Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

Turquia, onde o viajante é rei 2/3, por Luís Garcia

 

 

BOLEIAS – EPISÓDIO 11

 

Turquia, onde o viajante é rei

 

bw VIAGENS Luís Garcia

Esta insatisfação, não consigo compreender, sempre esta sensação, que estou a perder. Tenho pressa de sair, quero sentir ao chegar, Vontade de partir, p’ra outro lugar. (Estou Além, António Variações)

 

TURQUIA, ONDE O VIAJANTE É REI (Turquia, 2008) – Quase de imediato parou um carro conduzido por um jovem de linguagem corporal um pouco cómica e com toda a pinta de macho latino ao estilo do  antes famoso  Zézé Camarinha. O seu destino era a vila Ayvalık, a menos de cinquenta quilómetros a sul de Edremit. A meio do percurso parou numa estação de serviço, não para reabastecer o seu carro de gasolina mas para uma vez mais, sim, comprar e oferecer algo aos seus passageiros. Deu-nos uma garrafa de água fresca e um chocolate a cada um dos três, e comprou igual pack para si. Ainda alguém dúvida que estrangeiro é rei na Turquia?


Da entrada norte de Ayvalık partimos num camião para pararmos três quilómetros à frente, junto à entrada sul de Ayvalık. “Antes pouco que nada” disse-nos com razão quem nos deu a curta boleia.

 

Da entrada sul de Ayvalık avançámos uma boa distância dentro de um camião, apesar da primeira longa espera do dia até esse camião ter parado para nós. Como o condutor precisava de entrar num estrada secundária em direcção à aldeia onde deveria descarregar a sua mercadoria, deixou-nos aos três no cruzamento dessa estrada com a estrada principal entre Dikikli e Bergama.


Saímos do tal camião às oito e meia da tarde, o sol acabara de se pôr por detrás das montanhas e daí a pouco começaria a escurecer. Nada que perturbasse o espírito de nenhum dos três. Andámos uns metros em frente para ocupar o melhor ponto onde pedir boleia e, antes de termos tempo de começar a pedir boleia, um senhor com mais de setenta anos conduzindo uma scooter sem usar capacete desceu vagarosamente a encosta, desde a sua casinha até junto de nós. Apresentou-se em turco, como seria de esperar, mas apercebendo-se que éramos estrangeiros trocou de idioma e perguntou-nos no francês fluente se algo de nós compreenderia também aquela língua! Que coincidência, a trupe de viajantes era composta por uma francesa e dois portugueses capazes de entender francês! Explicou-nos que durante décadas havia sido imigrante na zona francófona da Suíça e que a sua boa memória não lhe tinha deixado perder aquela “bela língua”. Depois de feitas as introduções e de terem sido feitas todas as piadas do costume sobre a inesperada coincidência, o velhinho, dono de uma expressão visual de infinita bondade, perguntou-nos num tom mais pesado (de preocupação) o porquê de ali estarmos “os três parados à beira da estrada àquela hora tardia”. Explicámos que “andávamos à boleia ou, trocado por miúdos, procurávamos convencer um qualquer condutor de não interessa que tipo de veículo a levar-nos dali até à cidade Izmir”. Estupefacto, boquiaberto, convidou-nos a desistir da “tresloucada ideia” e segui-lo encosta acima até à sua casa onde a sua mulher deveria estar a juntar os últimos pozinhos de especiarias no jantar. Agradecemos-lhe imenso não quisemos aceitar e explicámos-lhe que preferíamos continuar na estrada e chegar ainda nesse dia a casa do couchsurfer que nos esperava também com um jantar já prometido. O pobre senhor insistiu uma boa dúzia de vezes, tentando todos os argumentos possíveis e imagináveis: explicou-nos que se o problema era lugar onde dormir que não nos preocupássemos. Garantiu que também nos poderia facilmente preparar umas camas vazias onde costumavam dormir os seus filhos agora estudantes lá longe na grande metrópole de Istambul. Insistiu ser "uma loucura a forma como viajávamos, sobretudo sendo quase noite", facto que "tornava aquele acto, já de si perigoso,  ainda mais arriscado”. A sua vontade de nos dar comida para aconchegar o estômago e cama para repousar o corpo chegou a um tal nível de insistência que não sabíamos mais que dizer sem magoá-lo ou ofender o seu ego altruísta, até porque para o fim da conversa já lhe chegava ao canto do olho umas lágrimas de comoção ou pesar por não ter conseguido vergar a nossa teimosia. Tentando reconfortar o pobre homem, contámos-lhe quão maravilhosa era a hospitalidade turca da qual ele era exemplo perfeito. Fizemo-lo perceber que agradecíamos do fundo do coração as suas genuínas e generosas ofertas, e que só as recusávamos por nos encontrarmos no país da hospitalidade por excelência, que noutro país qualquer teríamos aceitado tudo o que nos havia proposto e que se algo corresse mal durante o resto da boleia alguém tão altruísta como ele nos havia de recolher e nos ajudar. Pouco convencido despediu-se e foi-se afastando vagarosamente, olhando para trás na nossa direcção. Ainda não tinha se separado de nós uns vinte metros quando a segunda viatura que havia passado naquela estrada desde a nossa chegada parou para nos dar boleia. Felicíssimos chamámos o velhinho e dissemos-lhe a gritar: “Está a ver, está ver, não lhe dissemos que arranjávamos boleia para Izmir”! Disse-nos então adeus mais sorridente mas ainda assim não totalmente convencido... Ah, gente boa, demasiado boa!


Para ser honesto a sua insistência até fazia sentido, ou faria se não estivéssemos nós na Turquia. Nas muitas viagens que já realizei recorrendo à boleia, sobretudo na Europa, tentei por norma organizar locais a visitar e respectiva dormida não muito longe do ponto inicial, de forma a reduzir a probabilidade de ficar a dormir na estrada, a meio do caminho, num dia em que a boleia corresse menos bem. Ainda assim não consegui evitar as muitas vezes que já dormi na rua! Ora, de acordo com a experiência de boleia acumulada pelos três viajantes ali reunidos, recusar num outro qualquer país europeu casa e comida a meia hora de anoitecer seria um completo disparate! A situação mais provável seria a contrária. Chegados quase noite a uma qualquer aldeia europeia não só não arriscaríamos pedir boleia como tentaríamos (sem sucesso) convencer alguém a nos hospedar. Já não digo dar comida! Mas como não há regra sem excepção, na Turquia boleia apanha-se vinte e quatro horas por dia caso seja necessário, em grupos de três ou até mais, e sempre na expectativa de estrear um novo tipo de veículo. Era o caso daquele fim de tarde! 

 

Depois de táxis, autocarros, carros, camiões pequenos e grandes, carrinhas de caixa aberta, tínhamos sido recolhidos por dois jovens turcos aparentemente lunáticos na sua carrinha de trabalho branca com caixa fechada. Para se sentar na frente junto a eles convidaram, como não poderia deixar de ser, a menina do grupo. Os dois meninos, eu e o Diogo, fomos convidados a entrar na caixa da carrinha, sentados numas ripas de madeira espalhadas em consequência da frenética condução e, sim, isso mesmo, com a porta da caixa trancada por fora! No momento aceitámos a boleia sem pensar, descontraídos, habituados a ver correr bem e de forma eficiente tudo a que a boleias turcas diz respeito. No entanto, com o passar do tempo, eu e o Diogo, sentados no chão e fechados entre quatro paredes brancas, pusémo-nos a reflectir acerca do possível filme em que nos havíamos metido! Dois jovens, caras de lunáticos, noite, a amiga francesa na frente do carro com eles sem se poder defender caso fosse preciso, e nós trancados, impotentes! A meio de intensos pensamentos e trocas de palavras sobre a nossa situação sentimos a carrinha fazer uma brusca guinada para a direita, entrando aos sobressaltos num piso muito irregular, de cascalho ou algo parecido. Quando a viatura parou, pegámos cada um numa barra de madeira e ficámos a olhar fixos a porta da caixa, em total silêncio, tentando ouvir se possível a inserção da chave na fechadura de forma a ganharmos preciosas décimas de segundo que poderiam fazer toda a diferença na luta que julgávamos estar em vias de ter ali lugar!


Apesar das vozes no lado de fora falando alto, ouvimos com clareza a chave ser inserida e seguimos com os olhos a fechadura a rodar. Mantivemos as mãos preparadas, segurando com firmeza as tábuas, mas no último instante nenhum de nós dois reagiu de forma primitiva, atacando antes de saber se iria haver ataque da outra parte. Tudo junto, a crença numa explicação lógica para os eventos dos últimos segundos, a crença na infinitamente grande hospitalidade turca, a pouca aptidão para a violência física e, por certo, outros factores mais conscientes ou inconscientes fizeram com que nós dois, sem combinação prévia, desistíssemos do ataque preventivo à gringo e ficámos imóveis que nem estátuas assistindo o desenrolar de toda aquela aparente embrulhada.


Assim que o condutor nos abriu a porta o nível de adrenalina no meu sangue disparou de tal forma que nem consegui prestar atenção ao que ele e Claire me disseram naquele primeiro momento. Só à segunda, mais tranquilo por não ter sofrido nenhum ataque físico, consegui analisar as palavras que Claire me repetia. Pelos vistos os marotos (para não dizer outra coisa mais grosseira), aproveitando o facto de terem trancado a mim e ao Diogo na gaiola, tinham-se atrevido a passar a mão pela perna e Claire! A rebentar de raiva e também assustada a nossa amiga gritou-lhes que parassem a carrinha de imediato e a deixassem sair, explicando assim o motivo da brusca guinada. Entre pedidos de desculpas dos turcos e a nossa urgência em chegar a Izmir acabámos por decidir compor a situação, passando a Claire para a parte de trás, enjaulada na gaiola junto ao Diogo, e eu na parte da frente sentado ao lado dos turcos. Nos minutos seguintes, por necessidade mas também para desanuviar o ambiente, marquei num telemóvel o número do couchsurfer que nos esperava em Izmir e pedi ao condutor que conversasse com ele de forma a combinar em que parte de Izmir deveríamos sair. Depois de combinarem entre eles o local mais conveniente para ambos, o condutor passou-me de volta o telemóvel para que o couchsurfer me explicasse em inglês o que haviam decidido. Estava tudo resolvido, pensei eu.


Estava enganado. Poucos minutos depois um amigo do condutor também motorista de uma empresa de transporte de mercadorias telefonou-lhe e avisou que uns quilómetros mais à frente se encontrava uma brigada da polícia de trânsito turca parada, junto à mesma estrada em que seguíamos, efectuando controlo de veículos. O condutor e o seu ajudante desfizeram-se em desculpas pelo contratempo e pediram-nos para sair ali, dado que não queriam correr o risco de levar uma pesada multa. Como já era noite escura, tiveram a sensatez inclusive de não parar num sítio qualquer mas sim numa estação de serviço onde teríamos, segundo nos disseram e com toda a razão, mais hipóteses de encontrar a próxima boleia. Foi assim que, a sessenta de quilómetros de Izmir, perdemos a boleia de quem para lá se deslocava e nos vimos obrigados a recomeçar o peditório.


Na estação tivemos a sorte de encontrar um jovem ao balcão que fala um inglês perfeito. Como tinha amigos Erasmus, perguntou-nos se não estaríamos nós a caminho de visitar também algum amigo Erasmus. Quase que acertou, pois tínhamos partido dois dias antes de casa de uma amiga turca de Istambul (ex-Erasmus em Portugal). Além do mais fazia parte do plano de viagem visitar outros amigos Erasmus espalhados pelo país, mas não era o caso de Izmir.


Vendo-nos aborrecidos pela boleia perdida e por já ser noite, o jovem simpático ofereceu-se para nos ajudar no que pudesse. Tentou em primeiro lugar ligar ao nosso couchsurfer usando o telefone fixo da estação de serviço. Como não teve sucesso, decidiu-se por telefonar do seu telemóvel e deu-me para que eu explicasse ao couchsurfer a situação actual e lhe perguntar se haveria alguma hipótese de ele ou alguém conhecido nos vir buscar àquele lugar. Não nos podia ajudar, sessenta quilómetros era ainda muito longe.


De novo com vontade de nos animar, o jovem foi preparar chá e ofereceu-nos. Enquanto bebíamos o chá perguntou-nos se também queríamos comer algo! Não, não era esse o nosso problema. Tínhamos a barriga cheia e o que nos preocupava no momento era apenas a necessidade de encontrar transporte, pago ou não, até Izmir. E depois, por favor, oferecer comida numa estação de serviço? Disse-lhe na brincadeira que “deveria era tentar nos impingir os produtos a preços astronómicos como se faz em estações de serviço em Portugal e pela Europa fora. Oferecê-los a potenciais clientes é que nem pensar.” O rapaz riu-se divertido.


Entretanto à nossa volta tinha-se reunido um pequeno número de locais curiosos pela presença de estrangeiros a hora tão tardia naquele fim do mundo. Além de atender os clientes e nos animar, o pobre rapaz tinha ainda que traduzir tudo o que falava connosco de forma a satisfazer a curiosidade insaciável do grupo. E nós, com pressa de arranjar forma dali sair, tivemos que controlar um pouco a nossa inquietação e continuar o resumo da nossa aventura na Turquia, pese embora já houvéssemos terminado de beber os nossos chás. Nenhum deles acreditava nas traduções para turco que o empregado da loja lhes fazia dos exemplos de altruísmo e hospitalidade turca dos quais havíamos sido sortudos receptores nos dias anteriores. Ali estavam eles, preocupados connosco, oferecendo-se para nos ajudar em tudo o que pudessem, e mostrando-se no entanto incrédulos perante as nossas elogiosas palavras acerca do seu país e do seu povo. Conversa e mais conversa que durou até ouvirmos o barulho de um veículo a estacionar, passavam já das dez horas da noite. Saímos para averiguar e encontrámos um carro, uma hipotética salvação par nos tirar do impasse.

 

Continua...

Luís Garcia, 30.09.2016, Chengdu, China

Lei a parte 1 aqui

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Turquia, onde o viajante é rei 1/3, por Luís Garcia

 

 

BOLEIAS – EPISÓDIO 10

 

Turquia, onde o viajante é rei

 

bw VIAGENS Luís Garcia

Esta insatisfação, não consigo compreender, sempre esta sensação, que estou a perder. Tenho pressa de sair, quero sentir ao chegar, Vontade de partir, p’ra outro lugar. (Estou Além, António Variações)

 

TURQUIA, ONDE O VIAJANTE É REI (Turquia, 2008) – De manhã bem cedo visitámos tranquilamente as ruínas de Tróia e voltámos apressados para a estrada, à procura da primeira viatura do dia. Tínhamos ainda mais de trezentos quilómetros para percorrer à boleia pela frente se quiséssemos dormir a próxima noite na casa do jovem couchsurfer que nos havia prometido hospedar na sua cidade.


Ao contrário do resto da Europa onde poucos são aqueles que se atrevem a parar para dar boleia a um pessoa sozinha ou um casal, na Turquia é com grande naturalidade que qualquer tipo de pessoa com qualquer tipo de veículo para, sem hesitar, e dá boleia a três pessoas de uma vez. Se houver espaço e lugares sentados para os três tão melhor, mas se não houver inventa-se. Dar boleia a dois e deixar o terceiro para trás como ocorre normalmente na Europa nem pensar. Foi o caso da nossa primeira boleia naquele belo dia de sol, céu azul e calor. Da aldeia de Truva junto à histórica Tróia saiu um enorme camião velhinho e enferrujado. Não havendo visto nenhum outro veículo circular até então naquela esquecida estrada, esticámos os três os dedos e mostrámos a nossa placa indicando Izmir. Sem surpresas o senhor parou para recolher os três, convidando dois para se instalarem nos assentos a seu lado, e ao terceiro que subisse para o reboque do camião. Ávido de conquistar aquele privilegiado ponto de onde tirar umas belas fotos, voluntariei-me de imediato para esse terceiro posto. Infelizmente a boleia de camião seria curta, apenas até ao cruzamento da estrada secundária de Tróia com a a via principal rumo a Izmir. O que foi uma pena imensa para mim pois já me tinha convencido que iria aproveitar aquela boleia no cimo de um camião para criar um bom álbum fotográfico. Assim é andar à boleia, uma lotaria, o viajante não controla quase nada.


O veículo da segunda boleia, que apareceu pouco depois, foi uma pequena carrinha de caixa aberta, branca, com alguma lenha atrás e na frente um senhor com cerca de quarenta acompanhado pela sua mãe. Na frente sentou-se Claire enquanto que eu e o Diogo fomos para a parte de atrás refrescar-nos com a brisa e continuar a tirar fotos estúpidas. Se a primeira boleia tinha nos adiantado apenas cinco quilómetros, desta vez percorremos uma distância um pouco mais longa, cerca de vinte quilómetros até à vila de Ezine. Costuma-se dizer no nosso Portugal que “devagar se vai ao longe”, e não deixa de ser verdade. No entanto ainda nos faltava 280 quilómetros por realizar se quiséssemos ter o luxo de dormir na casa do couchsurfer que nos esperava em Izmir. Precisávamos urgentemente de um golpe de sorte, de alguém que tivesse uma grande distância a percorrer naquele dia, que passasse por aquela estrada e... que nos recolhesse. Só estava a fazer falta que formulássemos tal desejo! Após uma caminhada atravessando a vila de Ezine até à sua saída sul, recebemos a graça de sermos convidados a entrar no carro de um senhor muito simpático e sorridente que viajava com destino a Edremit, quase 85 quilómetros mais a sul.


Logo nos primeiros minutos, perante tamanho espectáculo natural que é a costa oeste turca salpicada por inúmeras ilhas gregas ao largo, não resisti em abrir a janela do carro e apontar a lente na direcção do mar. O condutor, incapaz de falar inglês fez-me um sinal como a mão para “ter calma” e mostrava um olhar bastante sóbrio. Crendo ter feito asneira (até porque a manivela para descer o vidro da janela estava meio perra), pedi desculpa e acalmei-me. Fiquei mesmo convencido que o senhor não apreciava a minha atitude e refugiei-me sossegado nos meus pensamentos e distraído por aquela sublime paisagem. Mas estava errado, o simpático senhor não tinha nada contra a minha atitude de tentar fotografar a ilha de Lesbos (nome que originou a palavra “lésbica” dado que segundo o mito grego era habitada exclusivamente por mulheres). Pelo contrário, tinha sido perfeccionismo e a muito boa vontade que o haviam levado minutos antes a acenar com a mão, gesto que eu havia compreendido mal.


A explicação chegou quando estacionou o carro junto a um barzinho numa falésia com vista para o mar, perto da aldeia de Küçükkuyu. Assim que saímos da viatura apontou para ilha grega e depois para a minha câmara, fazendo passar com facilidade a sua mensagem. Entretido a tirar fotografias nem reparei que os meus colegas e o nosso companheiro turco haviam já se instalado numa mesa degustando taças de chá turco oferecidas por este último. E havia uma taça também à minha espera. Juntei-me à mesa e os quatros juntos iniciámos uma longa conversa de cerca de uma hora e meia. Conversa, sim, mesmo sem língua falada em comum, tínhamos outras disponíveis. Linguagem gestual, pois claro, assim como linguagem simbólica recorrendo a várias páginas brancas no meu diário de bordo. Na imagem abaixo podem observar uma dessas folhas onde o nosso novo amigo começou por escrever o seu nome completo: Ibrahim Capar.

 

nota.jpg


Com muita paciência fomos capazes de lhe explicar de onde vínhamos, que idade tínhamos, que razão nos havia levado a estar no local em que nos recolheu e por aí fora. Quanto a Ibrahim, ficámos a saber que era engenheiro químico (que filme para para decifrar este pormenor), que tinha duas filhas nascidas em 1986 e 1989, a mais velha advogada e a mais nova estudando gestão. É incrível a quantidade de informação de temas variados que se pode transmitir entre pessoas sem língua em comum, utilizando apenas uma caneta e um pedaço de papel. Demo-nos ao luxo de falar inclusive de temas tão variados e complexos como geografia, história ou política. Acreditem, é verídico. Mais difícil de crer e ainda assim verdade foi o facto daquele senhor, engenheiro químico em Istambul, ter visto a sua mulher pela última vez há dois meses atrás e no entanto dispor-se a perder tanto tempo connosco. Segundo nos explicou tinha o resto daquele dia de Sábado e a manhã de Domingo para matar saudades da esposa e restante família. No Domingo à tarde teria de regressar a Istambul. E ali se encontrava ele, tranquilo, sorridente, passando o tempo numa esplanada com três estrangeiros desconhecidos e pagando-lhes a cada três taças de chá!


Depois de passar uma hora e meia sem sair do mesmo lugar, pensámos que o senhor Ibrahim iria recompensar o atraso acelerando estrada fora, na urgência de chegar a casa e beijar a sua mulher. Uma vez mais enganámo-nos. Condizia tranquilamente junto à costa, fazendo todos os possíveis para completar a visita guiada com explicações históricas, e desacelerando quando me via preparar a  fotográfica para disparar. Que imenso altruísmo... e tanto que estava ainda por vir. Compreendendo bem a nossa linguagem corporal e a razão de termos os olhos sempre vidrados nas praias infinitas da costa turca, sacou mais uma obra-prima de altruísmo turco. Parou de novo a viatura, desta vez junto uma praia perto de Altınoluk e ordenou que as três crianças mimadas a escorrer de suor e ardendo de calor fossem se refrescar nas águas do Mar Egeu! Eufóricos, eu e o Diogo saltámos para fora do carro e corremos feitos loucos para dentro de água, realizando o tão desejado mergulho! A água não estava muito fria, mas ainda assim o suficiente para aliviar do sufocante calor durante uns minutos. Não nos prolongámos muito em mergulhos e braçadas pois temíamos abusar da boa vontade do nosso pai turco. Mais uma vez havíamos feito uma suposição errada. O senhor Ibrahim continuava com o seu intocável ar de serenidade, bebendo, claro está, mais uma taça de chá turco na companhia de Claire.


Se algo o inquietava ligeiramente era o facto de não compreender porque não tinha Claire aproveitado a oportunidade para se refrescar. Claire explicou-lhe que não tinha trazido na mala de viagem a parte de cima do seu biquíni e que tinha sido apanhada de surpresa por aquela paragem na praia. Viajando pela tórrida Turquia no mês de Agosto, sabia que por certo acabaria por comprar um biquíni e tomar muitos banhos, pena é que tinha previsto fazê-lo só depois de chegar a Izmir. Ibrahim, comovido, sacou de duas soluções para o problema. Uma foi imediata, gelados para a malta toda. A segunda, a curto prazo, seria parar na vila seguinte e comprar com o seu dinheiro um biquíni. Claire recusou a oferta, agradecida, mas Ibrahim e o seu altruísmo de ideias fixas imperou e a oferta cumpriu-se. Assim que terminámos de comer os gelados levou-nos de carro até à vila de Altınoluk onde se perdeu uma boa meia hora com Claire nas ruas de comércio. Sem paciência para lojas de roupas e afins (que espanto!) fui fazer o reconhecimento fotográfico da vila e de uma outra praia, acompanhado pelo meu colega. Cumprida a missão de encontrar o biquíni certo fizemo-nos de novo à estrada, rumo sul. Nos últimos quilómetros antes de chegar à sua terra natal, e ainda não cansado o suficiente de esbanjar o seu dinheiro enchendo-nos de mimos, Ibrahim insistiu umas vinte vezes sobre a sua certeza de nós estarmos cheios de fome. Tinha razão, sem dúvida, mas nem por um momento sequer hesitámos em negar as inúmeras ofertas de jantar. Fome tínhamos, mas queríamos ser nós a pagar os nossos próprios jantares assim que nos víssemos livres, passe a expressão, de tão altruísta pessoa. Ansiávamos por ingerir uma boa refeição quente, mas antes havia que  alcançar a aldeia de Ibrahim e dizer adeus ao nosso pai turco. Só então procuraríamos por kebabs e afins. Uma vez mais nos enganámos. Ibrahim, quase aborrecido pela nossa teimosia, parou ao final da tarde em Kadıköy, aldeia localizada a apenas três quilómetros da sua terra, e obrigou-nos a aceitar a sua oferta de jantar com ele uma refeição de kebab e ayran. Até insistiu numa segunda dose (que nós comeríamos de certeza), mas teve o bom-senso de aceitar a nossa recusa. Ou então acreditou mesmo na mentira descarada que lhe demos, a de não termos mais espaço nos estômagos! Sim, tínhamos, mas por favor caro Ibrahim, altruísmo tem de ter limites! Acabada a refeição voltámos ao carro para percorrer os últimos três quilómetros que faltavam até Edremit, onde a pobre esposa de Ibrahim deveria estar já desesperada e preocupada com tamanha demora. Perguntámos-lhe isso mesmo, se não recearia deixar a mulher um pouco maldisposta por causa de nós. Respondeu-nos que não. Acredito que, nas nossas confusas conversas, tenha dito algo como: “embora não veja a minha esposa há mais de dois meses, hei-de encontrá-la muitas vezes mais se deus quiser". Passar uma tarde inteira na companhia de estrangeiros é que não deverá acontecer de novo tão depressa”. E garantiu-nos que a sua mulher iria adorar ouvi-lo contar a estória do dia passado com dois viajantes portugueses e uma viajante francesa. Com vários abraços, passou-bens e beijos, e também alguma comoção, dissemos o tradicional “adeus e até sempre” ao nosso pai turco e voltámos à estrada, tentando ainda assimilar a inacreditável tarde que havíamos passado com Ibrahim... não há nada mais elevado e que faça melhor ao coração de um turco que bem receber um estrangeiro e fazer tudo por ele. O resto é nada. Insisto, estrangeiro na Turquia é rei... ou rainha!

 

Deixo-vos com o álbum de fotografias que ajudará por certo a melhor compreenderem o que acabei de descrever.

 

Álbum de fotografias

Continua...

Luís Garcia, 27.09.2016, Chengdu, China

Lei a parte 2 aqui 

 

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Livros em PDF - LISTA DE AUTORES POR ORDEM ALFABÉTICA

A

Agostinho, Santo

Àgualusa, José Eduardo

Alencar, José de

Alighieri, Dante

Allende, Salvador

Althusser, Louis

Amado, Jorge

Anderson, Perry

Andrade, Carlos Drummond de

Aquino, São Tomás de

Archinov, Piotr

Aristófanes

Aristóteles

Asimov, Isaac

Assange, Julian

Assis, Machado

Aurélio, Marco

Azevedo, Aluísio

B

Badiou, Alain

Bakunin, Mikhail

Bambirra, Vânia

Bastos, Teixeira

Baudelaire, Charles

Benjamin, Walter

Bensaïd, Daniel

Berkman, Alexander

Bernardo, João

Bobbio, Noberto

Bocage

Boétie, Étienne de la

Bolo'bolo

Braga, Teófilo

Branco, Camilo Castelo

Brandão, Raúl

Brecht, Bertolt

Brown, Dan

Buarque, Chico

Bukowski, Charles 

C

Callinicos, Alex

Calvino, Italo

Camões, Luís de

Camus, Albert

Canção de Rolando, A

Canção dos Nibelungos

Cardoso, Ciro

Cartalucci, Tony

Carvalho, Maria Amália Vaz de

Castro, Fidel

Cervantes

Chaucer, Geoffrey

Chávez, Hugo

Chomsky, Noam

Chossudovsky, Michel

Cícero

Clarke, Arthur C.

Clausewit, Carl Von

Cleyre, Voltairine de

Cossery, Albert

Couto, Mia

D

Damásio, António

Dawkins, Richard

Debord, Guy

Deleuze, Gilles

Descartes, René

Diamond, Jared

Dickens, Charles

Diderot, Denis

Dinis, Júlio

Dostoiévski, Fiódor

Doyle, Arthur Conan

Draper, Hal

E

Eco, Umberto

Engels, Friedrich

Epicteto

Epicuro

Espanca, Florbela

Ésquilo

Euclides

Eurípedes

F

Fernandes, Florestan

Ferrer, Christian

Foucault, Michel

Freud, Sigmund

G

Gaddafi, Muammar Al

Galeano, Eduardo

Galileu

Ganser, Daniel

García, Luis Britto

Garret, Almeida

Gaspari, Elio

Gerasa, Nicómaco de

Giddens, Anthony

Goldman, Emma

Gori, Pietro

Gramsci, Antonio

Greenwald, Glenn

Guardia, Francesc Ferrer I

Guérin, Daniel

Guevara, Ernesto "Che"

Guimarães, Bernardo

H

Harvey, David

Hawking, Stephen

Hegel, Georg Wilhelm Friedrich

Herculano, Alexandre

Heródoto

Hitchens, Christopher

Hobbes, Thomas

Hobsbawm, Eric J.

Homero

Horácio

Huxley, Aldous

I

Illich, Ivan

J

Jr, Caio Prado

Jung, Carl C.

Junqueiro, Guerra

K

Kant, Immanuel

Kassick & Kassick

Kempis, Tomás de

Kierkegaard, Søren

Klein, Naomi

Kollontai, Alexandra

Konder, Leandro

Kropotkin, Piotr

L

Lefebvre, Henri

Lenine, Vladimir Ilich

Lívio, Tito

Löwy, Michael

Lucrécio

Luxemburgo, Rosa

M

Maimônides, Moisés

Malatesta, Errico

Malraux, André

Mandel, Ernest

Mao-Tsé-Tung

Maquiavel, Nicolau

Marcos, subcomandante

Marcuse, Herbert

Mariátegui, José Carlos

Marighella, Carlos

Márquez, Gabriel García

Martí, José

Marx, Karl

Maximoff, Gregori

Mészáros, István

Meyssan, Thierry

Montaigne, Michel de

Montesquieu, Charles-Louis

Moore, Thomas

Moraes, Reinaldo

Moraes, Vinicius de

N

Nietzsche

O

Orwell, George

Ovídio

P

Pepetela

Pereira, Ricardo Araújo

Perkins, John

Pessoa, Fernando

Platão

Plotino

Plutarco

Pouget, Émile

Poulantzas, Nicos

Proudhon, Pierre Joseph

Proust, Marcel

Puente, Isaak

Q

Queirós, Eça de

Quintiliano

R

Ramonet, Ignacio

Raymond, Eric S.

Read, Herbert

Reclus, Élisée

Rocha, Glauber

Rocker, Rudolf

Rodrigues, Edgar

Romano, Vicente

Rosa, João Guimarães

Rousseau, Jean-Jacques

Russel, Bertrand

S

Sá-Carneiro, Mário de

Sade, Marquês de

Saga de Njáll o Queimado

Sagan, Carl

Said, Edward

Saffioti, Heleieth

Santos, Boaventura de Sousa

Santos, José Rodrigues dos

Santos, Milton

Santos, Theotónio dos

Saramago, José

Sartre, Jean-Paul

Schopenhauer, Arthur

Seymour, John

Smith, Adam

Skinner, B. F.

Sófocles

Stallman, Richard M.

Sterling, Rick

Stirner, Max

Sun-Tzu

T

Tácito

Thompson, E. P.

Thoreau, Henry David

Tocqueville, Alexis de

Tolstoi

Trotsky, Leon

Trumbo, Dalton

Tucídides

V

Vasco, Neno

Vázquez, Adolfo Sánchez

Verde, Cesário

Vicente, Gil

Vieira, José Luandino

Virgílio

Vivó, Raúl Valdés

Voltaire

W

Williams, Raymond

Wood, Ellen

Woodcock, George

X

X, Malcom

Z

Zinn, Howard

Colecções

em 90 minutos

 

 

Documentos

A mais completa lista de portugueses “Bilderberg” (1963-2015)

 

Constituição da República Bolivariana da Venezuela

 

Constituição da República Portuguesa

 

TTIP Agreement

 

Project for the new American century

 

 

Temas Especiais

Dossiê VENEZUELA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ATENÇÃO

O site Pensamentos Nómadas não é proprietário dos ficheiros em PDF, apenas partilha hiperligações disponibilizadas por terceiros na rede. Se as hiperligações deixarem de funcionar, por favor avisem-nos na forma de comentário a este artigo e com toda a brevidade tentaremos encontrar hiperligações substitutas.

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Resumo do conflito sírio - parte 4, por Luís Garcia

 

 

resumo do conflito sírio p4.jpg

 

Luís Garcia POLITICA 

 

Organigrama do conflito

Formato Original  Formato Reduzido

 

ISIS ou Estado Islâmico

Eu que não gosto muito siglas, ainda assim, prefiro tratar o ISIS por ISIS, pois usar a sigla distancia o nome usado (ISIS) das mentiras que nos querem fazer acreditar sobre o ISIS. Com isto quero dizer que não consigo chamar Estado Islâmico a uma organização terrorista criada pelos EUA e que não é nem um estado nem é islâmica. Tretas do género só servem a tretas de media que ao usar o termo "estado" acreditam poder fazer sobre o ISIS referências e análises típicas de "estados" e não de "organizações terroristas". Poder podem, mas é prostituição e propaganda pura. Por entre toda essa javardice jornalística sobre o ISIS encontram-se análises ao Produto Interno Bruto (PIB), às fontes de rendimento e à colecta de impostos, com detalhes grotescos do género "para compensar a diminuição da venda de petróleo, o Estado Islâmico aumenta as multas por não cumprimento da xaria", imagine-se! Que grandessíssima anedota para ovelha ler. Pois é, dá muito jeito falar de forma eufemista sobre o ISIS, e acrescentar detalhes afogados em eufemismo. É que assim evita-se falar das questões pertinentes:

  • Como conseguem o ISIS ter comunicações móveis e internet no território que roubou à Síria? Simples, várias empresas francesas fazem-no, a troco de dinheiro, claro está. Fornecem cobertura à rede móvel e internet por telemóvel e por satélite. As empresas envolvidas defendem-se alegando que é difícil saber ao certo a quem vendem os seus produtos. Treta, pois na Síria de al-Assad, pelo contrário, o criminoso embargo ocidental torna muito difícil o uso de comunicações digitais nesse país.
  • Como se financiam? Raros são os media ocidentais vendidos que se referem às antiguidades roubadas, mas é um facto que elas aparecem à venda na Europa e EUA. Muitos falam da extracção de petróleo do ISIS mas enterram-se à bruta quando se metem a falar de "mercado negro". Mas qual "mercado negro", então e embargos/sanções? Eu explico-me. Primeiro, petróleo, pela sua natureza e pelo volume consumido, não é coisa que ande no bolso ou que se esconda num caixote por baixo do banco do carro. Não existe mercado negro de petróleo e quem diz o contrário deveria suicidar-se de tão infinitamente absurdo ser o disparate proferido. Não é possível existir mercado negro de petróleo nas condições que nos querem fazer crer os media prostituídos. Então poderosos estados modernos como a Rússia ou o Irão sofrem enormes danos económicos quando se apanham na guerra económica e ilegal dos embargos e sanções ocidentais... e o ISIS, por magia, despacha petróleo por debaixo da manga, ora essa! Não, não e não! Pelo contrário, o roubo de petróleo pelo ISIS à Síria é óbvio, escandalosamente óbvio e bem documentado. A Força Aérea da Rússia disponibiliza gigabites de dados na forma de fotografias e vídeos aéreos de alta resolução. É claro e óbvio que o petróleo roubado é (era) levado em camiões cisterna turcos até à costa do sudeste da Turquia. É claro e comprovado que o petróleo é (era) carregado em petroleiros aí estacionados. É claro e comprovado que depois de cheios seguem (seguiam) para Israel e para Itália. Quem em Israel e na Europa paga por esse petróleo vindo do sudeste da Turquia só não sabe a origem do petróleo se não quiser, pelos factos que acabei de referir e pela possibilidade de análise química e comparação desse petróleo com amostras de petróleo dos locais de onde seria suposto vir (Arábia Saudita, Irão, etc,). Na Europa consumimos petróleo do ISIS e as empresas energéticas privadas sabem-no muito bem. Se não fossemos nós europeus (quase totalmente) uma massa amorfa de ovelhas consumistas adormecidas, seria bem fácil, pelo poder das leis vigentes, obrigar os nossos governantes e as empresas europeias privadas a tornar público tudo o que sabem, assim como poderíamos julgá-los por todos os crimes dos quais são actores ou cúmplices.  
  • Como conseguem obter armamento? Os media prostituídos dizem que o conseguem graças à venda de petróleo. Sim, mas compram onde e a quem com esse dinheiro ilegal? Ninguém parece ter resposta, é demasiado difícil explicar como é que o ISIS consegue obter o mais moderno equipamento militar produzido nos EUA e na Europa!  Por supostos erros dos EUA, por supostos erros dos aliados dos EUA, por ajudas dos aliados dos EUA ao ISIS, e por aí fora... já lá iremos.
  • Qual a origem dos seus combatentes? Já escrevi na parte 3, e insisto, que o ISIS começou com a transformação em mercenários terroristas de polícias e militares iraquianos (uma grande percentagem deles cristãos) despedidos no tempo de Saddam Hussein por ordens de George Bush. Depois estendeu-se num recrutamento mundial de cidadãos de mais de 100 estados, sobretudo em países como a França onde se joga um perverso jogo duplo: não se ouve as vozes de franceses árabes laicos e de franceses muçulmanos sensatos (Bassan Tahhan é um excelente exemplo), queixando-se às autoridades sobre a propaganda terrorista implementada desde as mesquitas francesas e financiadas por estados bárbaros como a Arábia Saudita e o Catar. Mas fazer o quê, em França (como nos EUA) a elite prefere deixar-se comprar por esses árabes da península arábica, permitem que se compre equipas de futebol como o PSG e votam para a realização de mundiais de futebol onde comprovadamente se pratica escravatura (Catar 2022). Interessa é ver milhões em contas pessoais perdidas em paraísos fiscais. E viram a cara aos factos, a meio caminho entre corrupção descarada e consentimento de terrorismo dentro das suas fronteiras. Depois, quando ocorrem atentados em França sobre circunstâncias absurdas e mal contadas, por muita boa vontade que eu tenha para tentar não acreditar em teorias da conspiração incriminando as autoridades francesas, não deixo contudo de notar que a França, em vez de emendar o erro e começar a combater o que acima indiquei, prefere bombardear de forma absolutamente ilegal e criminosa... a Síria, pois claro! A culpa do terrorismo em França... é das vítimas do terrorismo na Síria, ora essa!!!, mesmo sabendo que o terrorismo na Síria é produzido pela NATO da qual a França faz parte, mesmo sabendo que a França de forma oficial fornece dezenas de milhões de euros aos criminosos terroristas que apelida de "rebeldes", mesmo sabendo que desses "rebeldes" faz parte a al-Qaeda que ainda hoje é oficialmente inimiga das forças francesas no Afeganistão, mesmo sabendo que se encontram por entre os prisioneiros de guerra do estado sírio muitos militares franceses! E por aí fora!

 

De onde veio o ISIS?

Segundo Barack Obama (Barack Bush é o nome mais apropriado), "foi a opressão de al-Assad sobre o seu povo que ajudou ao crescimento do ISIS dentro do seu país"! Como assim, que fórmula mágica é essa: mistura-se um "ditador sanguinário" com um povo descontente protestando na forma de cânticos e cartazes, adiciona-se um pouco de água morna e... zás, começam a cair de para-quedas (literalmente) munições, equipamento de guerra e terroristas para ajudar a destronar al-Assad e destruir por completo o país! Ganhai juízo, não quem profere disparates do género, mas quem neles acredita!

 

A realidade é bem diferente dessa obamiana baboseira. Foram os EUA e alguns dos seus aliados europeus e do golfo que criaram o ISIS, que organizaram o seu treino por entre o Afeganistão, o Kosovo ou Turquia e que para destronar al-Assad o exportaram para a Síria. Quem não acredita em tal acusação e que ao mesmo tempo acredita na omnipotência das Forças Armadas dos EUA que me venha aqui explicar como é que em 2014, dezenas de milhares de homens armados (terroristas do ISIS) atravessaram centenas de quilómetros pelo mais que plano deserto que separa o Iraque da Síria sem que essas omnipotentes, omnipresentes e omniscientes forças armadas gringas estabelecidas no Iraque ocupado tenham visto nada, e muito menos reagido? Como é possível que as mais poderosas forças armadas de sempre não tenham podido fazer a missão mais fácil de sempre: detectar milhares de homens e jipes atravessando um deserto sem abrigos nem meios de camuflagem, alvos demasiado fáceis para um aniquilador ataque aéreo facílimo de realizar e do qual ninguém sairia vivo? Os EUA despejaram mais bombas sobre o Laos do que todas as bombas usadas na Segunda Grande Guerra Mundial, e fizeram-no limpando do mapa florestas, cidades e aldeias, numa complicada cadeia montanhosa, com o absurdo objectivo de cortar o abastecimento às tropas comunistas do Vietname. E não podiam ter gasto 0,00000001% dessas bombas para mandar ao ar um bando de trogloditas conduzindo jipes sobre a areia de um deserto! Para quem acredita que os EUA combatem de verdade o ISIS, só tenho uma resposta: méééééé´!

 

Para os outros, aconselho-vos a ler o livro de John Perkins intitulado Confessions Of An Economic Hitman. Perkins, com o conhecimento de um reformado que já realizou o mesmo tipo de trabalho por ele descrito, resume muito bem os 3 modelos do processo norte-americano de destruir governos de países não-submissos ao seu imperialismo económico. Num primeiro momento enviam-se economic hitmen, como ele próprio, com o objectivo de corromper os governantes do país alvo. Se se falha, passa-se para o modelo seguinte: fazer desaparecer de doença, de acidente aéreo ou de golpe popular pacífico/violento o chefe de estado incorruptível. Se tudo falha, passa-se ao terceiro modelo: a intervenção militar (a guerra). Existem dezenas de exemplos perfeitos de países para cada um dos 3 modelos, mas destaco o Iraque de Saddam Hussein por ter passado pelos 3! Ora, voltando aos terroristas do tema deste artigo, o ISIS encontra-se algures entre o 2 e 3 modelo e faz parte da doutrina de guerra por procuração (guerra de proxy) que os EUA tanto tem usado desde que as guerras directas de George Bush queimaram o pouco que sobrava de positivo na imagem dos EUA. Mais precisamente, o ISIS encontra-se a meio caminho entre a guerra civil provocada por fora e a intervenção militar directa pois, se por um lado os EUA alimenta o ISIS da mesma forma que alimentou revoluções armadas por esse mundo fora (Chile 1973, por exemplo), por outro, ao invadir com organizações e homens que não são, não se dizem nem sem sentem membros do país invadido (ISIS), os EUA de facto faz a guerra contra esse país, não com o seu exército regular, mas antes com o seu irregular exército de mercenários (ISIS). O resultado, para os sírios, é sensivelmente o mesmo.

 

Armamento do ISIS

Se a entrada do ISIS começou pelo deserto sírio-iraquiano em 2014, desde lá até hoje, a maior parte dos mercenários do ISIS entraram na Síria pela fronteira que esta tem com a NATO: a Turquia. O resto entrou pela Jordânia e Israel. Como é possível que esse países tenho permitido? Ahahaha, aí está, bela pergunta. Imagens/vídeos aéreos e terrestres de mercenários do ISIS andando de trás para a frente entre Turquia e Síria é coisa que não falta. Assim como os que provam o trabalho conjunto entre ISIS e Forças Armadas da Turquia (NATO). Também não falta turcos presos em prisões turcas por terem tornado públicas provas sobre o facto.

 

Forças Armadas Turcas e ISIS colaborando entre si

 

Quanto ao armamento, que durante 2 anos parecia chover em favor do ISIS, e deixando de parte as questões económicas da treta, podemos falar de 4 modalidades de recepção de armamento:

 

1 - pela Turquia, mais uma vez, de onde também entravam mercenários e por onde saíam todos os artefactos e petróleo roubados, e onde se encontravam vários campos de treinos e depósitos de armamento destinado ao ISIS. Detalhe muito interessante, a "guerra civil" na Síria começou em 2011, o ISIS entrou em jogo em 2013, mas os túneis secretos mais antigos (na fronteira turco-síria) usados pelo ISIS/Turquia para fazer entrar discretamente armamento na Síria... datam de 2007. Hein?

2 - por "erros" da Força Aérea dos EUA que vezes sem conta largou de para-quedas armamento, munições, comida e medicamentos sobre território controlado pelo ISIS, "acreditando", os coitadinhos dos gringos, se tratar de territórios dos santos rebeldes ou dos santos curdos. Méééé!

3 - por prendas dos seus altruístas compadres da Oposição Síria, nomeadamente a al-Nusra (al-Qaeda, sim, criação norte-americana) que umas vezes são amigos e aliados e outras vezes são inimigos no campo de batalha. Já lá irei a esta tremenda contradição.

4 - o mágico deserto onde rezas se materializam em materiais necessários caídos do céu... ahahahah!

 

Aliados do ISIS

Em primeiro lugar, há que decidir se o ISIS é uma organização ou várias. Segundo o Pentágono e até mesmo os supostos líderes do ISIS, este subdivide-se em inúmeros grupos. Decidi contudo não os incluir no organigrama (confusão a mais que não vale a pena) pois representam todos o mesmo: mercenários pagos, lobotimizados com ideologias de morte, caos e horror, prontos a fazer eclodir a barbárie onde quer que os seus patrões decidam. Abri uma excepção para o Fateh al-Islam no organigrama, pois é um exemplo perfeito de interligação entre ISIS e a assim chamada "Oposição Síria": Já lá irei.

ISIS Fatah al-Islam

De uma forma muito resumida, demos uma olhada agora aos aliados, da direita para a esquerda como aparecem no organigrama:

 

OPOSIÇÃO SÍRIA: - por entre a miríade de grupos, subgrupos e sub-subgrupos que compõem essa rede maquievélica de caos e destruição, há quem se declare oficialmente inimigo do ISIS e quem se considere oficialmente aliado, mesmo que de forma não oficial sejam o oposto de uma ou outra coisa ou as 2 ao mesmo tempo. Mas para não nos perderemos na análise desta orwelliana rede que foi feita de forma a que nos percamos ao a analisar, peguemos num exemplo concreto: a Fateh al-Islam encontra-se no nordeste do Líbano, junto à fronteira com a Síria, onde é conhecida como um sub-grupo do ISIS composto por palestinianos. Sim, palestinianos, apenas umas centenas, mas é triste vê-los enrolados nesta escumalha de criminosos ao mesmo tempo que quase todas as forças de auto-determinação do povo palestiniano se batem lado a lado com sírios e russos pela libertação da Síria. Enfim! Por outro lado, este mesmo Fateh al-Islam, do lado sírio da fronteira, é reconhecido pelo al-Qaeda (que na Síria se chamava al-Nusra e desde há 2 meses se chama Fateh al-Sham) como seu membro/aliado. Dentro da Síria, a al-Qaeda (al-Nusra) é reconhecida por parte da Oposição Síria como uma força sua integrante. Em resumo, a Fateh al-Islam é um braço do ISIS (no Líbano) que na Síria é membro da Oposição Síria, que por sua vez é apoiada pelo EUA e NATO... Mais, se assistirem ao primeiro vídeo no topo deste artigo, podem constatar como para membros da Oposição Síria, o ISIS é uma organização que, "embora cometa erros como toda a gente", está ao lado dos seus "irmãos" da Oposição Síria na "luta contra o regime de al-Assad". Declarações do género é coisa que abunda...

 

TURQUIA - Patrocinador principal até à pouco, por onde tudo entrava e saia, sob as ordens do EUA, como já aqui foi dito várias vezes. Depois do golpe falhado dos EUA contra Erdogan, a Turquia passou oficialmente a combater o ISIS. Uma grande treta, pois o que o planeta inteiro não conseguiu (Síria e aliados) ou não quis conseguir (EUA e aliados) destruir em 2 anos, a Turquia despacha em 2 semanas, conquistando todo o território do ISIS no norte da Síria quase sem baixas, quase sem percas de equipamento, sem planeamento, por ali a dentro feitos rambos, e corre tudo às mil maravilhas. É preciso ser muito imbecil para ir nessa conversa dos media ocidentais. Eu acredito antes, embora sem factos que o provem, mas com toda a lógica, que a Turquia esteja simplesmente ordenando a saída ordenada do ISIS do norte da Síria, devido aos compromissos com a Rússia (ver partes anteriores) e que estes ilógicos ataques não passam de encenação e mentiras contadas nos media. O facto é que em poucos dias o ISIS saiu do norte da Síria perdeu todas as ligações ao mundo exterior, encontra-se cercado por FDS, Sírios, Iraquianos e Oposição Síria, e tem claramente os dias contados... na Síria. Fora da Síria veremos, pois se a Turquia empacota o ISIS e tira-o da Síria, para algum lado deverá estar planeando levá-lo... a pedido da Irmandade Muçulmana, por exemplo! Enfim... tema para um outro artigo.

 

IRMANDADE MUÇULMANA, CATAR E ARÁBIA SAUDITA - Arábia Saudita e Catar são os financiadores da Irmandade Muçulmana, essa organização fundamentalista da idade das trevas criadas há quase sem anos com a ajuda dos EUA e que sempre teve como principal função a substituição do pensamento político moderno e laico nos países árabes, de forma a substitui-lo pelas ideias obscurantistas wahabistas e takfiristas que deveriam reinar pela força e pela violência em prol dos interesses económicos dos EUA e seus vassalos da península arábica. Este será tema de uma próxima parte. Por agora apenas adiciono que Irmandade Muçulmana e estados seus patrocinadores estão profundamente envolvidos quer no ISIS quer nas forças que compõem a Oposição Síria, não o escondem, e são de fácil acesso os dados que documentam a ajuda que prestam em armamento e financiamento. Por outro lado, enquanto membros da Coligação Pró-Oposição (caixa cinzenta à esquerda no organigrama), oficialmente, o Catar e a Arábia saudita também combatem o ISIS. Mééé.

 

ISRAEL - Ahhh, esse osso duro de roer. Ao longo destes 2 anos várias vezes foram tornadas públicas notícias com fotos e vídeos de membros do ISIS (igual para a al-Qaeda, mas essa fica para outro artigo) feridos sendo assistidos em hospitais israelitas. Há meses o senhor Benjamin Netaniu teve o desplante (ainda bem) de insinuar, a propósito dos ataques do ISIS às forças legítimas de al-Assad, que o inimigo (ISIS) do seu inimigo (Síria) acaba por ser seu aliado. Por fim temos as actividades concretas da Força Aérea de Israel que, ao atacar as Forças Armadas da Síria de forma sincronizada com os ataques por terra do ISIS às Forças Armadas da Síria, vezes sem conta, não tem como se defender da acusação óbvia e evidente da parceria Israel-ISIS. Aliás, ninguém se espanta que uma organização terrorista que se diz Estado Islâmico e que é suposto odiar judeus, pelo contrário, mata, tortura, escraviza, bombardeia milhões de árabes, e nunca atirou um pedra sequer contra Israel, ali mesmo no meio de toda a confusão? Mééééé.... Mas enfim, oficialmente Israel aparece na lista dos inimigos do ISIS e não dos aliados. Méééé....

 

COLIGAÇÃO PRÓ OPOSIÇÃO-SÍRIA - Agora vamos à verdadeira anedota. Esta coligação de colaboradores estreitos do ISIS (Turquia, Arábia Saudita, Catar, etc,) com França, Reino Unido e EUA (países que patrocinam tudo o que se mexe contra al-Assad na Síria), diz ser uma coligação que apoia o conjunto das forças componentes da Oposição Síria... não digo que não, pois esses grupos terroristas que dão pelo nome conjunto de Oposição Síria combatem desde há 5 anos o estado Sírio. Agora quando me dizem que esta salada absurda também luta junto à Oposição contra o ISIS... ahhh, só dá para rir, depois de tudo o que já aqui foi dito. Mas façamos um esforço, não com todos, mas apenas com um membro: os EUA:

 

EUA - Pois, os EUA de forma metódica tem apoiado (ilegalmente, sem um mandato da ONU nem autorização do governo da soberana Síria) de forma constante a Oposição Síria (OP) e as forças curdas (Forças Democráticas Sírias ou FDS) contra o ISIS. É um facto comprovado, tudo bem, o problema são outros 2 factos. É que, se por um lado nas fronteiras do ISIS com a OP e as FDS os EUA bombardeia e ataca o ISIS de forma a proteger aqueles, por outro lado, nas fronteiras entre ISIS e as Forças Armadas da Síria (de al-Assad), as forças aéreas de EUA e seus vassalos ocidentais destroem sistematicamente as defesas de al-Assad em sincronia com assaltos terrestres do ISIS às forças de Al-Assad. Ou seja, o ISIS é um aliado dos EUA porque é usado por este como força descerebrada descartável na conquista indirecta de terreno por parte da OP e FDS contra as Forças Armadas da Síria (de al-Assad). Ao contrário não funciona, os EUA não é aliado do ISIS, o EUA é simultaneamente aliado e inimigo do ISIS nesse jogo de roubo indirecto de território sírio. O vil massacre de 80 soldados sírios em Deir ez-Zor esta semana por parte das forças aéreas dos EUA, Austrália e Dinamarca são o mais recente e mais perfeito exemplo do que acabei de dizer. Já lá iremos hoje, no fim deste artigo.

 

Inimigos do ISIS

Não vou repetir o que disse sobre aqueles que são simultaneamente aliados e inimigos do ISIS (quase todos), portanto vamos directo aos inimigos que sobram, o que é muito simples.

 

LÍBANO - O Líbano encontra-se ocupado a nordeste pelo ISIS, ou pelo Fateh al-Islam, para ser mais preciso (e que também é al-Qaeda), e é uma vítima indirecta do conflito sírio pois suporta o peso económico e social de 1,2 milhões de refugiados sírios, uma cifra enorme comparada com a sua população de 4 milhões. E não recebe ajuda nenhuma da União europeia, ao contrário da Turquia de Erdogan. O Líbano, país pequeno e destroçado pelo colonialismo bélico de Israel, é deixado ao abandono, tendo a sua população que optar entre passar fome ou deixar refugiados sírios passar fome. A Turquia, patrocinadora de ISIS, de campos de treinos de terroristas, de roubo de petróleo, de tráfego de mulheres e crianças sírias, etc., essa, apesar de dezenas de vezes maior que o Líbano e de ter uma população de 75 milhões de habitantes, recebe da União Europeia 3.000 milhões de euros anuais "para os refugiados sírios", em troca do ilegal compromisso de receber de volta os refugiados sírios que empurrou à força da Turquia para a Europa em 2014. Triste Europa, continente do desumanismo e da hipocrisia...

Líbano 

FORÇAS DEMOCRÁTICAS SÍRIAS (FDS) - Apesar de não vir na lista de aliados do ISIS, já foi tudo dito, o ISIS é o utensílio descartável dos EUA que serve de inimigo real dos curdos (FDS) na conquista de terreno do ISIS na Síria, terreno esses anteriormente roubado pelo ISIS ao estado sírio. É que, se não é possível, de forma alguma, limpar mediaticamente a imagem do ISIS para que se possa perpetuar o ISIS como um novo estado reconhecido internacionalmente e instalado em território roubado à Síria, por outro lado, um Curdistão Sírio (produto que já anda a ser vendido nos media ocidentais) independente e reconhecido internacionalmente em terras roubadas à Síria (directamente, ou indirectamente através da conquista contra o ISIS daquilo que o ISIS tirou à Síria), é o logro mais fácil de vender ao mundo ocidental pseudo-humanista atordoado e adormecido. Aliás, soa super bem, super cool, um estado dos coitadinhos curdos, mesmo que os coitadinhos dos curdos não sejam coitados ali (na Síria) e antes na Turquia (que é país membro da NATO). Não interessa, é lá para esse lados, é tudo igual, não é? Não, não é, e quem seria roubada, a ser realizado este perverso plano dos EUA, seria, uma vez mais, a Síria, como foi hábito no século XX. E como é fácil vender o produto curdos coitadinhos quando se vende também, como monstro anti-curdos, o sanguinário al-Assad. Mééééé.... E quem ganharia com o roubo? EUA, claro está, criando esse estado fantoche por onde passar possíveis oleodutos ou gasodutos, os tais "interesses nacionais" privados dos EUA!

 

OPOSIÇÃO SÍRIA - mais ou menos a mesma história que o parágrafo acima, sem contudo esquecer que parte da Oposição Síria é aliada do ISIS na luta contra as Forças Armadas da Síria

 

IRAQUE - Tal como a Síria, o Iraque é vítima do terrorismo do ISIS. Mais, o embrião do ISIS começou ai mesmo em 2003, com a queda do governo de Saddam Hussein. Se na Síria o objectivo dos EUA é usar o ISIS para destronar al-Assad e tornar aquele país na mais recente conquista do imperialismo norte-americano, no Iraque, já conquistado, o objectivo é usar o ISIS (sunita) como força desestabilizadora do governo iraquiano xiita eleito pela maioria xiita pró-Irão e anti-EUA. É no que dá exportar democracia à americana. Para quem duvida do apoio dos EUA ao ISIS, vejam o que se passou esta semana no Iraque, quando a Força Aérea do EUA bombardeou (por "engano", pois claro) forças iraquianas aliadas do governo iraquiano na luta contra o ISIS: de forma ostensivamente coordenada, após os bombardeamentos dos EUA sobre as forças iraquianas, veio um ataque por terra do ISIS contras as forças iraquianas. Só não vê o óbvio quem não quer!

 

SÍRIA - Quem diz Síria diz também todos os seus aliados que combatem activamente do seu lado: Rússia, Irão e Forças Palestinas. Síria e aliados combatem de forma coerente e legítima todas as forças terroristas invasoras que ameaçam a sua integridade e a sua soberania, ISIS incluído, nesta guerra desonesta dos EUA contra uma Síria que se recusou assinar em 2009 o projecto de uma gasoduto norte-americano, uma Síria que ousou assinar em 2011 um projecto de gasoduto concorrente russo-iraniano. De resto já tudo foi dito da guerra entre ISIS e Síria nas partes anteriores.

 

Acontecimentos recentes

Há 3 dias atrás (17 de Setembro, os EUA (e seus vassalos Reino Unido, Austrália e Dinamarca) bombardearam posições das Forças Armadas da Síria, matando mais de 90 militares sírios e ferindo 120. Os EUA, que num primeiro momento negaram que tal tivesse acontecido, vieram depois admitir que o fizeram, defendendo contudo que esse "incidente" tinha sido "um erro acidental". Vamos ver se faz sentido.

 

Primeiro, o momento em que ocorreu, quando as Forças Armadas da Síria e da Rússia avançam rapidamente na reconquista do território sírio, mostram que os EUA, irritados pelo desenrolar dos acontecimentos, decidiram pôr um criminoso travão!

 

Segundo, parece desespero dos EUA por ver-lhes fugir a conquista da Síria após 5 anos de guerra suja, mas fazer o quê? Convidar a Rússia a deflagrar um conflito nuclear mundial? Neste últimos 3 anos de conflitos na Síria e Ucrânia por várias vezes os EUA estenderam esse genocida convite, mas a Rússia nunca cairá em tal. Pelo contrário, os EUA, se querem guerra nuclear e aniquilação total, vão ter de tomar a iniciativa. E sim, vai tomando iniciativas como esta dos 90 soldados sírios mortos. Felizmente, os sensatos russos (russos esses que os nossos media nos vendem como demoníacos e tresloucados invasores) reagem com calma, apesar dos mortos. Sabem que, apesar da injustiça, é melhor não reagir com violência e cair na armadilha pois têm a plena consciência que numa guerra nuclear perdem todos. Parece que só a elite político-militar dos EUA é que não receia aniquilação nuclear total, vá-se lá perceber!

 

De qualquer modo, e pela sua dimensão, os ataques aéreos de há 3 dias já são um deflagrar de conflito aberto entre os EUA e Síria, provando bem à ovelhada que nunca houve guerra civil síria, antes uma guerra de procuração EUA-Síria que agora vai descaindo para uma directa. Não? Veja-se então também as várias bases militares norte-americanas em território sírio, até à pouco mantidas secretas e, de qualquer forma, completamente ilegais? Quando um pais instala bases militares no território de outro país contra a vontade do segundo, não estamos a falar de guerra? E quando dessa base saem aviões e homens em missões militares sem o consentimento do estado ocupado não é guerra? E, sobretudo, quando essas missões resultam no bombardeamento e morte das forças armadas do país ilegalmente ocupado não é guerra? Mas já imaginaram esta história ao contrário? Uma base militar síria ilegal, em território dos EUA, bombardeando e matando militares dos EUA, como forma de apoio às revoltas dos 99% ou dos Black Lives Matter! Como é possível que, vindo dos EUA , toda a ilegalidade e barbárie é aceite pela ovelhada lobotimizada por esse mundo fora? Que vergonha de humanidade zombie!!

 

Terceiro, a perfeita sincronia entre EUA e o ataque terrestre do ISIS, como já aconteceu por inúmeras vezes durante a guerra na Síria. As Forças Aéreas dos EUA atacaram (por “erro”) as Forças Sírias, abrindo caminho ao ataque por terra do ISIS contra os sírios desorganizados, feridos ou mortos pelos ataques aéreos. É um exemplo clássico de guerra convencional na qual primeiro se ataca por ar (EUA como Força Aérea do ISIS) e depois avança-se por terra (ISIS). Só não vê o óbvio quem não quer!

 

Quarto, o padrão de comportamento dos EUA é: atacar ISIS perto do FDS (curdos+NATO) e da Oposição Síria, de forma a ajudá-los a conquistar território ao ISIS enquanto que, por outro lado, apoia o ISIS com ataques aéreos às Forças Armadas da Síria, de forma a que esta última perca território. Sem FDS nem Oposição Síria por perto, prestes a conquistar algo ao ISIS, estes ataques aéreos oficialmente “contra o ISIS” embora “falhados” não encaixam no padrão. Não dá portanto para acreditar na versão de norte-americana de “erro” quando nem sequer era suposto terem ali existido bombardeamentos.

 

"[o ISIS[ e o Exército Sírio têm estado envolvidos em combates na região por muito tempo. Os EUA nunca intervieram para evitar que o ISIS se expandisse para ocidente, por exemplo quando ele tomaram Palmira no ano passado. Então este é um passo muito inesperado e parece deliberado" (Tim Anderson)

 

Quinto, o EUA nunca realizou ataques ao ISIS em colaboração com a Síria, pois claro que não, uma vez que tal acto resultaria contrário aos seus interesses que é fazer recuar os sírios. Os EUA nunca ajudou nem os ajudará a Síria a conquistar terrenos ao ISIS com apoios aéreos, pois claro que não! Não faz nem faria sentido nenhum. Mas sendo assim, como se explica que os EUA executem ataques ao ISIS tão longe das posições dos curdos, da NATO ou da Oposição Síria (veja o mapa abaixo). Por que razão haveriam de gastar bombas num zona longínqua onde apenas se encontram ISIS e sírios, se o alvo (supostamente falhado) fosse deveras o ISIS?  Não faz sentido. O alvo não era o ISIS.

 

Der ez-Zor na Síria

 

Sexto, não é possível que os EUA bombardeiem o que quer que seja por erro, sendo a mais sofisticada máquina de guerra de sempre na história da humanidade. Qualquer militar honesto poderia explicar como são absurdos está estórias para entreter massas lobotimizadas pela televisão!. Não é possível porque é demasiado fácil saber onde se encontram ISIS e sírios, porque os EUA não tinha nada de lógico ou estratégico para fazer ali, e porque, como Putin e Lavrov levam mais de 1 ano insistindo, só não há coordenação porque os EUA sempre recusaram colaborar com o “sanguinário” al-Assad ou quem quer que seja seu aliado. E se recusam não podem queixar-se de não saber onde estão sírios e russos, e se não sabem o melhor é não arriscar bombardear às cegas, sobretudo quando se encontram ilegalmente na Síria, sobretudo quando bombardeiam o território desse estado soberano em completa ilegalidade! E mais, é ridículo querem fazer crer ao mundo que não conseguem distinguir zonas controladas por sírios de zonas controladas pelo ISIS quando tal informação é do conhecimento público e actualizada diariamente na internet:

 

D Z 1.jpg

 

Sétimo, os ataques aéreos ocorreram sobre o aeroporto de Deir ez-Zor que foi conquistado há vários meses pelos sírios. Como é possível que não saibam tal facto tão bem documentado online? Esse aeroporto está repleto de aviões de guerra sírios, que não podem ser confundidos com aviões de guerra da força aérea do ISIS porque o ISIS não tem nem força aérea nem resmas de aviões! E pior, o aeroporto de Deir ez-Zor encontra-se rodeado por uma zona plana e vazia, não havendo forma de confundir sírios com membros do ISIS. Seria possível se estivéssemos antes a falar de uma zona urbana densa e complexa! Mas não, insisto, estamos a falar de deserto plano! Vejam:

 

D Z 2.jpg

 

Veja-se também este vídeo no qual o jornalista Rafael Araya Masr,i em menos de três minutos, faz um excelente resumo não só deste última agressão dos EUA à Síria, como um magnífico resumo de todo o conflito.

 

 

À parte

O cessar fogo foi quebrado graças a estes ataques absurdos dos EUA e, de qualquer modo, um dos principais objectivos do cessar fogo não tem podido ser implementado graças ao desrespeito da Oposição Síria sobre o que tinha sido acordado. Tinha sido acordada a criação de uma zona neutra no norte de Aleppo por onde entrar ajuda humanitária aos civis que habitam uma zona dessa cidade ocupada pela "oposição" e completamente cercada por sírios e russos. A Síria, como acordado, retirou-se da Estrada do Castelo recém-conquistada, enquanto que a Oposição Síria não só não se retirou das imediações como invadiu de novo o que a Síria tinha libertado como zona neutra. Resultado: os camiões da ONU com ajuda humanitária continuam estacionados na Turquia à espera de ordens, os civis sírios habitando nas zonas controladas pela terrorista Oposição Síria vão morrendo de forme e o Ocidente continua a sua vergonhosa ladainha mediática de Assad e Putin bárbaros sanguinários que tudo fazem pela perpetuação da barbárie e nada pela restauração da paz.  

 

Com esta brincadeira, nem cessar-fogos quanto mais acordos de paz entre EUA e Rússia. A única paz que os EUA deseja é uma paz podre, a paz de uma Síria subjugada, submissa e obediente aos "interesses nacionais"  económico-energéticos dos EUA, o que não vai acontecer enquanto houver Rússia. Portanto, os EUA que tanto falam de acordos de paz, não procuram paz, procuram estados vassalos. E com as obscenas propostas de paz que propoem, quem é que fará acordos com os brincalhões dos gringos, hein? Então não é que, no mais recente acordo de paz proposto à Rússia, e que fallhou por recusa russa, os gringos incluiam, como uma das condições para a paz na Síria, que a Rússia oficialmente reconhecesse a al-Nusra (al-Qaeda na Siria) como uma orgão membro da Oposição Síria moderada e não mais a rotulasse de organização terrorista? Que brincalhões, não, depois da treta do 911 pegaram fogo a meio planeta com a desculpa de caça à bruxa da al-Qaeda, e afinal a bruxa al-Qaeda na Síria é "oposição moderada" e nao bruxa, que grandes brincalhões, não!

  

E uma das maiores brincalhonas gringas é a palhaça rica Samantha Power, embaixadora dos EUA na ONU. Essa então mostrou-se super ofendida com a exigência russa de reunir de emergência o Conselho de Segurança da ONU em reacção ao insignificante e banal bombardeamento norte-americano. Tão brincalhona que se deu ao luxo de desvalorizar at+e mais não o criminoso e ilegal acto dos EUA, tão brincalhona que perante factos graves cometidos pelos EUA, se pôs a tergiversar sobre mitos e lendas de ataques russos a campos de refugiados e hospitais, como se acusações infundadas anti-Rússia fossem mais válidas que provas indesmentíveis de crimes norte-americanos! Tão brincalhona-trapalhona que conseguiu ver “um ataque aéreo” onde houve quatro! Brincadeira ou não, a larga maioria da plebe adormecida mundial engole tudo, infelizmente...

 

Samantha Power vomitando em público

 

Próxima parte: Israel, Ucrânia e Irmandade Muçulmana.

 

Luís Garcia, 20.09.2016, Chengdu, China

 

 leia também  Resumo esquemático do conflito sírio

leia também  Resumo do conflito sírio - parte 1

leia também Resumo do conflito sírio - parte 2

leia também Resumo do conflito sírio - parte 3

 

 

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Resumo do conflito sírio - parte 3, por Luís Garcia

 

  

resumo do conflito sírio p3.jpg

 

Luís Garcia POLITICA 

 

Organigrama do conflito

Formato Original  Formato Reduzido

Protestos e Guerras Civis 

Antes de começar a analisar a tão extensa e complexa rede de inimigos do estado sírio que se encontra em território sírio, façamos um exercício de imaginação.

 

Imaginemos que estamos em 2016 e que grandes manifestações emergem num qualquer país que não a Síria. Imaginemos que se trata de um país como os EUA, a França ou o Brasil, onde, por norma, protestos quer pacíficos quer violentos são despachados com carga policial violenta e prisão de manifestantes, e acompanhados de um grotesco coro-mediático (prostituído) que chama todos os nomes que se lembra aos manifestantes: bandidos, arruaceiros, psicopatas, criminosos, etc. E o caso morre dias depois, para recomeçar semanas ou meses depois, repetindo-se da mesmíssima forma, se não aparecer ninguém que os apoie e mude o rumo dos acontecimentos.

 

Imaginemos que por uma vez, sim, por uma vez os manifestantes pacíficos dos "99%" nos EUA, ou os manifestantes violentos de Paris em 2006 queimando centenas de carros, ou os manifestantes pacíficos do "Fora Temer" no Brasil recebiam ajuda militar proveniente da Rússia, da China e do Irão. Tal como nas farsas de revoluções na Ucrânia 2014, Líbia 2011, ou na Venezuela 2014-16, imaginemos que, em "apoio ao povo descontente e espancado pelo regime" brasileiro, e em completa ilegalidade segundo as leis internacionais assinadas na ONU, a Rússia entregava aos protestantes brasileiros tanques de guerra, a China enviava especialistas em treino de guerrilha urbana, o Irão enviava Toyotas Hilux transformados em carros de combate e os 3 enviavam milhares de kalashnikovs, roquetes, toneladas de explosivos e dezenas de milhões de dólares. Imaginemos que toda essa ajuda fosse aceite pelos brasileiros descontentes e que estes começariam uma guerra civil, destruindo cidades e provocando a morte directa e indirecta de civis. Imaginemos que, perante a manifesta desproporção de forças entre os "freedom fighters" brasileiros e as forças armadas brasileiras, a Rússia, a China e o Irão enviariam juntos 200 ou 300.000  mercenários pagos e treinados por estes países e vindos do mundo inteiro mas sobretudo de estados seus aliados (Venezuela, Cuba, Bielorrússia, Bolívia, etc.), disparando entretanto o número de mortos civis para as dezenas ou centenas de milhares. Imaginemos que, com todo este apoio, o conflito se espalharia por todo o Brasil, que a destruição e morte se generalizasse e que o país desmoronasse numa hiper-complexa rede de grupos e frentes guerrilheiras com alianças e inimizades inter-cruzadas quase impossíveis de perceber. Imaginemos que os media da Rússia, da China e do Irão, a cada acção armada das Forças Armadas do Brasil mostrassem estas exclusivamente como agressoras desumanas viciadas em horror e que nunca produzem danos colaterais, apenas genocídios orquestrados com sangue frio, por mais óbvio que fosse o direito das Forças Armadas do Brasil de combater um invasão estrangeira disfarçada de guerra civil. Imaginemos que Temer, o ditador "sanguinário", marcava eleições e ganhava-as democraticamente (bom, aqui é imaginação a mais, kakaka, pois no dia em que Temer o fizer, perderá estrondosamente! Ahahaha!) como fez Al-Assad em 2014, mas que os media desses países ignorariam por completo.

 

Por fim, imaginem que EUA e seus vassalos assistiriam a tudo isto ano após ano sem a mínima reacção. Não dá para imaginar pois não? Ao segundo dia desta farsa já haveria um conflito mundial provocado pelos EUA com o argumento de proteger os seus "interesses nacionais" privados no Brasil de Temer, seu mais recente fantoche e cão fiel. Pois não dá para imaginar! Pois claro que países não podem financiar nem apoiar militarmente ilegais e criminosos golpes de estado e guerras civis noutros países. Por exemplo, é proibido pela ONU a venda de armas a países em conflito. E nenhum país tem o direito de invadir outro sem autorização da ONU que seja justificada com razões humanitárias urgentes. E se assim é, como é que protestos pacíficos ou violentos, reprimidos ou não violentamente pelas autoridades sírias, se transformam numa guerra total entre a Síria e uma coligação de dezenas de países e centenas de organizações terroristas? Porquê? Porque as regras da ONU são para ser respeitadas, excepto se o país se chamar Israel, se for membro da NATO ou se for uma ditadura árabe submissa ao EUA. Simples! Por isso um ministro francês pode vir à TV nacional afirmar que "a al-Nusra (al-Qaeda) faz um bom trabalho na Síria". Por isso primeiros ministros e/ou presidentes de países como o Reino Unido, França ou EUA podem vangloriar-se em directo dos milhões de dólares desviados das contas públicas para patrocinar terrorismo "moderado" e não moderado. Não porque tenham razão ou porque seja legal! Não! É absolutamente ilegal e criminoso o que dizem sem receio em directo nas TV's nacionais! Fazem-no e dizem-no abertamente porque fazem parte do exclusivo lote de países terroristas acima da lei internacional! Estes apenas se regem pela lei do mais forte, do militarmente mais forte e do mais forte na arte do engano em massa! 

 

Se toda a gente parasse para analisar o quão absurdo lhes pareceria que a Rússia ou a China armassem civis franceses descontentes com o seu governo tendo como resultado a total destruição da França, perceberiam como é infinitamente patética a figura de otário que fazem quando engolem hollywoodescas estórias de sanguinários chamados Gadafi ou al-Assad que se lembram de massacrar da forma mais sádica possível a totalidade do seu povo... porque acordaram mal dispostos um dia... ou porque não lhes passa a porra da dor dentes da semana anterior! É caso para dizer: méééééééé´!

 

E veja-se, com o passar do tempo, no que dá as massas ovelhizadas por consumismo e publicidades desumanizantes aceitarem todas as ilegais guerras e conflitos inventados pelos EUA e companhia: acaba toda a gente aceitando com toda a naturalidade que a França bombardeie ilegalmente a Síria sempre e quando os seus líderes acharem por bem fazê-lo, que a Turquia abra campos de treino de terroristas lado a lado com bases da NATO, que Israel receba nos seus hospitais terroristas feridos e que os EUA, além tudo isto e muito mais, se dê ao luxo de ter bases militares (temporariamente secretas) absolutamente ilegais em território sírio para depois ameaçar de abater caças sírios se os seus pilotos tiverem o desplante de voar sobre as tais ilegais bases militares dos EUA... em território sírio! É, demasiado surreal para ser verdade... mas é verdade, é factual, é real, irra! E mais, depois levamos com o porta-voz da NATO dizendo que os EUA tem todo o direito defender a integridade física dos seus militares(!!!) e que se algum fosse morto ou ferido (dentro dessas bases gringas ilegais em território sírio), os EUA teriam todo o direito de declarar guerra à Síria!!! Que loucura! Direito internacional quê? Isso é para totós humanistas, não para os EUA, esse estado terrorista por excelência, que precisamente por ser terrorista, caga para direitos internacionais. De todos os modos, é ridículo que falem de legitimidade para declarar guerra contra a Síria pois essa foi declarada a partir do momento em que militares dos EUA trespassaram ilegalmente a fronteira síria. Ou muito antes, quando os EUA começaram a despejar armas e mercenários para a invasão disfarçada de guerra civil que já dura há 5 anos...

 

Guerra é paz, paz é guerra

E veja-se que ao contrário não vale. Como? No Iémene parte do povo fez uma revolução que acabou com a ditadura de um fantoche a mando dos EUA e o resultado foi: primeiro levarem com uma inundação norte-americana de terroristas da al-Qaeda que serviu de desculpa para a força aérea dos EUA aterrorizar e bombardear a população civil; depois, uma clara invasão do Iémene por parte da Arábia Saudita, EAU e Reino Unido que acharam por bem castigar o povo iemenita por este se ter livrado do seu ditador! E ainda temos de levar com o primeiro-ministro francês (Manuel Valls) defendendo a milionária venda (ilegal segundo a ONU) de armamento à Arábia Saudita invasora com o argumento de ser sua obrigação defender a economia francesa com essas vendas. Ainda esta semana um jornalista da CNN usou o mesmo absurdo não-argumento para defender o próximo envio de armamento dos EUA para Arábia Saudita! Então, se a questão é económica e não humanista, que interessa se al-Assad seja sanguinário ou não e se chacina ou não o seu povo? Então não é irrelevante seguindo essa lógica? Não deveria Manuel Valls, fosse ou não verdade essa grotesca mentira de "al-Assad sanguinário", vender armas à Síria, visto que mais importante que salvar vidas humanas de guerras desnecessárias é salvar postos trabalhos em França? Se postos de trabalho de "desenvolvidos" franceses valem mais que vidas humanas de "retardados" árabes no Iémene, o mesmo se deverá se passar em relação a vidas humanas árabes da Síria, ora essa! E a ovelhada não vê o óbvio, que não é civilizado um ocidente que vende armas a genocidas com argumentos de protecção de postos de trabalho, ocidente esse que patrocina ilegalmente a total destruição da Síria e a morte de centenas de milhares de sírios com a desculpa "humanista" de vir salvá-los do bárbaro genocida! Anda tudo a dormir? 

 

Já agora, e em relação à Arábia Saudita, quero deixar uma pergunta àqueles que de forma genuína acreditam que al-Assad é um sanguinário que deveria ser deposto: Que opinião têm sobre o rei da Arábia Saudita e sua família real? Mesmo que acreditem na mentira de um al-Assad sanguinário, não deveriam os energéticos humanistas anti al-Assad canalizar alguma dessa energia contra o senhor rei e dono da Arábia Saudita, esse país absolutista sem lei nem justiça? Sei lá, por uma razão de coerência! É que, por um lado, o senhor rei saudita ordena decapitar em praça pública cidadãos que ousam ter ideias políticas que não o satisfaçam. Por outro invadiu o seu vizinho (Iémene) sem a mais insignificante tentativa de explicação possível, e em completa ilegalidade. E por outro ainda, esse reizinho que decapita cidadãos e invade vizinhos, faz parte da "humanista" coligação encarregue de "resgatar os sírios do sanguinário al-Assad"! Não vos perturba tamanha sequência de incoerências caros humanistas possíveis leitores destas linhas? 

 

Como deflagrou o conflito

Como sempre acontece quando alguém recusa se submeter aos "interesses nacionais" privados dos EUA e governa um país que tem o geográfico desplante de se meter no caminho entre o ponto de partida e o ponto de chegada de um oleoduto ou gasoduto a construir por uma ou mais empresas gringas, acaba por haver golpes de estado, mortes de chefes de estado em dias de tempestade ou guerras e barbárie... 

 

Em 2011 estava-se no auge da palhaçada das Primaveras Árabes inventadas pelos senhores que governam os EUA e que achavam por bem mudar todos os governos de países árabes laicos ou religiosos, democráticos ou ditatoriais, por uma antiga anglo-saxónica ferramenta de terror chamada Irmandade Muçulmana. A Síria não foi excepção. Havia que tirar do poder o insubmisso al-Assad o mais breve possível, estorvo antigo do expansionismo territorial de Israel na região e, sobretudo, presidente de um país demasiado valioso para escapar às mãos dos "interesses nacionais" privados dos EUA. Com as imensas reservas de gás sírias recém descobertas, e sabendo dos antigos planos da Síria, Iraque e Irão de construir (com a participação da russa Gazprom) um gasoduto (Islamic Pipeline) do Irão até à costa mediterrânica (de onde o gás sírio e iraniano seguiriam rumo ao mercado europeu), os EUA não podia esperar mais. Tinha de intervir na Síria antes que acordos e contratos fossem em breve assinados, e assim o fez, fazendo deflagrar a Primavera Síria em Abril de 2011 e esperando que, com a queda próxima de al-Assad, os EUA, Arábia Saudita e Catar pudessem por em marcha o seu projecto concorrente de gasoduto passando pela Síria (Qatari Pipeline).

 

fa0e810f-dead-4842-aba7-e32e30f09606 (1)

 

Até um membro da família Kennedy veio a público afirmar que a invasão da Síria vinha sendo preparado desde há muito devido à teimosia de al-Assad em não aceitar o projecto de gasoduto dos EUA e companhia: "Un miembro del clan Kennedy revela el oculto motivo de la guerra en Siria", assim como é famosa a afirmação em 2007 do general norte-americano Wesley Clark sobre os planos dos EUA para invadir a Síria (entre outros):

 

 

Àqueles que não entendem a relação causa efeito acima referida, aconselho-vos a analisar a relação entre distribuição de energia no continente eurasiático e as guerras "contra o terrorismo" dos EUA no continente eurasiático. É que se o fizer descobrirá que, por detrás de qualquer guerra ou golpe de estado patrocinado pelos EUA no Afeganistão ou Quirguistão, por exemplo, existe sempre a determinação de, por um lado destruir antigos oleodutos/gasodutos soviéticos com os bombardeamentos-mata-terroristas e, por outro, controlar a longo prazo os governos dos países por onde passarão os novos gasodutos/oleodutos a construir e ser explorados por empresas norte-americanas. É este o jogo: as reservas energéticas estão no coração do continente eurasiático; o mercado consumidor encontra-se na Europa; os antigos oleodutos/gasodutos soviéticos que ligam o centro da eurásia à Europa são controlados pela Rússia; Os EUA não acham piada nenhuma ao facto e correm contra o tempo para destruir os oleodutos/gasodutos soviéticos e substitui-los pelos seus! O conflito ucraniano é outro exemplo perfeito do que ainda agora afirmei.

 

Um bom livro (de introdução) a este tema da rapinagem energética norte-americana disfarçada de lutas pelo bem é este livro de Michel Chossudovsky:

Mas voltando à invernal "Primavera Síria", os EUA, como é hábito desde o enorme sucesso da Operação Ajax no Irão em 1953, pôs em marcha em Abril de 2011 o seu mecanismo de deposição de governos que, quase sempre com sucesso, foi responsável pelos golpes que deram ao mundo regimes beija-cus submissos dos EUA, como no Brasil 1965, no Chile 1973, no Honduras 2009, no Líbia 2011 ou no Ucrânia 2013, entre várias dezenas de outros. Por vezes acaba em guerra generalizada, por vezes basta adicionar sabotagem económica, por vezes funciona tão bem que o governo caí uns dias depois só de protestos e já está. Mas também falha, como no Bolívia 2008, no Venezuela 2002 ou no Venezuela 20014-16.

 

Nas semanas que se seguiram a Síria não caiu com os protestos e, contra os desejos económico-imperiais dos EUA, o acordo para a construção do gasoduto sírio-iraquiano-iraniano foi por fim assinado em Julho de 2011, 3 meses depois do início do terrorismo primaveril norte-americano na Síria.

 

Os Inimigos da Síria

Descontentes com um determinado governo, genuínos ou induzidos, há sempre. Os protestos iniciados em Abril de 2011 por sírios descontentes com o governo de al-Assad continham sem dúvida protestantes com legítimas razões de queixa. Nenhum governo é perfeito, todos estão longe de o ser, e o de al-Assad não era nem é excepção. No entanto o deflagrar desses conflitos, de forma maquiavélica, foi realizado por fora, à má-moda da Operação Ajax como já referi. Foram os protestos reprimidos com violência policial? Foram, e quê? Qual é o espanto? Ou alguém acredita que as formas de poder que gerem a vida de seres-humanos por esse mundo não fazem o mesmo? Ou alguém tem o desplante de negar que o mesmo aconteça com protestos pacíficos nos EUA, França, Brasil ou Portugal, onde civis são espancados e presos por cantarem cânticos e levantarem os braços com cartazes anti-governo? Por que haveria de ser diferente na Síria? Porque não haveria o governo sírio de fazer o mesmo que os nossos governos fazem, sobretudo perante manifestações não puramente de sírios mas também compostas (e criadas) por forças estrangeiras interessadas em espoliar o estado sírio? E como se explica que, enquanto os protestos pacíficos ou violentos no Ocidente levam com a violência policial que for precisa para acabar com eles, na Síria os protestos rapidamente se transformaram numa guerra civil iniciada por protestantes recorrendo a armamento ligeiro e pesado que não era suposto possuírem? Ahhh, tanta pergunta sem resposta a fazer aos crentes da religião Assad É Um Sanguinário E Ponto!

 

Mas tentemos explicar. Tentemos entender a revolta síria que não foi uma revolta mas sim um guerra de proxy (de procuração), uma invasão de EUA e companhia, em 3 fases, com o objectivo de retirar al-Assad do poder, colonizar a Síria para propósitos geoestratégicos e roubar-lhe os seus recursos energéticos. Numa primeira fase os EUA e companhia enviaram armamento e mercenários para a Síria, por terra (Turquia, Israel, Jordânia, Iraque) e pelo ar, onde reciclaram mercenários de outras aventuras terroristas ocidentais como as da Líbia, do Afeganistão, do Kosovo ou do Mali. E assim apareceram o Exército de Libertação Síria, Oposição Síria, al-Nusra (al-Qaeda) e centenas de outros grupos e subgrupos terroristas que serão tema de uma próxima parte deste Resumo do Conflito Sírio. Objectivo principal: destruir o estado laico sírio governado por Assad. Objectivo secundário: demonizar a imagem de al-Assad perante a ovelhesca opinião pública mundial, atribuindo os crimes das organizações mercenárias estrangeiras às Forças Armadas da Síria, de forma a legitimar perante aqueles um futura invasão da Síria por parte de um coligação humanista ocidental, caso os mercenários terroristas não cumprissem o primeiro objectivo. E assim o mundo ocidental e seus aliados árabes do golfo presentearam o povo sírio com forças de "libertação" que trouxeram a aplicação estrita da sharia num estado secular, a limpeza étnica de aldeias cristãs e judias, mercados de escravas sexuais menores de idade, decapitações de adultos e crianças, jaulas com mulheres servindo de escudos-humanos contra o exército regular sírio, entre muitos outros horrores, sempre focados na completa destruição material, social e cultural da Síria.

 

O derrube do regime sírio nunca chegou a acontecer por obra dessa miríade de organizações mercenárias ocidentais, mas quase podia ter acontecido quando se montou em 2013 a farsa do massacre de Guta com o objectivo de mostrar ao mundo que al-Assad teria ultrapassado a Obamiana "linha vermelha" além da qual uma invasão estrangeira seria inevitável. A perversa armadilha montada pela França (na qual foram usadas centenas de crianças raptadas meses antes para servirem de marionetas numa encenação de ataque químico de al-Assad contra o seu povo) só não resultou porque Putin, numa genial jogada de xadrez político, ofereceu-se para monitorizar a destruição do arsenal de armas químicas sírias em troca dos EUA desistir de invadir a Síria (ler Cómo los servicios de inteligencia de Occidente fabricaron «el ataque químico» de la Ghouta).

 

 

Por essa altura começou a segunda fase da guerra de proxy dos EUA na Síria, com a introdução nesse país de uma organização terrorista cujos comportamentos horríficos só podem ser comparados com a inquisição da Igreja Católica ou a colonização europeia do continente americano: o ISIS! Apesar do terror provocado desde a sua chegada (amigos sírios confirmam-me terem perdido familiares em 2013 às mãos de trogloditas que se consideravam membros do ISIS), o  Estado Islâmico (ISIS), que de estado tem nada e de islâmico só leitura literal de tretas, apenas se tornou mediático no verão de 2014. Em Junho de 2014 lembro-me muito bem de ler que milhares de terroristas fugindo do exército iraquiano tinham desaparecido subitamente no deserto. E lembro-me muito bem que 3 dias depois tive contacto com notícias que informavam que um Estado Islâmico acabava de ser criado no deserto sírio junto ao Iraque... composto por 30.000 trogloditas saídos do nada. Milhares de terroristas sunitas apoquentando o governo xiita iraquiano por este não se vergar aos EUA e se inclinar para o Irão desaparecem e ao mesmo tempo aparecem milhares de terroristas sunitas invadindo a Síria... só não vê a ligação quem não quer!! Aos que não querem ver, dedico-lhes a próxima parte 4 do artigo, sobre ISIS e companhia.

 

Com a entrada em jogo do ISIS as Forças Armadas passaram de uma a duas guerras a combater, agora contra a Oposição Síria e contra o ISIS, o qual depressa se apoderou da região produtora de energia do país, estrangulando ainda mais a já estranguladíssima Síria, destruída pela guerra, e empobrecida/esfomeada não só pela guerra mas também pelo bárbaro embargo ocidental à Síria (que ainda hoje perdura).

 

Senão fosse pela entrada em campo das Forças Armadas da Federação Russa, muito provavelmente, apesar de terem resistido até então a uma intensa guerra contra dezenas de países muitíssimo mais ricos e poderosos durante 4 anos e meio, a Síria teria sido derrotada e condenada às trevas profundas como foi o caso da Líbia e do Afeganistão. Mas não, apesar da guerra económica imposta pelos EUA à Rússia através dos seus suicidas vassalos europeus como castigo à Rússia pelo golpe de estado que os EUA patrocinaram na Ucrânia, as Forças Armadas da Rússia alcançaram no fim de 2015 o nível de renovação e capacidade que Putin considerava necessário para poder intervir militarmente a favor da Síria, seu aliado histórico e geoestratégico.

 

Com a Rússia a balança inclinou de volta para o lado sírio, foi denunciada a evidente ligação entre Turquia (ler NATO, ler EUA) e o ISIS, o ISIS foi duramente atacado e destruído e as forças sírias puderam finalmente, graças ao apoio militar russo e também à modernização militar síria apoiada pelos russos, passar a reconquistar o território perdido durante os últimos anos. As massas de jornalistas-prostituídos bem tentaram (e conseguiram por entre as massas ovelhizadas) fazer passar os russos por vermelhos monstros sanguinários apoiantes de alauitas monstros sanguinários... mas poucos recuperam do duplo trauma de ver a Rússia libertar a multi-milenar Palmira das mãos do ISIS, apesar das ruínas se encontrarem fortemente armadilhadas e prontas a explodir em caso de derrota dos trogloditas islâmicos. Duplo trauma pois além da vitória da Rússia contra a representação do mal na terra, os russos, ao contrário do que costumam fazer os rambos gringos, não botaram a baixo as ruínas no acto de libertação!

 

E com este trauma de fim 2015, os EUA entram em 2016 com a sua terceira vaga de caos e horror: a criação (absurda) de um estado curdo no norte da síria onde vivem dezenas de grupos étnicos de várias confissões religiosas. Típica solução gringa, a de etno-estados que, como o próprio nome indica, têm a (des)virtude de destruir a riqueza e diversidade cultural de países bem mais interessantes culturalmente que os invasores EUA! Para o fazer juntaram alguns membros da NATO, Austrália e todas as forças curdas que conseguiram comprar pelo dinheiro, e deram a essa absurda mistura o nome de Forças Democráticas Sírias (FDS), imagine-se! Para o tornar possível, criaram bases militares norte-americanas ilegais e no início secretas em território roubado à Síria e não, não mudaram de nome, continuaram a auto-denominarem-se de "democráticos" e de "sírios", imagine-se! E para que a ovelhada ocidental não estranhasse antes de entranhar, encomendaram às suas organizações terroristas (ISIS) o massacre de Kobani e outros, de modos que a chegada de ocidentais "salvadores" de curdos foi aceite com toda a naturalidade pelas massas ocidentais, por pouco ou nada que compreendessem essas massa o porquê do massacre de uns ou da chegada de outros. 

 

A criação das ignominiosas FDS trouxe várias vantagens aos EUA neste guerra contra a insubmissa Síria. Serviu para desviar alguns dos até então aliados de al-Assad na luta contra o terrorismo da Oposição Síria e do ISIS: os curdos sírios e curdos turcos, embora muita da informação e das opiniões partilhadas por curdos nas redes sociais deixe transparecer a ideia que o suborno/compra de curdos por parte dos EUA tenha se realizado apenas por entre as chefias militares curdas, enquanto que os combatentes na base da pirâmide respeitam em contra-vontade as ordens de cima ou nem sequer as respeitem. Em 2014, no Curdistão turco, encontrei-me com curdos que combateram nas batalhas do norte da Síria contra o ISIS e a parte da Oposição Síria que atacava curdos, e não me ficou a menor dúvida que aqueles curdos turcos, obviamente, apoiavam o governo de al-Assad. É portanto difícil hoje, em 2016, imaginá-los a combater as forças de al-Assad. As linhas cinzentas no organigrama entre Síria e algumas forças curdas representam o que acabei de escrever neste parágrafo.

 

Como se entendeu muito bem (entrelinhas) no aviso de John Kerry (EUA) a Serguei Lavrov (Rússia), aquando do primeiro grande cessar fogo a meio de 2016, ao referir-se à necessidade de implementar um Plano B no caso em que o cessar-fogo corresse mal (e os EUA fez tudo o que era possível para correr mal), os EUA davam a si próprios a autorização para criar um novo estado independente no norte da Síria, o Curdistão Sírio. Assim os EUA podiam por fim justificar mediaticamente a invasão da Síria pela NATO e assegurar pelo menos uma parte do território para um possível plano alternativo de gasoduto construído no matter what! Perante a lei internacional, perante a ONU, no entanto, justificaria coisa nenhuma, ficaria tudo na mesma: na mais profunda ilegalidade!

 

Com a desejada ocupação militar dos EUA (via apoio às Forças Democráticas Sírias), os EUA passaria então a atacar o ISIS, sua criação útil em período de destruição mas sem valor de ocupação a longo prazo, o qual (ISIS) deveria ser aos poucos substituído no terreno pelas Forças Democráticas Sírias (FDS) que tomariam conta do terreno à espera da independência do novo Curdistão Sírio. É que, o mundo nunca aceitaria um país chamado Estado Islâmico (ISIS) mas, o mundo repleto de pseudo-humanistas, haveria de babar-se de cabeça aos pés perante a criação de um novo país cujo nome contivesse a palavra Curdistão. Assim se explica que os EUA tenha continuado a fornecer apoio militar ao ISIS estabelecidos longe das FDS e perto das Forças Armadas Sírias (de al-Assad). É que, ao fazê-lo, ao apoiar o ISIS perto das zonas controladas por al-Assad, não só enfraqueceria as Forças Armadas Sírias (al-Assad), principais inimigos das Forças Democráticas Sírias (NATO+curdos), como, ao proporcionar a eventual conquista de territórios pelo ISIS a al-Assad, estaria a aumentar a área potencial de conquistas das FDS contra o ISIS, áreas essas que num futuro próximo viriam a constituir o tal Curdistão Sírio, que a realizar-se, seria o mais recente estado vassalo dos EUA.

 

Tudo muito bonito para os EUA, se não existisse a Rússia e as suas Forças Aéreas... E para baralhar mais as contas, veio o golpe de estado falhado na Turquia. Senão tivesse falhado, por certo teríamos assistido a mais uma rocambolesca surpresa bélica dos EUA neste conflito sírio. Como falhou (ler segunda parte deste artigo), a reacção da Turquia ao golpe falhado veio estragar as contas aos EUA, "conquistando" a brincar território ao ISIS que assim não cairão nas mãos das FDS (NATO+curdos) nem serão, por enquanto entregues ao seu dono legítimo que é o estado sírio. E mais, a ilegal incursão turca tem o mérito de acabar de uma vez por todas com a possibilidade das duas zonas controladas pelo FDS (uma no litoral e outra no interior junto ao Iraque) se juntem numa só, o que seria imprescindível para os EUA no caso de ainda querer construir no seu novo Curdistão Sírio um gasoduto entre a fronteira sírio-iraquiana e a costa síria.

 

Antes de chegar às conclusões, gostava de deixar esta reflexão: como é irónico que os governos dos EUA  e Europa tudo façam para que as suas massas distraídas tenham ódio e fobia a muçulmanos, e ao mesmo tempo apõem vários grupos curdos (muçulmanos, portanto) que juntos são supostos criar um estado curdo em território sírio onde até agora viviam algumas das mais antigas sociedades cristãs do mundo, como são o caso dos Assírios. Mais, os EUA, que se apresentam à ovelhada ocidental como os Neo-Cruzados, inventaram a Oposição Síria e o ISIS que dizimaram inúmeras aldeias e vilas de cristãos e judeus sírios, e em seguida inventaram o Curdistão Sírio para acabar com o trabalho. E tudo isto sob a desculpa de apoiar a revolta popular contra um "sanguinário genocida" al-Assad que faz parte da comunidade Alauita, um grupo étnico-religioso conhecido por realizar um pacífico sincronismo entre crenças muçulmanas e crenças cristãs, que celebra rituais das duas religiões e que frequenta tanto mesquitas como igrejas (apesar de se considerarem muçulmanos de religião). Isto num país que leva milhares de anos sendo o mais puro exemplo de país onde se pratica de forma tolerante uma das mais complexas pacíficas misturas de religiões e grupos étnicos que o mundo já conheceu. O período de governação de al-Assad pai e de al-Assad não foram excepção! E, ironia das ironias, os EUA, país que se auto-propôs à tarefa de desfazer este belo exemplo sírio, nasceu, cresceu e prosperou do massacre  de nativos americanos, da escravidão de africanos e da submissão feudal da maioria pobre europeia que lá chegou na condição de servos não livres... bravo EUA, bravo!

 

Por fim dizer que as Forças Armadas da Síria (e seus aliados sírios, palestinos, iranianos e russos) são os únicos combatentes coerentes desta guerra absurda. Olhando o organigrama é fácil de compreender que ao contrário de todos os outros grupos envolvidos, a Síria (e aliados) só tem um objectivo: recuperar a integridade do território que legalmente lhe pertence, lutando contra todas as outras forças inimigas postas ao mesmo nível, ao nível de agressores e invasores que são. Na oposição o contrário reina, ou seja, os objectivos são múltiplos e inter-cruzados, denotando-se apenas um denominador comum: a aplicação da Teoria do Caos em favor dos "interesses nacionais" privados dos EUA. Senão, é só confusão e incoerência: os EUA combate a al-Qaeda ao mesmo tempo que ajuda a al-Qaeda a combater as Forças Armadas da Síria; os EUA apoia o ISIS contra as Forças Armadas da Síria enquanto que ataca o ISIS em protecção às FDS; A Turquia combate as Forças Democráticas Sírias (FDS) compostas por curdos e NATO ao mesmo tempo que a Turquia é país membro da NATO; Os EUA são aliados quer das FDS quer da Oposição Síria, o que não impede que haja combates entre FDS e Oposição Síria, e por aí fora... a lista de incoerências é quase infinita... Portanto, um viva a multi-étnica, multi-religiosa e muito coerente Síria!

 

Luís Garcia, 13.09.2016, Chengdu, China

 

 leia também  Resumo esquemático do conflito sírio

leia também  Resumo do conflito sírio - parte 1

leia também Resumo do conflito sírio - parte 2

leia também Resumo do conflito sírio - parte 4

 

 

 

 

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Resumo do conflito sírio - parte 2, por Luís Garcia

 

  

resumo do conflito sírio p2.jpg 

Luís Garcia POLITICA  

Organigrama do conflito

Formato Original  Formato Reduzido

Os Inimigos e os aliados do Iraque, do Irão e da Rússia 

Agora vamos às linhas verdes e vermelhas, que é como quem diz, vamos analisar quem está em conflito com quem e quem apoia quem. Convém lembrar que, devido à inúmera quantidade de grupos e sub-grupos (sobretudo do lado da Oposição Síria) envolvidos neste conflito, quando afirmo que uma coligação de forças se encontra em guerra com alguém, não significa que todos os membros dessa coligação estejam presentes nessa determinada frente de batalha, principalmente por serem demasiado pequenos ou por encontrarem-se presentes em pequenas partes do território sírio. Por exemplo, o Partido Islâmico do Turquestão: acima já referi que a China tem um conflito latente com esta organização a qual, na Síria, enfrenta, por entre os aliados da Síria, a Liwa Fatemiyoun e o Hezbollah. Portanto, quando disser que a coligação pró-Síria está em conflito com uma determinada força, significa no geral que as forças armadas sírias mais algum (ou alguns) aliado(s) estão em conflito com alguém. Seria tarefa infinita (ler impossível) descrever ao pormenor todos os inimigos de todas as forças e todos os cruzamentos de forças em conflito.

 

Iraque (e Síria)

O Iraque encontra-se em guerra com o ISIS, apesar de ser um estado ocupado pelos EUA. Enquanto ocupante, a grande potência militar do planeta poderia proteger o Iraque e evitar que este fosse ocupado pelo ISIS (veja-se a título de exemplo a perfeita inviolabilidade do estado israelita, suposto inimigo número 1 de terrorismos islâmicos, durante os 5 anos do conflito). Mas não, o ISIS tem origem precisamente no Iraque, onde as forças armadas e a polícia do tempo de Saddam Hussein foram despedidas das suas funções a pedido de George Bush, O Ocupante. O resultado foram 2 milhões de homens com treino militar despedidos e prontos para serem seduzidos pelo ISIS, pela al-Qaeda e outras, essas criações norte-americanas (sunitas) que no Iraque iriam ter como principal função desestabilizar o poder democraticamente eleito no Iraque. Porquê? Porque com eleições ganha a maioria; a maioria é xiita; e os xiitas (iraquianos) são pró-Irão (país de maioria xiita). Aos EUA não lhes interessa a prosperidade iraquiana, apenas a sua importância estratégica como terreno para bases militares (úteis no cerco ao Irão) e zona de passagem de oleodutos e gasodutos norte-americanos.

 

O Iraque encontra-se em conflito com Al Qaeda (sunita) pelas mesmíssimas razões de desestabilização que interessam aos EUA.

 

O Iraque encontra-se em conflito com o Curdistão Iraquiano (estado vassalo-económico de Israel), o qual se aproveita do conflito entre o Iraque e os agressores terroristas (ISIS e al-Qaeda) para se apoderar de territórios historicamente árabes. Uma vez mais, na perspectiva dos EUA, o Curdistão Iraquiano serve de contrapeso ao poder das eleições democráticas, essa produto que os EUA adora exportar e que adora detestar quando os resultados democráticos são contrários aos seus interesses.

 

O Iraque encontra-se militarmente ocupado, a norte, pela Turquia, país que para aí se deslocou oficialmente com a desculpa de ir combater o ISIS. Não faz(ia) sentido nenhum, sabendo-se que precisamente graças à Turquia o ISIS pode durante muito tempo armar-se e vender o petróleo roubado à Síria e ao Iraque. Ou até faz sentido, mas apenas agora, na Turquia pós-golpe de estado falhado que, mais que combater o ISIS (não o faz, finge fazê-lo) que antes alimentava, ordena-o que saia do norte da Síria onde é substituído pela ocupação turca ilegal cujo o objectivo é impedir as forças curdas de capturar mais território sírio ao quase-morto ISIS. A conquista do norte da Síria pela Turquia em meia-dúzia de dias contra o ISIS é militarmente inverosímil, demasiado rápida, demasiado fácil, com perdas humanas e materiais quase nulas para os turcos... treta!

 

Paradoxal mas não tanto é a reacção sírio-russa, reagindo oficialmente nas Nações Unidas contra a ilegal invasão turca da Síria com "preocupação", sem contudo não desprezar o valor desta invasão turca que ordena a retirada do ISIS e que poupa homens, recursos e tempo dos russos e dos sírios na luta contra as Forças Democráticas Sírias (NATO e curdos) que ali tentam instalar um inventado Curdistão.

 

Voltando ao Iraque, aí a Turquia veio combater sim forças curdas, mas quais? O Curdistão Iraquiano tem um historial de boas relações políticas e económicas com a Turquia de Erdogan!. A Turquia entrou em 2016 no Curdistão Iraquiano para combater curdos turcos e curdos sírios, desde que estes últimos 2, aliados da Síria de al-Assad até então, se venderam à promessa norte-americana do tal estado independente curdo no norte da Síria. Até aqui, inclusive os curdos iraquianos (pró-Israel e pró-Turquia) eram inimigos dos curdos turco-sírios que combatiam pela Síria de al-Assad, Síria essa constantemente atacada pela força aérea de Israel e pelo ISIS (ler Turquia). Agora é difícil perceber de que lado estão os curdos Iraquianos que, recebendo os curdos sírios e curdos turcos no seu território (que lutam contra a Turquia), ao mesmo tempo continuam os seus negócios com a Turquia de Erdogan. Este ponto é impossível de entender!

 

Insisto, ainda sim: todas as forças curdas, ou pelo menos os seus comandantes, apoiam esse Cavalo de Tróia norte-americano composto por forças armadas de países da NATO, Austrália e forças curdas, e que dá pelo orweliano nome de Forças Democráticas Sírias (FDS). Objectivo dos EUA: criar o Curdistão Sírio independente, ou seja, dividir para reinar; ou seja, se não podem controlar a Síria inteira, os EUA ambiciona controlar parte, pois precisa mesmo de construir a porra do gasoduto proveniente do Catar! Mas todos os curdos? Não pode ser! É que voltamos à grande incompatibilidade: ao mesmo que a turca supostamente combate todos os curdos, a Turquia continua assinando acordos de parceria económica com o Curdistão Iraquiano relacionadas com a extracção de petróleo no Iraque, ainda há 2 semanas o fez. Mais um problema de incompatibilidades: temos neste momento a Turquia, membro da NATO, em guerra aberta com uma coligação de curdos e...  com países membros da NATO, o tal FDS! Há uns tempos encontrei aqui na China um ex-militar polaco que, coitado, ingénuo, me confirmou que também as forças armadas da Polónia se encontram ocupando (ilegalmente) o norte da Síria em apoio a essa anedota ilegal de FDS. Ele próprio esteve em combate na Síria durante meses. 

 

Isto tudo dá num duplo conflito de interesses: a Turquia é membro da NATO; o patrão da NATO é os EUA; o Iraque é um estado ocupado pelos EUA; e, ora essa, a Turquia entra militarmente nesse estado ocupado pelos EUA! E logo para quê! Para combater as várias secções curdas agora todas vendidas à promessa norte-americana de lhes criar um estado independente! A Turquia, com a desculpa de ir combater o seu aliado ISIS, e aliada dos EUA e membro da NATO, invade um estado vassalo dos EUA (Iraque) para destruir as forças que esperam criar um novo estado vassalo dos EUA, o Curdistão Sírio (que nunca chegará a existir, se tudo correr bem). Que absurdo se não fosse tão real!

 

Irão

O Irão, além de directamente envolvido na guerra da Síria e na resistência palestiniana à ilegal ocupação israelita, está em conflito de várias intensidades com Israel, EUA e os seus tristes vassalos. Por um lado sofre (ainda) parcialmente do desonesto embargo já referido acima e que é uma clara guerra económica com consequências graves para o Irão, 18ª economia do mundo (que por birra dos donos do mundo não faz parte do G20). Por outro lado, é vítima constante de terrorismo de estado de Israel e EUA. Nos últimos anos vários cientistas do programa nuclear iraniano foram mortos em atentados à bomba; mais, a central de enriquecimento de Natanz foi alvo de sabotagem através do vírus Stuxnet, o qual provocou a destruição de milhares de centrifugadoras contendo material radioactivo; mais, a totalidade do país e não apenas a central de Natanz são alvo potencial de guerra electrónica já preparada e prestes a ser usada a qualquer momento. Um óptimo resumo desta grave situação é o documentário norte-americano Zero Days cuja visualização aconselho vivamente.

 

Rússia

Turquia: toda a gente ouviu falar do avião de guerra russo abatido pela força aérea turca, certo? No entanto, como saber se o ataque foi uma decisão da Turquia ou antes a execução de uma ordem do seu patrão, os EUA? Tendo em conta o desenrolar dos acontecimentos durante e após o golpe de estado falhado contra Erdogan, a segunda opção parece-me a mais provável (ler o artigo Os golpistas turcos, os bárbaros gregos e os angélicos europeus). Ao que tudo indica, o golpe falhado contra Erdogan foi realizado pelas forças armadas turcas fiéis aos EUA com apoio dos EUA. Como se chega a tão alucinante conclusão? Simples, os militares turcos envolvidos no golpe falhado são oficiais da NATO (ler fiéis aos EUA). A Turquia fechou por completo a principal base dos EUA na Turquia, a base de Incirlig junto à Turquia onde se encontram os mísseis nucleares dos EUA apontados à Rússia e de onde saiam os caças da NATO para bombardear a Síria. Mais, o governo russo afirma que avisou horas antes o governo turco do golpe que estava para chegar. Se o fez, informar a Turquia que meses antes abatera um caça russo, é porque teria algo a ganhar com isso: sabotar um golpe dos EUA e capturar a submissão de Erdogan com tão preciosa ajuda. Mais, os pilotos turcos que haviam atacado o caço russo voaram a partir de Incirlig e estavam às ordens da NATO (ler EUA). Depois do golpe falhado... sim, foram ambos presos a pedido de Erdogan. O padrão compõe-se, não? E veja-se as consequências: Erdogan pediu desculpa à Rússia pelo caça abatido, ambos os países reataram as negociações para a construção do oleoduto Turkish Stream e a Turquia ordena ao ISIS que saia da Síria! 

 

Outra frente em que a Rússia está envolvida é a luta contra o terrorismo islâmico dentro das suas fronteiras. No Cáucaso russo encontram-se várias organizações terroristas como o ISIS, a al-Qaeda ou Emirado do Caúcaso. Ao combatê-las na Síria, junto às Forças Armadas da Síria, tenta eliminar o mal à distância, mostrando que a presença russa na Síria, mesmo que se devendo a altruísmo, deve-se sobretudo ao pragmatismo russo ao serviço da integridade e segurança da Federação Russa.

 

Destaco só mais uma frente envolvendo a Rússia: a Ucrânia pós golpe de estado do FMI e dos EUA. No final de 2013 o democraticamente eleito governo ucraniano de Yanukovich assinou um enorme acordo económico com Putin, em detrimento de um outro proposto pela União Europeia. Quando digo que Yanukovich foi eleito democraticamente, quero dizer que a maioria dos seus cidadãos optaram pelo partido dele, independentemente de ser corrupto ou não, independentemente de ter casas de banho com torneiras em ouro ou não, como regurgitavam sem cessar as ovelhas do EuroMaidan que apelidavam Yanukovich de ditador! Voltando ao acordo russo-ucraniano, este, por entrar em conflito com os interesses norte-americanos de cerco e isolamento militar e económico à Rússia, tinha de ser abortado fosse como fosse. Como é hábito, e em poucos dias, as células Gladio (forças secretas da NATO)  adormecidas por essa Europa fora, e também na Ucrânia, criaram um farsa de revolução que acabou com a demissão de Yanukovich e com a instalação no poder de uma explosiva ditadura rússofoba composta por funcionários do FMI (vários nem sequer ucranianos de nacionalidade), grupos de extrema-direita NAZI's, ultra-conservadores religiosos e máfia ucraniana. Resultado: caça aberta e oficial aos russos, interdição de se falar russo em locais públicos, nova constituição imposta em menos de 3 horas, e por aí fora. Não podendo deixar ao abandono (de acordo com a constituição russa) os milhões de russos de nacionalidade ucraniana perseguidos (sobretudo na Crimeia quase exclusivamente habitada por russos) e não podendo perder a sua estratégica porta de entrada no Mar Mediterrâneo que é a sua base naval na Crimeia, a Rússia ocupou militarmente a Crimeia e ofereceu um referendo aos habitantes russos que, sem surpresas, votaram pela reintegração à sua antiga pátria. Se não o fizesse, fechava-se por completo o cerco da NATO-EUA ao ocidente da Rússia e a base naval da Crimeia nas mãos dos EUA seria como se a Rússia abrisse uma base naval nas Baamas ou na fronteira México-EUA.

 

Outro ponto sobre a Ucrânia que diz respeito à Rússia: a Ucrânia desde então vende armamento leve e pesado à Turquia, Barém, Catar e Arábia Saudita, os quais por sua vez os distribuem pelas suas organizações terroristas na Síria (ISIS, al-Qaeda, Exército de Libertação Sírio, etc.). Pior, vários documentos filtrados provam que a Ucrânia tem vendido ao Catar bombas de modelo russo/soviético incompatíveis com os caças de guerra norte-americanos da força aérea do Catar mas, e não é coincidência não, idênticas às bombas que os caças russos usam nos bombardeamentos ao ISIS e outros grupos terroristas. Daí a vermos na RTP ou no Público freedom fighters (mercenários terroristas) mostrando pedaços de bombas de fabrico russo como prova que a força aérea russa bombardeia apenas, exclusiva e maquievelicamente criancinhas, velhinhos e incapacitados... é um pequeníssimo passo de propaganda de enorme efeito sobre manadas e ovelhadas...

 

Para acabar com a Ucrânia no que à Rússia diz respeito, é um facto comprovado que o governo do primeiro oferece terreno para campos de treinos a mercenários islâmicos em parceria com a Turquia (acredito que a situação tenha mudado após o golpe falhado na Turquia, mas não há notícias que neguem ou confirmem tal suposição), grupos que confrontarão as forças russas quando voltarem para a Síria e que ultimamente têm cometido ataques e actos de sabotagem contra a Crimeia agora russa.

 

Na próxima parte vamos ao centro da questão: quem está em guerra com a Síria legítima, a governada por al-Assad.

 

Luís Garcia, 08.09.2016, Chengdu, China

 

 leia também  Resumo esquemático do conflito sírio

leia também  Resumo do conflito sírio - parte 1

leia também Resumo do conflito sírio - parte 3

leia também Resumo do conflito sírio - parte 4

 

 

 

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Resumo do conflito sírio - parte 1, por Luís Garcia

 

  

resumo do conflito sírio p1.jpg

Luís Garcia POLITICA 

Antes de começar a leitura deste artigo, aconselho-os a analisar o organigrama que preparei para o artigo anterior:

Formato Original Formato Reduzido

 

 

 

 

Por razões práticas irei, neste artigo, analisar o organigrama começando pelo canto superior direito (Países Aliados da Síria), e daí seguirei em círculo no sentido dos ponteiros do relógio até acabar no centro (Oposição Síria):

ordem.jpg

Países Aliados da Síria

Países aliados da Síria são aqueles que de alguma forma contribuem para a permanência ou fortalecimento do poder legítimo da Síria, ou seja, o governo de Bashar al-Assad (democraticamente eleito em 2014). Cuba destaca-se pela sua humanitária contribuição de equipamento médico e medicamentos. A Bielorrússia vende armamento ao governo sírio enquanto este combate as forças invasoras. Várias fontes afirmam sem provas que também Cuba, Venezuela, Coreia do Norte e outros fornecem armamento ao governo sírio.   

Cuba Bielorússia Iraque China

Incluo o Iraque na lista de aliados pois este e a Síria foram ambos invadidos pela Turquia e são ambos vítimas do terror do ISIS, al-Qaeda e outras organizações terroristas criadas pelos EUA, embora esteja ciente que o Iraque, enquanto país ocupado militarmente pelos EUA (um estado vassalo dos EUA portanto), poderia num determinado contexto  de coacção ser considerado um inimigo da Síria. Do governo do Iraque, estado ocupado pelos EUA, é de esperar que respeite submissamente o governo norte-americano. No entanto, a sua maioria xiita que de forma sistemática ganha as eleições democráticas, é obviamente pró-Irão (país xiita) e, em consequência, pró-governo de al-Assad, visto que o Irão apoia oficialmente o governo de al-Assad. O apoio do Irão à Síria nada tem a ver com religião (um é xiita, outro laico com governantes de várias religiões), é um apoio de cariz político e geoestratégico. Temos assim dois países (Iraque e Síria) ocupados por países ocidentais e atacados por organizações terroristas criadas no ocidente que naturalmente se aliam entre si e ambos com o Irão.

 

A China, embora tenha negado durante muito tempo, fornece ajuda humanitária, treino militar e treino de uso de equipamento militar chinês às forças armadas da Síria. Provavelmente fornecerá mais que treino, mas não existem factos disponíveis para o comprovar. Devido à arrogância imperialista dos EUA que tem ousado nestes últimos meses crescer exponencialmente as suas forças militares destacadas em torno da China, fazer enormes simulacros de guerra às portas da China e, sobretudo, violar o espaço aéreo e marítimo chinês de forma constante, o governo chinês decidiu-se por convidar formalmente o governo russo a criar uma "força militar anti-NATO conjunta". Como consequência imediata, é de esperar que a China aumente o apoio à Síria ou mesmo que se junte à coligação pró-Síria, também juntando-se assim à Rússia na restrita lista de estados com meios (e vontade?) para parar futuras iniciativas bélicas da polícia mundial, isto é, EUA e seus vassalos.

 

A China, embora por vezes pareça fazer crer ao mundo que não sabe, é país de origem de uma organização terrorista criada pelos EUA para provocar o mesmo de sempre: movimentos independentistas em países onde haja recursos economicamente exploráveis. O grupo auto-denomina-se Partido Islâmico do Turquestão, é a ramificação da al-Qaeda na China, é aliada do Exército de Libertação Sírio dentro da coligação de forças da Oposição Síria e é famoso pela destruição de igrejas cristãs na Síria.

Partido Islâmico do Turquestão  

Coligação pró-Síria

A coligação pró-Síria é a única coligação legal neste conflito de acordo com as normas internacionais pois, para que se possa instalar forças militares de um país dentro das fronteiras de outro, há que ter uma autorização decretada na ONU ou receber, do país onde se enviarão as forças militares, um pedido oficial de apoio militar.

 

Dela fazem parte dois estados além da Síria: a Federação Russa e o Irão 

Rússia Irão

 

A Rússia, como afirmou várias vezes Putin com todo o pragmatismo,  durante os primeiros anos desta guerra de proxy (dos EUA e companhia) contra a Síria não pode se envolver directamente por falta de meios técnicos e financeiros. Por estas mesmas razões a Líbia e Gadafi não chegaram a receber ajuda russa. Conforme foi modernizando e reconfigurando as suas forças armadas, a Rússia foi aumentando a sua ajuda ao governo sírio, que nos primeiros anos do conflito se resumia a informação de intelligentsia, treino de militares e envio de equipamento. O ponto de inflexão para uma participação aconteceu em 2013 quando Obama e a sua orquestra de mentirosos compulsivos criaram a "linha vermelha" ultrapassada por al-Assad com os ataques químicos que não cometeu. Putin, para evitar a invasão dos EUA e aliados, ofereceu-se para monitorizar a destruição do armamento químico sírio, uma brilhante manobra de xadrez político que retirou aos EUA e aliados o pão da boca, ou seja, ficaram desarmados, sem argumentos que justificassem perante a opinião pública mundial uma forçada invasão da Síria. 

 

Com a sua base naval de Tartus em território sírio, em Setembro de 2015 por fim a Rússia entrou directamente no conflito. Além de atacar as forças invasoras terroristas, como o ISIS e os inúmeros grupos pertencentes à Oposição Síria, a força aérea russa mostrou ao mundo (com imagens e vídeos a cores) a frota de milhares de camiões transportando o petróleo roubado à Síria pelo ISIS a caminho da Turquia e atravessando a fronteira turco-síria. Mas o mundo não quis saber, como também não quis perceber como esse petróleo era transportado até à costa sul turca, junto a Adana, de onde era enviado para Israel, e daí para a Europa. A força aérea russa não só mostrou as imagens deste escandaloso "mercado negro" de petróleo sírio roubado por turcos e israelitas e consumido por europeus, como também destruiu e mostrou as imagens que provam a destruição deste "mercado negro". No entanto, nos media ocidentais a Rússia "bombardeava civis" enquanto os EUA por estranhíssima coincidência começava "a bombardear" os tais comboios de camiões de petróleo do seu órgão de terror chamado ISIS.

 

Com a participação activa e perdas de vidas russas na libertação de Palmira das mãos draconianas do ISIS, a Rússia mostrou ao mundo que não só não estava na Síria para bombardear criancinhas e velhinhos oprimidos pelo "sanguinário al-Assad", como era o primeiro país a mostrar-se capaz de eliminar com eficácia as forças do ISIS e conquistar território e cidades a este. Uma vez mais o mundo não quis saber, e a Rússia, aos olhos dos media ocidentais, continua a ser aliada de al-Assad na caça às criancinhas, sobretudo aquelas sentadas em sofás cor-de-laranja pousando forçadas para uma abutre máquina de propaganda.

 

Hoje a Rússia está em todas as frentes com o exército sírio e ataca as forças invasoras a partir da Síria e do Mar Mediterrâneo, e à distância a partir do sul da Rússia (Ossétia do Norte), do mar Cáspio e, ultimamente, de uma base militar no Irão (em Hamadan), mostrando aos EUA que está pelo menos ao nível destes num conflito convencional. Nestes ataques à distância, mais que destruir forças terroristas, a Rússia mostra aos EUA que este não pode mais ganhar uma guerra convencional contra a Rússia, que é como quem diz, que os EUA têm de aceitar uma nova realidade na qual só invadirá países se a Rússia (e a China) o permitirem.

 

Outra realidade que vão ter de aceitar é a cada vez mais estreita relação entre Rússia e Irão, com os iranianos libertando o espaço aéreo aos mísseis de cruzeiro russos (Irão e também o Iraque, daí as 2 linhas verdes no organigrama ligando as bandeiras destes à da Rússia) e emprestando uma base militar à Rússia, e com os russos que por fim entregaram ao Irão os sistemas anti-mísseis S-300 há muito encomendados e que tornam o Irão quase invulnerável a ataques supressivos israelitas e/ou norte-americanos.

 

Quando no verão de 2016 se assinou o histórico acordo EUA-Irão, meio mundo acredito que vinha aí a paz para a Síria. Eu também, que inocência! Mas não, os EUA não desistiram na altura e ainda não desistiram hoje. Os EUA estão 100% compremetidos na utilização do caos de forma a dividir para reinar na Síria, onde quer construir e fazer passar pelo menos um gasoduto vindo do Bahrein. As duas grandes mudanças após esse acordo foram portanto a eliminação (parcial) do embargo de EUA e vassalos ao Irão e a submissão do Irão à vontade ilegítima dos EUA de congelar parcialmente o programa nuclear iraniano. É injusto, sem dúvida, o Irão tem todo o direito de desenvolver tecnologia nuclear enquanto estado signatário do Tratado de Não Proliferação de Aramas Nucleares, ao contrário de Israel que não assinou e que consequentemente não tem direito sequer a tecnologia nuclear civil (pese embora tenha centas de ogivas nucleares! É o mundo em que vivemos, governado pela lei do mais forte, pois claro. Voltando ao ponto principal, a destruição da Síria continuou, multifacetada, como planeada. O Irão continuou com o seu apoio militar à Síria e hoje já ninguém (do lado sírio e iraniano) esconde a participação activa de generais iranianos que comandam em campo batalhões palestinianos e sírios, tendo inclusive morrido em território sírio vários vítimas de ataques aéreos ilegais do ilegítimo estado de Israel .

 

Além do apoio militar das forças armadas iranianas e da participação directa de generais iranianos no campo de batalha, existem na Síria outras duas forças iranianas, a Liwa Zainebiyoun e a Liwa Fatemiyoun, ambas recebendo salários, treino militar e apoio logístico do Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica (Irão). A primeira é composta sobretudo por paquistaneses residentes no Irão, a segunda por afegãos residentes no Irão e na Síria.

Liwa Zainebiyoun Liwa Fatemiyoun

As forças geridas pelo governo de al-Assad, país alvo desta guerra de proxy com os EUA e aliados, é obviamente o maior contribuinte para o esforço de guerra da Síria. Além das Forças Armadas da Síria (com serviço militar obrigatório em tempo de guerra), o governo de al-Assad controla também as Forças de Defesa Nacional, forças especiais compostas por voluntários sírios muito bem-treinados, pagos e motivados a defender a legalidade do estado sírio, em parte provenientes da Reserva das Forças Armadas da Síria.

 Forças Armadas Sírias Forças de Defesa Nacional 

Fora do controlo do governo de Al-Assad, mas aliados na guerra contra a invasão estrangeira, encontram-se várias outras organizações (as quais chamo de Forças Sírias no organigrama), muitas delas opositoras ao governo de al-Assad em tempo de paz e que no contexto de um invasão estrangeira disfarçada de guerra civil decidiram defender a soberania e a integridade do seu país aliando-se aos seus adversários políticos. Destaco duas forças, o Partido Social Nacionalista Sírio e a Resistência Síria pelo sua constante participação no combate ao terrorismo e belicismo dos EUA na Síria.

Partido Social Nacionalista Sirio Resistência Síria

Por fim, existe ainda um conjunto de poderosas forças palestinas que têm desenrolado um papel essencial na reconquista e libertação da Síria. Ao contrário do que os nossos media ocidentais habituais produtores de mentiras nos quiseram fazer crer, não só as forças armadas sírias não cometeram massacres contra refugiados palestinianos nos arredores de Damasco (E desde quando se preocupam os media ocidentais com massacres de palestinianos? Ora essa!), como também são apoiados por palestinianos residentes pelo menos na Síria, Líbano e Palestina. O Hezbollah destaca-se pelo seu poder, pela quantidade de tropas oferecidas no apoio à Síria governada por al-Assad e pela quantidade de vidas palestinianas já perdidas na Síria (muitas vezes vítimas de ataques aéreos israelitas). A lista de forças palestinianas que combate lado a lado com as Forças Armadas d Síria é grande, e nela incluem-se, entre outras, o Exército de Libertação da Palestina, as Brigadas Baath, a Liwa Al-Quds e a Fatah al-Intifada.

Hezbollah Exército de Libertação da Palestina  Brigadas Baath Liwa Al-Quds Fatah al-Intifada

Luís Garcia, 07.09.2016, Chengdu, China

 

p.s.: Hoje, 8 de Setembro, enquanto preparava a 2ª parte do artigo, soube através de medias online que um navio de guerra chinês, com tanques de guerra e militares chineses dentro, se encontra a caminho da Síria!

 

 leia também  Resumo esquemático do conflito sírio

leia também Resumo do conflito sírio - parte 2

leia também Resumo do conflito sírio - parte 3

leia também Resumo do conflito sírio - parte 4

 

 
 

 

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Claire Fighiera

Claire 200JPG.jpg

Claire Fighiera, França

 

Artigos:
 

Tailândia, o país do sorriso

Laos, o pesadelo do viajante

Lettre aux prieurs “Pour Paris”

Qui sont les "haters"?

Le franc CFA, instrument d'asservissement des pays africains

Voix insoumises - Pierre Le Corf 

Vozes Insubmissas - Pierre Le Corf 

 

Traduções:
 

Opération Mali (1/4) (Luís Garcia)

Opération Mali (2/4) (Luís Garcia)

Putin, le maître de la diplomatie-échecs  (Luís Garcia)

Contre L'opinion (Ricardo Lopes)

La culture de l’attention et du consumérisme (Ricardo Lopes)

Les gens déprimés (Ricardo Lopes) 

- Désespérance médiatique (Luís Garcia)

Haut-Karabagh (Luís Garcia)

Voix insoumises - Eva Bartlett (Luís Garcia)

Syrie: qui croire? (partie 1) (Luís Garcia)

-  Voix insoumises - Vanessa Beeley (Luís Garcia)

Fake news: le pauvre petit garçon dans le fauteuil orange (Luís Garcia)

Syrie: qui croire? (partie 2) (Luís Garcia)

- Syrie: qui croire? (partie 3) (Luís Garcia) 

 

Redes sociais:
 

Facebook: Claire Fighiera

GoodReads: Claire

Couchsurfing: louqueza

Wordpress: Living A Nomad Life

Youtube: Nomad Life

 

Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas

Resumo esquemático do conflito sírio, por Luís Garcia

 

  

Luís Garcia POLITICA 

siria-1500x1150.jpg

 Clique na imagem acima para expandir
Clique aqui para baixar imagem original (7500x5700, 8Mb)
Clique aqui para baixar imagem reduzida (1500x1150, 1Mb)

 

Não, não se assustem, não vou largar aqui este organograma sem o explicar. O próximo artigo será uma análise alargada a todas as forças, tipos de forças, interacções e tipos de interacções representados no organograma acima. Resumido e muito é o organograma em si, pois seria tarefa quase infinita e inútil representar todos as forças envolvidas no conflito assim como todas as interacções e sub-interacções que existem. Detalhes do género virão portanto por escrito no próximo artigo!

 

Luís Garcia, 02.09.2016, Chengdu, China

 

leia também  Resumo do conflito sírio - parte 1

leia também Resumo do conflito sírio - parte 2

leia também Resumo do conflito sírio - parte 3

 

 

 

 

 

 
Vá lá, siga-nos no Facebook! :)
visite-nos em: PensamentosNómadas