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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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À boleia da Bulgária à Turquia, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 14  

À boleia da Bulgária à Turquia

 

bw  VIAGENS  Luís Garcia        

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

20.06.2014

A manhã começou mal, com alguém a bater na tenda às 6h da manhã. Era um velho cigano, de bengala, pedindo tabaco. Mandámo-lo embora e tentámos em vão adormecer de novo. O sol já brilhava (e muito) e o tráfego intenso de carros e camiões na estrada ali mesmo ao lado era ensurdecedor. Para continuar em onda negativa, fomos descobrir que nós e a tenda estávamos enterrados em lama. Limpar a tenda e a nós próprios numa poça de água, andando entretanto para trás e para a frente encima de mais lama… ahhh, que filme, o que costuma levar 5 minutos levou 1 hora!

 

Antes de recomeçar a boleia voltámos à mesma estação de serviço do dia anterior, para espanto dos mesmos 2 funcionários que lá estavam há 10 horas atrás. Sem quaisquer problemas pegámos em toalhas, gel de duche, escova de dentes e fomos para as casas-de-banho nos limpar um pouco. Afinal, os dias passam e banho nada!

 

Depois de pseudo-banhos e pequeno-almoço (salvé ó mini-fogão!) começámos a boleia ali mesmo, ao lado da estação. Fomos levados pouco tempo depois por um turco da Bulgária e uma búlgara, ambos advogados atrasados para um encontro com clientes na Grécia, uma empresa de transporte de mercadorias acusada de fazer entrar emigrantes ilegais dentro do espaço Schengen. Apesar do enorme atraso e dos constantes telefonemas do patrão, insistiram em nos levar à fronteira turco-búlgara, conduzindo a uma velocidade louca por entre uma infinidade de camiões de mercadorias deslocando-se sobre uma estrada completamente destruída. Com esse vai-e-vem até à fronteira fizeram 30 km extra e perderam imenso tempo precioso. O melhor foi no fim, quando ao despedirem-se, estes 2 jovens advogados com uma boa carreira e bem-sucedidos na vida nos disseram. “ah, como vos invejamos tanto, quem no dera poder fazer o mesmo que vós”! E podem, melhor e mais que nós, respondemos eu e Claire…

 

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Eu, Claire e a advogada búlgara que nos deu boleia até à fronteira búlgaro-turca

 

Na fronteira, em Kapikule, a burocracia do costume, com a vantagem de estar a entrar na Turquia, um país onde mesmo nos postos fronteiriços podemos rir, conversar e tirar fotos com os guardas de serviço. Toda a gente quis nos vir dar as boas-vindas, inclusive saindo dos gabinetes para nos vir cumprimentar! Que excelente recepção!

 

Atravessada a fronteira, foi o “choque esperado”, pois não sendo a nossa primeira visita à Turquia, a mudança radical de cores, cheiros, formas, caras, costumes… prende de facto a atenção do forasteiro acabado de chegar. Além do mais sentimos o agradável contraste de passar de uma Bulgária encardida de uma sujidade urbana pós-industrial, para uma Turquia limpa, cheia de jardins e flores, cheirando bem a Médio-Oriente (ainda que Kapikule se encontre bem dentro do continente europeu)!

 

De Kapikule fomos à boleia até à entrada de Edirne, onde apanhámos outra boleia de imediato para a saída da cidade rumo a Istambul. Daí apanhámos boleia de um velhinho muito simpático que nos levou ate Çorlu, onde nos pagou 2 chás a cada e ofereceu uma garrafa de água grande e fresca. Pelo que percebemos o seu filho é piloto de aviação na SunExpress, de modos que tem a enorme sorte de viajar de graça frequentemente um pouco por todo lado na Europa e Médio-Oriente! Insistiu imenso para virmos com ele até Antalya, onde nos daria casa e comida e nos apresentaria a família, mas não, tínhamos outros planos, uma rota bem distinta e amigos à espera em Istambul “ali mesmo ao lado”.

 

Em Çorlu, quando saímos do camião do velhinho em plena auto-estrada, demos com outro camião ao lado e com o condutor de fora a falar ao telemóvel. Fomos falar com ele e voilá, boleia para Istambul! Uma vez mais fomos encontrar uma adorável pessoa que fez tudo o que pode por nós, necessário ou extra-ordinário:

  • Para começar arranjou-nos contactos de amigos em Antalya, uma cidade muito turística no sul, onde ele julga que poderíamos facilmente arranjar trabalho muito bem pago (dado que falamos inglês, francês e espanhol). 
  • Depois convidou-nos e insistiu para que viéssemos com ele a Adana, a sua terra natal que conhecemos bem de outras viagens e onde temos também amigos. Apesar da amável insistência recusámos, guardando os contactos para uma eventual visita a acontecer mais tarde;
  • Para nossa enorme surpresa, ficámos a saber que viajou imenso pela Ásia Central (em trabalho) e que conhece imensos sítios a visitar em países da nossa lista de países a visitar como o Cazaquistão, Usbequistão ou Tajiquistão. 
  • Parou numa estação de combustível para nos comprar sumos;
  • Nos subúrbios longínquos de Istambul, levou-nos a beber café no parque de camiões onde iria passar o resto do dia. Em seguida foi esperar connosco na paragem onde apanhámos um autocarro directo para o centro da cidade (perto da casa dos nossos amigos), bilhetes pagos por ele, como é óbvio! Afinal, estamos na Turquia!

 

Um grande dia, sem dúvida!

 

Álbuns de fotografia

Luís Garcia, 24.02.2017, Chengdu, China

 

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À boleia na Bulgária, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 13  

À boleia na Bulgária

 

bw  VIAGENS  Luís Garcia        

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

19.06.2014

O pequeno-almoço, tomado no jardim da praça central, ao lado da tenda, foi uma sopa instantânea e ameixas que apanhámos numa das árvores que circundavam a tenda. Depois de desmontada a tenda fomos trocar dinheiro num banco e caminhámos cerca de 1 km até um bom lugar para pedir boleia na direcção de Sofia, a capital do país. A espera foi acima do normal, cerca de meia hora, mas apesar de tudo, conseguimos avançar umas dezenas de quilómetros até Simitli no carro de uma família de gregos da Bulgária. A filha era completamente apática, nem sequer tirou os fones, de onde eram berrada pop music norte-americana, para nos dizer “Olá”. A mãe era muito gentil e curiosa, mas o seu marido conservador e besta reprimia-lhe a fala. O chefe de família e condutor de serviço era um bronco com cara de mafioso que aceitou nos levar até Simitli de graça (a pedido da sua esposa). Para viajar com eles até Sofia teríamos de pagar. Disse que sim para Simitli e acabou o assunto. De Simitli apanhámos boleia de um búlgaro muito simpático, com sorriso de menino, que nos deixou junto à circular da cidade onde se encontra a saída para a cidade de  Plovdiv, na rota directa para a Turquia. Comemos o que foi possível naquele caos urbano pós-nuclear e recomeçámos a boleia numa bomba de combustível. Aí um jovem búlgaro-jordano ofereceu-se para nos tirar dali e deixar-nos uns quilómetros à frente, mais perto da estrada que leva a Plovdiv. Já estávamos a abrir a porta e agradecer a gentileza quando, para nosso espanto, o rapaz diz-nos que “Se esperarem 1h30m, durante a qual me encontrarei com amigos, posso levar-vos até Plovdid, onde vou visitar outros amigos”! Dada o péssimo local para fazer boleia em que nos encontrávamos (zona urbana de auto-estradas e circulares), aceitámos a proposta, e ainda bem, pois pouco depois começou a chover. No shopping em que ele se encontrou com os amigos aproveitámos para fazer compras, beber café, usar internet wi-fi, usar as casas-de-banho e nelas roubar um pouco de papel higiénico, hehe!

 

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Jordano-Búlgaro e Claire

 

Em Plovdiv andámos 1h30m a pé às voltas, cerca de 5km, de malas às costas e exaustos. Tínhamos um mapa do googlemaps, tínhamos bússola, e ainda assim, não víamos forma de sair daquele pesadelo. Aparentemente os nomes das ruas no google não batem certo com os nomes afixados nos prédios. Desistimos de seguir os nomes, pegámos na bússola e seguimos para leste em linha recta durante mais 15 minutos e por fim saímos da zona urbana! E mais, descobrimos que por 2 vezes tínhamos estado bem perto da saída! Que raio de trabalho fez o pessoal do googlemaps nesta cidade! Em contra-partida a cidade parece ser muito interessante, com história, com identidade. Se fossem restaurados os edifícios e espaços de valor, seria um maravilhoso lugar para viver, estudar ou passear, digo eu…

 

Na saída da cidade tivemos mais uma boleia até à entrada da via rápida, o que nos facilitou imenso a vida na tarefa de pedir boleia. E assim foi, arranjámos boleia depois do por-do-sol para Haskovo, uma cidade a 80 km da Turquia. A boleia foi muito interessante, o senhor falava fluentemente inglês e trabalhava em projectos de protecção ambiental. Entre muitos outros ensinamentos pertinentes, explicou-me algo que eu nunca tinha pensado antes embora agora pareça óbvio: ainda que parcialmente favorável ao antigo regime comunista pró-soviético, o senhor apontava um erro grave das decisões governamentais (ainda que a intenção pudesse ser boa). Durante o período comunista a produção alimentar era controlada totalmente pelo estrado central, no intuito de melhor distribuir os recursos alimentares e acabar com a fome na Bulgária. O plano funcionou, mas os danos colaterais foram graves. A Bulgária era um país com grandes tradições culinárias até ao início da era comunista; durante esta, a complexidade e riqueza gastronómica desceram drasticamente de forma a não permitir que elites e ricos esbanjassem em manjares de luxo, ou mais ou menos bons, matéria orgânica comestível que poderia alimentar 100% da população com comida que satisfizesse as necessidades nutricionais de toda o país, em detrimento do valor gastronómico tradicional. E assim, durante duas gerações em que a classe média (aquela que cria e mantém tradições gastronómicas) passou a comer, igual à classe pobre, ração de sobrevivência, o savoir faire da culinária búlgara morreu. Agora é, em princípio, tarde de mais, assegurou-nos o senhor.

 

Chegámos a Haskovo muito tarde, durante a noite, mas ainda assim tentámos a boleia numa bomba de combustível. Não funcionou e fomos montar a tenda numa plantação de milho à beira-estrada.

 

Álbuns de fotografia

Luís Garcia, 18.02.2017, Chengdu, China

 

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O orgulho tuga, por Luís Garcia

 

  

Orgulho tuga, por Luís Garcia

 

Luís Garcia POLITICA    

Em modos de introdução grosseira

O orgulho tuga é uma grandessíssima idiotice, tal como são todos os outros orgulhos nacionalistas. Este tipo de grandessíssima idiotice atinge o seu máximo quando um gajo que come, bebe, mija, caga e dorme como toda a gente (suponho eu), é escolhido para ser uma espécie de chefe de uma organização ultrapassada que não serve para coisa nenhuma e na qual quem manda alguma coisa são (alguns d)os membros e não o chefe da coisa.

 

Era suposto escrever a 4ª parte da série de artigos Detectores de notícias falsas e outras falsidades mas, perante os recentes disparates cometidos por António Guterres, não pude resistir! Tive de reagir e escrever algo sobre o assunto.

 

Para os nacionalistas fundamentalistas e maldispostos, epá, é simples, não leiam o resto deste artigo, pode vos dar azia. Ide antes ler as primeiras 3 partes do Detectores de notícias falsas e outras falsidades, para ver se tentam perceber como andam a ser doutrinados à bruta por medias parciais e mentirosos, isto se a cegueira nacionalista não tiver ainda mirrado a totalidade das vossas capacidades intelectuais:

 

Ah, e não vale a pena enviar mais mensagens privadas no facebook a foder-me a cabeça pois não respondo. Querem comentar? Querem espalhar à bruta a vossa grunhice? Sejam bem-vindos, mas façam-no nas duas, sim duas, caixas de comentários abaixo, uma do Facebook, outra do Blogs.sapo.

 

Uma trapalhice de Guterres

Numa semana em que se ficou a saber que o governo israelita emprestará 1 milhão de dólares para a construção de casas por colonos israelitas em território palestiniano da Cisjordânia, na semana em que se ficou a saber que Israel enviou militares israelitas para combater protestos civis durante as celebrações dos 6 anos de protestos anti-ditadura no Barém, na mesma semana em que o presidente de Israel, Reuven Rivlin, apelou à ANEXAÇÃO TOTAL DA CISJORDÂNIA, na mesma semana em que Israel prometeu deixar de atacar a Síria e deixar de apoiar o terrorismo na Síria em troca do consentimento sírio para a OFICIALIZAÇÃO DA ANEXAÇÃO DOS MONTES GOLÃS (território sírio ocupado militarmente pela al-Qaeda e por Israel), António Guterres telefona a Tzipi Livni e informa-a que pondera escolhê-la para o cargo de Subsecretária-geral da ONU!

 

Não, a sério, num planeta com quase 7,5 mil milhões de pessoas, António Guterres não conseguiu encontrar ninguém menos polémico nem menos criminoso que a antiga vice-primeira-ministra israelita Tzipi Livni!?! Será que o senhor António Guterres, tão preocupadinho com refugiados que fogem de ocupações e guerras, não sabe que esta senhora é procurada a responder por crimes de guerra pela justiça de vários países europeus? Não saberá, o distraído António Guterres presidente honorário da crosta terrestre e arredores, que ainda há poucos meses a senhora Tzipi Livni só não foi detida em território britânico pelas autoridades inglesas porque o Ministério dos Negócios Estrangeiros dessa monarquia sacou da manga uma "imunidade especial temporária" que a livrou in extremis das grades?

 

E quanto ao país do qual Tzipi Livni é cidadã, o terrorista estado de Israel que ocupa territórios de estados vizinhos (Palestina, Líbano, Síria), país que realiza de forma regular ilegais e criminosos ataques aéreos à Síria, país que patrocina e oferece refúgio aos terroristas e organizações terroristas que dizimam a população síria... será o estado, por entre os 193 membros da ONU, que mais merece ter uma Subsecretária-geral da ONU?

 

E por falar em ONU, pois sim, não saberá o actual Secretário-geral da ONU que estado mais vezes foi condenado pelos seus comportamentos criminosos/ilegais/terroristas em resoluções da ONU? Israel é a resposta, com pelo menos 45 resoluções condenando os seus crimes, um número quase igual ao total das condenações contra os restantes 192 estados membros juntos! E quer António Guterres uma sionista para sua vice na ONU? Pkp!

 

Outra trapalhice de Guterres - Uma trapalhada da RTP

Para ver se ponho o leitor a rir um pouco, vou analisar a segunda trapalhice de Guterres usando como referência a trapalhada desta "notícia" da RTP:

 

Segundo a RTP, António Guterres está de viagem pelo mundo árabe, começando pela Arábia Saudita. Ficamos a saber que, por mais absurdo que soe, esteve à conversa com o rei saudita Salman bin Abdulaziz sobre o tema das "missões de paz", apesar da realidade comprovada das missões de terrorismo patrocinadas pelas Arábia Saudita na Síria e no Iraque, apesar da realidade comprovada da missão de guerra da Arábia Saudita que invadiu de forma ilegal o seu vizinho Iémene.

 

Ficámos também a saber que, para a RTP, "Iémene" se escreve "Iemen" (que raio de dicionário usa esta gente!?!). Ficámos também a saber que, para a RTP, o que se passa no Iémene não é um genocídio pela guerra e pela fome do povo iemenita às mãos do terrorista e bárbaro estado saudita, não, pelos vistos o que a Arábia Saudita faz, e passo a citar, é apenas "lidera[r] a coligação de países árabes que intervêm militarmente na guerra no Iemen a favor do Presidente, Abdo Rabu Mansur Hadi"! Ah, ok, então tudo bem! Puta que pariu! Tudo mal, nem é verdade nem faz sentido nenhum esta frase composta por eufemismos parvos e desconstrução orwelliana da realidade! Mas enfim, que mais esperar da RTP!

 

Voltando às trapalhices guterrianas, depois de beijar o cu ao rei terrorista, foi beijar o cu ao príncipe terrorista Mohamed bin Nayef, sessão muito badalhoca durante a qual este "manifestou o apoio do reino aos esforços de paz que as Nações Unidas levam a cabo na região", enquanto que o beija-cus tuga respondeu agradecendo "o apoio que a ONU recebe da Arábia Saudita neste sentido, assim como a ajuda humanitária que este país dá aos refugiados".

 

A sério? António Guterres agradeceu o quê? Agradeceu a invasão do Iémene, ilegal, pois não teve o consentimento da porra da ONU!?! Agradeceu os milhões gastos em armamento e dezenas de milhares de mercenários terroristas que a Arábia Saudita despeja na Síria, em total violação dos princípios mais básicos da porra da ONU da qual é Secretário-geral? Será que António Guterres não saberá sequer que a porra da ONU interdita a entrega de armamento a países em conflito

 

E ajuda humanitária, mas a sério, é de um gajo perder a cabeça e começar a asneirar, que puta de paralisia mental lhe ocorreu para agradecer à Arábia Saudita pelos 0 dólares gastos em ajuda humanitária e pelos 0 refugiados sírios recebidos (números da própria Arábia Saudita)! A sério, enquanto o Líbano com 7,8 milhões de habitantes, dos quais 2 milhões são refugiados sírios e meio milhão são refugiados palestinianos, não merece nem visita nem palavras de apreço por parte de Guterres, a Arábia Saudita, que recebe zero refugiados sírios e zero refugiados palestinianos é bajulada pela inexistente ajuda humanitária!

 

Depois espantam-se os nacionalistas do orgulho tuga que se derreteram em auto-louvores parvos aquando da nomeação de Guterres que, malta como eu, tenha troçado e rido à grande com essa nomeação! Acordai pá! Ou então não, continuai a dormir, e então batei palmas também a este orwellianismo de rebentar a escala: CIA honors Saudi Crown Prince for efforts against terrorism!

 

Luís Garcia, 14.02.2017, Chengdu, China 

 

 
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Detectores de notícias falsas e outras falsidades - parte 3, por Luís Garcia

 

  

Detectores de notícias falsas e outras falsidades - Parte 3

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE Fake News  

 

FACEBOOK E O DARWINISMO NOTICIOSO

Em princípio o facebook seria apenas uma rede social na qual pessoas de todo o mundo partilhariam selfies, tretas que não lembram a ninguém e estórias privadas ou, de forma bem mais interessante, partilhariam informações que não passam nos media corporativos, contribuindo para a democratização, gratuitidade e instantaneidade da informação procurada. Mas pelos vistos não, pois o proprietário do facebook, além de entregar de forma massiva dados sobre utilizadores do facebook à orwelliana máquina de vigilância global de Barack Obama, agora, entre o fim do mandato de Obama e início do mandato de Trump, lembrou-se de instalar um Ministério da Verdade dentro do próprio facebook.

 

Faz algum sentido esta iniciativa? Pois claro não! Num mundo (supostamente livre) no qual muita gente (com poder) abusa de forma errónea de princípios científicos para, corrompendo-os, fazer a apologia de barbaridades como o "darwinismo social", por que raio não encontro, por entre essas mesmas gentes com poder, quem defenda o óbvio, o darwinismo noticioso? Malta que acredita ou finge acreditar que vive num mundo de plena liberdade individual e liberdade de expressão, por que raio se mostra tão incomodada com a possibilidade de existirem notícias falsas? Insisto, por que não optam por respeitar o princípio do darwinismo noticioso, deixando que sejam os consumidores de notícias a decidir que medias terão sucesso e que medias se extinguirão por manifesta falta de capacidade para atrair consumidores? Apliquem a lei do mais forte, vá lá, então não é o mesmo princípio que adoram defender na esfera económica (apesar da também evidente perversidade do conceito nessa esfera)? Ah, é capaz de não dar jeito, não é, é capaz de resultar em selecções noticiosas que beneficiem as ovelhas e não os pastores, não é?

 

Eu não tenho problema nenhum nem com a produção de notícias falsas nem com os seus produtores, apenas com as notícias falsas em si. Daí que seja absolutamente contra qualquer sistema de detecção, de qualificação e sobretudo de censura de medias produtores de notícias falsas. Bem pelo contrário, dever-se-ia assegurar que as notícias falsas, produzidas por órgãos deliberadamente mentirosos, permanecessem disponíveis online, para que os interessados possam constatar que um determinado media mentiu repetidas vezes, num processo de verificação pessoal com o objectivo de concluir se vale a pena ou não seguir um determinado media. Infelizmente, o contrário acontece, media mentirosos compulsivos, como por exemplo o jornal Público, não hesitam em apagar notícias suas falsas, depois dessa notícia falsa já ter cumprido o objectivo de manipulação desonesta das opiniões dos seus leitores sobre um determinado tema. Como o Público há muitos mais em Portugal.

 

Voltando ao darwinismo noticioso que proponho, só encontro vantagens e, acima de tudo, a garantia das liberdades individuais tão papagaiadas nas ditas democracias multipartidárias progressistas humanitárias e tal.

 

Por um lado, temos pessoas que procuram, com critérios rigorosos, medias que os informem de verdade. Nesse processo de procura, perante o imenso caudal de mentiras descaradas (sobre armas de destruição massiva de Saddam Hussein, para dar só um exemplo) emitidas pela CNN, BBC, SIC, TVI, RTP, TF1, TVE, etc., os consumidores exigentes acabarão por abandonar esses medias e procurar outros como a HispanTV, a PressTV, a Telesur ou a RT, por exemplo. Desta forma é realizada a verificação de factos e a detecção de falsas notícias sem interferência nenhuma nas referidas liberdades individuais, visto que o trabalho é feito pelo próprio consumidor de notícias. 

 

Por outro lado, temos pessoas que, talvez pelo medo de descobrir que não vivem na realidade que lhes foi proposta durante a infância e a adolescência, procuram medias que confirmem as suas (induzidas) suspeitas sobre a maldade endémica dos chineses ou o prazer mórbido dos árabes em rebentar bombas. Neste caso, é bem provável que passem a ser ou continuem a ser consumidores de órgãos de propaganda sistemática e comprovadamente mentirosos como CNN, BBC, SIC, TVI ou RTP. E onde está o problema? Eu não vejo problema nenhum, se é em democracia garantidora de liberdade de pensamento e de acção que vivem, por que razão haveria alguém de querer lhes cortar acesso àquilo que querem consumir? Se muita gente gostar de ser enganada, então esses medias sobreviverão ao processo de selecção natural de notícias (quer sejam falsas quer não). 

 

Por outro lado ainda, há aqueles (muitos) que não procuram nem informar-se sobre a realidade nem contaminar-se com falsas informações que corroborem as suas visões deturpadas da realidade. Essa terceira categoria é composta por malta que deliberadamente gosta que lhes contem tudo e mais alguma coisa que não faça sentido nenhum e que não se baseie em nada que se relacione minimamente com o método científico. Consomem sites de "top 10 qualquer coisa" destinados ao clickbait, com pretensas notícias sobre achados arqueológicos com milhões de anos ou, ao contrário, com provas da contemporaneidade de dinossauros e seres humanos. Uma vez mais, se muita gente gostar, e parece que sim, este tipo de sites não só sobreviverão como seguramente proliferarão. Viva a liberdade de escolha, viva a liberdade de acção, eheh! Então não é disso que se trata a democracia? 

 

Dadas as vantagens do darwinismo noticioso, por que raio foi o facebook se meter nesta orwelliana embrulhada de fact checking (verificação de factos) e de caça a medias supostamente mentirosos? E porque não começam desde já a censurar os sites da terceira categoria (os da parvalheira total), visto que é facílimo desmentir as enormidades fantasiosas que espalham online? Ahhh, pelo contrário, nesses nem tocam, não é? É, deixai em paz quem assegura que somos visitados por extra-terrestres ou que somos governados por répteis. Quanto mais crentes de fantasias parvas melhor, pois menos serão então os consumidores de notícias exigentes e críticos, não é?

 

Então não me fodam, claro que o assunto não é caça a medias mentirosos ou a notícias falsas. O assunto é censura, censura daqueles que, usufruindo das características emancipadoras inerentes ao modo de funcionamento da internet, ousam contar (e provar o que contam com factos) versões da realidade diferentes e até contrárias àquelas propostas pelos media mainstream (medias de referência) controlados por corporações ocidentais ou estados ocidentais. O assunto, a preocupação do facebook, é a censura pura de medias insubmissos assim como a descredibilização desses medias com vista a uma auto-censura por parte dos próprios consumidores de notícias.

 

DETECTOR DE NOTÍCIAS FALSAS DO FACEBOOK

O detector facebook-orwelliano de notícias falsas, em inglês, já foi implementado há semanas, e portanto não é novidade. Para os interessados, há mais de um mês atrás que partilhei aqui o artigo FAKE NEWS - Censura no Facebook, no qual podem ler a lista das organizações (muito suspeitas e pouco credíveis, na minha opinião) que compõem a International Fact Checking Network que está por detrás do tal detector de notícias falsas do facebook.

 

FAKE NEWS - Censura no Facebook, por Luís Garcia

 

A versão alemã foi também já prometida pela própria Angela Merkel:

 

 

Mas o assunto agora é a criação da versão francesa de detecção de notícias falsas no facebook, tal como foi anunciado há dias nesta notícia da RTP:

 

Como se não bastasse já o Décodex do Le Monde, que apresentámos no artigo anterior (ler Detectores de notícias falsas e outras falsidades - parte 2), agora ainda teremos de levar com o Le Monde, a Agence France Presse, a BFM TV, a France Télévisions, a France Media Monde, o L´Express, o Libération e o 20 Minutes, todos produzidos por gente muito série e credível (minto), no lugar de averiguadores de notícias no facebook! Hehehe, está tudo doido!

 

Para quem não sabe, a BFM TV é um género de Correio da Manhã francês, enquanto que o 20 Minutes é um jornal gratuito, daqueles distribuídos em transportes públicos e escritos por malta analfabeta amante de notícias da terceira categoria acima referida. E vão pôr esta malta a verificar veracidade de notícias? Hehehe.

 

O resto da lista são grandes medias franceses privados que, por um lado, recebem anualmente milhões de euros em subvenções do estado francês (ler Aides à la presse: qui touche le plus?) e, por outro lado, são propriedades de corporações francesas donas de empresas petrolíferas, de armamento e de outras áreas que gerem biliões e que, portanto, têm todo o interesse em que se minta nos media, casos essas mentiras ajudem a legitimar e vender, por exemplo, guerras onde gastar bombas e usar jactos de guerras, e após as quais construir infra-estruturas e extrair petróleo.

 

Um exemplo flagrante é o Le Figaro, jornal do Grupo Dassault, do qual também faz parte a Dassault Aviation, a empresa francesa que produz os caças de guerras franceses usados pela força aérea francesa para bombardear, por exemplo, o Mali, a Líbia e a Síria. A sério, acha possível depois que possam ser credíveis as notícias do Le Figaro sobre esses conflitos? A sério, que credibilidade pode ter um detector de notícias falsas composto por empresas que participam de forma activa nos assuntos noticiados e que ao mesmo tempo os noticiam? 

 

Mais, mesmo que esses medias da lista de colaboradores do facebook não tivessem relações com mais coisíssima nenhuma, ainda assim, insisto, continuam a ser medias produtores de notícias. Se o são, não poderão fazer, por manifesto conflito de interesse, a verificação das suas próprias notícias! E se não o farão, quem se ocupará da tarefa? Irão os membros da lista verificar as notícias uns dos outros? Que disparate, pior que conflito de interesses, é união de interesses! Ou o facebook irá pura e simplesmente deixar as notícias destes medias franceses fora da orwelliana máquina de verificação? E, não verificando notícias destes conjunto de medias mainstream, vão ter de se entreter com medias alternativos, não? Estão a ver onde quero chegar, não estão?

 

É isso mesmo, nada nem ninguém, sob a tutela do facebook, verificará veracidade de coisa nenhuma. Esta trapalhada mais não é que guerra aberta aos medias alternativos que ousam dizer o contrário da versão oficial ocidental. Simples e óbvio!

 

Luís Garcia, 12.02.2017, Chengdu, China 

 
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The Caesar Photo Fraud that Undermined Syrian Negotiations, de Rick Sterling, em PDF

 

 

The Caesar Photo Fraud that Undermined Syrian Negotiations

 Luís Garcia POLITICA Fake News

Para quem quiser comparar a enorme semelhança entra a farsa de supostos milhares de execuções perpetradas pelo governo sírio, objectivamente desmascarada por Rick Sterling há quase um ano, com aquela que está neste momento a ser vendida nos media mainstream falsificadores de notícias, aconselho a leitura do documento:

 

Luís Garcia

 

 
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Detectores de notícias falsas e outras falsidades - parte 2, por Luís Garcia

 

 

Detectores de notícias falsas e outras falsidades - parte 2

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE Fake News  

 

 

Décodex, o detector de notícias falsas à francesa

Uma vez mais fica provado que o sonhado (por José Sócrates) choque tecnológico em Portugal nunca chegou a acontecer. Porquê? Porque em Portugal temos a Visão, pela voz de Rui Antunes, propondo um método manual e chatérrimo de detecção de notícias falsas baseado em 2 falácias argumentativas do tempo em que em Portugal (ainda longe de existir) a malta vivia em sombrias cavernas e em que a tecnologia de ponta disponível era o fogo. Leiam a primeira parte se não o fizeram ainda: Detectores de notícias falsas e outras falsidades - parte 1. Em claro contraste, ou até não, hehe, em França, a malta consumidora de "medias de referência" como o Le Monde já pode utilizar o Décodex (faz pensar em Sócrastes não faz?), um instrumento (mesmo nada) automático de detecção de mentiras em sites de informação. Eis o bicho:

 

A coisa parece funcionar de forma automática, fazendo crer à malta francófona que, se esperar uns segundos, "o motor de pesquisa" do Le Monde "verificará a fiabilidade de um site". Pura ilusão, o "motor de pesquisa", ao contrário do que é afirmado neste artigo do Le Monde "Décodex : vos questions, nos réponses", não é um motor de pesquisa mas apenas um mecanismo simplório de demonização de um conjunto predefinido de sites de media alternativos directamente tirada da lista negra norte-americana Propornot (já lá iremos, na 3ª parte) e disfarçada de motor de pesquisa com um botãozinho em forma de lupinha para ficar tudo bonitinho e credivelzinho para quem anda a dormir!

 

 

 

A forma mais simples de provar o que acabei de dizer é que, em vez de oferecer, aí está, um "resultado de pesquisa" com as notícias ostensivamente falsas de um determinado media, ou pelo menos consideradas falsas de acordo com os padrões "de pesquisa" do Le Monde, o que nos é apresentado vezes sem conta são 3 frases padrão que levam a perceber que nenhuma pesquisa é feita durante o período de espera. São sempre as mesmas 3 frases que, resumidamente, dizem se o media em análise é "bom", "mau" ou "assim-assim". Objectividade zero! Para agravar a palhaçada, se o media for considerado "fiável", é fornecido a hiperligação para o site correspondente. Se for considerado "pouco fiável" ou "não fiável", não é fornecido a hiperligação para o site correspondente, fazendo crer que os produtores deste falso motor de pesquisa receiam que visitemos os demoníacos sites. Mas não ficamos de mãos a abanar não, em contrapartida, oferecem-nos hiperligações para artigos de "media de referência" (do próprio Le Monde inclusive!!!) nos quais o media alternativo do demónio é gozado ou achincalhado! Epá, bravo, como dizem os franceses! Epá, sois os maiores! E mais, como se não bastasse, ainda oferecem um resumo composto de comprováveis mentiras através das quais tentam convencer o leitor de que o tal demoníaco media pesquisado é "mentiroso" ou coisa parecida. Vergonhoso! Querem exemplos? Vamos lá:

 

  • 21st Century Wire, um site norte-americano que costumo seguir. Que diz o Décodex? Isto: "site americano alternativo que relata por vezes falsas informações como aquelas acerca dos capacetes brancos da Síria. Espalham também teorias conspiracionistas sobre o desaparecimento do vôo MH370 da Malásia Airlines". Ora, treta ignóbil atrás de treta ignóbil. Já li muitas notícias deste media e nunca os vi defender teorias da conspiração sobre o MH370, pelo contrário, vejo-os atacar a conspiração mediática ocidental apresentando factos e provas muito interessantes mas que, por porem em causa a versão ocidental, são factos e provas que nunca apareceram, como é óbvio, nos media ocidentais! Não, provas e factos não são teorias conspiracionistas, são apenas provas e factos! O 21st Century Wire não conta mentira nenhuma sobre os White Helmets! Pelo contrário, tal como já aqui fiz com o artigo White Helmets, humanistas ou terroristas? Parte 2, o 21st Century Wire expõe o carácter terrorista dessa organização ao confrontar aquilo que é dito sobre os White Helmets (pelos próprios White Helmets e pela imprensa ocidental beija-cus) com provas na forma de fotografias, de vídeos, de entrevistas, de testemunhos validados ou de tratamento de dados. Se, objectivamente, os dados verificados e autenticados mostram que os White Helmets, no mínimo, mentem muito e, no máximo, cometem actos criminosos/terroristas, quem são estes badamecos de pseudo-jornalistas beija-cus do Le Monde para negar a realidade? Por exemplo, negai aquilo que se vê nestes vídeos, a participação dos White Helmets na execução de civis e a sua estreita colaboração com grupos terroristas:

 

 

Gostaria de analisar mais alguns exemplos, mas receio que ficaria demasiado extenso este artigo. Ainda assim, ficam os nomes de outros media alternativos que utilizo diariamente e que aparecem na lista negra deste pseudo motor de pesquisa do Le Monde. Pois sim, a Rede Voltaire de Thierry Meyssan, jornalista francês que teve de fugir da Líbia para não ser morto por comandos franceses e que agora, segundo o Décodex, "é um conspiracionista com ligações ao governo sírio". O Global Research, um site de informação alternativo focado em análises extensivas (bem acompanhadas de documentação também extensiva) de eventos políticos, sociais e militares é, segundo o Le Monde, na sua versão francesa Mondialisation, um "site pouco fiável que alberga por vezes falsas informações". A iraniana PressTV seria um media que transmite teorias conspiracionistas e anti-semitas! Ahhh, já cá faltava esta paranóia cliché francesa. Só mais um, bem conhecido, a RT, que segundo o Décodex é uma cadeia de informação criada para melhorar a imagem de Putin no estrangeiro! Hehe! Engraçado, eu que vejo RT com muita frequência raramente os vejo falar de Putin e, quando o fazem, não imitem nunca opiniões de valor sobre Putin, mas enfim... uma pessoa quase é levada a crer que o Le Monde sugere que o meio de comunicação  RT, ao emitir com frequência discursos de Putin, estará a tentar melhorar a imagem de Putin!?! Ora não, pois claro que não, quem melhora a imagem de Putin são os discursos indestrutíveis do próprio Putin. A RT não melhora coisa nenhuma, apenas transmite os discursos. Quanto ao Le Monde, pois claro que não melhoram a imagem de Putin, pela simples razão que censuram os mesmos discursos de Putin!

 

 

Uma forma ainda mais simples de constatar que o "motor de pesquisa" não é um motor de pesquisa: fazer pesquisa sobre um media grande, como a venezuelana Telesur, e constatar que o Décodex não consegue apresentar resultados. Aí está, não procuram coisa nenhuma, apenas vomitam propaganda subjectiva sobre media alternativos se essa propaganda subjectiva já tiver sido adicionada por eles mesmos na sua mini-basesinha de dadinhos toscos-tosquinhos!

 

Agora, no sentido contrário, e para desanuviar o ambiente com umas boas risadas, eis uma pequena lista de medias que o Décodex do Le Monde considera serem fiáveis, hehe:

 

A sério, o Le Monde afirma que o Le Monde é fiável? A sério, o AJ+, essa aljazeerazinha para new-agers progressistas bem-pensantes de cabeça na lua, hehe, é fiável? 

 

Para os francófonos (peço desculpa aos restantes), proponho um artigo no qual a fiabilidade do próprio Décodex é analisada por um dos media (RT) que o Décodex considera pouco fiável:

 

Para finalizar, gostava de relembrar o óbvio, que quem tem telhados de vidro não atira pedras ao do vizinho! Ou pelo menos não devia, sobretudo quando alguns dos vizinhos, cujas casas atira pedras, têm telhados de tungsténio! O Le Monde lembrou-se de começar a atirar pedras assim à tola, o que é uma tristeza, mas mais tristes são as constantes "notícias" do Le Monde baseadas em comprovadas mentiras. Podíamos ficar aqui o resto da vida a refutar uma por uma a infinidade de mentiras noticiosas do Le Monde, mas não dá, peguemos só numa, relativamente recente, para dar o exemplo:

Pois é, muito na moda estas estórias de ataques informáticos russos a tudo e mais alguma coisa nos EUA, sem dúvida, mas esta notícia do Le Monde sobre um ataque informático russo a uma central eléctrica em Vermont, EUA, é mentira! Depois da RT ("não fiável" segundo o Décodex) e outros media (também "não fiáveis" segundo o Décodex) terem chamado a atenção para este disparate baseado em rigorosamente nada, a Agence France Press (AFP), que havia sido a fonte desta mentira do Le Monde e que consta na lista de media "fiáveis" do Décodex, veio em forma de comunicado desmentir esta acusação infundada contra a Rússia, apesar da origem da falsa informação não ser sequer da sua redacção mas sim da redacção do Washington Post, outro media "fiável" de acordo com o Décodex do Le Monde.

 

Menos maus a AFP e o Washington Post que repuseram mais tarde a verdade (embora a merda-mediática já tivesse sido feita, como é hábito), ao contrário do Le Monde que não mais piou sobre o assunto! Ahhh, super fiabilidade a das "notícias" do Le Monde, e mega fiabilidade a do Décodex, esse ferramenta do Le Monde de verificação de fiabilidade de meios de informação que garante serem "fiáveis" meios de comunicação como o Washington Post, a AFP e o próprio Le Monde! Ahhh, deixem-me rir... 

 

E que bom é viver num moderníssimo mundo no qual crescem que nem cogumelos orwellianos Ministérios da Verdade um pouco por todo lado... ahhh, que maravilhoso mundo novo!

 

Luís Garcia, 08.02.2017, Chengdu, China 

 
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Detectores de notícias falsas e outras falsidades - parte 1, por Luís Garcia

 

 

Detectores de notícias falsas e outras falsidades - parte 1

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE Fake News  

 

 

Detector de notícias falsas da SIC-Visão

Comecemos por ler o próprio método de detecção de notícias falsas proposto por Rui Antunes, jornalista da Visão. E não, não se percam já em escárnios e risadas, sei que é difícil resistir mas seria interessante analisar esta jigajoga-parvorwelliana com seriedade:

 

Guia básico para identificar notícias falsas, por Rui Antunes, Visão, 05.01.2017

1 - Confirmar endereço URL como fonte fidedigna

2- Verificar se o tema em causa está a ser abordado por algum media de referência

3 - Identificar e validar as fontes de informação no artigo

4 - Ler mais do que um artigo sobre o tema que despertou o seu interesse

5 - Um bom exercício pode ser perguntar-se: qual a probabilidade do que acabei de ler ser verdade?

6 - Procurar a secção Sobre 
(ou About) e pesquisar no Google para confirmar se alguma fonte credível já escreveu sobre essas pessoas

7 - Observar as fotografias para detetar manipulações descaradas

 

 Também vou por pontos numerados:

1 - Não entendo a relação entre "URL" e "fonte fidedigna", mas suponho que o senhor quereria simplesmente dizer que "se deve verificar se a fonte da notícia é fidedigna ou não". E como se faz tal coisa? Eu não sei! Pelo reputação da fonte? Pela longevidade do meio de informação em questão que o levou a ter renome? Então e se, no sentido contrário, o tal URL não for conhecido pelo leitor e que este nunca tenha ouvido falar do nome do tal rádio/jornal/TV em questão, toda e qualquer notícia produzida por este novo meio de comunicação cai de forma automática na categoria de notícia falsa? Qual quê, este senhor começa logo mal, com o clássico argumento falacioso do apelo à autoridade. Caindo num erro de retórica detectado à milénios, o senhor Rui Antunes quer-nos fazer crer que o estatuto de algo ou de alguém garante que este produz conteúdo verídico, quando não, não necessariamente. Com frequência os media de renome portugueses como RTP, SIC, DN, JN, Público, etc., mentem e afirmam enormidades sem apresentar provas que apoiem aquilo que afirmam. Com frequência aparecem novos media digitais que, apesar de desconhecidos, produzem conteúdo cuja qualidade e veracidade é atestada pelas provas recolhidas e apresentadas junto às suas notícias. Portanto não, "fonte fidedigna" não é argumento válido. Essa fonte "fidedigna" pode se lembrar de mentir de um momento para o outro ou apresentar conteúdo não acompanhado de provas. 

 

E não me venham dizer, para defender o jornalista em questão, que essas "fontes" são "fidedignas" porque existe imensa gente (manadas de parvovelhas) que seguem esse suposto jornal. Não. É que vão directo a outro argumento falacioso, o do apelo à popularidade. Dizer que o Público é fidedigno porque dezenas de milhares de pessoas o lêem é como dizer que o sol gira em torno da terra porque outras tantas (ou bem mais) assim crêem. 

 

 

2 - "Algum media de referência"!?! Ora Rui Antunes, mais do mesmo!?! De novo o argumento falacioso de apelo à autoridade!?! E para quê "mais algum" ou muitos mais? Para insistir no argumento falacioso de apelo à popularidade? Se toda a gente traduzir e republicar uma flagrante mentira da Reuters, essa mentira passa a ser verdade a partir de quantas republicações de quantos media de "referência"? E se eu, insignificante anónimo, publicar uma notícia e estiver na posse de documentação válida (ou de veracidade confirmável), estarei a produzir uma notícia falsa apenas por ser o único a fazê-lo e não ser de todo um media de referência? Só tiros nos pés caro Rui Antunes!

 

3 - Identificar as fontes de informação: notícia A, escrita pelo jornalista B do jornal C. Sim, e depois? Validar? Ok, depois há que validar, mas como? Não podia ser mais claro? Não, não podia, daí que o leitor deste detector de falsas notícias tenha de adivinhar se a validação de uma notícia é efectuada pela reputação do jornal (como afirmou antes) ou pela apresentação de provas (como prefiro eu).

 

4 - Mééééé, sugestão do argumento falacioso de apelo à popularidade. Que o leitor, depois de ter lido algo que lhe tenha despertado o interesse, se decida por ler mais sobre o mesmo tema, tudo bem, naturalíssimo, quem não o faz! Agora sugerir que a leitura de mais artigos sobre um determinado tema possa contribuir para provar a veracidade de um artigo já lido... epá, santa paciência! Então, querem ver que o tema de uma determinada notícia lida, por ser muito popular no momento, torna a notícia em verdadeira, por mais falsa que seja, por mais que não seja corroborada por prova nenhuma? Ora essa! Este ponto faz-me mesmo pensar no circo que foi a apresentação de coisa nenhuma como prova da interferência russa nas eleições dos EUA. Bastou a popularidade, a viralidade em torno desse circo: Comprovado sem provas.

 

Ou, por exemplo, todos os media do planeta, de Portugal à China, do Belize ao Vanuatu, republicaram a notícia sobre uma pobre criança síria vítima de um bombardeamento russo sentada numa cadeira cor-de-laranja. Se interessado, após a leitura da primeira notícia sobre este tema, o leitor poderia continuar o resto da vida lendo mais notícias sobre o mesmo tema! E depois? Será que popularidade é sinónimo de veracidade? Depois descobriu-se que não houve bombardeamento russo, que a criança não estava ferida e que tudo tinha sido encenado, que o autor da famosa fotografia é membro dos White Helmets / al-Qaeda, e que a criança é filha de um membro da al-Qaeda! Portanto argumento não válido, mais uma vez, popularidade não é sinónimo de veracidade!

 

FAKE NEWS - tadinho do puto da cadeira laranja, por Luís Garcia

 

5 - Sim, qual é a probabilidade de um dia um asteróide de 1km de diâmetro entrar em rota de colisão com a terra? Quase nulo? Ahhh, então no dia em que tal acontecer, quem o noticiar estará a mentir, de acordo com o nosso caro Rui Antunes, por mais que haja provas corroborando a notícia. Se eu ligar a TV um dia e ouvir que o meu vizinho ganhou o Euromilhões, será certamente uma notícia falsa. Se uma semana depois o vir passar de Lamborghini, será alucinação minha.

 

6 - A sério, que obsessão por fontes credíveis, fidedignas ou de referência! Irra! E sim, é de novo ao argumento falacioso de apelo à autoridade que se refere. E o argumento trapalhoso de tentar saber se alguém escreveu, não sobre o mesmo tema da notícia em questão, mas sim sobre as pessoas que escreveram a notícia! Como disse que disse? Que uma notícia minha só será verdadeira se alguém, anteriormente, já tiver escrito algo sobre mim!?! Epá, que ganda moca. E mais, pesquisar no google, para quê? E se o google censurar a informação procurada, como comprovadamente já o faz sobre malta do contra, que aprenderá uma pessoa pesquisando no google sobre um determinado jornalista alternativo independente não-beija-cus? Provavelmente só encontrará acusações de conspiracionismo e doença mental do tal jornalista independente. Grande avanço!

 

A sério, fontes credíveis, para quê? Façamos um exercício, com exemplos. Lembram-se quando, no início de Dezembro de 2016, os media de referência portugueses e internacionais repetiam até à exaustão, e apesar da inexistência de bombardeamentos aéreos sírio-russos desde o dia 17 de Outubro de 2016 (dado comprovável), que "os bombardeamentos aéreos sírio-russos" provocavam uma "catástrofe humanitária em Aleppo", um "mega-cemitério a céu aberto"? Lembram-se de expressões como "chacinam",  "exterminam",  provocam "um genocídio de dezenas de milhares de civis"? Lembram-se de acusações como: o exército sírio "executa", a sangue frio, "mulheres e crianças"? Nada desta acusações foram jamais comprovadas, e nem é preciso, pois para Rui Antunes, dizer que as fontes são credíveis, fidedignas ou de referência chega e sobra! E não, não me venham dizer que se comprovou o que quer que seja com as imagens que passaram nas televisões ocidentais de corpos claramente abatidos a tiro e não bombardeados, corpos não se sabe de quem nem onde nem mortos por quem (ler artigo Desespero mediático 13 - RTP realiza terrorismo-jornalístico)

 

Bombardeamento causa a morte de 45 civis em Alepo

 

Bom, agora vejamos o que disse um site desconhecido (este) de um gajo desconhecido (eu) sobre o mesmo tema, a conquista de Aleppo de Dezembro de 2016. De relembrar que eu e o meu blog não somos fontes nem credíveis, nem fidedignas nem de referência, hehe! Escrevi vários artigos sobre o tema, mas destaco um, o Shadi Halwi em Aleppo Leste libertada, por Luís Garcia, simples, que se baseia num vídeo filmado em Aleppo, na investigação e no poder da lógica. No vídeo que encontrei e que me suscitou imensa curiosidade, vê-se um homem atravessando de carro uma estrada em Aleppo no sentido contrário ao de milhares de sírios que saem da zona leste recentemente libertada pelo exército sírio. Eu perguntei-me, "quem será esta pessoa recebida com sorrisos, beijos e abraços", literalmente, pelos civis fugindo da zona até então controlada por rebeldes. Após alguma investigação consegui descobrir que se tratava de Shadi Halwi, um famoso jornalista sírio que trabalha para a televisão do estado sírio e que conhece pessoalmente Bashar al-Assad. Perante todos estes dados (comprováveis de forma fácil se o leitor se der ao trabalho), como acreditar nas notícias dos jornais de referências sobre "mega-cemitério a céu aberto" em Aleppo leste, por ordens do "regime" de al-Assad, quando os milhares de civis que saem de Aleppo leste festejam de forma efusiva a aparição de uma famosa cara televisiva do "regime" de al-Assad? Tudo isto para dizer que, tal como já tentei defender de forma extensa no artigo Síria, acreditar em quem? (parte 1), em vez de receitas da treta como esta do Rui Antunes baseada em argumentos falaciosos como o do apelo à autoridade ou o do apelo à popularidade, prefiro a receita:

  1. Exigir dados, factos, assim como as suas fontes e a identidade das fontes.
  2. Raciocinar com lógica
  3. Comparar o evento actual com eventos históricos similares.

 

7 - Só as fotografias? E os vídeos? E as afirmações infinitamente absurdas que se lêem e ouvem nos media de referência? Pois sim caro Rui Antunes, com esta até concordo, apesar de limitada. Há que observar e analisar tudo, não apenas as fotografias! E quanto às fotografias, não nos devemos ficar pela procura de manipulações descaradas, há que seguir o rasto também às manipulações menos descaradas. E, de qualquer modo, o mal nem sequer está nas fotos manipuladas, mas sim nas descaradas notícias falsas (dos nossos media de referência) baseadas em fotografias não manipuladas/editadas.

 

Por exemplo, a pedido da máquina de propaganda norte-americana, os media de estados vassalos (como Portugal) começaram a repetir a descarada mentira de que a Rússia havia "bombardeado um comboio humanitário da ONU". Nem vale a pena falar dos vídeos e fotos imediatamente disponibilizados pelas Forças Armadas da Rússia que demonstraram claramente que aqueles camiões arderam em consequência de fogo posto pelas mãos de "rebeldes" terroristas. São provas irrefutáveis que nunca passaram na SIC deste Rui Antunes nem em qualquer outro media português. Mas a questão é outra, a utilização pelos media portugueses de fotografias, nem sequer editadas, para mentir de forma escandalosa:

 

 

A sério, abram esses dois links acima de notícias falsas e vejam como os jornalistas da RTP ousam afirmar que "terão sido afinal dois aviões de guerra russos Sukhoi SU-24 a bombardear os camiões", repetindo sem provas aquilo que os mestres do Império lhes mandaram dizer e, gravíssimo, em total contradição com as imagens partilhadas no próprio artigo da RTP! A sério vejam as fotografias e digam-me se o que vêem são camiões ardidos ou camiões bombardeados:

SLIDESHOW 1

 

Agora façam um pesquisa num motor de busca por "crater + airstrike" e comparem com as fotografias dos camiões ardidos mas com a estrutura intacta! Estão a ver, deixai em paz as fotos manipuladas, as não manipuladas são provas ainda mais flagrantes das mentiras que nos contam os media "credíveis", os media "fidedignos" ou os media "de referência" como a RTP , a SIC ou a Globo!

 

Querem mais? Vejam esta colecção de fotografias não editadas mas sim reutilizadas (pelos media de referência) fora de contexto, com datas ou localizações erradas, etc., de forma a corroborar a mentira de "Assad Sanguinário" que o Império lhes encomendou:

 

SLIDESHOW 2

 

 

Mas bom, e para resumir o que aprendi com o detector de notícias falsas do Rui Antunes, tudo o que for dito ou escrito por medias reputados na forma de "notícia" é para ser considerado verdade, independentemente de ter ou não provas que a corroborem, independentemente de ser mentira ou não, independentemente de ser ou não propaganda descarada, e apesar de haver inclusive provas que desmintam essa tal notícia. E assim, por exemplo, as imagens do slideshow acima são todas verdadeiras, em todas as suas alucinantes versões, pois passaram em medias de referência.

Pelo contrário, tudo o que digo aqui, de acordo com o detectores de notícias falsas da Visão, é mentira, teoria da conspiração e propaganda deliberada pois o Pensamentos Nómadas fica fora de todas as categorias exigidas. Mesmo que vos partilhe aqui slideshows como o de acima, mesmo que vos convide a reflectir sobre a incompatibilidade entre o que dizem os textos da RTP e as fotografias que vêm juntas! É esta a perversa lógica da nova caça às bruxas, da caça às "notícias falsas" por parte dos maiores e eternos produtores de notícias falsas... de referência!

 

Por isso, quando sem provas nenhumas, o próprio Rui Antunes afirma nesta "notícia" aqui, a propósito das denúncias de abuso sexual de Trump a várias mulheres, que "O feitiço está a virar-se contra o feiticeiro", e como o senhor Rui Antunes trabalha para a SIC, e como o verbo estar encontra-se no presente, então, o leitor deve concluir que o feitiço foram os abusos efectivamente cometidos e que agora o abusador está a pagar pelo que fez. Bravo!

 

Luís Garcia, 07.02.2017, Chengdu, China 

 
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À boleia da Macedónia à Bulgária, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 12  

À boleia da Macedónia à Bulgária

 

bw  VIAGENS  Luís Garcia        

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

18.06.2014

Acordar num jardim à beira de um precipício com vista para o lago Ohrid é o que se pode chamar de Campismo 5 Estrelas! E gratuito, pois claro. Para completar o cenário idílico, estreámos o nosso novo fogão no qual preparámos café turco para aquecer e despertar o corpo, enquanto sentados no muro observávamos a maravilha de paisagem do lago Ohrid e das montanhas macedónias e albanesas em volta.

 

De volta à cidade telefonámos a Ibrahim e combinámos um encontro na esperança que ele nos arranjasse uma boleia para a Turquia num camião de amigos seus turcos, tal como prometera tentar. Mas não, não deu em nada. Em contrapartida convidou-nos uma vez mais a almoçar no centro, onde demos com uma situação muito estranha: em plena praça central de uma das maiores cidades macedónias desfilavam em estilo militar uma multidão de escuteiros turcos da macedónia, com símbolos turcos por todo o lado, inclusive uma enorme bandeira turca! Que confusão este país! Ainda ontem tínhamos encontrado várias bandeiras albanesas espalhadas um pouco por todo lado!

 

 

 

Do centro fomos a pé até à saída norte da cidade, onde apanhámos uma boleia para Bitola. Em Bitola, sem sabermos, fomos largados na saída sul da cidade. Em poucos minutos apercebemo-nos do facto e concluímos que dali não arranjaríamos tão depressa boleia em direcção a nordeste (Bulgária). Porquê? Porque quem fosse de Bitola para a capital sairia pela estrada nordeste e não sul, e na saída do sul apenas passavam carros em direcção a Ohrid (de onde tínhamos vindo há pouco). Sem demoras recomeçámos a boleia na estrada ao lado, rumo ao centro da cidade, e um minuto depois passou um simpático senhor que ia para o centro mas que gentilmente nos levou até à saída nordeste (que nós pretendíamos), fazendo para tal uns quilómetros extra! Que altruísmo! Que simpatia! Pouco tempo depois apanhámos outra boleia para a grande cidade seguinte: Prilep.

 

Uns minutos antes de chegar a Prilep começou uma enorme tempestade. Quando saímos do carro a chuva já tinha parado, para voltar 2 minutos depois de forma ainda mais violenta. Corremos que nem loucos para fugir à chuva, de malas às costas, em direcção a um armazém industrial que, quando lá chegámos, descobrimos estar fechado com portões. Aguentámos um pouco encostados aos portões mas a tempestade que ia aumentando de intensidade obrigou-nos a saltar os portões e invadir propriedade privada. Agora estávamos abrigados da chuva, mas entalados num imundo armazém de serralharia. Esperámos imenso, no entanto a tempestade teimava em continuar. Concluímos que iríamos ficar por ali. O problema seria montar a tenda naquela imundice, ainda mais em propriedade industrial privada. Desesperados, escondemos-se atrás da entrada do escritório e acendemos o nosso fogão para fazer uma sopa. A água ainda não estava quente quanto de repente apareceu um sol intenso e a chuva e vento tinham cessado! Se fosse crente diria ter se tratado de um milagre. Descrente que sou, digo que “tivemos cá uma sorte”!

 

E claro, voltámos à estrada, chateados pelo imenso tempo perdido, seguros que já não alcançaríamos a Bulgária neste dia, pois começava a entardecer. Mas não, milagre!, um camião conduzido pelo amável Atanas, cidadão búlgaro, recolheu-nos e levou-nos numa viagem de mais de 200 km para a sua terra natal Sandanski, na Bulgária! “Que sorte”!!! Enquanto ouve luz olhámos maravilhados a cadeia montanhosa que constitui a fronteira natural entre a Bulgária e a Grécia ali mesmo ao lado. Já noite chegámos à fronteira onde tive que aturar a paralisia mental de uma guarda fronteiriço búlgaro. Um déjà vu esperado, afinal, não há visita à Bulgária sem apanhar com filmes de polícias búlgaros! O raio do guarda fronteiriço, imagine-se, lembrou-se de me colocar uma série de questões do género “de onde vens”, “para onde vais”, “que pretendes fazer no meu país”, etc!!! Ah, que imbecilidade, ainda ninguém explicou a este otário que a Bulgária faz parte da UE e que eu tenho o direito de entrar e ficar o tempo que me apetecer na Bulgária, fazendo o que me apetecer, sem prestar quaisquer explicações? Parecia que estava a entrar na Coreia do Norte ou no Turcomenistão, mas não, tecnicamente estava a sair de um país estrangeiro (Macedónia) e voltar ao meu território nacional da União Europeia. Enfim, respondi divertido a todas as perguntas, curioso por ver até onde iria a estupidez do jovem senhor! 

 

 

Por volta das 10h da noite estávamos por fim em Sandanski, onde trocámos de camião para um carro de 2 lugares numa garagem da zona industrial, e daí fomos até ao centro, Claire sentada ao lado do condutor, eu fechado dentro da caixa, hehe! No centro, demos-se ao luxo de cozinhar com o nosso novo fogão numas escadas de um jardim, onde jantámos. Para acabar em bem o dia, encontrámos um jardim limpíssimo, com relva, árvores para proteger a tenda da chuva e arbustos para tapar a tenda. Perfeito, podíamos assim dormir no centro do centro, em conforto e segurança, e sem que ninguém desse por nós!

 

Álbuns de fotografia

 

Luís Garcia, 05.02.2017, Chengdu, China

 

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Desfrutando a vida em Ohrid, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 11  

Desfrutando a vida em Ohrid

 

bw  VIAGENS  Luís Garcia        

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

17.06.2014

De manhã, antes de desmontarmos a tenda, tomámos como pequeno-almoço o resto do almoço oferecido no dia anterior por Ibrahim, O Milionário. Desmontada a tenda, pegámos nas malas e começámos a caminhar em direcção ao centro. Não tínhamos sequer caminhado 300 metros quando um simpático senhor (Erkan) nos chamou e convidou a beber café turco na sua barbearia, na companhia de um amigo seu albanês. Erkan é um macedónio de etnia turca, o que facilitou imenso a conversa. Depois de comer lokum (especialidade turca) e de ter tido  interessantes discussões sobre a Turquia, a Macedónia e a estupidez nacionalista grega de não aceitar que a Macedónia tenha o nome e bandeira que tem (a Grécia inclusive vetou sucessivamente a candidatura de adesão da Macedónia à UE por esta ridícula razão), pedimos para nos guardar as malas e partimos de costas leves em direcção ao centro da cidade de Ohrid.

 

Claire, Erkan & o seu amigo albanês bebendo café turco na barbearia

 

Depois de uma curta visita à cidade, e debaixo de chuva, subimos o monte à beira-lago onde se encontram quase todos os tesouros históricos e arqueológicos da cidade.  Ainda debaixo de chuva visitámos algumas igrejas, o anfiteatro e o castelo mas, felizmente, a caminho das duas atracções principais, o sol apareceu!  Tentámos primeiro visitar o Mosteiro São Clemente de São Paneleimon, mas acabámos por fotografar de fora, chocados e enraivecidos por ver o mosteiro e as ruínas adjacentes de uma antiga basílica cristã envoltos em construções turísticas megalómanas e claustrofóbicas. Não gastam um cêntimo a recuperar e/ou proteger as ruínas que ainda subsistem e metem-se com obras de uma escala absurda que comprovadamente destroem o que resta da ruínas, tudo isto para construir empreendimentos turísticos que têm o ignominioso descaramento de apresentar como réplicas das ruínas que estão a destruir em consequência das obras dos próprios empreendimentos turísticos! Ahhh, não há paciência para este capitalismo selvagem e as respectivas massas turísticas abestalhadas que suportam tudo isto com os seus desejos de férias à lord em locais de sonho como este. Podem e devem ter, pois claro, sonhos do género, mas não financiem com os seus orçamentos de férias crimes contra a história e a cultura pernoitando num hotel de luxo como aqueles que querem fazer aqui! Ah, e como se não fosse suficientemente ridícula a situação, ainda nos pediram quase 2€ para entrar e visitar o mega-estaleiro lamacento no qual se encontra perdido no meio o tal Mosteiro São Clemente de São Paneleimon!

 

Desiludidos com a catástrofe cultural, descemos rápido a falésia até alcançar outro tesouro histórico, a Igreja de São João Theologian-Kaneo. Aqui sim, tivemos a agradável surpresa de encontrar um igreja linda e antiquíssima, envolta por um belo jardim que acaba mesmo à beira do precipício do qual se tem uma soberba vista do lago Ohrid! 

 

De volta à cidade, regalámo-nos com um banquete que custou 1,5€ a cada e fomos ao mercado central comprar equipamento extra para a viagem: um mini-fogão a gás, uma mini-botija extra e um taça metálica com os quais já podemos fazer sopa e café! 

 

Como era de adivinhar, à noite subimos o monte de malas às costas com o objectivo fixo de montar a tenda e dormir naquele jardim perfeito, entre a igreja antiga e o lago Ohrid. Quando chegámos à entrada demos com uma scooter estacionada e com luz acesa na casinha do guarda. Aproximei-me, ouvi barulho dentro da casinha e continuei a caminhar para dentro do recinto da igreja. Pareceu-me tudo muito calmo, não havia visitantes e o guarda deveria estar a dormir. O barulho na casinha deveria ser de um rádio ou de uma televisão. Voltei atrás para pegar na mala e chamar a Claire. Entrámos os 2 no recinto, pé ante pé, até chegar ao ouro lado do jardim, à beira do precipício, onde havia relva macia e um espaço de ângulo morto, no qual daria para montar uma tenda sem que esta pudesse ser vista por quem eventualmente caminhasse no passeio principal em redor da igreja.

 

Por volta da 1h da manhã ouvimos o som das cordas da tenda a mexer e de seguida alguém a bater à porta com violência! Falei em inglês e pedi para ter calma e que não tivesse medo de nós, e que eu iria sair da tenda para falar. Achávamos mesmo que tínhamos sido apanhado pelo guarda e que a noite de sonho se tinha tornado num pesadelo. Mas não, quando saí da tenda dei com 2 turistas a tirar fotos ao lago com os seus telemóveis. De início ainda olharam para mim, quando saí de forma apressada da tenda, mas depois ignoraram-me por completo! Percebo que no escuro tenham acabado por tropeçar numa das cordas da tenda, mas ainda estou para perceber por que raios bateram com tanto vigor na entrada da tenda para de seguida nos ignorarem, mesmo constatando que eu e Claire olhámos ostensiva e prolongadamente para os 2 enquanto estes não partiram dali! Enfim, mais um daqueles filmes…  

 

Álbuns de fotografia

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Luís Garcia, 03.02.2017, Chengdu, China

 

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Entre Struga e Ohrid, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 10 

Entre Struga e Ohrid

 

bw  VIAGENS  Luís Garcia        

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

16.06.2014

Os mesmos cães que ontem tinham nos feito adiar o sono, esta manhã fizeram-nos acordar demasiado cedo. Tentámos adormecer várias vezes, mas já não havia remédio. Saí da tenda e fiquei pasmado com a quantidade de pegadas de cães marcadas em circulo na areia, à volta da tenda! Enfim, antes isso do que ter de aturar turistas estrangeiros paranóicos olhando parados para a nossa tenda e resmungado qualquer coisa em alemão ou algo parecido, como aconteceu a seguir. Ah, que raiva que me meteram! Para me vingar da afronta, fotografei-os descaradamente até que enfurecidos mas receosos, se puseram a andar dali para fora. Acabei por encontrá-los meia-hora depois quando voltava de fazer compras no centro de Struga, e aproveitei para mandar mais umas piadas em bom português. Ahhh, que cara de susto que tinham os 2! Para a próxima que não sejam brutos, e que deixem-se de arrogantes preconceitos sobre gente que acampa em obras inacabadas!

 

Depois do pequeno-almoço tomado na praia mesmo em frente, e com o sol a aquecer a pele, aproveitámos para mais uns bons banhos antes de nos pormos à estrada. Era manhã, e ainda encontrávamo-nos a cerca de 15 km do próximo destino, a cidade de Ohrid. Tínhamos portanto uma boa margem de tempo para lá chegar, de forma que decidimos fazer os primeiros quilómetros a pé, pouco a pouco, pela costa do lago, com paragens para comer e tirar fotografias. Infelizmente as condições meteorológicas pioraram em muito pouco tempo e vimo-nos obrigados a apressar o passo para procurar abrigo. Não chegou a ser preciso, quando nos preparávamos para atravessar uma estrada em direcção a uma estação de combustível para fugir à chuva que começava a cair, um Mercedes luxuoso (mais um!) parou ao nosso lado! Dentro do bólide iam 2 senhores na casa dos 60. O condutor, Ibrahim, um carismático businessman macedónio de etnia turca que tornara-se milionário após décadas a trabalhar na restauração em Dallas, no estado norte-americano do Texas. Minutos depois chegámos a Ohrid. Ibrahim estacionou o carro em frente à sua casa e saiu com o seu amigo, deixando-nos os 2 dentro com a chave e o motor a trabalhar. O seu amigo ia para casa, e Ibrahim foi tirar da rua os tapetes que tinha deixado ao sol. De volta ao carro, convidou-nos para almoçar com ele. Aceitámos, pois claro, e ainda bem, fomos nos banquetear num luxuoso restaurante na praça central, ao som da sua caricatural pronúncia texana e da infinita lista de coisas caríssimas e enormes que tem, construiu, ganhou, vendeu ou comprou! Dólares só contava aos milhões, casas às centenas de metros quadrados! Ah, que loucura, que choque! Ibrahim, com muito orgulho, contou-nos como se desenrascava (nos EUA) comprando a complacência e mesmo a cumplicidade das autoridades locais pagando almoçaradas à polícia e bombeiros, e oferecendo comida a centenas de pobres da cidade no dia de Acção de Graças. Também se divertiu a contar a conversa que um dia teve com um norte-americano desagradado com o facto de ser pobre e de se deparar com tantos estrangeiros ricos ou milionários na sua própria terra. Ibrahim, com toda a sinceridade disse-lhe que a culpa era desses mesmo pobres norte-americanos, pois quando chegara aos EUA era um miúdo de 13 anos que tinha sobrevivido até então pastando animais na sua pobríssima terra natal. E mais, se estrangeiros se tornaram e tornam ricos nos EUA é por culpa da imbecilidade e estupidez dos norte-americanos pois se fossem inteligentes, pastores de ovelhas adolescentes como ele incapazes de compor uma frase em inglês à chegada aos EUA, poderiam ter facilmente sido transformados em escravos dos norte-americanos e não em milionários. Mas não, como os norte-americanos não têm inteligência nem perspicácia, não só não escravizaram os estrangeiros como ainda por cima lhes deixaram o caminho livre para enriquecer com as inúmeras oportunidades que os EUA proporcionam. O norte-americano, sem palavras, não teve outra solução senão dar-lhe razão… Entre inúmeras estórias do género, fomos nos enchendo até mais não, e chegou a um ponto que era impossível comer mais. Pedimos ao garçon para nos embalar o que sobrava e guardámos para o dia seguinte.

 

Depois de jantar Ibrahim levou-nos de volta até junto da sua casa, ao lado do lago Ohrid. Garantiu-nos que podíamos montar a tenda no parque ao lado do bar do seu amigo Agim, macedónio-albanês (também emigrante nos EUA, que enriqueceu e perdeu tudo no jogo). Ainda estivemos para montar a tenda, mas apareceu a filha desse seu amigo que nos convidou a entrar no bar. Esperámos por Agim para pedir emprestada a chave do bar e guardar as malas ali mas, quando Agim chegou, os planos mudaram radicalmente. Agim convidou-nos a pernoitar num dos seus “quatro restaurantes”. Aceitámos e fomos lá por as malas, ficando livres para passear o resto da noite sem peso às costas. Às 10 da noite, como combinado, voltámos ao bar para ir dormir mas afinal Agim que era o suposto dono do restaurante disse-nos que o dono não permitia que lá ficássemos! Enfim, estórias mal contadas. Pegámos as malas e regressámos à zona do bar junto ao lago. Connosco veio o empregado do bar, deficiente mental (sim, literalmente) que até meio do caminho andou calado, e que partir daí começou a falar sem parar em macedónio, falando mal dos ortodoxos e bem dos muçulmanos, e que nos dava casa (ou não) e não sei que mais! Ah, que confusão. Nós estávamos exaustos e tínhamos pressa de chegar para largar as malas, mas o raio do homem deu voltas e mais voltas, com cruzamentos e caminhos ilógicos que pareciam não ter fim. Porquê? Não sei, é louco claro. E nós, se tivessemos ido sozinhos, sabiamos como ir em linha recta usando apenas uma rua que liga o centro ao parque, e só lá estávamos há poucas horas, enquanto o raio do homem nasceu e cresceu em Ohrid! Ah, que paciência!  E não é tudo, quando finalmente chegámos ao parque havia uns gorilas de aspecto muito manhoso, com música de merda aos berros saindo pelas janelas de carros poderosos. O raio do homem foi todo contente contar àquela gente manhosa que eu e a Claire íamos dormir ali com tenda! Íamos, pois, mas tivemos de mudar de planos. Que patetice de cromo. Aproveitando a escuridão absoluta, escapámo-nos em silêncio e fomos montar a tenda discretamente sobre um campo de erva macia em frente à casa de Ibrahim, camuflado por um monte de terra repleto de erva alta, quase no mesmo local onde havíamos esperado dentro do seu bólide ligado horas antes! E assim acabou o dia. :p 

 

 Álbuns de fotografia

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Luís Garcia, 01.02.2017, Chengdu, China

 

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