, o qual expôs publicamente a versão italiana desses exércitos ultra-secretos que dava pelo nome de Gladio. Ao contrário das suas premissas, os grupos “Gladio” (como ficaram a ser conhecidos) na Europa desencadearam o terror que prometia evitar, sobretudo na Itália, França, Bélgica e Alemanha. Na Itália, por exemplo, cometeram inúmeros ataques sangrentos, matando e ferido centenas de cidadãos italianos, para depois se culpar as Brigadas Vermelhas de forma a descredibilizar e destruir as forças comunistas do país. No resto da Europa fizeram mais do mesmo, e sempre com muito sucesso, ao ponto de hoje já não haver na Europa senão centro-direitas e centro-esquerdas que são duas faces da mesma moeda: a Ditadura Económica Mundial!

 

Na Turquia dos anos 60 as coisas passaram-se duma forma um pouco diferente. Os 2 grupos “Gladio” turcos trabalharam sobretudo em atentados sangrentos sobre o povo turco, para culpar em seguida a minoria curda, numa das muitas medidas implementadas com o intuíto de fazer desaparecer os curdos da Turquia. Nessa altura (anos 60) não haviam organizações de guerrilha (ou terroristas, depende do ponto de vista)  curdas nem tampouco ambições nacionalistas ou independentistas por parte da população curda. Esse “vírus” foi introduzido pelo Gladio turco através das referidas “operações de bandeira falsa” e sobretudo pelas decisões do governo central que implementou uma política de genocídio cultural: nessa altura a população curda foi proibida de falar curdo, o ensino da língua curda foi banido, tradições, danças, costumes curdos foram reprimidos, e por aí fora. É por estas razões que, na minha modesta opinião, foi a prepotência e chauvinismo dos poderes turcos que despertou a população curda para se ver a si própria como um povo (nação) distinto!  Foi o nacionalismo agressivo turco que despertou os curdos para o conceito de independência. Foi o terrorismo do Gladio e posteriormente das Forças Armadas Turcas que criaram dentro da população curda a necessidade de criar as suas guerrilhas (PKK é o nome mais conhecido), com as quais passaram a responder também com terror. Em resumo, se deixassem curdos falar curdo, aprender curdo, comportarem-se culturalmente enquanto curdos e não os acusassem de ter cometido os primeiros actos terroristas nos anos 60 (obra dos Gladio turcos), turcos e curdos poderiam viver em paz e harmonia na sua diversidade cultural e linguística, com fazem muitos outros países do planeta nos quais coabitam 2 ou mais povos. Ao querer criar uma Turquia apenas para turcos, uma ideia absurda que implicaria cometer genocídios mais cedo ou mais tarde (daí a necessidade de acusar curdos de cometer os primeiros ataques terroristas), sobretudo numa terra em que os turcos foram os últimos a chegar… apenas causou sofrimento, morte e sentimentos de vinganças entre dois povos (turcos e curdos) que, em condições normais, são dos mais simpáticos, hospitaleiros e altruístas que o nosso planeta contém... é a triste realidade!

 

Livro de Daniel Ganser sobre os “Gládio”, em inglês:

http://pensamentosnomadas.blogs.sapo.pt/natos-secret-armies-operation-gladio-37299

 

De volta às estórias de viagem: o dia passou rápido e era já tarde quando fui ao barbeiro com Claire e o nosso amigo Armağan que ofereceu-me um tratamento completo à cara: corte de cabelo, corte da barba, lavagem, massagem, limpeza de orelhas, perfume, um monte de produtos… eu sei lá, passei quase uma hora nas mãos do genial barbeiro! Ao caminhar de regresso a casa fomos obrigados a aceitar um saco de frutas oferecidos por um dos nossos novos amigos cuja frutaria se encontra na mesma rua que a barbearia. Os 4 franceses tinham entretanto partido rumo ao Irão.

 

O barbeiro e eu depois do "tratamento"

 

Saí de casa com Claire para comprar uma mini chave de fendas mas não conseguimos pois o dono da loja emprestou-nos uma! Hehe! Ao voltar a casa havia 2 novo hóspedes, um turco com medo de curdos (Kağan) e um brasileiro super contente por poder falar português pela primeira vez em quase 2 meses (Felipe)!

 

Depois de umas trocas de ideias sobre a Turquia e o Curdistão Turco com Kağan e Felipe, saímos com Armağan em direcção à rua do barbeiro e da frutaria do nosso amigo, onde todos dias faziamos serões de chá e conversa! Aqui ficam alguns pensamentos da pessoa mais inteligente que encontrei na cidade, um jovem homem chamado Zafer:

 

  • ÁGUA PRIVADA: em Doğubeyazıt toda a gente se queixa de ter apenas 5h por dia de água nas torneiras, quando há! No entanto toda a gente a desperdiça a regar o chão imundo até a água acabar, em vez de limpá-lo, e em vez de poupar a água para verdadeiras necessidades. O governo turco, que desperdiça fortunas em megalomanias no ocidente turco, aqui não gasta um tostão. Agora veio a máfia da UE, com uns fundos manhosos, estabelecer água canalizada em parceria com empresas privadas, pois claro. Assim que estiver pronto o novo sistema de água “oferecido” pela UE, a população nunca mais terá 5h/dia de água praticamente gratuita. Passará antes a ter 24h/dia de água canalizada que nunca poderão pagar, dados os preços exorbitantes que enriquecerão a parte privada deste “mecenato” público-privado… Enfim, dinheiro dos contribuintes europeus e contas de água astronómicas em Doğubeyazıt para enriquecer a omnipresente Ditadura Económica Mundial; [Pegue-se no exemplo da Bolívia, cujo governo na altura vendeu A Àgua Toda a uma empresa dos EUA, que cobrava inclusive pela da água chuva recolhida pelas populações empobrecidas. No que é que deu? Revolução popular e eleição do primeiro nativo à presidência do país, Evo Morales. Fico à espera para ver a reacção do povo de Doğubeyazıt.]

 

  • ONG PATERNALISTA: Há uns anos atrás uma ONG italiana queria a todo custo construir um infantário em Doğubeyazıt, sem querer ouvir primeiro os locais e tentar entender as suas necessidades e costumes. Perante o arrogante paternalismo da ONG, o presidente da câmara de Doğubeyazıt criou propositadamente entraves à obra; Um dia Zafer, que trabalhava como tradutor de turco para inglês na câmara local, teve uma conversa com umas das responsáveis italianas do projecto, a qual amargurada lhe perguntou “porque raio os curdos não deixam a nossa ONG os ajudar?”. Zafer respondeu perguntando: “Uma laranjeira é um óptimo complemento para um jardim de uma casa. Posso ir a tua casa na Itália, escavar um buraco no jardim e lá meter uma laranjeira?”. A italiana respondeu: “Sem a minha autorização não, eu tenho de decidir se gosto ou não da ideia.” Voilá o que Zafer queria ouvir da italiana.

 

  • O JAPONÊS INGÉNUO: sim, o título é quase um pleonasmo! Andava um dia Zafer a passear no monte quando deu com um japonês tirando fotos com a sua tele-objectiva. Observou-o longamente, dando tempo necessário para o outro tirar muitas dezenas de fotos. Por fim aproximou-se, apresentou-se e explicou (muito sério) ao japonês que cada foto tirada custava 3 dólares e que deviam ser pagos de imediato. O japonês aborrecido desculpou-se, jurando que não sabia da regra. “Tarde de mais, agora tens de pagar. Quantas fotos tiraste?” perguntou Zafer. “Apenas 3 fotos, juro”. “Ah, 3 fotos, não acredito, foram muito mais”, insistiu o nosso amigo. O japonês voltou a repetir a versão de 3 fotos. “Então tudo bem, deixa-me ver a máquina e se forem 3 fotos pagas-me os 9 dólares devidos”. Encostado à parede, o japonês hesita em mostrar a máquina. Zafer pergunta então: “Não terão sido antes 10 fotos? Pagas os 30 dólares e nem preciso de ver a câmara?” De imediato o japonês passou o dinheiro, contente por não ter de mostrar as dezenas de fotos tiradas. “que fortuna acabei de poupar, que sorte!” terá pensado. Zafer agradeceu, deu de volta os 30 dólares ao japonês, disse-lhe “era uma piada” e foi embora tranquilo, deixando o japonês de boca aberta por um longo período. Lá, está, a famosa ingenuidade japonesa.

 

  • OCIDENTE CIVILIZADO: durante as 2 semanas que passou em França há uns anos vivenciou algumas experiências que o fizeram jurar a si próprio nunca mais lá voltar. E confessa que o enervam todos os turistas que após falarem com ele (Zafer é fluente em inglês), tentam o convencer a fugir deste “fim do mundo” e fugir para a Europa “civilizada”. “Civilizada”? Então que me expliquem o que vi na Europa:

o    Estavam os meus anfitriões em Paris a ouvir música alta à noite e bateu-lhes à porta a Polícia, em seguimento de uma queixa de um vizinho. Por que razão os “civilizados” franceses não chegaram a um acordo “civilizado” entre vizinhos, estipular um meio termo conveniente às duas partes, em vez de criar problemas com Polícia?

o    Por que razão os idosos do “mundo civilizado” morrem em solidão e o resto dos seus “civilizados” amigos, familiares e vizinhos só descobrem a sua morte 2 semanas depois devido ao cheiro a carne em putrefacção?

o    E por aí fora, numa lista que cala qualquer um que venha dizer a este senhor que as gentes da Europa são mais civilizados que as gentes locais.

 

  • CAPITALISMO 1: Convicto no seu anti-capitalismo, enfureceu-se no dia em que quis comprar uma casa a pronto pagamento (avaliada em 85.000 liras) e o dono lhe respondeu que com empréstimo do banco o preço era 85.000, mas que a pronto pagamento era 95.000! Comprometido com o banco local, o agiota queria ver Zafer pagar durante dezenas de anos prestações que elevariam o preço final da casa para o dobro, lucro do banco claro está, mas que em parte viria parar às suas mãos. Zafer mandou-os à merda e pagou as 95.000 liras em cash, para choque da vizinhança que o criticou por mandar fora 10.000 liras! Ah, que moca!

 

  • CAPITALISMO 2: A Zafer enerva-lhe esta paranóia de pedirem fortunas de centenas de milhares de liras pela venda de uma loja no centro da cidade de Doğubeyazıt onde nem a vender fruta durante 10 vidas, o comprador jamais conseguirá saldar a absurda dívida. E os bancos aqui fazem empréstimos do género da noite para o dia!  Por outro lado, com essa fortuna Zafer garante que poderia comprar um terreno vazio e lá construir uma nova vila onde se produziria riqueza suficiente para pagar o tal empréstimo. Um dia lembrou-se de ir roer a cabeça aos bancários locais, apresentando-lhes esse projecto-mentira de uma nova vila com agricultura e indústria, produtora de riqueza que asseguraria ao banco o retorno do dinheiro emprestado. Tudo pelo mesmo preço de uma loja no centro de Doğubeyazıt. Toda a gente se recusou emprestar-lhe dinheiro, como previra. Para concluir Zafer comparou esta estória com a mais real história dos sub-prime nos EUA que conduziu o planeta a uma crise global. “O capitalismo apenas funciona aprisionando e ameaçando as pessoas com uma dívida impagável, de forma a que trabalhem até morrer e que consumem também lá pelo meio, mas sem que nunca vivam as suas vidas! Que apenas sobrevivam ao passar dos dias.” Palavras sábias. Exactamente, concordo e já tenho dito o mesmo…

 

 Zafer, o jovem sábio curdo

 

Ao voltar para casa trouxemos mais um saco de fruta na mão, oferecido pelo vendedor nosso amigo.

 

Álbuns de fotografia

Luís Garcia, 22.04.2017, Ribamar, Portugal

 

Se quiser ler mais estórias desta viajem clique em:

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

White Helmets, Humanistes ou Terroristes? - Partie 1, par Luís Garcia

 

 

White Helmets, Humanistes ou Terroristes - Partie 1

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE Fake News  en français  

 

 

Les Whites Helmets d’après les Whites Helmets et les médias de masse.

Les White Helmets (Casques blancs) ou Défense Civile Syrienne (comme on les dénomine aussi bien mal, puisque cette dernière existe depuis des décennies mais est controlee par le gouvernement de Damas) sont tous plus innocents que des nouveaux-nés, et font parti d’une ONG aucunement financée par aucun État pour préserver sa neutralité et son impartialité bien-sûr. Les membres sont d’honorables médecins, pâtissiers, tailleurs, professeurs, ingénieurs, charpentiers, étudiants et vendeurs de poudre de perlimpinpin qui laissèrent leur noble professions pour défendre une cause encore plus noble:sauver des vies humaines des griffes du sanguinaire al-Assad.

 

White Helmets Heroes

 

Comme vous pouvez le voir sur cette image, ils sont tous rasés de près et inspirent la décence et la confiance (gardez ce détail à l’esprit). Leur spécialité est de transporter des marteaux-piqueurs sur le dos, avec lesquels ils déterrent les victimes des barils d’explosifs du sanguinaire al-Assad et de courir au ralenti avec des enfants victimes de barils d’explosifs du sanguinaire al-Assad dans les bras, toujours dans un angle relatif à l’appareil-photo qui fournira à la photo un meilleur éclairage que pour un cliché pris dans un studio professionnel, après 2 heures d’édition sur une version actualisée de Photoshop. Bref, des miracles que seul notre Seigneur tout-puissant peut pourvoir aux photographes des Whites Helmets qui documentent la barbarie al-Assadienne. A leurs heures perdues, ils se consacrent aussi, d’après eux, à la mise en scène de sauvetages et maquillage de faux blesses, et un innocent comme moi, à la vue du produit final, ne parvient pas à distinguer le montage du montage! Pardon, le montage de la réalité! Mais nous y reviendrons à la deuxième partie. Regardons maintenant la bande-annonce d’un documentaire de Netflix (sur les White Helmets) qui tirerait même des larmes à un bourreau pro-Assad mort et enterré:

 

 

Et, pour vous montrer que je suis partial, voici 2 diaporamas de 20 photos, oui, 20 photos de héros sauvant des petits enfants au ralenti. Non, ça n’est pas à Hollywood mais bien à Alep, disent-ils, et nos medias de masse le confirment, qu’ont eu lieu les scènes suivantes:

 

Diaporama 1

  

Diaporama 2

 

 

Par exemple, cliquez sur la photo qui suit pour l’afficher en haute-résolution et aidez-moi à élucider si ce que je vois sur la partie blanche du visgae de ce pauvre garçon est de la poussière de débris provoqués par les barils d’explosifs d’al-Assad... ou de la crème Nivéa mal étalée? Parce que je suis confus:

 

PhotoDiary_Syria1.jpg

 

Je ne dis pas (pour l’instant) que les photos ont été mises en scène, mais je ne peux qu’être surpris devant les photos de guerre des White Helmets, de l’Observatoire Syrien des Droits de l’Homme, des Free Syrians Voices, des Mayday Rescue, des Syrian Network for Human Rights, et des photos de guerre du côté pro-gouvernement syrien. Il a une différence qui me perturbe: sur les photos des White Helmets et compagnie, les victimes sont toutes recouvertes de poussière blanche et de sang rouge. Poussière vraiment très blanche et sang vraiment très rouge. Et chacun en très grande quantité. Et c’est tout! Les barils d’explosifs du sanguinaire al-Assad ne vont pas plus loin. Par contre, quand je vois des photos et des vidéos des victimes des roquettes et des armes chimiques des héros rebelles  libérateurs, je vois des enfants sans membres, la peau déchirée laissant voir la chair, les os exposés, des cloques jaunes provoquées par des gas toxiques, etc. Et, à mon grand étonnement, sur ces photos et ces vidéos, la poussière n’est ni si blanche, ni si abondante. Le sang n’est ni si rouge ni si abondant... Mais passons, ça doit être un de mes délires paranoïaques, moi qui, selon certains, suis payé par le Kremlin ou par Damas pour répandre de fausses informations à travers mon blog que (presque) personne ne lit et qui, à travers mon compte Facebook qui atteint à peine les 100 amis, affecte peu ou pas les pages Facebook de médias portugais, puisque chaque fois que l’on y commente quelconque publication sur la Syrie, on finit toujours bloqué.

 

De retour aux White Helmets, personnellement, la caractéristique que je préfère des White Helmets c’est la super-héroïque capacité avengerienne de détecter dans le ciel- juste avec les yeux et à la saveur de l’air- des Sukhoi SU-24 russes que ces hommes courageux poursuivent ensuite, à pied. L’objectif? Déterrer des petits-enfants avec des marteaux-piqueurs, victimes de bombardements complètement aléatoires décidés les jours où Poutine se réveille avec une diarrhée ou un torticolis à lui faire verser une larme. Et quand ce ne sont pas des avions de chasse russes ce sont des avions de chasses syriens, parce qu’al-Assad n’est pas moins sujet aux diarrhées matinales, et trouve vraiment marrant de dépenser les dernières livres syriennes en barils d’explosifs, se foutant totalement du fait que le peuple syrien souffre de la faim depuis plusieurs années grâce à l’embargo économique humanitaire des États-Unis, de l’Union européenne et des autres États vassaux de l’Empire. Enfin, voilà des choses que l’on apprend en regardant la petite Aljazeera (AJ+) financée par les mêmes humanistes qataris qui ne distribuent pas (quelques) millions de dollars en armement à l’opposition syrienne et à l’Etat Islamique. Encore une dose d’impartialité, héhé, voici 3 excellentes vidéos d’AJ+ sur les White Helmets:

 

How These Ordinary Citizens Became Heroes Of Syria

 

Syria's White Helmets 

 

The White Helmets Are Saving Syria From Within

 

Avez vous remarqué la troisième vidéo, sur le sauvetage d’Omar Daqneesh? Aah, comme ils sont braves ces White Helmets, ce sont aussi eux qui ont  réalisé cet épique sauvetage! Mais où avais-je la tête pour avoir pu écrire ce récent article Fake news: le pauvre petit garçon dans le fauteuil orange ! Quel animal sans âme je suis, ahahah!

 

FAKE NEWS - tadinho do puto da cadeira laranja, por Luís Garcia

 

Maintenant plus sérieusement, voici une liste des caractéristiques que les White Helmets (et leurs soutiens) attribuent à cette organisation:

 

  • Ils sont financés par des dons privés;
  • Ils ne reçoivent pas de dons provenant d’Etats pour rester politiquement indépendants. Ils sont une ONG “férocement indépendante”;
  • Ils sont neutres et impartiaux, ayant comme seul objectif de soulager la souffrance humaine;
  • Ils ne font pas de distinction entre les blessés des 2 côtés du conflit;
  • Ils ont sauvé des dizaines de milliers de vies;
  • On les trouve dans tout le pays, dans plus de 100 localisations différentes;
  • Ils sont pacifistes, humanistes, solidaires;
  • Ce sont des volontaires provenant de nombreux domaines professionnels;
  • Ils sont syriens;
  • Ils n’utilisent et ne transportent pas d’armes;
  • Ils fournissent des services civiles à Presque 7 millions de personnes;
  • Etc
  • Ahhh, et ils mériteraient de gagner le prix Nobel de la Paix;

 

Visitez la page oficielle des White Helmets et lisez les merveilles qu’ils disent d’eux-mêmes:

 

Très jolie, sans-doute, cette histoire des White Helmets, mais je propose, avec pour base une grande quantité de faits disponibles (que je partagerai ici), d’être en désaccord à au moins 100% avec cette version angélique sur les White Helmets. Restez donc attentifs à la deuxième partie de cet article!

 

Luís Garcia, 31.12.2016, Chengdu, Chine

(Traduit par Claire Fighiera

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Vivendo em Doğubeyazıt - II, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 20 

Vivendo em Doğubeyazıt - II.jpg

 

bw  Luís Garcia VIAGENS 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

27.06.2014

Na segunda manhã em Doğubeyazıt voltámos a tomar o pequeno-almoço no hotel Ararat, de graça claro está, oferecido desta vez pelo filho do dono do estabelecimento. De barriga cheia fomos dar uma volta pela cidade com Mehmet Arık que conhece toda a gente nesta cidade de 80.000 habitantes em que, segundo ele, metade da população é da sua família. Exagera, sim, mas não fica longe da verdade! Ahaha! É quase claustrofóbico, “a raposa”, alcunha pela qual Mehmet é conhecido na cidade, cumprimenta ou é cumprimentado por alguém a cada 10 segundos. Que desafio tentar atravessar uma rua do início ao fim na sua companhia! Quis nos apresentar ao presidente da câmara da cidade e inclusive levou-nos à entrada do gabinete mas, com tanta gente à espera para tratar de assuntos importantes (imaginámos nós), pedimos ao raposa para deixar a visita para mais tarde.

 

 

 

Pelas ruas de Doğubeyazıt vêem-se muitas vítimas do conflito internacional infligido à Síria, sobretudo mulheres e crianças desse país pedindo esmola, sujos, vestidos com farrapos, com caras de desespero e olhares vazios. Também se encontram parte daqueles que provocam esta miséria: mercenários afegãos que entram na Turquia pela fronteira aqui ao lado e que passam uns dias na cidade antes de rumar a Istambul, onde recebem dinheiro e ordem de marcha para a base militar turca na qual serão treinados para provocar o terror na Síria disfarçados de “rebeldes” e “freedom fighters”. Os turcos, povo bom mas muito controlado pela propaganda nacional militarista e pela deificação de Ata Türk, parecem não fazer a mínima ideia que o seu país, a mando dos EUA, é o principal campo de treinos do “terrorismo islâmico” que tem transformado a Síria num inferno. Pelo contrário, os curdos da Turquia sabem-no bem e o assunto é tema recorrente nas conversas de café.

 

De volta à agência de Mehmet fomos encontrar mais um japonês de Osaka, portanto o segundo em 2 dias proveniente dessa cidade. Não era viajante, daqueles que Mehmet ajuda, mas sim turista com dinheiro, a quem “a raposa” conseguiu vender um pack de escalada ao monte Ararat!

 

Quanto a viajantes, Mehmet esperava ajudar e albergar 2 casais franceses hoje, mas não se conseguia entender com eles por telefone. Passou-me o telemóvel e acabei por ser eu a dar as indicações e marcar o encontro com eles junto à agência. Enquanto esperava pelos 4 aventureiros, entreti-me a escrever estes no seu escritório…  (blog de 2 dos franceses: chafortwo.fr)

 

A meio da tarde, Mehmet preparou-nos uma pratada de peixe, seguida de melancia, e uma barrigada de riso com as mentiras e partidas que Mehmet infligiu ao japonês seu cliente. Os japoneses tem fama de ser muito ingénuos e de não perceberem o humor ocidental. Este foi o exemplo perfeito, acreditando inclusive que Mehmet seria um importante Pacha, apenas por ter visto uma foto de Mehmet mascarado! Ah, sim, que barrigada de riso, e o raio do rapaz, nem connosco a desmentir as trapalhadas de Mehmet, deixava de acreditar nelas!

 

Depois da petiscada e do riso, decidimos dar uma volta pela cidade, eu e Claire. Como era de esperar, bebemos chás um pouco por todo lado, oferecidos pelos locais, por entre conversas de política e história, encontros com crianças curiosas e até numa loja onde fomos comprar gelados. Também tivemos a sorte de receber frutas e legumes num mercado de rua no qual fizemos amizade com um grupo de homens que a partir daí passámos a encontrar diariamente no centro da cidade, à noite, para beber os chás (à borla, sim) e trocar umas ideias em turco rudimentar.

 

 

 

A noite também foi interessante. Começámos por ajudar Armağan Arık, filho da raposa e nosso amigo, a instalar o windows num PC. Para nos agradecer, convidou-nos a sair com ele e levou-nos até à Pasajı, uma espécie de shopping ao estilo local. Sem se conseguir controlar, Armağan mimou-nos com vários presentes, umas canetas da Índia, pulseiras e um saco de bombons. Só não foi mais porque não deixámos! Ah, o louco! De volta a casa, ou melhor, à agência turística de Mehmet, entretemo-nos com Armağan e um amigo numa aula informal de língua turca muito divertida.

 

Para acabar bem o dia, Claire e eu, com fome, saímos à rua para “dar o golpe”. Como Mehmet não estava connosco ninguém havia preparado jantar, de forma que tivemos de ir desencantar “matéria orgânica” algures nesta cidade em que os preços da comida de restaurante são muito elevados devido à constante passagem de viajantes rumo ao monte Ararat. Decididos a não gastar muito dinheiro, para manter a nossa média diária em Doğubeyazıt, pegámos em apenas 7 liras (2,40€), entrámos num restaurante e perguntámos o que poderíamos comprar com aquele dinheiro. Primeiro nada (de pratos servidos no restaurante) afirmou o empregado, antes de se lembrar que tinha comida que sobrara do dia, guardada em caixas de plástico para poderem lavar as panelas. Pelas 7 liras queria nos vender uma parte de uma dessas caixas, mas Claire insistiu e o senhor acabou por dar uma inteira. Dentro tinha uma monte de carne de galinha guisada com legumes e muito picante. Delicioso festim! E era tanta a comida que durou para 2 dias! Hehe!

 

Álbuns de fotografia

Luís Garcia, 17.04.2017, Ribamar, Portugal

 

Se quiser ler mais estórias desta viajem clique em:

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Terrorismo-colonização da Síria (continuação), por Luís Garcia

 

 

Terrorismo-colonização da Síria (continuação)

  

Luís Garcia  POLITICA    

 

Hollywoodismo dos White Helmets ou o falso ataque químico de Khan Shaykhun

Esta continuação do artigo Terrorismo-colonização da Síria vem a propósito da rídicula farsa de ataque químico que não existiu e que o ocidente parvo acusa a Síria (ou a Rússia, nem sequer se decidem) de o ter realizado. E vem sobretudo a propósito da retaliação dos EUA que bombardeou a base aérea síria de Shayrat.

 

Não me vou estender muito sobre a patética acusação de ataque químico, pois dava para escrever um livro desmontado este disparate! E depois vou ao assunto da terrorismo-colonização da Síria, que tem agora mais um capítulo fruto da destruição da base aérea de Shayrat provocada pela chuva de dezenas de Tomahawks lançada a partir dos destruidores USS Porte e USS Ross com base em Cádis, Espanha.

 

Para quem anda distraído, em 2014, e em consequência da outra farsa de ataque químico de Guta (2013), Putin propôs anular o belicismo de Barack Oguerra em troca de garantir a destruição do arsenal de armas químicas sírias. E assim foi, em 2014, o arsenal químico da Síria foi destruído por uma equipa norte-americana, com a supervisão da ONU. Sim destruído pelos EUA, supervisão da ONU!

 

Portanto, desde, já, como poderia al-Assad executar um ataque com armas químicas se não possui armas químicas? E como podem os EUA nos querer vender este disparate se eles sabem, melhor que ninguém, que as armas químcas sírias foram efectivamente destruídas há 3 anos atrás? 

 

Depois, por que razão haveriam de cometer um ataque químico sabendo que um ataque do género daria aoocidente terrorista a desculpa para invadir a Síria? Lógica? Estratégica? Não? E por que razão a Síria, que cerca zonas de rebeldes e espera que lhes acabem as munições para depois propor acordos de paz, para depois convencer os "rebeldes" (mercenários-terroristas) a partirem em segurança de autocarro para outras zonas, para por fim a Síria recuperar essa zona de forma pacífica e sem provocar a perca de vidas humanas civis, por que razão, perguntava eu, haveria de, em contra corrente e de forma completamente ilógica, realizar um ataque químico contra civis?

 

Depois, falha grave, quem anda atento à situação na região de Idlib sabe que Khan Shaykhun encontra-se dentro do pedaço de zona "rebelde" dessa região reconhecidamente sobre o controlo da al-Qaeda, sim da al-Qaeda. Quem não sabe, cale-se, vá investigar! 

 

 

Depois, todas as imagens, vídeos, e testemunhos fornecidos aos prostituídos média ocidentais têm como fonte os White Helmets, uma organização terrorista ligada à al-Qaeda especializada em encenações de ataques e de salvamentos. Quem não acredita, que leia este artigo:

 

White Helmets, humanistas ou terroristas? Parte 2, por Luís Garcia

 

Se ainda assim não ficar convencido (hehe, como será possível?), olhe para esta imagem e este vídeo e depois diga-me se lhe parece normal que se resgate vítimas de uma ataque com gás sarin usando sandálias, máscaras anti-poluição e não se tape pelo menos as mãos. É que contacto directo com gás sarin na pele resulta em morte 5 minutos depois, não há volta a dar!

 

 

 

Depois, a sério, na realidade real o senhor Bashar Jaafari, Embaixador da Síria na ONU, quase todas as semanas, durante os últimos 3 anos, tem vindo a entregar dossiês contendo provas de dezenas de ataques químicos dos "rebeldes" terroristas pagos pelos nossos impostos. Entrega provas de vários tipos mas, claro, tal nunca é noticiado. Na realidade paralela dos jornalistas prostituídos lixo-humano beija-cus, não se passa nada nunca, excepto quando, sem provas absolutamente nenhumas, acusam os sírios de realizar ataques químicos porque sim, "porque a ONU disse", "porque o Trump disse", por a abelha Maia disse! Epá, parabéns pela genialidade! Agora mais a sério, e como já várias vezes disse aqui neste blog, se os média ocidentais não falam nunca das dezenas de ataques químicos dos "rebeldes" provados, e depois rebentam-se numa orgia histérica e patética em torno de um suposto ataque sírio que não conseguem comprovar com factos, mmmm, perdem a credibilidade toda! E mais, uma pessoa com a cabeça no lugar só pode desconfiar da veracidade desse ataque sírio. Quem não conta 500 e depois se vomita a contar 1 mal contado, só demonstra que mente e que toma posição. Quem toma posição não produz notícias, não! Quem esconde factos e acontecimentos, quem vomita estórias inventadas, quem acusa sem provas.., é mentiroso, aldrabão e o que produz é propaganda! 

 

Depois, desde CNN até à RTP aí da aldeia aparvalhada (Portugal), andam todos (os jornalistas prostituídos lixo-humano) com a palavra "retaliação" na boca. Epá, a sério? Ver se entendo. Mesmo que fosse verdade que os sírios tivessem realizado um ataque químico, o que até prova em contrário é mentira, e mesmo que os mercenários estrangeiros terroristas da al-Qaeda fossem sírios civis, como é que, nesse caso, após o ataque do exército sírio a civis sírios, se podem classificar de "retaliação" o ataque que os EUA fizeram à base militar síria de Shayrat? Não têm dicionários? Os EUA "retaliaram"? Como assim? Se os EUA "retaliaram", então tiveram de ser atacados primeiro! Mas onde? Estão todos bêbados? Ou querem dizer que os civis sírios não são civis nem sírios, mas sim mercenários pagos pelos EUA, pois claro, e que, assim sendo, e tendo em conta o dinheiro investido pelos EUA nesses mercenários, e tenho em conta o cariz capitalista dos EUA, os EUA considera ter sido agredido? Assim si, se se ataca al-Qaeda, os EUA "retaliam". Muito bem. Então, EUA e al-Qaeda são uma e a mesma coisa, de acordo? Isso ou aprender a falar português, para variar, irra!

 

Definição de retaliar: https://www.priberam.pt/dlpo/retaliar  

 

Depois, ataque químico a partir de caças, como assim? Alguém me explica este disparate? Se falassem de helicópteros ainda daria para sustentar a disparatada acusação. Assim não, assim fazem figura de idiotas caros jornalistas zombies! E mais, impossibilidade de ser realizado com caças ou possibilidade de ser realizado com helicópteros, a questão central é: alguém viu? Ou, alguém fotografou? Ou, alguém filmou? E se sim, há que mostrar ao público. Mas não, não há provas nenhumas, absolutamente nenhumas e, assim sendo, como podem afirmar que foram os sírios ou os russos? E se foram os chineses, ou os brasileiros, ou ET's, ou o Pai Natal (Papai Noel)? Hein? Irra, que paralisia mental, que bajulação servil, que idiotice, que descaramento destes jornalistas beija-cus lixo-humano que proliferam nos média mainstream ocidentais! Era metê-los todos numa câmara com gás sarin!

 

A retaliação do bem contra o mal

Parece que o bem retaliou. O bem que treina e financia organizações terroristas e as envia a estados soberanos para matar, torturar, violar, pilhar, destruir, infernizar. O bem que tem milhares de soldados ilegamente dentro do estado soberano da Síria, assim como várias bases militares igualmente ilegais onde se encontram, caças, bombardeiros, tanques e o resto da parafernália bélica do Império. O bem que usa ilegais bombas de urânio empobrecido em ilegais bombardeamentos na Síria e no Iraque. Esse bem reagiu, e retaliou, contra o mal, pois claro. Ou será que não. Vamos lá.

 

Como já tinha explicado no artigo anterior (ler aqui), dado ao avanço rápido das últimas semanas das forças sírias contra o ISIS, os EUA decidiram sabotar e bloquear esse avanço pela rota Aleppo-Raqqa e pela rota Hama-Raqqa. Só sobrava a rota Palmira-Der-Ezzor-Raqqa, bloqueada durante os próximos tempos, enquanto não for libertado o trecho de estrada que separa Palmira de Der-Ezzor.

 

Ora, ao contrário do que eu tinha afirmado, pelos vistos era afinal possível para os sírios avançarem com alguma rapidez por essa rota. Nos últimos 5 dias, já depois de ter escrito esse artigo, desenrolaram-se importantes eventos. Em primeiro lugar o ISIS abandonou uma enorme área de terreno entre a região de Damasco e a região de Suwayda, a sul de Palmira. Excelente! Depois, em 2 ocasiões separadas as forças sírias reconquistaram duas grandes áreas de terreno montanhoso ao ISIS, em torno de Palmira, como podem ver nos mapas abaixo. Finalmente, mesmo antes do criminosos ataque norte-americona, as forças sírias tinham retomado o cemitério de Der-Ezzor assim como a estrada que liga as duas zonas sobre controlo sírio nessa cidade de Der-Ezzor. Começava a parecer possível ver as forças sírias avançar pela 3 via que leva a Raqqa (EUA fecharam há dias a de Allepo e a de Hama, ver no artigo anterior).

 

ganhos sírios contra o ISIS

  

De forma a realizar estes avanços por terra, as forças terrestres sírias recebem o apoio de forças aéreas sírias estacionadas, até agora, precisamente na base aérea de Shayrat que os EUA acabou de destruir. ISIS agradece!

 

Base de Shairat destruída pelos norte-americonas 

 

Como os EUA fizeram o favor de destuir boa parte da base, assim como os 6 Mi-32 e companhia, acabou-se o apoio aéreo às forças terrestres que ainda anteontem tinham conquistado uma montanha a leste de Palmira, e agora, claro recomeçaram os ataques do ISIS a Palmira. Graças aos EUA, o ISIS, até ontem vias de colapsar na zona de Palmira, pode de novo respirar fundo e inclusive passar da defensiva para a ofensiva:

 

 

ataques terroristas dos EUA/ISIS

  

EUA é definitivamente a força aérea do ISIS, prova inegável de que os EUA é um estado terrorista! Parabéns aos EUA e a toda a ovelhada que festeja o ataque norte-americona! Já agora, ovelhada, festejai a morte dos 9 civis, incluindo 4 crianças, resultado também da chuva de Tomahawks das forças do bem em Shayrat! Vá, força! Quanto à morte dos soldados sírios que lá se encontravam, imagino que já fizeram a festa toda!

 

 

 

 

 

 

Para completar a palhaçada, o bobo de serviço na ONU, António Guterres, cidadão desse estado vassalo dos EUA chamado Portugal, veio agora apelar à moderação, hehehe. Pois claro, terrorismo de estado, ilegal deslocamento de tropas dos EUA, patrocínio de organizações terroristas, ilegais bombardeamentos às forças armadas do estado soberano sírio... mas com "moderação"! Puta que pariu de otário!

Consciente do risco de escalada, apelo à moderação para evitar todo o acto que aumente o sofrimento do povo sírio. (António Guterres, O Mordomo de Serviço Tuga)

 

Felizmente existem uns poucos países governados e representados por pessoas sérias e que não se prostituem nem lambem cus como o mordomo português. É o caso da Bolívia e do seu embaixador junto das Nações Unidas, o senhor Sacha Llorenti. Que grande homem, relembrando que tudo começou com a invasão ilegal dos EUA ao Iraque, em 2003, sem provas das supostas armas químicas de Saddam Hussein. E sim, tem toda a razão quando afirma que, sem essa invasão norte-americona que causou 1 milhão de mortos, hoje não estaríamos sequer a falar de ISIS! Bravo, bravo, bravo!

 

 

Luís Garcia, 08.04.2017, Chengdu, China

 leia mais artigos sobre a Síria aqui

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Le décodex, détecteur de mensonges et autres faussetés, de Luís Garcia

 

  

Le décodex, détecteur de mensonges et autres faussetés

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE Fake News  en français

 

 

Décodex, le détecteur d’informations à la française*

Les français consommateurs de «médias de référence» comme Le Monde peuvent désormais utiliser un outil automatique de détection de mensonges sur les sites d’information. Le voici :

La chose semble fonctionner automatiquement, faisant croire aux francophones que, en attendant quelques secondes, le «moteur de recherche» du Monde «vérifie la fiabilité d’un site». Pure illusion, le «moteur de recherche», au contraire de ce qui est affirmé dans cet article du Monde "Décodex : vos questions, nos réponses", n’est pas un moteur de recherche, seulement un mécanisme nigaud de diabolisation d’un ensemble prédéfini de sites de médias alternatifs directement tirés de la liste noire nord-américaine  Propornot  (nous y viendrons dans la 4e partie) et déguisé avec un bouton en forme de loupe pour rendre tout ça joli comme tout pour plaire aux cerveaux «en veille» !

 

La manière la plus simple de prouver ce que je viens de dire c’est qu’au lieu d’offrir un «résultat de recherche» avec les informations ostensiblement fausses d’un média déterminé, ou au moins considérées fausses d’après les critères «de recherche» du Monde, ce qui nous est présenté un nombre incalculable de fois ce sont 3 phrases-type qui nous amènent à comprendre qu’aucune recherche n’est effectuée pendant la période d’attente. Ce sont toujours les mêmes 3 phrases qui, en résumé, nous indiquent si le média analysé est «bon», «mauvais» ou «comme ci, comme ça». Objectivité zéro! Pour aggraver leur cas, si le média est considéré «fiable», un hyperlien pour le site correspondant nous est fourni. S’il est considéré «peu fiable», ou «pas fiable» l’hyperlien pour le site  correspondant n’est pas fourni, ce qui nous amène à croire que les créateurs de ce faux moteur de recherche craignent que nous visitions les sites diaboliques. Cependant nous ne restons pas les bras ballants, non, en contrepartie on nous offre des hyperliens pour des articles de «médias de référence» (y compris du même Le Monde !!!) dans lesquels le diabolique média alternatif est moqué ou humilié! Bravo! Et comme si ça ne suffisait pas, ils nous offrent encore un résumé de mensonges notoires à travers desquels ils tentent de convaincre le lecteur que ce média diabolique recherché est «menteur». Honteux! Vous voulez des exemples? Allons-y :

  • 21st Century Wire, un site nord-américain que je suis. Qu’en dit le Décodex? Ceci: “Un site américain «alternatif» qui relaie parfois de fausses informations comme celles sur les casques blancs de Syrie. Il diffuse aussi des théories conspirationnistes sur la disparition du vol MH370 de la Malaysia Airlines.» Une suite d’ignobles assertions. J’ai déjà lu de nombreuses informations provenant de ce média et je ne les ai jamais vu défendre de théories conspirationnistes sur le MH370, au contraire, je les ai vu attaquer la conspiration médiatique occidentale en présentant des preuves et des faits très intéressants mais qui, pour remettre en cause le version occidentale, sont des faits et des preuves qui n’apparaissent jamais, évidemment, dans les médias occidentaux! Non, les preuves et faits ne sont pas des théories conspirationnistes, ce sont seulement des preuves et des faits ! Le 21st Century Wire ne raconte pas de mensonges sur les Whites Helmets (Casques blancs)! Au contraire, le 21st Century Wire expose le caractère terroriste de cette organisation en confrontant ce qui est dit sur les Casques blancs (par les Casques blancs eux-mêmes et par la presse occidentale vendue) avec les preuves sous forme de photos, vidéos, entretiens, témoignages acceptables ou de traitement de données. Si, objectivement, les faits vérifiés et authentifiés montrent que les Casques Blancs, au minimum, mentent beaucoup et que, au maximum, commettent des actes criminels/terroristes, qui sont ces tocards de pseudo-journalistes vendus du Monde pour nier la réalité? Venez nier par exemple ce qu’on peut voir sur ces vidéos, la participation des Casques blancs à l’exécution de civils et leur étroite collaboration avec des groupes terroristes :

 

 

J’aimerais analyser plus d’exemples mais je crains que l’article ne devienne trop long. Malgré tout, on trouve là les noms d’autres médias alternatifs que j’utilise tous les jours et qui apparaissent dans la liste noire de ce pseudo-moteur de recherche du Monde. Et oui, le Réseau Voltaire de Thierry Meyssan, journaliste français ayant dû fuir la Lybie pour ne pas être éliminé par les commandos français et qui maintenant, selon le Décodex, est «un conspirationniste proche du gouvernement syrien. ». Global Research, un site d’information alternatif focalisé sur des analyses recherchées (accompagnées de documentation également recherchée) d’évènements politiques, sociaux et militaires est, selon Le Monde, dans sa version française Mondialisation.ca «un site peu fiable qui peut héberger de fausses informations». La chaîne iranienne Press tv serait un média qui transmet des théories conspirationnistes et antisémites! Ahhh, il ne manquait plus que cette paranoïa-cliché française. Un dernier, bien connu, RT, qui selon le Décodex est une chaîne d’informations créée pour améliorer l’image de Poutine à l’étranger! Hehe! C’est drôle, moi qui lis fréquemment RT je les vois rarement parler de Poutine, mais enfin… on pourrait presque croire que Le Monde suggère que le moyen de communication RT, en transmettant souvent des discours de Poutine, essaierait d’améliorer l’image de Poutine!?! Alors là non, bien-sûr que non, celui qui améliore l’image de Poutine, c’est Poutine lui-même avec ses discours indestructibles d’un point de vue rhétorique. RT n’améliore rien, il retransmet seulement les discours. Quant au Monde, bien-sûr qu’ils n’améliorent pas l’image de Poutine, pour la simple raison qu’ils censurent ces mêmes discours de Poutine!

 

 

Une manière encore plus simple de constater que le «moteur de recherche» n’est pas un moteur de recherche : rechercher un grand média comme la chaîne vénézuélienne Telesur, et constater que le Décodex n’arrive à aucun résultat. Et voilà, ils ne recherchent rien et ne font que vomir la propagande subjective sur les médias alternatifs si cette propagande subjective a déjà été additionnée par eux-mêmes dans leur médiocre mini-base de données!

 

Maintenant dans l’autre sens, et pour détendre l’atmosphère avec de bonnes blagues, voici une petite liste de médias que le Décodex du Monde considère comme fiables, héhé :

 

Franchement, Le Monde affirme que Le Monde est fiable? Franchement, AJ+, cette petite-sœur d’Al Jazeera pour les new-agers progressistes bien-pensants, héhé, c’est fiable ?

Pour les francophones (pardon pour les autres), je propose un article dans lequel la fiabilité de ce même Décodex est analysée par l’un des médias (RT) que le Décodex considère peu fiable :

 

Pour finir, j’aimerais rappeler l’essentiel, que celui qui a un toit de verre ne jette pas de pierres chez le voisin**! Au moins il ne devrait pas, surtout quand certains de ses voisins, qui jettent des pierres de chez eux, ont des toits de tungstène! Le Monde a commencé à jeter des pierres dans tous les sens, ce qui est triste, mais ce qui est encore plus triste ce sont les «informations» constamment délivrées par Le Monde, basées sur des mensonges démontrés. On pourrait passer une vie entière à réfuter un par un l’infinité d’articles mensongers du Monde, mais comme ce n’est pas possible nous n’en prendrons qu’un, relativement récent, pour donner un exemple:

 

Oui, c’est très à la mode ces histoires d’attaques informatiques russes sur tout et n’importe quoi aux Etats-Unis, sans-doute, mais cet article  au sujet d’attaques informatiques russes sur une centrale électrique du Vermont, Etats-Unis est un mensonge! Après que RT («non fiable» selon le Décodex) et d’autres médias (aussi «non fiables» selon le Décodex) aient mis en lumière cette bêtise basée sur rigoureusement rien, l’Agence France Presse (AFP), qui avait été la source de ce mensonge et qui compte parmi les médias «fiables» du Décodex, a démenti cette accusation contre la Russie avec un communiqué, malgré le fait que cette fausse information ne sorte même pas de sa rédaction mais de celle du Washington Post, autre média «fiable» d’après le Décodex.

 

En pis-aller l’AFP et le Washington Post rétablirent la vérité plus tard (bien que la connerie-médiatique aie déjà été faite, comme d’habitude), au contraire du Monde qui resta silencieux sur le sujet! Ahhh, super-fiabilité que celle des «nouvelles» du Monde, et méga fiabilité du Décodex, cet outil de vérification de fiabilité des médias d’information garantis «fiables» comme le Washington Post, l’AFP et Le Monde lui-même! Ahhh Laissez-moi rire…

 

Comme il est bon de vivre dans un monde modernissime dans lequel poussent des champignons orwelliens-Ministères de la Vérité un peu partout…ahhh, c’est le meilleur des mondes !


  

*dans la langue originale du texte en portugais, l’utilisation de «à la française» signifie «avec cérémonie», ou «en grande quantité»

**proverbe portugais

Luís Garcia, 04.04.2017, Chengdu, Chine 

(Traduction de Claire Fighiera)

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Vivendo em Doğubeyazıt - I, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 19 

Vivendo em Doğubeyazıt - I

 

bw  Luís Garcia VIAGENS 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

26.06.2014

No primeiro dia em Doğubeyazıt começámos por nada fazer, dormindo a manhã toda, para recuperar da viagem. Eram 2 da tarde quando ganhámos coragem para ir tomar o pequeno-almoço no restaurante a céu aberto do Hotel Ararat! Mehmet Arık, o amigo de Claire, veio ter connosco enquanto comíamos, eufórico para ouvir novidades de Claire e saber se tínhamos dormido bem no quarto de hotel que nos pagou. Antes de irmos embora do restaurante tivemos a feliz oportunidade de encontrar o primeiro estrangeiro, um japonês muito viajado, muito interessante, com muitas estórias para contar. Vale a pena andar na estrada só para encontrar gente assim! 

 

Ao sair do hotel, tive o primeiro impacto do extremo bom acolhimento local: toda a gente diz “olá ou “boa tarde” e sorri, boa parte convida de imediato a beber uns chás! Ah, como é social a vida por estas paragens! Íamos para a agência de turismo de Mehmet, a nossa nova casa durante os próximos dias. Como Claire é amiga de longa data de Mehmet, o imponente escritório estava reservado para nós, onde instalámos no chão uma cama ao estilo local, e onde durante o dia me inspiro nas paredes e secretária plenas de história para escrever o diário de viagem apimentado de política.

 

Mehmet é um senhor de 60 anos, poliglota, muito viajado, faz todos os trabalhos possíveis e conhece toda a gente em todo o lado na Turquia e países vizinhos. Uma mina infindável de inspiradoras estórias de aventuras, da Mongólia à Europa! Para se ter uma ideia, é amigo de Abas Kiarostami e Bahman Ghobadi, 2 dos realizadores iranianos maisinteressantes e cuja obra cinematográfica eu muito admiro, sobretudo Kiarostami! Que luxo de amizades, hehe!

 

Por incrível que pareça, e embora ganhe a sua vida sobretudo com o turismo (escaladas guiadas ao monte Ararat com aventureiros estrangeiros), Mehmet passa o tempo à varanda do escritório observando a rua, na ânsia de encontrar viajantes de bicicleta a quem sempre oferece dormida gratuita no grande quarto de visitas da agência, assim como água para tomar banho. Hoje (26.06.2014), por exemplo, está a hospedar 1 alemão e 4 suecos, todos viajando de bicicleta (blog dos suecos: happytour.se).

 

“que alegria ser turco”

 

Quase ao fim da tarde pegámos nas bicicletas de um sueco e um alemão e subimos a rua íngreme (e em péssimo estado) que liga a cidade de Doğubeyazıt à grande atracção histórica: o Palácio de Ishak Pasha. Pelo caminho tive a primeira oportunidade para dar de caras com o nacionalismo militar opressivo da Turquia sob a minoria curda que é maioritária na região. Acredite quem quiser mas, em plena cidade onde 99% dos habitantes são curdos, existe várias bases militares turcas, enormes! É claustrofóbico passar numa rua banal, de comércio por exemplo, e se encontrar cercado por quartéis, postos de vigia e militares armados até aos dentes!

 

É ridículo o dinheiro que a Turquia gasta para mostrar aos curdos que são curdos e não turcos, que é o caminho mais curto para convencer curdos a defender ideias independentistas e não ao contrário… um grande tiro no pé da Turquia por estas paragens. Veja-se, por exemplo os textos escritos a letras gigantes, com pedras, nos montes em volta desta cidade curda: “Que alegria ser turco”, “acima de tudo uma nação [turca]”. E mais, num país (Turquia) em que por todo o lado se encontram magníficas pistas de asfalto que atravessam e ligam as principais cidades, por que raio o asfalto teima em não chegar a Doğubeyazıt e outras cidades curdas. Na minha opinião, não será fazendo curdos sentirem-se diferentes que a Turquia conseguirá convencer a nação curda a permanecer de forma pacífica integrada na sociedade turca e no estado turco. Enfim.

 

Yunus, a nossa amiga pastora

 

Bom, a caminho do palácio de Ishak Pasha tivemos o primeiro grande encontro de Doğubeyazıt, quando Claire parou para falar com Yunus, uma jovem pastora de cabelo rapado que tenta se fazer passar por rapaz, mas que a nós não conseguiu enganar. Acontece muito por estas paragens (sobretudo nas populações rurais) mulheres verem-se obrigadas a disfarçar-se de homem para poderem sustentar uma família na qual escasseiem machos. Yunus, de uma extrema timidez e simpatia, convidou-nos a vir jantar à sua casa quando pudéssemos ou quiséssemos. Prometemos que o faríamos e continuámos o suicídio de subir o monte de bicicleta rumo ao palácio. Para nossa grande alegria um mini-autocarro parou para nos dar boleia (sim, com as bicicletas) até ao cimo! Uma vez chegados ao palácio, o condutor pediu-nos para tirar umas fotografias com o seu amado autocarro fazendo de cenário, e convidou-nos a vir jantar a sua casa quando quiséssemos! Ahhh, 2 convites para encher a barriga em menos de 10 minutos! É isto Doğubeyazıt!

 

À noite Mehmet, que também é um excelente cozinheiro, preparou um banquete que ofereceu a nós, aos suecos e ao alemão! Começou mesmo bem a nossa estadia por Doğubeyazıt!!!

 

a jantarada internacional

 

Álbuns de fotografia

Luís Garcia, 03.04.2017, Chengdu, China

 

Se quiser ler mais estórias desta viajem clique em:

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas