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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Les gens déprimés

 

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RICARDO MINI copy  SOCIEDADE en français

 

J'en ai assez de lire des conneries sur « les gens déprimés ». Vous savez qui a le droit de se sentir déprimé , parce ce qu'ils ont des raisons pour? Ceux qui sont pauvres, qui sont exploités au travail, qui ont perdu des êtres chers atteints de maladie grave, ceux qui sont emprisonnés (indépendamment du fait d'avoir commis un crime ou pas), ceux qui sont ou ont été en guerre, qui vivent dans la rue, qui ont faim, qui ont soif, qui sont atteints d'une maladie grave.

 

Et le plus curieux est que beaucoup de gens se trouvant dans ce genre de situation ne dépriment pas. Ou, s'ils dépriment, la dépression finit par passer. Vous savez pourquoi ? Parce qu'ils ont des problèmes réels, et pas des problèmes inventés, et qu'ils doivent s'en occuper pour continuer à vivre, ou pour aider d'autres personnes à continuer à vivre. Il n'ont pas le temps de se vautrer dans le canapé à ruminer des conneries avec lesquelles ils se remplissent la tête, et en plus après, essayer de contaminer les autres avec. Ils n'ont pas le temps de se tracasser pour des conneries. Ils n'ont pas le temps d'être des matérialistes consuméristes de merde. Ils n'ont pas le temps de consommer de l'art mélancolico-dépressif et penser que le monde entier est foireux et le sera toujours, et que ça ne vaut même pas la peine d'essayer d'y changer quoi que se soit, c'est bien mieux de se mettre en scène à débiter des inepties basées sur des sensibleries pseudo-psychologiques. Ils n'ont pas le temps pour inventer des conneries.

 

À ceux qui ont le temps pour inventer des conneries avec lesquelles ils se sont rempli la tête et pensent qu'ils ne peuvent plus s'en défaire, il y a un bon remède, qui est la meilleure solution pour vous-même et pour les autres. Tirez-vous une foutue balle dans la tête, et vous n'aurez plus à vous traîner dans cette existence qui vous est infernale, ni à obliger les autres ( parce que malheureusement , il y en a toujours d'autres qui sont à votre contact) à supporter des conneries, et à être en contact avec des choses qui peuvent aussi potentiellement les contaminer.

 

Ricardo Lopes

(Traduction de Claire Fighiera)

 
 
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Esterilização: o aparelho reprodutor feminino não é um "espaço público"

 

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Após quatro anos de tentativas falhadas de obter uma esterilização, Holly Brokwell conseguiu-o. Esta história demonstra que o aparelho reprodutor feminino é ainda um espaço público cujo funcionamento é pautado por pareceres de natureza cultural e, como tal, absolutamente subjectivos e variáveis

   SOCIEDADE 

 

Há uns dias, deparei-me com uma crónica da jornalista Holly Brokwell acerca da sua vitória na batalha travada com o NHS (National Health Service) durante quatro anos. Conseguiu autorização para ser esterilizada. Após anos de recurso a métodos contraceptivos com múltiplos efeitos secundários negativos e de tentativas falhadas de obter uma esterilização, que segundo a própria, seria uma decisão informada e fruto de muita ponderação acerca das implicações e consequência da (não) procriação, viu finalmente reconhecido este direito.

 

O que é que esta história, que tem lugar na Europa progressista do século XXI, demonstra? Essencialmente que o aparelho reprodutor feminino é ainda um espaço público cujo funcionamento é pautado por pareceres de natureza cultural e, como tal, absolutamente subjectivos e variáveis. Contudo, estes pareceres, como a própria autora descreve nas crónicas que escreveu a este propósito, podem assumir diversas formas e manifestarem-se sob os mais variados pretextos mas todos eles, na realidade, visam contestar e contrapor uma decisão que envolve a subtracção do indivíduo a algo tão culturalmente enraizado como o acto da procriação.

 

Um dos principais argumentos — se exceptuarmos aqueles que envolvem preceitos religiosos ou o argumento que envolve os mecanismos básicos de reprodução da cultura e de perpetuação da sociedade — é o da irreversibilidade. Em relação à questão da preocupação da sociedade hegemónica com o grau de irreversibilidade das decisões tomadas pelo indivíduo — este caso da esterilização — para além de ser um problema do principal e único visado (a partir do momento em que ele se torna maior de idade e já teve acesso a uma quantidade de informação que lhe permita tomar uma decisão consciente) é uma falsa questão pois também o acto de ter filhos é irreversível.

 

Sendo a vida algo de finito quase tudo é irreversível, de alguma forma. Depois de certas decisões, acontecimentos e confrontos com determinadas realidades dificilmente algo volta a ser como antes. São irreversíveis as mudanças que se operam em alguém pelo facto de se ter decidido estudar um determinado tema, por se ter decidido morar num determinado local, por se ter decidido encetar relações com determinadas pessoas. Faz parte da vida assumir a responsabilidade pelas consequências das próprias decisões, sejam elas quais forem. A (não) parentalidade é uma delas. A mudança é contínua, de certo modo é sempre irreversível e opera-se continuamente através do próprio acto de viver.

 

Aquilo a que a preocupação comunitária com os princípios que cada indivíduo decide definir como seus para orientar uma decisão que deveria ser do foro estritamente íntimo é uma forma de prepotência, paternalismo e uma tentativa de passar atestados de menoridade mental àqueles que querem assumir uma conduta aplicada à procriação diferente daquela estabelecida pelos preceitos da sua cultura. E este cenário é inadmissível. Porquê? Porque desse modo não se pode falar de progressismo nem de respeito pela diferença se aqueles cujo comportamento corresponde, em maior ou menor medida, aos parâmetros da cultura vigente decidem e se acham no direito de aborrecer/oprimir/assediar/moralizar os demais com as suas referências culturais e pessoais logo, absolutamente relativas e circunstanciais.

 

Ana Leitão

 
 
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