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Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

Desespero mediático 3 - DN

 

 

DESESPERO MEDIÁTICO 3

Luís Garcia  POLITICA SOCIEDADE

 

Então, sobre a farsa de guerra de proxy na Síria, o Obama diz uma coisa e o John Kerry diz o contrário, ou o Obama e o John Kerry dizem o mesmo e um general John Allen ou Petraeus do Pentágono dizem o contrário, ou até um general do Pentágono diz uma coisa e um porta-voz do Pentágono diz outra, e estas tentativas falhadas de jornalistas do Diário de Notícias põem-se a citar um badameco de um porta voz do Pentágono comentando o futuro do estado soberano da Síria! Força jornalistas tugas, beijai mais ainda o cu dos americães, vá, não nas bochechas do rabo, mas lá mesmo no buraquinho de onde sai a merda toda que vos inspira!

 

 

 

E o que interessa o que diz um porta-voz do Pentágono? Vejam este exemplo, um porta-voz do Pentágono afirmando em conferência de imprensa que não tem a certeza se Palmira não estaria em melhor situação nas mãos do ISIS do que nas mãos de Assad! Não, não é uma piada, ele disse mesmo isto! Vejam o vídeo abaixo no momento 2m44s. Para os descerebrados que duvidem do barbarismo desta afirmação, convido-os a ver as decapitações e os assassinatos em massa nas ruínas de Palmira ou as jaulas com mulheres à venda no centro de Palmira, tudo modernices dos adoráveis trogloditas do ISIS! Para não falar de ruínas destruídas a martelo ou com o uso de explosivos!

 

 

Porquê toda esta minha má-educação, escárnio e mal-dizer contra o Diário de Notícias? Porquê? Por causa desta não-notícia:

EUA excluem participação de Assad em Governo de unidade na Síria

Presidente sírio apelou para a formação de um "governo de unidade nacional" com a participação de membros fiéis ao regime de Damasco e também da oposição. EUA recusam a ideia

Os Estados Unidos excluíram hoje qualquer possibilidade de um Governo de unidade na Síria que inclua o Presidente Bashar al-Assad.Na sequência da entrevista de Bashar al-Assad à agência noticiosa russa Ria Novosti, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, afirmou, em conferência de imprensa, que está "fora de questão" que o chefe de Estado sírio faça parte de um Governo de unidade no país. Na entrevista, o Presidente sírio apelou para a formação de um "governo de unidade nacional" com a participação de membros fiéis ao regime de Damasco e também da oposição, que deverá redigir uma nova Constituição, opondo-se a um executivo de transição.

"É lógico que forças independentes e da oposição" participem nesse governo, e as negociações de Genebra podem "resolver" a questão da distribuição das pastas ministeriais, considerou Assad. Na entrevista, o Presidente sírio afirmou também que os cinco anos de conflito no país já custaram mais de 176 mil milhões de euros. "Os danos económicos e nas infraestruturas ultrapassam os 176 mil milhões de euros", afirmou Bashar al-Assad. "As questões económicas podem ser resolvidas imediatamente, quando a situação estabilizar na Síria, mas reabilitar as infraestruturas vai levar algum tempo", salientou. (Diário de Notícias)

 

E o mais grave é que vêm com não-notícias deste género de cliché já muito gasto, quando há tantos eventos de suma importância ocorrendo agora mesmo na Síria e que jornais como este (que têm a palavra "notícia" no nome) não dão notícia! Avanço do Exército Sírio sobre Der Ezzor vindo do sul, avanço das forças curdas a caminho de Der Ezzor vindas do norte, violações de cessar fogo dos pseudo-rebeldes perto de Damasco, ataques do ISIS no Líbano junto à fronteira com a Síria, e por aí fora! Mas não, Diário de Notícias, Público, RTP, SICN, TVI24 e companhia, apenas sabem beijar os cus dos donos do mundo, fazendo, em consequência, não-jornalismo de manhã à noite!

 

Então não podiam por exemplo informar o povo português, como fez o Los Angeles Times, o Syrian Free Press ou a Russia Today, sobre o facto de, neste momento, na Síria, ocorrerem combates entre o grupo terrorista Syrian Democratic Forces criado pelo Pentágono e o grupo terrorista Knights of Righteousness criado pela CIA!?! Dois estados (militares) autónomos dentro dos EUA gladeiam-se na Síria perante o olhar impotente do fantoche do momento, Obama, que é como quem diz, caos e violência fora de controlo por esse mundo fora, gerado pela maior potência militar da história da humanidade em perigosa decadência, e o Diário de Notícias e zombies do género assobiam para o lado e fingem que não se passa nada? Bravo, Diário de Notícias, Bravo!

 

 

 

E para passar mais rápido o tempo no qual era suposto produzirem as notícias que não produzem, claro está, vão vomitando nas suas páginas online tolisses e má-vontade crónica. Olhem outro exemplo do Diário de Notícias (a nova vítima de estimação do Pensamentos Nómadas, por culpa própria, hehe) regurgitando baboseiras sobre o mesmo tema:

Ban Ki-moon saúda expulsão de extremistas de Palmira

Secretário-geral da ONU apelou para que o "mundo inteiro" proteja aquele património da humanidade O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, saudou hoje a expulsão do grupo radical autodenominado Estado Islâmico, da cidade histórica de Palmira, na Síria, e pediu que o local seja protegido para futuras gerações. Numa conferência de imprensa na Jordânia, Ban Ki-moon disse ser "encorajador" que o local, património mundial da UNESCO, já não esteja nas mãos de extremistas e que o Governo sírio possa agora "preservar e proteger este património cultural da humanidade".

O secretário-geral instou também o "mundo inteiro" a proteger aquele património da humanidade. O grupo dito Estado Islâmico tomou Palmira em maio do ano passado e destruiu o grande Templo de Be, o santuário de Baai Shamin e várias torres funerárias, que os "jihadistas" consideraram uma blasfémia. Na semana passada, as forças governamentais recuperaram a cidade. Apelidada pelos sírios como a "pérola do deserto", Palmira ostenta templos e túmulos elaboradamente decorados, formando um conjunto de monumentos clássicos que constituíam um dos conjuntos melhor preservados no Médio Oriente. (Diário de Notícias)

 

Perceberam o que há de errado na propaganda citada? Simples, em nenhum momento a mais brutal e horrenda organização terrorista jamais criada foi chamada de "terrorista". Nem terrorista nem nada que se aproxime. Apenas eufemismos e expressões vagas que provam o que já disse antes: esta gente, ou pelo menos os seus directores de informação, são apoiantes tresloucados da barbárie que o ocidente inflige à Síria na forma de grupos e organizações terroristas. Vejamos que expressões e termos escolheram para qualificar ou identificar o ISIS:

 

  • expulsão de extremistas
  • a expulsão do grupo radical autodenominado Estado Islâmico
  • mãos de extremistas
  • o grupo dito Estado Islâmico
  • os "jihadistas" (aqueles que combatem numa guerra santa)

 

E é tudo o que conseguiu dizer o pseudo-jornalista que elaborou esta anedota. E que tal em vez de, sei lá, escrever "grupo dito Estado Islâmico", escrever "organização terrorista autodenominada ISIS? Não, não soa bem? É muito duro chamar terrorista a quem decapita gente na rua por razão nenhuma, ou que filma sírios sendo assados vivos, ou que vende mulheres e meninas como se fossem gado, ou que destroem os testemunhos da história da nossa espécie na Síria? Claro que não! Para gente normal não! Para zombies-jornalistas é que é tarefa impossível, pois vocês, escumalha pseudo-jornalística vendida e submissa, guardam os adjectivos e expressões negativas para quando vos toca inventar de forma grotesca não-notícias sobre Al Assad. Aí sim, o vosso dicionário solta as amarras para, sem provas absolutamente nenhumas, ou com provas forçadas pelos serviços de propaganda do império (um exemplo disso é o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que não é nem observatório, nem sírio, nem tem nada a ver com direitos humanos), chamarem tudo e mas alguma coisa ao legítimo chefe de estado da Síria. Ele é "carniceiro", ele é "genocida, "bárbaro"; "vil", "vingativo"... Ou "tem as mãos manchadas de sangue", ou "larga barris-bombas por cima de civis" porque lhe apetece ou porque acordou mal-disposto! Ahhhhh, e não me estendo mais pois dá-me vómitos repetir diarreia jornalística do género!

 

Um conselho, portanto, ao Diário de Notícias: fechem as portas, pois tradutores-repetidores-automatizados da propaganda do império já há de sobra no nosso Portugalinho!

 

Luís Garcia, 31.03.2016, Lampang, Tailândia

 

 Clique aqui para ler Desespero mediático 1

Clique aqui para ler Desespero mediático 2

Fontes:

In Syria, militias armed by the Pentagon fight those armed by the CIA

In Syria, Al-Assad Liberates Palmyra While CIA Fights Against the Pentagon

State Dept Rep - Syria's army should not liberate Palmyra from ISIS? (vídeo)

In Syria, Al-Assad Liberates Palmyra While CIA Fights Against the Pentagon

- The CIA and Pentagon are fighting each other in ‪#‎Syria‬, well kinda. (vídeo)

EUA excluem participação de Assad em Governo de unidade na Síria

Ban Ki-moon saúda expulsão de extremistas de Palmira

YPG captured Ruwayshd plant after ISIS fled #DeirEzzor 

SAA shelling ISIS/Daesh positions and continues to advance in East Homs, Syria

- Wikipedia: Obama,John KerryJohn Allen, Petraeus, O PentágonoGuerra por procuraçãoSyrian Democratic ForcesCIA

 

 

 

 
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Psicólogo de camionistas

 

 

BOLEIAS – EPISÓDIO 1

 

Psicólogo de camionistas

 

bw VIAGENS Luís Garcia

Esta insatisfação, não consigo compreender, sempre esta sensação, que estou a perder. Tenho pressa de sair, quero sentir ao chegar, Vontade de partir, p’ra outro lugar. (Estou Além, António Variações)

 

PSICÓLOGO DE CAMIONISTAS (Portugal, Espanha, França, 2007) – A primeira boleia que eu e o meu colega Diogo obtivemos na aventura Sudeleste 2007 foi-no oferecida por um camionista português que em Vilar Formoso nos garantiu poder transportar-nos até Irún, junto à fronteira franco-espanhola, mas não mais longe que isso. Perfeito, de uma assentada só atravessaríamos a totalidade da extensa Espanha! Se bem que rolando num camião cujo limite de velocidade é de 90 km/h e com cerca de 600 km para atravessar a viagem prometia ser imensamente longa e monótona. Bom, pelo menos jogávamos pelo seguro e garantíamos que no dia seguinte estaríamos já a caminho de França. Se é certo que de carro se viaja bem mais rápido, a incerteza de encontrar um que pare para dar boleia em Espanha e Portugal, juntamente com as esperas possivelmente de horas entre boleias de carros que por norma são de distâncias bem mais curtas que as dos camiões de transporte internacional, levou-nos a aceitar a generosa oferta do nosso compatriota e partir em direcção ao desconhecido.


O senhor ao início, embora educado e amável, mostrava-se (naturalmente) um pouco reservado e diria até desconfiado. Faltava-lhe algo que lhe mostrasse um pouco das nossas personalidades de forma a assegurá-lo que estava em face de dois jovens aventureiros e não de perigosos assaltantes fazendo-se passar por viajantes. Esse algo veio com as conversas que travámos (eu e o Diogo) ao telefone com o nosso colega Ivo que acabara de sofrer um terrível azar (ler estória La Guardia Civil). Se antes dos telefonemas imperava no ar um certo desconforto resultante do silêncio tímido e/ou receoso, depois, e por vontade expressa do tagarelíssimo senhor, instalou-se naquele camião em andamento um verdadeiro consultório de psicologia para condutores de camiões e análise de seus traumas!

 

 


Como os camiões só têm dois assentos (condutor e um passageiro), um (eu) teve de se sentar na cama por detrás dos assentos. No banco da frente ía o Diogo, rapaz muito calmo e tímido e por isso sem pedalada para acompanhar o caudal de histórias, pensamentos e inquietações existenciais ou de outra ordem debitadas pelo infatigável condutor. Com o tempo foi se tornando cada vez mais difícil para o Diogo seguir aquela avalanche de informação desconectada apresentando ainda alguma frase-feita original como resposta que demonstrasse um mínimo de interesse (primeiro genuíno, depois politicamente correcto) pelos incontáveis dizeres do outro. Juntando-lhe ainda os muitos pedidos de opinião sobre assuntos que não lembrariam a ninguém feitos pelo condutor a um Diogo semi-dormente e esgotado, decidi-me finalmente por convidar o meu colega a trocar de lugar. Trocámos mas o Diogo não se veio sentar na cama, antes deitou-se e aterrou exausto por uns tempos. Era a minha vez de ocupar a cadeira de psicólogo ambulante.


Só quem não conhece a vida solitária de um camionista é que poderia criticá-lo pelo seu comportamento aparentemente egocêntrico de falar até mais não, sem demonstrar um mínimo de empatia por nós e tentar aperceber-se se estaríamos cansados de ouvir, ou cansados, simplesmente. Dado o contexto profissional faz todo o sentido este tipo de comportamento embora nem todos sejam assim tão chatos.


O lado bom foi ouvir da sua voz uma miríade de truques, trafulhices, insólitos e mitos urbanos. Por exemplo, o truque de colocar um disco de papel recortado entre os 0 e os 90 km/h e sobrepô-lo ao disco do taquímetro do camião de forma a poder rolar mais depressa sem que fique registada a informação da transgressão (algo que não foi feito na nossa viagem). Hoje em dia os taquímetros são electrónicos e funcionam com cartões magnéticos que tornam a batota mais difícil (mas não impossível segundo outro camionista com quem viajem recentemente). Além do mais engana-se quem julgar que sejam os camionistas os principais culpados. Na esmagadora maioria dos casos a ordem vem de cima, imposta pelo patrão exigindo níveis de rapidez incompatíveis com as leis rodoviárias estabelecidas. E não é só no controlo da velocidade que a batota existe. Muitas empresas e respectivos patrões em vez de enviarem um camião ao seu destino com dois motoristas que trabalhem por turno, arriscam multas avultadas e enviam apenas um que chegam a conduzir mais de um dia sem parar. Uma vez, em Portugal, tive boleia de um camionista que quando parou para eu entrar já viajava à 23 horas! É duro, duríssimo, no entanto a tentação é enorme para quem tem dívidas e famílias para sustentar e muitos acabam por aceitar draconianas condições de trabalho deste género. Coisas do bem-amado capitalismo...

 

 


Seguiram-se muitas outras estórias: fait divers sobre o pessoal da sua terrinha, atritos e alegrias familiares, queixas um pouco nacionalistas (com razão ou não) sobre a forma com que são tratados os camionistas portugueses em Espanha, rivalidades e desconfianças entre camionistas de diferentes nacionalidades nos parques de camiões, histórias de camiões assaltados enquanto pernoitam. Selecciono dois mitos urbanos para voz contar, os meus preferidos. Um é sobre o hipotético comportamento de muitos (segundo ele) camionistas que, quando transportam mercadoria que lhes agrade abrem da forma que puderem uma palete e retiram-lhe do centro, por exemplo, 2 caixas de botas, fechando cuidadosamente para que não se perceba que a mercadoria foi alterada. Depois rezar para que o responsável da empresa destinatária, ao descarregar a mercadoria não dê conta da alteração e assine o documento de entrega. A partir desse momento, está arrumado o assunto para o camionista e as botas em falta entram para o prejuízo da referida empresa. Digo mito e não facto pois não posso provar algo a que nunca assisti, mas o nosso camionista assegurou-nos que há mesmo quem o faça e que de vez em quando lhe chegam aos ouvidos relatos do género.


O outro mito é um clássico da estrada. Ao contrário de Portugal, em Espanha as casas de prostituição são legais e pode-se encontrar imensas à beira das estradas que atravessam o país. O nosso amigo, mostrando os seus dotes de GPS mental avisava-nos com uma antecedência de alguns quilómetros (e durante a noite escura que nem breu) a localização da casa seguinte com uma impressionante precisão. Na confirmação de uma dessas previsões acertadas, vendo de passagem os néons piscando num rosa-choque cansado, o camionista sobressaltou-se e começou-nos a contar a estória do seu “mais belo romance”. Segundo ele, trabalhava ali uma formosa e “muito bem cheirosa” jovem de um país de leste (perguntámos qual, mas não nos sabia dizer) que tinha uma paixão ardente por ele e que esperava sempre impaciente pela sua próxima visita ao estabelecimento. “Ali todos pagam, e bem”, assegurava ele, “mas para mim ela fá-lo sempre de graça, e ainda pede para eu voltar, ardendo de paixão”! Ahahah, pois claro...


À 1 hora da manhã chegávamos finalmente a Irún, o camionista estava cansadíssimo pela longa jornada de condução, nós não menos, desabituados a tão longos períodos de tempo enjaulados num veículo e com a cabeça em água de tantas estórias ainda por assimilar. Ele ajeitou a sua cama por detrás dos assentos da cabine, enquanto que nós encontrámos uma relva razoavelmente confortável nos jardins do parque de estacionamento e aí instalámos os sacos de cama. Mau mesmo foi quando a meio da noite começou a cair uma borriça que nos obrigou a procurar refúgio por debaixo de uns arbustos muito pobres em folhagem. Uma noite muito mal passada, sem dúvida!


No dia seguinte encontrámos o nosso companheiro de viagem nas casas-de-banho públicas e juntámos-se a ele para um café matinal no restaurante da estação de serviço. Aí, durante a conversa de pequeno-almoço o motorista convidou-nos a voltar à estrada com ele. No dia anterior ele tinha-nos explicado que, normalmente, camiões com destino a Itália e aos países de leste costumam usar a rota que passa por La Jonquera, junto aos Pirenéus orientais onde passam a primeira noite. Pelo contrário, aqueles cujo destino é o norte da França ou Europa do norte têm por hábito acabar a primeira etapa em Irún (onde nos encontrávamos). Ora, precisamente pelo seu trajecto ser atravessar a França numa diagonal para nordeste que o levaria para Alemanha, de início hesitámos em aceitar o convite. A questão principal era: se por um lado teríamos a hipótese de partir de imediato, por outro dirigir-nos-íamos para a zona errada, o que nos obrigaria posteriormente a fazer quilómetros extra para voltar à nossa rota. Ambas as opções tinha prós e contras e ficámos deveras indecisos. A solução (pragmática) foi a de pedir boleia a outros camionistas na meia hora seguinte, enquanto o camionista português fazia os preparativos para partir e, findo esse tempo, se não tivéssemos encontrado nada de interessante, juntar-nos-íamos a ele.

 

Meia hora depois estávamos de novo instalados no gabinete de psicologia que conhecêramos na véspera, e lá fomos com o nosso colega de aventuras rumo a França. E sim, as sessões foram retomadas, o camionista tinha recarregado e bem as baterias e encheu-nos de novo a cabeça com mitos e lendas da estrada. À entrada de uma pequena vila francesa avisou-nos para prestar atenção aos passeios pois “desde há muito tempo que ovelhas insistem em pastar nos canteiros sem nunca (e sublinhou veemente o “nunca”) arredar pé”. Nós inocentemente lá destinámos a nossa atenção a observar cuidadosamente todas as árvores e respectivos canteiros que dos quais nos íamos aproximando lentamente enquanto que ele, o motorista, continha-se o mais possível para não se rir declaradamente. A meio da povoação confirmou-se, pela metade, aquilo nos contara. Haviam sem dúvida ovelhas brancas aparentemente pastando na berma da estrada, mas o motivo para “nunca arredarem pé” era o facto de serem recriações feitas de cimento! Ah, como ele troçou de nós, todo contente!

 

A ovelha de cimento

 

Durante horas a fio atravessámos o verdejante interior francês, vimos alces fugir ao longe nas planícies, assustados pelo barulho dos camiões, tirámos algumas fotos da França rústica e envelhecida e fomos diversas vezes convidados pelo condutor do camião a fazer-lhe companhia mais um dia e viajar até ao seu destino final: região industrial do noroeste alemão! Insistiu e voltou a insistir que estava encantado pela nossa companhia e a nossa paciência para o ouvir (pois não!) e que seria um enorme prazer para ele concluir a viagem connosco. Mas não, não faria sentido nenhum, o nosso projecto era incompatível, o tempo e recursos económicos disponíveis não o permitiriam, não estávamos minimamente interessados em visitar a Alemanha, não nos alegrava a ideia de nos tornarmos psicólogos a tempo inteiro e, aliás, já nos tínhamos desviado muito mais da rota do que jamais poderíamos ter imaginado: parámos ao final da tarde para pernoitar em Sens, vejam lá, quase às portas de Paris!

 

 

Desta vez estacionámos no meio do nada, na beira de uma estrada que se perdia na imensidão da planície de plantações de trigo já colhido. Avistámos não muito longe rolos de palha dos quais nos poderíamos servir (pensámos nós na altura) para improvisar a cama desta segunda noite de viagem. No entanto, o céu coberto de nuvens escuras prometia chuva e o camionista veio ter connosco convidando-nos a instalar os sacos-cama nas traseiras do camião junto às peças de motores Mercedes que transportava (ver slide-show acima). O que ganhámos em garantia de uma noite menos molhada que a anterior, perdemos em desconforto ao nos deitarmos sobre o chão rijo e metálico do camião separado dos nossos corpos apenas pelo fino tecido dos sacos-cama.


No dia seguinte pedimos-lhe que nos levasse até uma estação de serviço da estrada Paris-Lyon onde tentaríamos de novo pedir boleia rumo a sul. Mas essa é outra mirabolante aventura à boleia contada na próxima Estória de Viagem!

 

Luís Garcia, 31.03.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Les gens déprimés

 

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RICARDO MINI copy  SOCIEDADE en français

 

J'en ai assez de lire des conneries sur « les gens déprimés ». Vous savez qui a le droit de se sentir déprimé , parce ce qu'ils ont des raisons pour? Ceux qui sont pauvres, qui sont exploités au travail, qui ont perdu des êtres chers atteints de maladie grave, ceux qui sont emprisonnés (indépendamment du fait d'avoir commis un crime ou pas), ceux qui sont ou ont été en guerre, qui vivent dans la rue, qui ont faim, qui ont soif, qui sont atteints d'une maladie grave.

 

Et le plus curieux est que beaucoup de gens se trouvant dans ce genre de situation ne dépriment pas. Ou, s'ils dépriment, la dépression finit par passer. Vous savez pourquoi ? Parce qu'ils ont des problèmes réels, et pas des problèmes inventés, et qu'ils doivent s'en occuper pour continuer à vivre, ou pour aider d'autres personnes à continuer à vivre. Il n'ont pas le temps de se vautrer dans le canapé à ruminer des conneries avec lesquelles ils se remplissent la tête, et en plus après, essayer de contaminer les autres avec. Ils n'ont pas le temps de se tracasser pour des conneries. Ils n'ont pas le temps d'être des matérialistes consuméristes de merde. Ils n'ont pas le temps de consommer de l'art mélancolico-dépressif et penser que le monde entier est foireux et le sera toujours, et que ça ne vaut même pas la peine d'essayer d'y changer quoi que se soit, c'est bien mieux de se mettre en scène à débiter des inepties basées sur des sensibleries pseudo-psychologiques. Ils n'ont pas le temps pour inventer des conneries.

 

À ceux qui ont le temps pour inventer des conneries avec lesquelles ils se sont rempli la tête et pensent qu'ils ne peuvent plus s'en défaire, il y a un bon remède, qui est la meilleure solution pour vous-même et pour les autres. Tirez-vous une foutue balle dans la tête, et vous n'aurez plus à vous traîner dans cette existence qui vous est infernale, ni à obliger les autres ( parce que malheureusement , il y en a toujours d'autres qui sont à votre contact) à supporter des conneries, et à être en contact avec des choses qui peuvent aussi potentiellement les contaminer.

 

Ricardo Lopes

(Traduction de Claire Fighiera)

 
 
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Esterilização: o aparelho reprodutor feminino não é um "espaço público"

 

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Após quatro anos de tentativas falhadas de obter uma esterilização, Holly Brokwell conseguiu-o. Esta história demonstra que o aparelho reprodutor feminino é ainda um espaço público cujo funcionamento é pautado por pareceres de natureza cultural e, como tal, absolutamente subjectivos e variáveis

   SOCIEDADE 

 

Há uns dias, deparei-me com uma crónica da jornalista Holly Brokwell acerca da sua vitória na batalha travada com o NHS (National Health Service) durante quatro anos. Conseguiu autorização para ser esterilizada. Após anos de recurso a métodos contraceptivos com múltiplos efeitos secundários negativos e de tentativas falhadas de obter uma esterilização, que segundo a própria, seria uma decisão informada e fruto de muita ponderação acerca das implicações e consequência da (não) procriação, viu finalmente reconhecido este direito.

 

O que é que esta história, que tem lugar na Europa progressista do século XXI, demonstra? Essencialmente que o aparelho reprodutor feminino é ainda um espaço público cujo funcionamento é pautado por pareceres de natureza cultural e, como tal, absolutamente subjectivos e variáveis. Contudo, estes pareceres, como a própria autora descreve nas crónicas que escreveu a este propósito, podem assumir diversas formas e manifestarem-se sob os mais variados pretextos mas todos eles, na realidade, visam contestar e contrapor uma decisão que envolve a subtracção do indivíduo a algo tão culturalmente enraizado como o acto da procriação.

 

Um dos principais argumentos — se exceptuarmos aqueles que envolvem preceitos religiosos ou o argumento que envolve os mecanismos básicos de reprodução da cultura e de perpetuação da sociedade — é o da irreversibilidade. Em relação à questão da preocupação da sociedade hegemónica com o grau de irreversibilidade das decisões tomadas pelo indivíduo — este caso da esterilização — para além de ser um problema do principal e único visado (a partir do momento em que ele se torna maior de idade e já teve acesso a uma quantidade de informação que lhe permita tomar uma decisão consciente) é uma falsa questão pois também o acto de ter filhos é irreversível.

 

Sendo a vida algo de finito quase tudo é irreversível, de alguma forma. Depois de certas decisões, acontecimentos e confrontos com determinadas realidades dificilmente algo volta a ser como antes. São irreversíveis as mudanças que se operam em alguém pelo facto de se ter decidido estudar um determinado tema, por se ter decidido morar num determinado local, por se ter decidido encetar relações com determinadas pessoas. Faz parte da vida assumir a responsabilidade pelas consequências das próprias decisões, sejam elas quais forem. A (não) parentalidade é uma delas. A mudança é contínua, de certo modo é sempre irreversível e opera-se continuamente através do próprio acto de viver.

 

Aquilo a que a preocupação comunitária com os princípios que cada indivíduo decide definir como seus para orientar uma decisão que deveria ser do foro estritamente íntimo é uma forma de prepotência, paternalismo e uma tentativa de passar atestados de menoridade mental àqueles que querem assumir uma conduta aplicada à procriação diferente daquela estabelecida pelos preceitos da sua cultura. E este cenário é inadmissível. Porquê? Porque desse modo não se pode falar de progressismo nem de respeito pela diferença se aqueles cujo comportamento corresponde, em maior ou menor medida, aos parâmetros da cultura vigente decidem e se acham no direito de aborrecer/oprimir/assediar/moralizar os demais com as suas referências culturais e pessoais logo, absolutamente relativas e circunstanciais.

 

Ana Leitão

 
 
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Desespero mediático 2 - Turquia

 

 

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Luís Garcia  POLITICA SOCIEDADE

 

Desespero e mais desespero. Da mesma forma que repetem, até à náusea, acusações contra Al-Assad de barbárie que simplesmente não existiu ou que, quando existiu, foi realizada quer por trogloditas mercenários treinados pelos ocidentais quer pelas próprias forças armadas europeias e norte-americanas, quando de facto um regime aliado (o turco de Erdogan) comete limpeza étnica dentro das fronteiras do seu país, ninguém nos media portugueses parece estar a par dos acontecimentos ou pelo menos não se mostra com vontade de falar sobre tal. E é aí que me dão razão quando digo que as mentiras sobre Al Assad são mesmo mentiras e que os jornalistas portugueses não são jornalistas, antes empregados precários beija-cus dos cus dos seus patrões, cujas bocas beijam por sua vez os cus de malta que manda mais do que devia neste planeta! Por que digo tal? Ora, porque se as estórias anti-Assad que nos contaram nas TV's, rádios e jornais nos últimos 5 anos fossem verdade, então os pseudo-jornalistas portugueses afinal seriam mesmos jornalistas e eu não vejo então por que razão esses mesmos verdadeiros jornalistas ignorariam crimes da mesmíssima índole ocorrendo agora, ali mesmo ao lado da Síria, na Turquia! 

 

Ou ocorrendo no Iémene no sentido inverso ao da Síria e completamente ignorado. No Iémene tivemos uma revolta popular bem sucedida contra o ditador patrocinado pelos EUA, que teve como consequência o país ser invadido pela Arábia Saudita e amigos, e bombardeado por drones norte-americanos, morrendo dezenas de milhares de civis como castigo por se terem libertado do regime que os oprimia. Mas para os nossos media vendidos há os civis mais ou menos bons, aqueles mortos pelo nosso terrorismo na Síria (mas oficialmente mortos pelo regime do "carniceiro" Assad) no  processo da farsa de "libertar" a Síria de opressão, e há os civis maus, esses filhos da puta de iemenitas que não sabem estar quietos e submissos ao ditador que escolhemos para eles e que se deram ao luxo de fazer uma revolta bem sucedida de verdade! Para medir o cúmulo da hipocrisia não só dos media ocidentais mas também dos seus políticos com cheiro a vaselina, veja-se o que disse Manuel Valls (1º ministro francês) a propósito da venda de armas à Arábia Saudita que bombardeia o Iémene: Será indecente lutar pela nossa economia, pelos nossos empregos?, como quem argumenta que vender armas para matar civis inocentes é uma necessidade económica do maquiavélico ocidente? Ahhhh, mas disse tudo esse pobre bandido! Outra: o imbecil beija-cus do François Hollande (presidente francês), condecorando o príncipe herdeiro (ler dono) da Arábia Saudita com não sei quê de medalhas da legião da (des)honra, no rescaldo da decapitação de mais de 40 prisioneiros políticos na Arábia Saudita? 

 

 

Mas vamos ao desespero desesperante do momento: ISIS-Turquia de Erdogan e respectivos factos quase totalmente ignorados pelos nossos media, de propósito! 

  • Durante anos refugiados sírios na Turquia foram tratados abaixo de merda enquanto que uma boa parte dos homens era obrigada a juntar-se aos grupos terroristas anti-Síria treinados em bases militares turcas como as de Karaman, Osmaniye e Sanliurfa, e enquanto uma boa parte das mulheres e meninas sírias eram vendidas como mercadoria a bárbaros dos estados árabes nossos aliados.
  • A crise de refugiados, do ano passado, a caminho da Europa só começou quando a Turquia deixou de os armazenar em campos de concentração e despachou-os a pontapé para as bordas do mar Egeu e da fronteira com a Grécia e a Bulgária. O próprio Erdogan afirmou há semanas, qual mafioso extorquindo suas vítimas, que se a Europa não lhes der mais dinheiro, mais refugiados serão empurrados para a fronteira Turquia-UE! Não ouviu falar desta afirmação tresloucada nos seus media predilectos? Não, não foi por acaso que não ouviu nada!
  • Assim que a Turquia foi aceite dentro da Coligação Ocidental anti-ISIS (parece uma piada mas não é), a primeira decisão militar que tomou foi bombardear cidades turcas habitadas por curdos, sobretudo aquelas (basta fazer um cruzamento de dados para se aperceber de tal) nas quais o partido curdo tinha ganho mais votos nas últimas eleições legais que deixou o país num impasse. Houve uma outra eleição depois, na qual esses mesmos curdos foram impedidos de participar e da qual saiu vencedor (da enorme farsa eleitoral) o inevitável Erdogan!
  • Com o golpe de estado concretizado e a população curda sendo massacrada dentro da Turquia, o exército turco lembrou-se de invadir o norte do Iraque com equipamento pesado e 1500 homens, por muito que o governo de Bagdad tenha insistido que tal se tratava (obviamente) de um acto de agressão turco. Algum jornalista fez esta reflexão nos media nacionais? Dúvido!
  • Como há sempre alguém (turco no caso) que não gosta de ser cúmplice em crimes contra a humanidade perpetrados pelo exército e governo do seu país, os jornalistas do Çumhurriyet que filmaram a confiscação de armamento turco que se destinava ao ISIS na Síria, foram presos e são acusados de terrorismo e sabotagem contra o estado turco. Os fiscais turcos que realizaram e bem o seu trabalho nesse dia, também receberam as mesmas acusações. Ainda há pouco foi o jornal turco Zaman que se viu violado, ou seja, obrigado a trocar o seu presidente (do contra) por um amigo de Erdogan, acabando-se de vez com a linha editorial de oposição à barbárie do regime turco. Há apenas 2 dias, e apesar da proibição de noticiar verdades no novo Zaman, um jornalista do jornal Zaman foi preso por tentar dizer verdades inconvenientes na martirizada cidade curda de Gaziantep.
  • Neste momento a Turquia conta com centenas de milhares de refugiados internos e milhares de mortos e desaparecidos, sobretudo devido aos cercos a cidades e regiões curdas inteiras às quais as autoridades turcas cortam o acesso a água, electricidade e comida durante semanas, e devido à guerra aberta contra as populações civis curdas e a sua organização de resistência (PKK) que NÃO começou coisa nenhuma! Ainda em 2014 viajei pela região e falei com muitos curdos do PKK e ninguém parecia saber que viria aí um conflito dentro na Turquia, nem tampouco ninguém parecia interessado em fome, guerra ou nomadismo forçado a caminho da Europa. Se agora se levantam e resistem, tal como já afirmei acima, é porque o regime turco lhes declarou guerra no fim de 2015 quando era suposto declarar guerra ao ISIS!
  • Para não me estender muito sobre o terrorismo de estado turco (que seriam aos milhares de exemplos) sobre a sua população curda (e não só), indico-vos apenas 2 exemplos recentes: a destruição massiva de Nusaybin, uma cidade no sul do país, junto à fronteira com a Síria (veja vídeo 1 e vídeo 2).  E apenas um exemplo mais, o acto de barbárie turca que descobri ontem e que me levou a escrever estes 2 artigos de "Desespero mediático: a destruição pelo exército turco da zona histórica de Sur, em Diyarbakir, onde se encontra(va) a multi-centenar igreja arménia católica de Surp Sarkis, património da UNESCO. A destruição é enorme e inexplicável, assim como inexplicável é o facto do governo turco prontamente ter confiscado (nacionalizado) 90% dos terrenos (e destroços) localizados dentro do perímetro classificado de histórico! Ah, viva a limpeza da história pré-Otomana!
  • Agora comparem com Palmira! Aí, os exércitos nossos inimigos do "carniceiro" Assad e do "imperialista" Putin perderam vidas humanas para salvar ruínas património da humanidade. Em Diyarbakir o exército do nosso "aliado" Erdogan bombardeia um igreja arménia património da humanidade que nem sequer estava em ruínas! Comparações nos media? Qual quê? Os tugas que vêem TV nem fazem puta ideia de que igreja destruída estou para aqui a falar!  Enfim, pelos vistos, para Erdogan, limpeza étnica como processo de criação de um estado túrquico etnicamente puro não chega, há que apagar também a história pré-Otomana da região. Depois digam-me que Hitler era mau e que Erdogan não! Diferenças, quem as consegue apontar?

E que conclusões tirar de todo este desespero? Que, apesar de indesmentível e difícil já de esconder, quer os nossos media quer os nossos governos tentam  fingir que tudo o que aqui escrevi não faz parte do reino da realidade. Pelo contrário! Os governos da  União Europeia aceitaram a chantagem mafiosa turca e entregaram 6 mil milhões de euros a Erdogan para que este receba de volta milhares de refugiados sírios estacionados na Europa, violando de forma escandalosa leis e convenções internacionais, enquanto Davutoglu (primeiro-ministro turco) e Erdogan vão avisando que a parada de extorsão poderá subir até 20 mil milhões de euros dos impostos dos cidadãos europeus.

 

União Europeia e o terrorismo de estado turco 

 

Quanto aos jornalistas europeus (e portugueses), esquecem-se de informar um monte de cenas chatérrimas, e não ousam uma única conclusão no reino do real. Ouso eu, com toda a humildade de quem aceita poder estar 100% equivocado: ao pagarmos extorsões (nós europeus) à máfia do regime turco em troca destes receberem de volta a nossa parcela de refugiados estamos:

  • a alimentar economicamente um estado que bombardeia as suas minorias, que compra petróleo ao ISIS, que vende armas ao ISIS e que neste momento ocupa territórios dos estados soberanos do Iraque e da Síria, que é como quem diz, pagamos para que se produza mais refugiados que irão acabar na Europa.
  • ao fecharmos os olhos aos crimes perpetrados pelo regime turco contra as suas minorias neste macabro compromisso, vemo-nos na absurda situação de assistir à produção de mais 25 milhões de potenciais refugiados que quererão, aposto eu, fugir para a União Europeia.
  • como se tudo isto não bastasse, agora que a Turquia é declaradamente um estado terrorista, exportador de terror e maior produtor mundial de refugiados dentro e fora das suas fronteiras, imagine-se, agora mesmo e não há 10 anos quando a Turquia era um país calmo e lhe foi recusada inúmeras vezes acordos de livre circulação com a UE, agora mesmo, insisto, a UE ofereceu à Turquia a livre circulação de cidadãos turcos na UE! Hehehehe, que ganda moca, não? Ora, em troca de receber de volta uns milhares de refugiados, damos-lhe milhares de milhões de euros a pronto pagamento e receberemos daqui a pouco 25 milhões de refugiados! Bela negociata a destes políticos europeus europicidas da piça! Bravo, de tirar o chapéu! Ahahahahah! E Erdogan todo contente, pois enquanto destrói as cidades e a história curda e arménia da Turquia, e mata milhares de membros dessas minorias, vai ultimando com os seus parceiros europeus a abertura da porta por onde 25 milhões de curdos e arménios perseguidos passarão sem problemas burocráticos graças aos seus passaportes turcos, e com o argumento (válido) de fugirem do genocídio! Bravo Europa bravo!

Mas claro, voltando à realidade mediática (e acabei de dar uma olhada na RTP online), metade das notícias da secção mundo dos media tugas são... ainda!... sobre os atentados em Bruxelas!

 

Por tudo isto e pelo muito mais que ficou por dizer, desesperadamente afirmo que, no dia em que media nacionais forem alvos de atentados terroristas perpetrados directa ou indirectamente pelas organizações que estes mesmos media idolatram, eu por certo não lamentarei as mortes dos seus prostituídos jornalistas e, quiçá, até baterei palmas, tal como fez a psicopata Clinton em reacção ao assassínio em directo de Gaddafi!

 

Luís Garcia, 28.03.2016, Lampang, Tailândia

 

  Clique aqui para ler Desespero mediático 1

Fontes:

Jihadists train in Turkey to attack West

Turkish president threatens to send millions of Syrian refugees to EU

François Hollande a remis (très discrètement) la Légion d'honneur au prince héritier saoudien

Valls sur l'Arabie Saoudite: "Est-il indécent de se battre pour notre économie, nos emplois?"

Cumhuriyet publishes video for weaponry in lorries affiliated to Turkish intelligence

Turkish authorities arrest Zaman Al Wasl reporter in Gaziantep

Turkey Seizes Newspaper, Zaman, as Press Crackdown Continues

Breaking: Images Show Extent of Damage to Diyarbakir’s Armenian Catholic Church

VİDEO: Intense gunfire and shelling heard all over Nusaybin where round the clock curfew continues for the 12th day

Turkish tanks positioned in schoolyards are shelling directly at homes of resident of the Kurdish city of Nusaybin

 - Breaking: Images Show Extent of Damage to Diyarbakir’s Armenian Catholic Church

More: Areas marked red have been ordered to be confiscated by State, in UNESCO heritage Sur, inside ancient walls. 

Clinton on Qaddafi: "We came, we saw, he died" - CBS News

Farage - Turkey and ISIS are Blackmailing the EU

 

 

 

 
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Desespero mediático - Síria

 

 

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Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE

 

Quando é que começa a ser desesperante viver neste mundo absurdo? Simples.

 

Quando vejo o exército secular da Síria perder tantas vidas humanas sírias (e uma russa, pelo menos) para reconquistar as ruínas de Palmira sem a destruir e, sobretudo, sem permitir que os trogloditas do Estado Islâmico (treinado e armado pelos nossos estados "ocidentais") a destruíssem no momento da fuga, para depois constatar que a asquerosa merda merdosa dos media portugueses passados 2 dias ainda não reagiram! Nesse período, só a título de exemplo, o exército leal a Al-Assad já desminou a quase totalidade das ruínas de Palmira! Lembram-se como foi há um ano atrás quando o ISIS, no sentido inverso, capturou Palmira com apoio aéreo da Força Aérea dos EUA? Deliraram todos em macabros orgasmos psicológicos, esses grunhos vendidos que tem o descaramento de se considerarem jornalistas e, por entre RTP's, Públicos e vómitos jornalísticos do género, poucos foram os que conseguiram disfarçar o seu contentamento mórbido, de bons acólitos do imperialismo norte-americano, perante os lamentáveis acontecimentos que transmitiam sem cessar!

 

Entretanto contam-me a treta de que o raio do país que contínua a entregar armamento ao ISIS pelo céu, EUA, teria morto o número 2 ou o número 69 ou o raio que seja da chefia "militar" desse mesmo ISIS, mas ninguém na puta destes media portugueses me explica como é que na região de Azaz (verde no mapa), hoje mesmo, terra controlada pelo os terroristas do Exército de Libertação da Síria (ELS), Al Qaeda e Frente Islâmica, apoiados pelos EUA, e que faz fronteira com a Turquia (de onde não para de entrar armamento para o ISIS), foi perdida para as mãos do ISIS (preto no mapa), sabendo que essa mesma porção de território está parcialmente cercada pela "Rojavi" curda na qual se encontram estacionadas tropas dos EUA, França, Austrália, Reino Unido e mais alguns estados vassalos dos states, e sabendo que neste preciso momento o ISIS perde diariamente 20 a 30 quilómetros em todas as frentes face ao imparável exército sírio? Por que razão ninguém explica? Simples, porque é inexplicável que a maior máquina imperial de guerra da história da humanidade, apoiada por dezenas de estados vassalos, não consiga fazer o que o martirizado exército sírio faz, mesmo depois de ter perdido 90.000 homens em 5 cinco anos lutando contra o terrorismo ocidental que devastou o seu país! Bravo Exército Sírio! Bravo Bashar Al-Assad! Viva o estado laico da Síria!

Azaz

 

Outra razão para desesperar? Simples, ver o porta-voz do Pentágono afirmando em conferência de imprensa que não tem a certeza se Palmyira não estaria em melhor situação nas mãos do ISIS do que nas mãos de Assad! Não, não é uma piada, ele disse mesmo isto! Vejam o vídeo abaixo no momento 2m44s. Para os descerebrados que duvidem do barbarismo desta afirmação, convido-os a ver as decapitações e os assassinatos em massa nas ruínas de Palmira ou as jaulas com mulheres à venda no centro de Palmira, tudo modernices dos adoráveis trogloditas do ISIS! Para não falar de ruínas destruídas a martelo ou com o uso de explosivos!

 

 

Perante todas estas enormidades e contra todas as evidências querem me fazer crer que Al Assad é um carniceiro demoníaco, enquanto pegam 6 mil milhões de euros dos impostos dos cidadãos da UE e entregam a Erdogan, o líder ilegítimo de um país que deveria mudar o nome oficial para ISIS, que faz guito à custa do sofrimento alheio e bombardeia as populações curdas e arménias do seu país! Bom mas esta razão de desesperar fica para amanhã, já chega por hoje de desespero!

 

Luís Garcia, 28.03.2016, Lampang, Tailândia

 

 Clique aqui para ler Desespero mediático 2

Fontes:
Russian military says special forces officer killed near Palmyra

The Syrian regime published the names of 110 SAA soldiers that died during clashes in Palmyra and Qaryatain

SAA has cleared the most of the mines in the ancient part of Tadmur. Syria (com vídeo)

- vídeo onde se pode ver camiões militares turcos levando armamento para território sírio controlado pela ALl Qaeda e o ISIS (https://www.youtube.com/watch?v=tQFeFnsxi48)

State Dept Rep - Syria's army should not liberate Palmyra from ISIS? (vídeo)

 

 

 

 
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A criação do mundo - Capítulo 2/5

 

 

Um novo "antigo testamento"

o deus imperfeito - origem do mundo 2 copy2

 

O deus imperfeito RELIGIÃO Luís Garcia 

 

Após o merecido descanso, deus, contemplando a sua obra, achou-a grandiosa e magnífica, e portanto digna em teoria dos mais elevados elogios por parte dos seus divinos colegas de trabalho, mas a verdade é que até ao momento não tinha ainda recebido de nenhum dos restantes deuses do imaginário humano qualquer tipo de felicitação ou mostras de reconhecimento pelo novo mundo que havia criado. Fazendo então uso da sua afamada omnipotência, após ter observado minuciosamente a sua criação e reflectido vagarosamente sobre o funcionamento desta, deus achou que as coisas ainda estavam um pouco desorganizadas e lembrou-se de acrescentar ao já existente mundo uma nova região que passar-se-ia a chmar paraíso, a qual foi criada para que tanto o homem como a mulher podessem a partir daí obter fácil e gratuitamente todo o tipo de frutas, sementes, e restantes alimentos que viessem a ser necessários à concretização de uma qualidade de vida paradisíaca digna deste mesmo nome. Mas que deus simpático e altruísta!, devem estar agora os leitores destas linhas a exclamar! Calma, vou advertindo eu.

 

Como não há bela sem senão em tudo em que deus põe a mão e como este via-se no direito e com o poder necessário para tal, decidiu quase de imediato preparar uma engenhosa armadilha cuja função seria complicar a vida ao homem e à sua mulher. Afinal, tanto trabalho, tanto suor, tanto esforço mental e imaginação despendidos para ficar depois deus sem nenhum entretenimento ou diversão, sem nenhum proveito prático da sua obra, enquanto os dois felizardos regalar-se-iam sem cessar dos frutos da sua criação a eles oferecida?! Não, sussurrou deus num tom de voz que só ele terá ouvido, como quem fala sozinho no intuíto de se fazer firme face à hesitação numa decisão que deverá ser tomada em breve. Desta sua última atitude podemos se quisermos retirar duas ilações pertinentes: Em primeiro, que de mais um mal humano sofreria deus (e não há-de acabar por aqui a lista de defeitos em comum), a desgastante Incerteza, a corrosiva Dúvida, a humana Indecisão que todos nós temos de enfrentar em semelhantes momentos. Em segundo, que algo não muito simpático para a existência dos humanos habitantes do novo paraíso deveria estar a ser arquitectado na divina mente, caso contrário não se perceberia a razão de tanta hesitação. E foi mesmo esse o caso. Não tendo paciência para suportar a perpétua eternidade na mesma monotonia que antes o havia levado a criar o mundo, deus decidiu-se por acrescentar ao seu jogo de estimação sofisticados instrumentos que lhe permitiriam a partir de então extrair daquele o maior proveito lúdico possível, desviando-o consequentemente do seu velho amigo, o eterno aborrecimento.

 

          E foi por esta razão que um dia lembrou-se ele de criar uma árvore na qual cresceriam frutos especiais, os quais seriam de ingestão proibida para os inquilinos humanos, pese embora o seu atraente e apetitoso aspecto.  A ideia da diversão era simples: Após ter criado Adão e Eva em muito semelhantes a ele nas qualidades e nos defeitos, depois de os ter criado igualmente imperfeitos, acrescentou como agora se viu um paraíso destinado a eles, onde nada precisariam de fazer para continuarem vivos, inteiros e saudáveis. Em resumo, criou-os e recriou em seu redor as mesmas condições de aborrecimento intelectual que a si mesmo o atormentavam desde o início da eternidade. A partir deste momento, e dadas as condições oferecidas por deus, a única diferença crucial entre o casal e o seu criador era a posse dos invejáveis poderes de omnipresença, omnipotência e omnividência deste último, mas é importante não esquecer que o conjunto destas mesmas características do imperfeito deus era a razão pelo qual só ele e mais ninguém por si criado até à data no novo mundo conhecia as palavras bem e mal, assim como a diferença de significado entre estas duas, o que por sua vez nos leva a concluir que seria também deus o único a compreender a perversidade do jogo psicológico que estava a ultimar, em oposição à ingenuidade característica daqueles que não conheciam ainda os antagónicos conceitos. Assim, à fácil mas monótona vida de Adão e Eva, deus acrescentou uma árvore contendo o fruto proibido, na certeza de tornar menos apática a sua condição de espectador, caso os seus humanos inquilinos se começassem a interrogar sobre as suas também apáticas vidas. Com a concretização deste plano deus garantiria num primeiro momento entretenimento para si mesmo, enquanto Adão e Eva vivessem a batalha interior de comer ou não o único fruto ainda por provar no paraíso, no intuito de também eles combaterem a sua apatia ocupando-se com novas acções. Num segundo momento, deus encontrar-se-ia perante muitas e variadas hilariantes oportunidades de distracção, caso os humanos caíssem finalmente na tentação que os desprenderia da ingénua ignorância e que os levaria a viver a partir desse ignominioso acto inúmeras dificuldades, problemas e privações.

 

Aquando da introdução da tentadora árvore no paraíso por eles habitados, e apesar do provável aborrecimento, tanto o homem como a mulher gostavam da vida que tinham, de todos os prazeres disponíveis, dos frutos de infinitas variedades e sabores, dos novos animais que encontravam todos dias, das novas paisagens incrivelmente belas com que os seus olhos se deliciavam a cada vez que decidiam partir à descoberta e, desse modo, eram felizes e gostavam da vida que tinham, ao contrário do que se passava com o seu deus criador. No entanto, o tempo foi passando e eles percorreram todos os caminhos do paraíso, experimentaram todos os sabores e todas as sensações, tomaram conhecimento de tudo o que havia no paraíso e nada mais tinham de diferente para fazer. É claro que mesmo assim podiam perfeitamente continuar a viver alegres e contentes tal como todos os outros animais, dada a tamanha quantidade de regalias que tinham ao seu dispor. Assim seria de esperar, que pudessem continuar felizes e despreocupados com a sua inocente vida, mas não, não se perpetuou este destino porque deus, apercebendo-se que os motivos de distracção para os humanos estavam prestes a findar-se, lembrou-se de lhes apurar uma característica que tanto neles como nos restantes animais se apresentava numa forma residual, a curiosidade, ou seja, deu-lhes o impulso necessário para vencer a inércia inicial de que sofriam as mentes humanas, e que retardavam consideravelmente a diversão que deus tanto ansiava. Apesar de consciente da pura malvadez contida nesta sua última decisão e segundo reza a lenda, não há indicações algumas de que jamais se tenha arrependido de o ter feito, nem tampouco que tenha sentido remorsos depois de tão mal tratar os seus inquilinos, o que me leva a perguntar onde pode deus ir buscar argumentos para nos acusar, julgar e condenar contra os nossos inevitáveis actos pecaminosos, quando este pecava livremente já desde o início dos tempos? E mais, sempre foi possuidor (o que faz toda a diferença) da omnipotência que o poderia ajudar a ser cura e psicólogo de si próprio, advertindo-se da insensatez e gravidade dos seus planos, assim como elucidando-se de outras possibilidades, mostrando novos e alternativos caminhos de saúde mental. É uma questão que deve fazer pensar os leitores católicos. Quanto aos que não o são, deixo-os com a persistente dúvida: se omnipotente é o deus dos católicos, porque permite que peque o género humano sem jamais intervir? Por ser imperfeito, vou insistindo eu...

 

          Os acontecimentos posteriores à última mudança efectuada por deus no paraíso vieram demonstrar que foi acertada a sua escolha, pois a verdade é que quer Adão quer Eva, após adquirirem um elevado grau de curiosidade e, embora nada mais de significativo tenha ocorrido no paraíso no qual eram precários hóspedes (como se há-de descobrir em breve), começaram a mostrar-se cada vez mais impacientes, pois como é sabido viviam num lugar onde nada era preciso fazer, onde não era necessário de todo lutar para sobreviver, onde tudo se podia obter facilmente. As suas vidas cada vez mais aborrecidas e entediantes tomavam precipitadamente novos contornos, já não era somente aquele ritmo monótono e quotidiano ao qual se tinham bem adaptado. Os pobres humanos debatia-se agora com a verdadeira tortura psicológica que se tinha tornado a inesgotável curiosidade que sentiam quando para a àrvore do fruto proibido olhavam, e que os fazia roer unhas e cérebros nas incontáveis tardes em que passavam horas a fio sentados em frente a ela, admirando o esplendor do brilho fortemente alaranjado das suas enigmáticas maçãs.

 

A tentação de experimentar a única coisa que faltava naquele aborrecido paraíso era sem dúvida enorme, mas o respeito e o reconhecimento que tinham os primeiros seres humanos pelo imperfeita divindade que criara a eles e à aquele mundo eram de tal forma elevados que, embora várias discussões entre o casal-primeiro se tenham produzido e nelas todos os prós e contras que as suas ingénuas mentes se poderiam lembrar tenham sido analizados exaustivamente, o bom senso imperou (será que imperou mesmo?) e, firmemente unidos, decidiram que o correcto seria cumprir a vontade de deus de forma a poderem demonstrar-lhe a sua imensa gratidão pelo paraíso onde tinham sido acolhidos, apesar de obviamente acharem incompreensível a divina decisão relativa ao fruto proibido. Semelhantes a deus seriam certamente, por obra e vontade deste último, mas não tanto como se pode pensar. Basta nos lembrarmos por exemplo como eram ingénuos demais Adão e Eva para poderem imaginar e muito menos compreender a perversão, engendrada por deus, da qual estavam a ser vítimas.

 

          Tendo o casal em conjunto decidido não violar a vontade de deus, quem se começava agora a impacientar e bem era este último, que achava patética e absurda a respeitosa lealdade que decidiam os humanos manter para com a sua proibição e que os impedia assim de cair na esperada tentação de com a exótica fruta saciarem as suas barrigas e comum curiosidade. É que deus acreditava mesmo que Adão e Eva, semelhantes a ele nas suas muitas imperfeições, começassem pelo menos a se aproximar perigosamente e cada vez mais frequentemente da árvore proibida, o que para seu grande desespero teimava em não acontecer.

 

É interessante constatar que o homem e a mulher tenham de facto tomado a louvável atitude de honrar o seu compromisso para com quem se sentiam obrigados a fazê-lo, mas outro aspecto ainda mais importante a reter é que estes fizeram-no apesar da sua inata imperfeição, o que me leva a ironicamente concluir que estes primeiros humanos eram inesperadamente capazes de escrever direito por linhas tortas, ao contrário do seu criador, que pese embora fosse possuidor das mais direitas linhas existentes em todo o universo, haveria de cegamente insistir em escrever torto sobre tão perfeitas linhas a história dos primeiros tempo da humanidade.

 

Luís Garcia

Primeira versão: Dezembro de 2009, Audin-le-Tiche, França

Última versão: 26.03.2016, Lampang, Tailândia

 

 

PARA QUEM PERDEU OS PRIMEIROS EPISÓDIOS:

 

 

 

 
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O problema da literatura ficcional

 

Reflexões de Ricardo

  

RICARDO MINI copy  LITERATURA 

 

Cada vez menos tenho paciência para literatura ficcional, porque faz-me perder demasiado tempo a filtrar conhecimento. Primeiro, tenho que andar a recolher as ideias exploradas no livro, o que nem sempre é fácil, principalmente quando se trata de literatura pós-moderna. Depois, tenho de ir recolher literatura científica que trate o assunto em questão. Ainda, tenho de analisar cautelosamente estudo a estudo nos parâmetros em que foi concebido para perceber a sua abrangência e as conclusões que permite tirar. Só depois disto tudo é que posso conhecer o que se sabe até ao momento sobre um determinado tema, normalmente relacionado com aspectos da psicologia humana, que são os mais explorados ficcionalmente. 


Sinceramente, prefiro cingir-me a livros e artigos científicos da mais diversa índole. Se estivesse interessado em histórias de outras pessoas (reais ou fictícias), então ia para a janela de braços cruzados como as velhas.

 

Ricardo Lopes

 
 
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