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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

O meu empirismo é melhor do que o teu

 

 

RICARDO MINI copy SOCIEDADE  

 

"O meu empirismo é melhor do que o teu / ou porque é que a ciência nunca há de ser popular"

 

Para começar, não venho aqui ser moralista. E, precisamente por isso, é que vou falar da tia Mariazinha. E, perguntam vocês, quem é a tia Mariazinha? Ora, a tia Mariazinha é uma personagem fictícia que eu acabei de batizar, para servir de personificação da grande matriarca latina que, para toda a gente que tem avós vivas, é a grande fonte de sabedoria inesgotável e de julgamento moral infalível. Uma espécie de papa, só que normalmente com muletas e diabetes tipo II, porque esta espécie de papas não tem acesso fácil a clínicas de renome nem pode mobilizar grandes especialistas mundiais para a dissuadir de manter uma dieta farta-brutos, que é aquela que inculcou aos netinhos, e também é por isso que papam tudo o que a tiazinha, que é uma espécie de tia-avó, diz.


A tia Mariazinha, para além de já ter sido operada aos joelhos duas vezes e de ter comido mais bolos do que devia, entre lambidelas que foi dando às colheres que usava para os preparar para os filhos, netos e bisnetos, é também a personificação do argumento preferido dos ignorantes. É a personificação da argumentação empirista. É a cartada dos tasqueiros que dizem "Eu sei, porque...", "Eu vi, por isso...", "Eu conheço, porque...", "Conheço não sei quem que disse que...", "Quem vive no sítio é que sabe, porque...". Basicamente, e evitando ser afrontivo, é o argumento que todos nós usávamos nos recreios da terceira classe. Vá, terceiro ano, que o Estado Novo já passou, e tudo pode ser usado para me chamar de fascista. Isto porque este tipo de argumentação falaciosa nunca vem sozinha. Ou seja, nunca é um relato seco nem frio de um episódio ou da experiência pessoal. Vem sempre temperado da estupidez do próprio ignorante que o profere. Por isso, é que quando andávamos na terceira classe (terceiro ano, vá), inventávamos histórias mirabolantes acerca de tudo o que nos dissesse respeito. E, neste caso, é exatamente igual. Com uma agravante. É que na terceira classe (terceiro ano, foda-se), nunca, mas nunca, as nossas mentiras implicavam consequências graves. Depois de adultos, para além de provavelmente nos colocar automaticamente ao nível do frequentador médio dos cursos de Novas Oportunidades e de quem ficou contente por ter recebido um Magalhães para ver pornografia, normalmente tem segundas e terceiras leituras graves do ponto de vista social.


Pior ainda, quando nos convencemos que a nossa tia Mariazinha tem mais razão do que a tia Mariazinha do vizinho, que claramente não sabe fazer um bom pão-de-ló, mas da qual, na verdade, temos inveja, porque faz uns rissóis de peixe do c******.


Vou dar um exemplo. Há por aí agora muito pessoal dito de esquerda que, há uns meses atrás, mandava abaixo tudo quanto a tia Mariazinha dos xenófobos dissesse contra os refugiados, porque a tia Mariazinha dos xenófobos obviamente nunca tinha saído da bidonville, muito menos tinha contacto com estudos sociológicos ou informação relevante acerca do assunto. Simplesmente, tinha a vida inteira ouvido os pais, os avós e os amigos a repetirem a mesma conversa, que todos acabavam por aprender e disseminar. Mais, nessa altura, eram todos uns grandes entendidos em sociologia e geografia política.


Agora, quando a ameaça já não são os refugiados para a tia Mariazinha dos xenófobos, que, na sua cabeça, era uma ameaça perfeitamente real e legítima, mas passou a ser a das extremas direitas dos diversos países que se querem aproveitar do Brexit, porque claramente na UE não há extrema direita nenhuma, a nossa tia Mariazinha é que tem razão. A deles continua a não ter. Mas, desta vez, já nem precisamos de estudos nem notícias. Basta chamar a tia Mariazinha, que ela discorre logo sobre tudo o que é necessário para perceber o Brexit, à la "Brexit para Totós", que é o único tipo de literatura que os fascistas que são a favor do Brexit podem assimilar, ainda que os acusemos de serem uns ignorantes por preferirem dar atenção aos tais estudos sociológicos e termos técnicos que, ainda há meses, esgrimíamos contra a tia Mariazinha dos fascistas.


O problema? É que, tal como no filme do César Monteiro, nenhuma tia Mariazinha ganha nem tem razão, porque o que a tia Mariazinha quer mesmo é montar chiqueiro à janela:

 

 

Ricardo Lopes

 

 

 
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Mania das grandezas

 

 

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RICARDO MINI copy   Enciclopédia Portuguesa dos Bons Costumes   RICARDO MINI copy

  

Mania das grandezas combinado com mesquinhez combinado com inveja do caralho: quando tens a puta da mania que consegues suportar pagar todos os bancos privados do teu país, estádios novos para usar num mês de competição de futebol, 17 quilómetros de feijoada para inaugurar uma ponte, para festivais de verão e bater recordes atrás de recordes relacionados com comida e arraiais, mas queixas-te quando querem dar um novo subsídio aos pobrezinhos.
Aí ficam mais exemplos:

 

Ricardo Lopes

 

 

 
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Sebastianismo

 

 

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RICARDO MINI copy   Enciclopédia Portuguesa dos Bons Costumes   RICARDO MINI copy

  

Sebastianismo: quando um puto estúpido armado em bom e em esperto comanda um grupo de atrasados mentais, que acha que sabe combater só porque outrora nasceu no mesmo espaço limitado artificialmente alguém que, de facto, o sabia fazer, contra forças estrangeiras, é dizimado, é líder de um "império" mas é completamente destruído por forças estrangeiras consideradas mais fracas, e o que é que o pessoal decide fazer? Votá-lo ao desprezo? Ridicularizá-lo? Ainda por cima, porque por causa dessa estupidez, deixou o país 60 anos sob o domínio dos Felipes e foi-lhe dedicado um dos livros mais alucinados alguma vez escrito por um zarolho que antecipou o advento da internet, porque não queria ter relações reais com nenhuma mulher de carne, mas passava a vida a ter sonhos molhados com semi-deusas...


Não!


Porque o menino é português, e porque é um cagão como nós, um gajo porreiro armado em esperto como nós, não só vamos ter saudades dele, como vamos esperar que ele retorne do Além para nos devolver a grandeza (que nunca tivemos) merecida (not).


Basicamente, o mesmo que vai acontecer neste Europeu de futebol.


Quanto aos personagens aos quais corresponde cada papel, pensem um bocadinho.

 

Ricardo Lopes

 

 

 
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O assédio moral no local de trabalho é anti-capitalista

 

 

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Num contexto económico e empresarial em que o lucro é tudo, o assédio moral no local de trabalho não só é economicamente irracional, como é uma espécie de suicídio económico

 

  SOCIEDADE ECONOMIA

 

O assédio moral no local de trabalho é tão antigo como o próprio trabalho. E por ser tão antigo, os mecanismos normalmente utilizados são bem conhecidos. O principal e o preferido por todos os superiores hierárquicos que optam por ter uma atitude autocrática é o velho princípio do “dividir para reinar”. Este princípio apoia-se na crença de que o poder de um pode ser assegurado através da fragmentação do poder partilhado por outros ou do impedimento ao estabelecimento de alianças entre aqueles que se lhe opõem, na realidade ou num plano imaginário.

 

Tem os seus seguidores desde os tempos clássicos e foi defendido, por muitos, como estratégia militar e mecanismo de gestão das relações humanas nas suas mais variadas dimensões e cambiantes, até aos dias de hoje. Os seguidores desta crença, com uma fé inabalável nos resultados que desejam obter e com muito pouca ou nenhuma fé na inteligência dos demais e na sua clarividência, vão semeando a desconfiança entre os seus potenciais rivais, recorrendo a esquemas que vão desde a intriga comezinha à difamação e à infâmia, vão usando manobras de diversão e linguagem ambivalente e ambígua para esgotarem os seus alvos esperando que estes, confusos, comecem a disparar em todas as direcções e que, por fim, soçobrem, sozinhos, isolados e desconcertados.

 

Este modus operandi é, normalmente, reforçado por estratégias de humilhação, de intimidação, de ameaça, de perseguição e de menorização dos indivíduos e, ao aplicá-lo à gestão de recursos humanos e de equipas de trabalho, na realidade, os gestores acabam por cometer um verdadeiro atentado à lógica capitalista que preside à organização de qualquer empresa que tenha como objectivo continuar a operar num sistema capitalista, claro está.

 

E passo a explicar. A quimera da racionalidade aplicada às actividades económicas defendida pela lógica capitalista é a da maximização dos lucros. Os lucros maximizam-se privilegiando atitudes que minimizam os custos. Falemos então de custos. Num artigo recentemente publicado na Forbes, o autor, que se apoia em vários estudos levados a cabo em diferentes países, demonstra que o bullying no local de trabalho conduz à perda de muitos milhões anualmente. Porquê? Porque tem como efeitos a baixa produtividade, o elevado absentismo, um nível de motivação diminuto por parte dos empregados. Tudo isto resulta num decréscimo das receitas e aumento das despesas. Em suma, os “patrões” que assediam moralmente os seus “colaboradores” atentam contra a própria empresa e colocam em risco as contas bancárias que tanto prezam.

 

Não está aqui em causa a necessidade de os superiores hierárquicos empreenderem uma reflexão acerca do seu conceito de natureza humana nem terem “A Teoria dos Sentimentos Morais” como livro de cabeceira. O que seria importante sublinhar, num contexto económico e empresarial em que o lucro é tudo, é que o assédio moral no local de trabalho não só é economicamente irracional, como é uma espécie de suicídio económico do empregador/ gestor/ director que, em última instância, conduzirá a empresa que gere ou da qual é proprietário, à implosão. E mesmo que, entretanto, ainda não o tenha feito, o lucro que poderia obter seria ainda mais elevado caso não insistisse em assumir a atitude de déspota não-esclarecido que faz jus em encabeçar uma cultura empresarial tóxica. E considerações económicas à parte, é sempre bom lembrar que o assédio moral no local de trabalho é crime e que, como tal, tem e deve ter consequências legais para além daquelas estritamente financeiras.

 

Ana Leitão

 

 

 
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O visto sírio e o visto iraniano - E.U.C. II

 

 

ESTADOS UNIDOS DA CHINA - II

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Luís Garcia SOCIEDADE POLITICA  Estados Unidos da China  

 

Passa-se muita merda pró-EUA aqui na China, mas esta é mesmo demais:


Há um mês atrás, quando fiz o pedido de extensão de visto de turismo aqui na China, as autoridades locais embirraram com os vistos que tenho da SÍRIA e do IRÃO no meu passaporte, sobretudo com o do Irão, e queriam à parva saber o que andei lá a fazer, sabendo que o Irão "anda a tentar produzir armas nuclear"? Como Assim!?!


Na semana passada fui tratar do visto business que permite ficar legalmente na China durante 1 ano. E sim, voltaram a falar do IRÂO! Porquê Irão? E riram-se da minha fotografia com "barba grande e cara de mau" visto que aparentemente lhes fazia pensar em terroristas!?!


Mas por favor, por que raio num gabinete de um órgão oficial da administração chinesa, um país aliado do Irão, me perguntam o que andei eu a fazer no Irão, sabendo que eles "têm" um programa nuclear, e que são feios, porcos e brutos, e mais sei lá o quê!?!


É que, em primeiro lugar, perguntas de resposta única tiram-me do sério: tivesse eu ido ao Irão por "boas" ou "más" razões, a minha resposta seria sempre "boas razões", ora essa, que gente tão simplória, que raciocínio tão rudimentar!

 
Em segundo lugar, o Irão é um ALIADO, uma porra de ALIADO da China, que raio de conversa! Neste momento há tropas iranianas treinando tropas sírias com tecnologia militar chinesa! Dizer o quê? Que estes trogloditas analfabetos são funcionários públicos, recebem salários do governo chinês e, por artes mágicas da imbecilidade humana, regurgitam não uma possível propaganda do estado chinês, mas sim propaganda gasta e doentia do Império do Caos e da Barbárie (ler EUA) sobre um país (Irão) aliado da China!


Concluo, para meu profundo desgosto, que os chineses, tal como os restantes asiáticos, são uns hiper-lobotimizados-deficientes-mentais-robôs-trogloditas-beija-cus-dos-EUA-e-adoradores-da-merda-ocidental. Mas, insisto, no resto da Ásia, tal como afirmei no artigo anterior (ler aqui), é compreensível que sejam tudo isso dado o facto adquirido que todos esses países são estados vassalos e submissos do Império do Caos e da Barbárie. Agora a CHINA, Por que raio gente de um país à beira da guerra nuclear com os EUA aceita propaganda norte-americana anti-Irão, seu aliado estratégico? Come merda ao pequeno almoço esta gente?

 

No mês passado 3 navios de guerra dos EUA entraram em águas territoriais chinesas e passaram a 12 milhas náuticas de uma base naval chinesa (ler:‘US Playing With Fire by Repeatedly Poking China in the Eye’ in S China Sea)! Mas tudo bem, a malta parece não se importar muito com isso! Este mês 1 caça de guerra norte-americano entrou no espaço aéreo chinês sobrevoando cidades onde moram milhões de chineses! Mas tudo bem, a malta parece não se importar mesmo nada com isso! Felizmente no governo chinês há gente sensata que não se deixa cair nos bárbaros convites de conflito nuclear com que os EUA presenteiam regularmente a China. Quanto há populaça bajuladora da merda norte-americana... querem lá saber! Pelo contrário, quando apanham um estrangeiro como eu dizendo tudo isto e defendendo a China (ao contrário dos chineses), parvamente ficam incomodados com as minhas palavras (na visão deles) anti-norte-americanas e insistem em afirmar, em bom inglês, que os EUA são o país da democracia e da liberdade! Ahhhh, como é possível ser-se tão irracional!

 

E portanto, voltando ao assunto dos vistos, claro que o problema é o Irão e o frasco de urânio enriquecido que tenho aqui escondido no bolso e que não mostrei porque sou mesmo muito manhoso! Pois claro, que outra razão me poderia levar a visitar o Irão, esse bárbaro país que nunca invadiu nenhum outro, e que várias vezes nos séculos XX e XXI foi vítima do terrorismo de estado dos EUA, Inglaterra e Israel na forma de guerras (Irão-Iraque), de golpes de estado (Operação Ajax) ou de atentados terroristas contra civis (cientistas nucleares mortos à bomba)? Que outra razão?Arquitectura única, história de milénios, infinidade de atracções arqueológicas? Qual quê, se não têm Starbucks nem MacDonalds naquele cu-de-judas, claro que um português visita o Irão única e exclusivamente no intuito de traficar urânio enriquecido para fazer uma mini-bomba nuclear no seu quintal, durante as horas vagas! Até porque o que mais se vende quase dado nos bazares iranianos... é urânio enriquecido, pois claro!

 

Agora a sério, o Irão não tem nem nunca teve um programa nuclear militar! Sim, sei que muitos afirmam o contrário, quais ovelhescas grafonolas, mas enquanto não vierem com as provas (que não existem) eu, objectivamente, não engulo essa mentira tantas vezes repetida no contínuo processo de a tornar em verdade! Sobretudo quando os mesmo que o fazem, negam-se a admitir que Israel obteve e mantém de forma ilegal bombas nucleares, facto objectivamente comprovado. Têm sim um programa nuclear civil, legal, dado que, ao contrário de Israel, o Irão é signatário (original) do Tratado de Não-proliferação de Armas Nucleares.

 

E mais a sério, como é que alguém pode, sendo um ser-humano em pleno controlo das suas capacidades intelectuais, sequer colocar a hipótese (na China ou onde quer que seja, num estado vassalo dos EUA) de fazer perguntas sobre um (suposto) programa nuclear militar de um determinado país a um cidadão de um outro país que entrou naquele com um visto de turismo!?!? E quê, a China tem armas nucleares a pontapé, querem ver que quando visitar as Filipinas me hão de questionar sobre o assunto? E quando apanhar um voo de França para o Brasil, tenho de assegurar às autoridades brasileiras que não trago urânio enriquecido gaulês no bolso? E se um dia visitar o Império do Caos e da Barbárie? Poderei a partir de então ser torturado pelas autoridades japonesas acerca do porquê da destruição de Hiroshima e Nagasáqui com bombas nucleares norte-americanas? Mas está tudo doido nestes Estados Unidos da China ou é só impressão minha? Que cambada de cromos! 

 

Enfim, enquanto os EUA vão destruindo à força a Síria com as suas organizações terroristas e as suas bombas, enquanto os EUA contínua com as suas sanções anti-Irão e roubos de biliões de dólares às contas bancárias iranianas no estrangeiro, as forças armadas chinesas em colaboração (não só mas também) com as forças armadas iranianas vão fazendo o possível para travar o tresloucado terrorismo norte-americano na Síria, e enquanto tudo isto se passa, saio à rua aqui em Chengdu e vejo a bandeira dos EUA em todo lado, em t-shirts (por vezes com US ARMY ou US NAVY escrito), em scooters, em bonés, em máscaras anti-poluição, em painéis publicitários, e por aí fora!  Ahhhhh, uma orgia de bandeiras dos EUA!

 

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E é vê-los pagarem 2300 euros por mês a um norte-americano para que este "dê" 2 ou 3 aulas por dia, um norte-americano que não gosta China, não gosta dos chineses, não gosta de ensinar, não sabe ensinar e não gosta de crianças, sobretudo se forem crianças chinesas! Apenas quer, com toda a razão, meter fortunas por mês no bolso enquanto inspira e expira dentro dos muros de uma escola. Apenas porque tem um passaporte norte-americano, apenas porque é branco e vem da terra prometida, e porque os imbecis dos chineses que nadam em dinheiro acham isso "great"!

 

E aí daquele que diga que os EUA não são a terra prometida do bem estar e da alegria, da liberdade, da paz e da harmonia! Mééééééé!

 

Quanto ao Irão, pois é, por mais pacíficos que sejam os seus governantes e as suas gentes, vê a sua imagem e o seu potencial turístico ser sabotado não só pela infernal máquina de guerra e de propaganda ocidental-israelita, mas também pela idiotice do resto da ovelhada humana, mesmo em países seus aliados e amigos! Triste ignorância!

 

Luís Garcia, 22.06.2016, Chengdu, China

 

 

 

 

 

 
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PAN: Pessoas Aptas a Negar (Evidências)

 

 

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RICARDO MINI copy SOCIEDADE Ciência POLITICA

 

Decidi redigir este artigo por duas razões. A primeira delas é o facto de o PAN, como eu vou provar, já ter demonstrado, vezes sem conta, ignorar e adulterar, na decorrência dessa ignorância, a atividade científica. Calha que escolhem atacar sistematicamente o grupo de pessoas – os cientistas – que tem as melhores armas para se defender: as evidências empíricas para suportar as suas teorias. A segunda razão, deixarei para o fim.


O PAN é proponente de um RBI (Rendimento Básico Incondicional), mas incapaz, como aliás são todos os proponentes dos mais diversos países com os quais já interagi, ou tentei interagir, de responder a questões fundamentais. Como é possível calcular um valor único que possa ser distribuído de uma forma justa entre pessoas que têm necessidades completamente diferentes entre si? Que medidas propõem, baseando-se no estudo do comportamento humano, para modificar fatores culturais que promovem o consumismo insustentável, o qual seria agravado numa situação em que mais pessoas pudessem despender mais dinheiro? Mais perguntas poderia colocar, já que isto é um tema que, isoladamente, daria para muitas crónicas. Mas, nem a estas o PAN sabe responder. Aliás, nem o PAN, nem as pessoas que compõem o movimento Rendimento Básico Incondicional Portugal (https://www.facebook.com/RendimentoBasicoPortugal/?fref=ts), ao qual o partido já fez referência na sua página do facebook como fonte de informação.


Mas, se este tipo de ignorância já é grave, ainda mais lamentável é o desconhecimento completo que o PAN demonstra relativamente a princípios científicos básicos. André Silva mentiu sobre os OGM’s, quando pretendeu passar a mensagem implícita de que não existe um consenso científico claro em torno da sua segurança para a saúde humana, de outros animais e para o ambiente (http://p3.publico.pt/…/organismos-grotescamente-ignorados-n…). Aqui (http://www.crediblehulk.org/…/the-international-scientific…/), poderão encontrar um longo texto com citações e toda a cuidada referenciação de entidades científicas e de regulação espalhadas por todo o mundo acerca deste assunto. Aliás, ainda há poucos dias, saiu um novo relatório (http://www.crediblehulk.org/…/the-international-scientific…/), por parte da US National Academies of Science, Engineering, and Medicine, no qual foram revistos 900 estudos e que, mais uma vez, conclui da segurança dos OGM’s. O mesmo relativamente ao mais recente cavalo de batalha do PAN, o glifosato. Uma pequena confusão aproveitada pelos teóricos da conspiração do costume, analfabetos científicos, mas já mais do que bem explicada, aqui (http://www.wired.com/…/monsantos-roundup-herbicide-cause-…/…).

 

Ainda no âmbito da agricultura, o PAN já fez várias vezes a apologia de práticas agrícolas biológicas. Ora, quem garante que a agricultura biológica dispensa completamente o uso de produtos químicos sintéticos, certamente desconhece este documento da FAO (http://www.fao.org/docrep/016/i2718e/i2718e.pdf) para a regulamentação da atividade agrícola biológica. Desconhecerá, também, que a indústria da agricultura biológica, através da sua bem montada máquina de marketing fraudulento, é uma forma de atividade agrícola sujeita a menos regulamentações, fiscalizações e estudos de segurança do que a agricultura convencional e os OGM’s (http://blogs.scientificamerican.com/…/httpblogsscientifica…/). Aliás, os produtos alimentares derivados da agricultura biológica nem sequer cumprem a promessa de ser mais nutritivos (http://www.health.harvard.edu/…/organic-food-no-more-nutrit…). 

 

Mas o tratamento da ciência a pontapé, que é apanágio do PAN, não se fica por aqui. No passado dia 1 de junho, André Silva não perdeu a oportunidade de se colar aos praticantes de Terapias Não Convencionais (TNC), na sua manifestação pela obtenção de efeitos fiscais idênticos aos obtidos através de cuidados médicos convencionais. Ou seja, o PAN pretende legitimar práticas irresponsáveis de cuidados de saúde que, não só falham constantemente em produzir evidências para suportar as suas crenças arcaicas, como, por enganar os pacientes, os colocam sob risco de desenvolver ou agravar condições patológicas. Deixo ligações para a homeopatia (http://www.independent.co.uk/…/homeopathy-therapeutic-dead-…), a naturopatia (http://www.sfsbm.org/index.php…) e a quiroprática (https://www.sciencebasedmedicine.org/chiropractic-ignoring…/), e neste site (https://www.sciencebasedmedicine.org) poderão encontrar outros milhares de artigos acerca de todas as outras formas de TNC. Não esqueçamos, também, a título de exemplo, que os “profissionais” das TNC’s são frequentemente contra a vacinação, o que constitui um grave atentado à saúde pública, que até um miúdo de 12 anos sabe reconhecer (https://www.facebook.com/ScienceMarco/videos/224150204636173/). 

 

Portanto, exemplos não faltam para provar a incompetência derivada da iliteracia científica dos militantes do PAN. Até passando pela apresentação da Jane Goodall como umas das pitonisas destas novas modas pró-ambientalistas, ignorando o seu apoio a uma organização que promove campanhas de esterilização forçada de mulheres indianas por parte de autoridades inglesas (http://www.filmsforaction.org/…/the-charity-which-campaign…/), suportando-se na teoria cientificamente retrógrada (https://aeon.co/…/is-the-population-bomb-real-the-statistic…) de que é ao crescimento da população humana que se devem todas as calamidades ambientais. 

 

Concluindo, o PAN é um partido que ou mente ou ignora aquilo acerca do qual se exprime e defende e desrespeita a ciência. Talvez ainda pior do que isso, e é essa a segunda razão pela qual produzi este texto, tal como qualquer bom grupo de pessoas cuja teorização tem uma base conspiratória cozinhada em blogues, pauta-se pela intolerância para com as pessoas que apresentam, na sua página do facebook, informação que contradiz a partilhada por eles e/ou que pretendem discutir os conteúdos e conhecer as fontes e evidências por detrás das propostas políticas. Daí que me tenham banido a mim, depois de ter tentado discutir informações de cariz semelhante às que apresentei aqui, e nem sequer se tenham dignado a esclarecer-me por email acerca das razões que os levaram a tomar tal ação. Assim, falham também em respeitar a própria “Política de Gestão de Comentários”, contida na página principal do facebook, onde se pode ler “Se um/a usuário/a não seguir as normas acima descritas, o seu comentário poderá ser eliminado, e explicado ao mesmo as razões através de um e-mail ou mensagem privada”.

Ricardo Lopes

 

 

 
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Bandeiras - E.U.C. I

 

 

ESTADOS UNIDOS DA CHINA - I

Chineses burros que nem paredes!!!

  

Luís Garcia SOCIEDADE Esados Unidos da China  

 

 Ah, finalmente estreio aqui hoje a rubrica "Estados Unidos da China"; um híbrido de sátira social com denúncia da estupidez humana na China que leva chineses a gostarem menos da China que dos EUA. Aliás, os chineses, na sua esmagadora maioria, e de forma completamente imbecil, adoram os EUA, amam os EUA mais que muito norte-americanos minimamente conscientes da realidade sombria que o seu país produz  dentro e fora das suas fronteiras políticas. Para os chineses, no geral, EUA é sinónimo de muita coisa: paz, prosperidade, liberdade, alegria, sucesso social, sucesso económico, modernidade e por aí fora...

 

Não digo que seja uma estúpida perspectiva exclusiva da China, pelo contrário, vi mais do mesmo em todos os países do sudeste asiático que visitei (Laos, Vietname, Tailândia, Myanmar, Camboja Malásia, Indonésia e Singapura), mas há que ter em conta uma fundamental diferença: todos esses países do sudoeste asiático corroídos e corrompidos até ao tutano pelos EUA, são fiéis vassalos bajuladores das modernices e cagadices do Império do Caos e da Barbárie (ler EUA), de tal forma que todos foram ensinados e bem (mal) a odiar profundamente a China, da mesma forma que os vassalinhos  da Europa de Leste foram ensinados pelos EUA a odiar a Rússia (sobretudo os países bálticos, a Polónia e a Ucrânia). 

 

E aí reside o problema/paradoxo chinês: ao mesmo tempo que a Ásia inteira é ensinada pelos EUA a odiar a China e a temê-la sem fundamento (o topo da paranóia está no Vietname e Filipinas, mas Coreia do Sul e Japão não se ficam atrás),  os chineses conseguem gostar tanto ou mais dos EUA, esse país que gasta milhões na destruição mediática da imagem externa da China, milhões na sabotagem das redes de negócio da China pelo planeta fora, milhões cercando militarmente a China, milhões para foder a China à grande! Por isso começo aqui hoje um sátira à China que, podendo se aplicar a quase toda a Ásia, tem muito mais piada quando aplicada à China, pelo infinito absurdo que é ter chineses bajulando os EUA até mais não!

 

E vamos lá ao 1º tema, chega de introduções. Para hoje: bandeiras num bar de Chengdu e afins!

 

Na zona de vida nocturna de Chengdu existe um bar cujo nome diz tudo: Savage! É aí que todas as terças-feiras à noite se encontram os membros da comunidade de couchsurfers residentes ou de passagem em Chengdu, onde aproveitam para beber cerveja gratuita até às 10 da noite. Ou melhor, água com cerveja! Enfim...

 

Savage é o típico bar merdoso do planeta Terra e Arredores, americanizado da cabeça aos pés, sobretudo pelos vómitos musicais de coisas como Kesha, Rihanna e companhia, assim como pelo menu de comida "ocidental": hambúrguer, batatas fritas e bolonhesa! Ah, que variada a cozinha ocidental! Mas até aí tudo bem. O problema são as bandeiras!

 

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Os candeeiros do bar são quase todos forrados com uma mistela constrangedora de bandeiras dos EUA com bandeiras do Reino Unido, fundidas com aquelas famosas caras de Hollywood graças às quais aprendemos a odiar árabes, pretos e chineses no ocidente, e graças às quais os chineses descobrem a liberdade e democracia norte-americana no seu estado puro! ahhhhh!

 

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No tecto do bar encontram-se quase todas as bandeiras do mundo, o que até é muito interessante, simpático e até estético, mas, sim há um mas, a bandeira dos EUA, em área, é umas 30 vezes maior que as restantes, com a bandeira chinesa incluída também nas restantes!

 

Agora vêm os problemas:

 

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Apesar de não reconhecido pela China como estado independente, o Kosovo, essa mega base militar norte-americana instalada em território roubado à Sérvia e mascarado de "país", tem direito a bandeira. Após exaustiva análise, pelos vistos, é a única bandeira de um estado não reconhecido pela ONU ali presente. Bandeiras de estados não reconhecidos pela ONU mas reconhecidos pela Rússia e/ou China não têm direito a entrar, pois claro, não estivéssemos nós na China dos chineses bajuladores do Império... 

 

E agora é para vomitar:

 

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Apesar de apenas haver um governo legítimo na Síria, o de Assad, estado aliado da China, de tal forma aliado que recebe ajuda militar chinesa na forma de material de guerra e treino de pessoal, de tal forma aliado que é fácil de encontrar a bandeira da China (mas sobretudo da Rússia) em manifestações de apoio a Assad nas ruas da Síria, ainda assim os chineses robôs lobotimizados encarregados de decorar o bar, optaram pela bandeira colonial francesa da Síria, aquela usada  pela organização terrorista que dá pelo nome de Exército de Libertação Sírio (ELS), apesar de não ser nem um exército (antes uma organização terrorista), nem de libertação (antes de destruição), nem sírio (antes franco-turco com mercenários do mundo inteiro). Quem anda informado sabe que o ELS é difícil senão impossível de distinguir de Alqaeda/Alnusra, Frente Islâmica ou até mesmo ISIS. Para quem duvide, há que ver vídeos do género do abaixo partilhado:

 

 

 

Para completar o quadro de cortar os pulsos, há que informar que ao fundo, mesmo ao fundo, depois das casas de banho e numa zona pouca iluminada onde ninguém ousa sentar-se, encontra-se uma fotografia gigante... de Bob Marley!!! Esse mesmo que um dia cantou:

Emancipate yourselves from mental slavery, none but ourselves can free our minds! (Marcus Garvey)

E para cúmulo dos cúmulos ainda dei por mim a ouvir estas mesmas palavras desta mesma canção cantadas não pela voz reconfortante de Bob Marley, mas antes por gemidos parvos de uma Rihannice qualquer acompanhados por um ritmo prostituído igual a toda a essa bosta musical hoje em dia omnipresente e claustrofóbica. 

 

Nada a fazer, excepto pegar fogo ao raio do bar! Ah, e propor uma nova bandeira para a China:

 

Estados Unidos da China 

 

Esta  malvadezinha minha é só a primeira de muitas sobre os Estados Unidos da China. Continuem a acompanhar o blog pois muitas mais estão por vir! 

Luís Garcia, 18.06.2016, Chengdu, China

 

 

 

 

 

 
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À boleia entre ilhas - Parte 5/5

 

 

BOLEIAS – EPISÓDIO 8

 

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bw VIAGENS Luís Garcia

Esta insatisfação, não consigo compreender, sempre esta sensação, que estou a perder. Tenho pressa de sair, quero sentir ao chegar, Vontade de partir, p’ra outro lugar. (Estou Além, António Variações)

 

À BOLEIA ENTRE ILHAS (Indonésia, 2011) –  A primeira etapa da travessia levou-nos até Denpasar, capital de Bali, sobrepovoada e suja. Parámos um pouco por lá, não por um especial interesse, mas apenas porque Enrico tinha combinado visitar um seu fornecedor de peixes para acertar uns detalhes. Não demorou muito pois, bem mais conhecedor da cidade do que eu, detestava-a ainda mais. O que nos empatou imenso foi o trânsito caótico, e logo às duas da tarde, com o carro a derreter debaixo do intenso calor tropical! Após sairmos da cidade continuámos rumo a norte, passando por Ubud, paragem obrigatória de todos os guias de viagem! Até eu um mês antes tinha equacionado a possibilidade de por lá passar dois ou três, plano que não foi avante pela razão do costume: preços proibitivos e falta de alternativas para orçamentos de viajantes nómadas. Enrico tranquilizou-me, assegurando-me que não tinha perdido nada especial, o que não me surpreendeu. Em contrapartida defendeu que Bali também não é tão mau como a pintam, que lá existem genuínos tesouros e ritmo de vida normal, terras e pessoas ainda não envenenadas pelo mercantilismo turístico do sul. Onde? No interior montanhoso da ilha, para onde nos dirigíamos!


Que sorte a minha de ter encontrado Enrico, uma pessoa que conhece melhor que qualquer balinês todas as ruas e ruelas, os tesouros escondidos da ilha, locais onde se pode facilmente observar vida selvagem, aldeias interessantes de visitar, lagos, arrozais, templos! E depois, alguém que respira altruísmo e paciência! Enquanto atravessámos no seu jipe o interior profundo de Bali, por inúmeras vezes parou o seu veículo na berma da estrada, reagindo amavelmente ao meu constante retirar da máquina fotográfica da mala e disparar em direcção de mais uma maravilha visual. “Sai do carro e faz a tua fotografia com calma, como deve ser. Eu espero, o que não falta é tempo”, dizia Enrico sorrindo!

 

Embora em viagem de trabalho, mostrou-se o mais sábio e paciente guia turístico que jamais conheci, tento além disso a vantagem de ser um guia gratuito fruto da sua vontade de partilhar. Tenho que confessar que foi uma sorte enorme encontrá-lo, não é todos os dias que se encontra alguém que nos faça uma tão grande quantidade de favores seguidos sem pedir nada em troca. E como companhia de viajem idem aspas. Eu que, em todas as minhas viagens percorri tantos milhares de quilómetros à boleia, muitas das vezes tive de me desdobrar em jogos e truques mentais para encontrar “desbloqueadores de conversa” essenciais para o quebrar do gelo inicial entre passageiro e condutor ou, para interromper longos silêncios sempre muito constrangedores. Com Enrico, foram dois dias de boleia seguida, não duas ou três horas, mas tema de conversa e vontade de falar foram coisas que nunca faltaram, quer da minha parte quer da dele. Diria mesmo que aquela viagem foi feita não na companhia de um estranho mas sim de um amigo em potencial. Esta minha estória não acabaria nunca se eu me dedicasse a contar todas as estórias de Enrico, mais absurdas e extremas que a maioria das minhas. Estórias como as das duas ocasiões em que sobreviveu a ataques de tubarões enquanto fazia mergulho, ou como aquela de ter sido atacado por uma serpente venenosa na selva indonésia a qual não o matou por ter espetado os dentes de raspão, falhando por milímetros a introdução de veneno na perna do meu companheiro de viagem. Mais sensato será ler esses relatos em primeira mão, todos eles escritos no diário de Enrico que espera pelo dia ser publicado em livro.

 

A meia da tarde, e com metade da distância percorrida chegámos ao interior norte de Bali onde se encontra, no meio das montanhas centrais, um enorme e formoso lago que, além de deixar boquiaberto visitantes como eu, garante comida para as bocas de muita gente, visto que irriga constantemente as ricas terras circundantes onde os locais recolhem três vezes ao ano a sua produção de arroz. O quadro é perfeito, montanhas, lagos, arrozais, uma harmonia de verde e azul salpicada ali e acolá com um templo hindu de cor laranja ou umas modestas casinhas de agricultores. Um espectáculo imperdível. Como se não fosse ainda suficiente, no local onde estacionámos o jipe para admirar o vale inundado a partir do topo de uma montanha, tivemos a sorte de encontrar uma família (ou clã, não sei) de uma espécie local de macacos que, curiosos e atrevidos, vieram se meter connosco. Aproveitei, como podem imaginar, para tirar um monte de fotos aos nossos primos peludos, mas não foi esse o melhor bem que trouxe comigo daquele encontro. Inesquecível mesmo foi estar a cerca de meio metro distância, frente a frente, olhos nos olhos, perante um dos macacos mais velhos. Sei que soa a gasto cliché, mas ainda assim, garanto que me arrepiou a pele e inquietou-me o espírito perante a constatação que aquele macaco me estudava tanto ou mais que eu a ele, e que se sentia uma profunda empatia mútua no ar, que de facto comunicávamos um com o outro através dos olhos as palavras que não podiam ser ditas. Poucos quilómetros à frente, esfomeados por uma tarde inteira sem comer, parámos a convite de Enrico numa aldeia que ele conhecia bem e na qual sabia onde comprar muito boa fruta tropical de produção local a preços ridículos. Enquanto Enrico regateou as suas negociatas aproveitei para lanchar no café à beira estrada, na companhia de gente sorridente e amável, e de uma bebé que se tornou numa impecável modelo fotográfica por breves momentos (capa deste artigo)

 

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Por volta das nove horas da noite chegávamos ao porto de Gilimanuk, na ponta noroeste de Bali, onde entrámos com o jipe num ferry-boat que nos haveria de levar no curto trajecto entre a ilha de Bali e a ilha de Java, separadas por apenas quatro quilómetros de mar. Durante a travessia aprendi mais um truque de viagens, óbvio, mas que nunca me ocorrera. Apesar de ao cabo de um mês na Indonésia ter tido a oportunidade de viajar diversas vezes em ferry-boats, em todas as ocasiões tinha entrado nesses barcos pelos meus próprios pés. Desta fez, porque viajava dentro do jipe de Enrico não me foi pedido que pagasse um bilhete para fazer a travessia. Ingénuo e pasmado, perguntei ao meu companheiro italiano se era normal que se esquecessem de pedir a um cliente para pagar o bilhete estando eu ali presente, a seu lado dentro do jipe, quando comprou o bilhete para si. Enrico respondeu, complacente, que os bilhetes para veículos incluem todos os passageiros que se encontrem dentro daquele no acto do pagamento. Ora, era esse mesmo o caso. Concluindo que eu não teria ainda reflectido no assunto, aconselhou-me a daí em diante pedir boleia nos portos e entrar dentro de um qualquer transporte antes de embarcar, evitando assim a compra de bilhetes de ferryboats. Garantiu-me ainda que pedidos do género são muito frequentes e que por norma a resposta é positiva. Por vezes há quem peça um pagamento simbólico, o que até é justo visto que assim ambos poupam na travessia! Sempre a aprender nesta vida!


Meia hora depois chegámos a Ketapang, uma cidade costeira de Java. Como tinha casa prometida por um couchsurfer habitante da ilha, assim que entrámos na ilha, dei o número de telemóvel do meu anfitrião a Enrico que já antes se oferecera para falar com ele (em indonésio, claro) e levar-me de jipe até sua casa caso esta não se encontrasse demasiado longe do seu destino. Supostamente seria até bem perto, visto que Enrico vive em Banyuwangi, mesmo ao lado de Ketapang, e o meu anfitrião havia me informado por email que vivia igualmente em Banyuwangi. No entanto, com é hábito por aquelas bandas, o couchsurfer que havia me oferecido alojamento não tinha sido nada preciso na descrição da sua morada. Banyuwangi não era a sua localidade mas sim a capital do município. O meu anfitrião que o não chegou a ser morava afinal numa outra terra no cimo de montanhas escarpadas a quarenta quilómetros dali, informou-me Enrico depois de desligar o telemóvel. Em seguida perguntou-me que quereria eu fazer perante os factos apresentados e ciente que era já demasiado tarde para apanhar um transporte público, ainda mais para uma aldeia perdida algures nas montanhas.

 

Hesitei um pouco, tentando ler o pensamento de Enrico e descobrir se ele equacionava a possibilidade de me hospedar naquela noite. A resposta surda que recebi foi não, Enrico não parecia ter cara de quem estivesse disposto a me hospedar, o que é natural. Tinha feito muitíssimo por mim, estaria fatigado e com saudades da família que não via há mais de duas semanas. O que precisava era de repouso e tranquilidade na intimidade do seu lar, e não de um hóspede caído de para-quedas. Daí que não tive o descaramento de lhe pedir para me dar casa naquela noite. Antes perguntei se conhecia algum hotel em conta onde eu pudesse ficar. Conhecer conhecia, tínhamos era de voltar atrás oito quilómetros atrás até Ketepang onde existem muitos hotéis baratos junto ao porto da cidade. Voltar atrás não seria o problema adiantou Enrico, problema seria encontrar um quarto vazio àquela hora da noite. Levou-me a dois hotéis cujos donos eram seus conhecidos mas tal como previsto estavam esgotados. Decidiu então levar-me até um outro hotel barato e um pouco mais afastado do porto. Por sorte havia ainda um quarto disponível. Enrico, sempre pronto a ajudar, negociou o preço do quarto por mim em Indonésio e apresentou-me aos dois empregados de serviço e ao dono do hotel. Antes de se ir embora combinámos um encontro para o dia seguinte naquele mesmo lugar, para “ir dar um passeio de jipe e beber um copo”, promessa que foi cumprida.

 

Após Enrico partir sentei-me junto dos três, começando por beber o café que um dos empregados gentilmente preparara para mim. Como sempre, começaram a conversa perguntado pela minha nacionalidade. Ao responder-lhes que era português reagiram eufóricos, contentes por receber um hóspede lusitano precisamente na noite em que iriam assistir pela televisão a um jogo do Benfica para a liga Europa, e mais ainda quando lhes informei que a minha amília era toda desse clube. Sem surpresa foi convidado a juntar-me ao grupo para assistir ao jogo que iria para o ar às três horas da manhã locais. Quando ando de viagem prolongada passos os dias a desbravar terreno entretido em aventuras, de forma que por hora de jantar costumo já estar ensonado e me deite muito cedo, entre as nove e as dez da noite. No entanto insistiram tanto para que eu os acompanhasse que acabei por prometer “tentar” levantar-me à hora da transmissão, promessa que não pude e não quis cumprir quando chegou a hora de levantar. Só soube do resultado na manhã seguinte quando me encontrei com eles ao pequeno de almoço. E para confirmar peguei no jornal da região onde vinham publicados os resultados da Liga Europa com uma fotografia de Pablo Aimar ao lado. Não percebo muito de indonésio mas graças às fotos publicadas fiquei a saber que naquele dia o jornal continha também artigos sobre Cristiano Ronaldo, José Mourinho e o Futebol Clube do Porto. Até na capa vinha imprimida a cores uma fotografia dos festejos de dois jogadores do Benfica pela empate que garantiu a passagem às meias-finais da competição europeia...

 

 

 

leia também: À boleia entre ilhas - Parte 1/5

leia também: À boleia entre ilhas - Parte 2/5

leia também: À boleia entre ilhas - Parte 3/5

leia também: À boleia entre ilhas - Parte 4/5

 

Luís Garcia, 12.06.2016, Chengdu, China

 

 

 

 

 

 
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À boleia entre ilhas - Parte 4/5

 

 

BOLEIAS – EPISÓDIO 7

 

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bw VIAGENS Luís Garcia

Esta insatisfação, não consigo compreender, sempre esta sensação, que estou a perder. Tenho pressa de sair, quero sentir ao chegar, Vontade de partir, p’ra outro lugar. (Estou Além, António Variações)

 

À BOLEIA ENTRE ILHAS (Indonésia, 2011) – Dado que Enrico vive há muitos anos na Indonésia e passa o tempo de viagem em busca dos seus peixinhos de aquário, não me surpreendi muito que conseguisse fazer o que muito poucos mais alcançam fazer – arranjar hotel barato e com quartos vagos! E mais, conhecendo o labirinto de ruas de Kuta como a palma da sua mão, sabia também onde encontrar a melhor comida nos lugares mais recônditos e a preços ridículos! Naquela noite levou-me a um restaurante com estilo de cantina e que empregava um modo muito curioso de venda: o cliente quando chega escolhe uma ficha com um valor em rupias correspondente à quantidade de ingredientes e bebidas que desejar. Em seguida entra na zona de self-service, ao estilo dos restaurantes a peso em Portugal. Aí escolhe as bebidas e preenche o seu prato com o número de itens desejado. Por último, tem de se dirigir à caixa registadora onde será verificada a correspondência certa ou não entre o número de itens e o cartão. Para terem uma ideia de como funciona a escolha de itens, dou-vos um exemplo. Com um cartão de quatro itens pode-se pedir uma bebida e um prato com uma porção de arroz, um ovo e uma porção de carne. Ou uma bebida, arroz e dois ovos. Ou uma bebida e três porções de arroz ou de outra coisa qualquer. Adorei o conceito mas é muito confuso para quem visita pela primeira vez o estabelecimento, em especial se não tiver (como eu tive) alguém ao lado que faça a tradução e explique um pouco aquele caos organizado.


O hotel também foi muito bem escolhido, muito mais barato que aquele onde eu ficara um mês antes, e tinha na mesma piscina! Aliás, todos os hotéis em Kuta têm piscina, pois foram criados a pensar em turistas e não em viajantes. Quem não quiser ficar num hotel com piscina e opte por algo mais económico, a oferta resume-se a quartos piores que um trincheira de guerra normalmente situados em ruas mal frequentadas e pouco convidativas. O meu conselho, para quem tiver o mau gosto de decidir visitar a capital turística de Bali, é ficar longe de locais do género. A Indonésia também é uma terra de gente hospitaleira, honesta e confiável, mas o sul de Bali não é Indonésia, é uma desvirtuada zona de turismo internacional conspurcado, despesista e inconsequente... para ser simpático!


No dia seguinte de manhã Enrico saiu bem cedo com destino ao aeroporto de Kuta onde tinha de tratar de umas burocracias relacionadas com o seu negócio de exportação de peixes. Eu fiquei um pouco mais no quarto de duas camas que tínhamos alugado junto de forma a economizarmos uns trocos. Quando saí do quarto encontrei no corredor um jovem com cara de perdido procurando alguém que lhe emprestasse um isqueiro para acender um cigarro. Tinha umas enormes olheiras e mal conseguia abrir os olhos. Um empregado que passava entretanto com um monte de lençóis e toalhas fez uma manobra de malabarismo para tirar do bolso um isqueiro sem deixar cair nada no chão. Eu e o rapaz, que me informou ser alemão, sentámo-nos junto à varanda do corredor, trocando umas palavras enquanto distraíamos os olhos com as loiras que brincavam na piscina. Depois de poucas palavra proferidas, e devido à sua pronúncia de inglês, percebi que mentira acerca da sua nacionalidade. Como tinha uma palpite acerca da sua nacionalidade orientei a conversa no sentido de confirmar o meu palpite. À minha pergunta sobre o porquê de todas aquelas olheiras, aquela cara de quem andaria há muitos dias a curar ressacas com outras ressacas. Explicou-me que durante os últimos tempos da sua vida tinha tido um trabalho de intenso stress e pressão, e que precisava mesmo de descomprimir e “parvalhar um pouco”. Compreensível, eu faria o mesmo. Mas ainda não satisfeito, quis saber que tipo de trabalho teria realizado para que um jovem como ele tivesse atingido nível de stress descrito. Hesitante, disse a palavra “exército. A que eu respondi: “exacto, tal como eu pensava, não és alemão, és israelita! Já encontrei outros jovens judeus na mesma condição que tu!”. O rapaz, assustado por eu ter dito as palavras “Israelita” e “judeu” em voz alta fez-me sinal para estra calado e convidou-me a entrar no seu quarto onde me pediu para não contar a ninguém que ele era de facto israelita. O jovem, ex-militar do exército terrorista desse estado neocolonial, acreditava que poderia ser um perigo para ele (num país maioritariamente muçulmano como a Indonésia) desvendar a sua verdadeira nacionalidade. Discordei e hoje ainda mais discordo dos motivos do seu receio, mais conhecedor da mentalidade tolerante indonésia neste aspecto, mas acedi ao seu pedido, pois claro. Perguntei-lhe se me podia explicar de que forma tinha obtido um passaporte alemão. Explicou-me que tinha sido muito fácil visto que os seus país tinham nascido na Alemanha. Respondi-lhe que já estava à espera dessa resposta e que apenas havia perguntando para confirmar a minha suspeita... Ficou confuso com a minha resposta... ainda bem! 


Deixei o israelita ex-terrorista camuflado em paz, pois precisava ainda de se recompor de última noitada, e desci ao piso térreo de calções de banho vestidos e uma toalha de praia no ombro. Antes de entrar na piscina pedi o meu pequeno almoço de frutas tropicais e só então entrei na piscina para me refrescar e combater o sufoco provocado pela sol escaldante exponenciado por uma humidade de quase cem por cento. Quando me enjoei de banhos subi ao quarto para trocar de roupa e fui-me aventurar por entre as caóticas ruas de Kuta. Não muito longe o hotel onde me estava hospedado fui encontrar, por completo acaso, a única pessoa com quem tinha travado um início de amizade naquela mercantilista ilha. Tratava-se de Garry, um jovem funcionário de uma cadeia de transportes e actividades turísticas de Bali. Um mês antes tido sido ele que, percebendo a minha lógica de viajante oposta à dos seus clientes turistas, me havia arranjado uma solução económica para fugir de Bali. Tinha inclusive me oferecido um grande desconto e orientado o condutor do autocarro para me deixar à porta da casa da minha anfitriã couchsurfer na ilha de Java. Impecável! Por norma desenvencilho-me bem em situações do género, mas aquele caso era especial. A couchsurfer que me tinha oferecido casa por quatro dias morava em Surabaya, uma mega-cidade da costa oriental de Java onde vivem mais de cinco milhões de pessoas, não em prédios altos compactados mas sim numa imensa planície preenchida com centenas de bairros-favela. E ela mora num desses mega-bairros! O motorista que pouco falou comigo visto que não falava inglês e que tampouco conhecia o endereço da minha anfitriã, perdeu gentilmente mais de meia hora para encontrar a agulha no palheiro e deixar-me em frente à porta certa. Fiquei eternamente grato para com o motorista, e ainda mais para com Garry que havia com sucesso orquestrado o plano à distância e sem eu ter sequer lhe pedido tal género de ajuda. Foi com enorme agrado e até com orgulho que Garry me ouvi relatar o sucesso da operação, para em seguida perguntar com cara de surpreendido o que fazia eu "ali de novo depois de ter falado tão mal da ilha”. Tive de lhe fazer o resumo das aventuras passadas no último mês, sobretudo o sucedido no porto de Padangbay e a forma como tinha conhecido o meu novo companheiro de viagem italiano!

 

Se já tinha ficado muito surpreendido pela sorte de o encontrar por caso naquele caos urbano que é a sobrepovoada Kuta, mais surpreso fiquei com a enorme coincidência responsável pela presença de Garry naquela rua em frente ao hotel e naquele mesmíssimo dia. Segundo me explicou o meu amigo balinês, o seu patrão tinha despedido um funcionário que trabalhava na agência localizada naquela rua e tinha ordenado no dia anterior a Garry que se mudasse para ali! Dá que pensar nos porquês! À hora de partida combinada com Enrico, voltei ao hotel, organizei a minha mochila, metia-a às costas e voltei para junto de Garry. Enquanto o italiano não regressou (e estava já muito atrasado em relação à hora combinada), tivemos tempo de reatar as nossas conversas sobre Europa, esse longínquo continente que aos ouvidos de Garry soava a paraíso e terra de imensa prosperidade proporcionadora de todos os sonhos materiais incutidos na sua mente pela lavagem cerebral televisiva. Dei o meu melhor para descrever de uma forma menos sensacionalista e mais pragmática o nosso velho continente, advertindo-o que não, a Europa não é nem de perto nem de longe o sonho cor-de-rosa por ele imaginado. Fi-lo descobrir outras realidades europeias menos publicitadas e compreender que nada é perfeito, mas ainda assim não lhe consegui tirar da cabeça a sua fixação de um dia partir para a Europa e “passar a ser rico”. Dei-lhe até os meus contactos para que me contactasse no dia em, caso decidisse partir rumo ao ocidente, viesse a precisar de ajuda minha.


Enrico apareceu um hora e meia depois, visivelmente aborrecido e praguejando injúrias contra os “aselhas burocratas do aeroporto”! Nada de novo! Deu-me uns minutos para me despedir de Garry enquanto fazia a sua mala e o check-out do hotel, aparecendo pouco depois na rua com o jipe para me recolher. Partíamos rumo a norte mas, ao contrário do que eu havia imaginado, atravessando o interior profundo de Bali e não a costa ocidental.


De volta à estrada, Enrico recomeçou também com o relato improvável da sua história de vida. Uma vez que lhe acabara de falar dos meus dias passados na ilha de Sumbawa – entre as Flores e Lombok – Enrico aproveitou para me desvendar os segredos da sua nova casa quase pronta, construída na costa norte da ilha por onde eu passara de autocarro dias antes. Naquela ilha pouco habitada e de todo desconhecida do Homo Turista, comprou dois anos antes um hectare de terra por cerca de dois mil euros onde ergueu o seu palácio. E o espanto não está no preço, mas sim no tipo de terreno que comprou. Ou melhor, nas características pouco habituais do terreno. Para começar, a sua propriedade inclui uma longa faixa costeira com uma paradisíaca praia de areia branca (muito comum na ilha de Sumbawa). No meio da herdade encontra-se uma zona de terra plana alguns metros acima do mar na qual construiu a sua futura casa a uma altitude que a salvaguarda das constantes inundações, ao contrário dos habitantes locais que passam mais de metade do ano com as suas cabanas rodeadas de mar. E na parte interior um verdadeiro jackpot! Um pedaço de floresta tropical na qual passa um riacho com abundante em água doce. Pode parecer um detalhe menor mas não é, pois um dos principais problemas de Sumbawa é o acesso muito limitado a água potável. Nem sequer nas principais cidades da ilha existe água canalizada! Com um riacho dentro da sua propriedade e um sistema de tratamento de água já encomendado, Enrico garantiu-me que esse problema não o iria afectar de forma alguma, tornando o seu paraíso potencial num paraíso concreto. Para completar o cenário idílico, Enrico mandou construir não uma casa mas sim um verdadeiro palácio. Argumentava, felicíssimo, que tinha criado para si uma mansão cujas dimensões e luxo estariam fora do alcance económico de um italiano rico ou de classe alta, e que o dinheiro que gastara a construí-la não chegaria sequer para acabar os alicerces de uma casa na sua terra natal. Mesmo para construir uma banal e pequena casa em Itália (idem aspas para Portugal), é preciso contrair um empréstimo bancário que deixa o seu proprietário escravo das suas próprias dívidas para o resto da vida. Enrico criou o oposto, um palácio por um preço ridículo: quinze mil euros! Um dia, quando for grande, quero ser como Enrico, construir a minha casa num sítio perdido e por lá usufruir desta efémera passagem...

 

leia também: À boleia entre ilhas - Parte 1/5

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Luís Garcia, 08.06.2016, Chengdu, China

 

 

 

 

 

 
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