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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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La culture de l’attention et du consumérisme

 

RICARDO MINI copy SOCIEDADE en français

 

Nous vivons dans un monde de culture du consumérisme, de matérialisme de la consommation, de médiatisme, d’attention.

 

Aucun être humain n’a plus de valeur  intrinsèque en tant que tel, sinon celle que son image vaut sur le marché, le bénéfice ou l’avantage qu’on en tire.

 

On remplace l’intimité  par de l’argent ou par de l’attention. Le deuil, la tristesse, les lamentations ne peuvent plus avoir lieu dans l’intimité du foyer, des amis, de la famille, de soi-même. On viole la beauté des liens sentimentaux qu’on entretenait avec des êtres chers disparus, en faveur d’un passage à la télévision pour trouver le regard humide d’une présentatrice qui interrompt l’histoire pour rappeler le numéro de téléphone du concours avec une somme d’argent à la clé, pour trouver les pleureuses de l’assistance, payées pour entrer dans un cœur de lamentation publique étiquetée, sans aucun lien émotionnel , sans aucune empathie.

 

Les deux mécanismes essentiels à la construction individuelle – solitude sociale et solitude intrapsychique – sont dévalorisés. Ils ne sont pas même pris en considération. Aussi parce que plus personne ne se prend soi-même en considération, et s’assujetti  à la validation et à l’affirmation des autres, en place publique.

 

Les gens se couvrent de marques, en se couvrant le corps (vêtements),  ou en se mutilant l’épiderme (tatouages). Ils regardent des portraits photographiques de tribus exposés dans des musées, eux aussi couverts de marques culturelles sur le corps, mais sans remarquer, étant trop loin de leur culture, avec laquelle ils ne peuvent avoir un vrai contact par la superficie captée par un objet mécanique, que les autres marques contiennent en elles une distinction de l’individu au sein de  sa société ainsi qu’une symbologie limpide, signifiante. Dans notre culture, les marques corporelles, qui couvrent notre corps ou y sont gravées, ne représentent rien, et servent juste à l’appropriation de l’individualité de celui qui les porte, et désignent dans la société les animaux de consommation marqués au fer rouge.

Comme dans les tribus, on trouve un exotisme dans la nature, dans une inversion de l’artificialité par rapport à l’urbanisme, à l’aspect architectural de la vie métropolitaine qui ne trouve plus la réminiscence d’un vieux cosmopolitisme que dans le libre commerce des marques, de la publicité, de produits qui se veulent obsolètes, ou ce qui suffit pour maintenir les gens dans le cercle vicieux de la consommation.

 

De plus le consumérisme requière une disposition acritique de la part du consommateur. Pratiquement tous les sujets de société « tabous » ont été réduits à leur valeur sur le marché économico-monétaire. Il faut, avec précaution, trouver une niche de marché associée à quelque thème considéré politiquement correct à débattre.

 

Personne n’est libre. La liberté est établie par le pouvoir d’achat de chacun, et par sa capacité à influencer l’opinion publique, à déterminer les tendances de mode et de consommation, d’acheter les lois qui faciliteront leur activité entrepreneuriale et augmenteront leurs bénéfices.

 

Ricardo Lopes

(Traduction de Claire Fighiera)

 

 

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D. Quixote de la Mancha de Cervantes em português (PDF)

 

 

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Livros de Carl Sagan em português (PDF)

 

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Livros de Hugo Chávez em espanhol e inglês (PDF)

 

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Livros de João Guimarães Rosa em português (PDF)

 

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Livros de José Luandino Vieira em português (PDF)

 

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Haréns do séc. XXI

 

 HOLLYWOODICES - EPISÓDIO V

chisinau

 

bw VIAGENS Luís Garcia

Eu tenho visto tanta coisa nesse meu caminho, Nessa nossa trilha que eu não ando sozinho, Tenho visto tanta coisa tanta cena, Mais impactante do que qualquer filme de cinema.
(Tás a ver?, Gabriel O Pensador)

 

HARÉNS DO SÉCULO XXI (Moldávia, 2008) – Embora Quichinau seja a capital de um país europeu, um viajante menos informado e distraído poderia confundir-la facilmente com um qualquer subúrbio-dormitório sem alma nem vida de uma cidade secundária europeia. Durante o dia não se vê muitas pessoas nas ruas e, as que se encontram, são na sua maioria jovens apáticos percorrendo o caminho de regresso a casa depois das aulas, Ou então velhos jogando xadrez em mesas de jardins públicos e velhas relembrando com nostalgia as memórias da longínqua e dourada idade juvenil... De resto, só eu, o Diogo, e os polícias de quem fugíamos constantemente.

 

Durante a noite, tal como na selva, os predadores de subúrbio saem à rua, aldrabões contadores de história, ladrões, mafiosos, grupos de gansters e skinheads, enfim, toda uma sórdida fauna urbana quase sempre hostil às duas aves raras ali pousadas quase por engano. É de facto pouco inteligente fazer o que eu e o meu amigo fazíamos à noite em Quichinau: andar na rua! Mas tínhamos a desculpa do desconhecimento da realidade local e portanto fizemo-lo durante os três dias que lá ficámos, Hoje digo “ainda bem”! No meio do caos nocturno descobrimos características fulcrais para compreender a realidade sócio-económica do povo moldavo, as quais ninguém jamais nos explicaria e  tampouco vêm escritas nos livros e guias de viagem.

 

Numa dessas noites, à conversa com malta de rua num nebuloso romeno-inglês apimentado com meia dúzia de palavras em russo, foi-nos explicado o motivo pelo qual ainda não tínhamos encontrado nada no centro da cidade que se assemelhasse com aquilo a que no resto da Europa costumamos denominar por “cafés”, “bares” e “discotecas”: porque não existem, simplesmente! Bom, existem certos estabelecimentos públicos, umas insalubres tascas onde – tal como nos westerns americanos – um estranho entra e toda a gente para de falar e de respirar, olhando em grupo para a porta de entrada com ar de poucos amigos. Do lado oposto da realidade económica, uns super-fashion bares com bolides estacionados à porta indicado o nível proibitivo dos preços praticados intramuros. Nada, nadinha para, digamos, a classe-média que, já agora, tampouco existe na Moldávia.

 

Por entre as conversas cruzadas naquela noite com os habitantes de rua, um acabou por, em troco de “umas moedinhas”, nos dizer o nome de um bar/discoteca fora da cidade e ajudar-nos a apanhar um táxi até lá. A acreditar no que nos disse na altura era o único estabelecimento do género acessível ao vulgo mortal. Aceitámos a troca e um quarto de hora depois estávamos à porta daquela realidade paralela plantada literalmente no meio do nada de uma planície moldava.

 

Dentro do estabelecimento, o primeiro impacto foi a tão grande quantidade de jovens na casa dos vinte contrastando escandalosamente com a meia dúzia de perfeitos protótipos de mafiosos de leste. Sem exagero, calças pretas, camisas brancas desabotoadas até meio, pelos do peito saindo aos tufos entrelaçados com fios de ouro, óculos de sol (!) e expressões faciais demosntrando arrogância novo-riquista, um certo atraso mental e muita bebedeira nas veias.

 

Atordoados pelo choque cultural, não demos logo pelo argumento completo do filme que ali se desenrolava e optámos por ficar. O Diogo foi ao balcão pedir algo para beber, eu fui tentar meter conversa com uma moldava ali perto da entrada. Inglês afirmava não perceber, romeno tampouco, e grosseiramente mando-me ir passear! Tudo bem. Fui ter com o Diogo ao balcão e pedi também uma bebida. Entretanto o Diogo discutia com o barman por este ter-lhe servido um uísque-cola com meia dúzia de gotas de uísque. Insistência atrás de insistência, lá acabou por convencer o rude barman a juntar mais umas gotas. Voltei a meter conversa com outra moldava, desta vez obtendo apenas silencioso. De regresso ao balcão apanho o resto da conversa sobre as gota de uísque: o barman exigia que o meu amigo pagasse quatro euros extra pelo “último pedido” e ameaçava chamar a segurança. O Diogo tinha toda a razão ao afirmar que estava escandalosamente a ser extorquido, mas exigir justiça não era a melhor opção a tomar por um coelho (dois) na toca do lobo, aliás, nem sequer sabíamos ao certo onde estávamos, e portanto aconselhei-o a controlar-se e esquecer a história da bebida para não sairmos dali espancados.

 

Pela terceira vez deixei o Diogo e fui tentar falar com uma jovem moldava. Durante os breves momentos em que estivemos cara a cara, ela, timidamente simpática, tentou explicar-me que não podia falar comigo. Eu, ingénuo e dando bronca insistia em querer saber porquê. A pobre, receosa de dar muito nas vistas, apontou com um movimento súbtil dos seus olhos para um dos "mafiosos" que dançava ao canto rodeado por doze mulheres e sussurrou: “por causa dele”. “Ah... ok!”, respondi eu, afastando-me o mais discretamente e regressando para junto do meu colega para lhe contar as novidades. Chegámos em simultâneo à mesma conclusão (óbvia): éramos dois intrusos mal vindos correndo perigo num bar onde os mafiosos da capital vinham passar o tempo com os seus haréns e exibir grotescamente as suas riquezas materiais.

 

Acabámos as nossas bebidas a gole e fomo-nos embora. De regresso à cidade, e não imaginado mais nada de interessante para fazer, entrámos numa loja de bairro para comprar bebida e algo para roer. À saída encontrámos um grupo de três jovens simpáticos e bem educados, curiosos por falar connosco. Decidimos ficar, sentamo-nos junto a eles e começámos a conversar. Os jovens, em inglês, foram nos contando as suas amarguras e confessaram a frustração que sentiam de viver em tão socialmente desequilibrado país. Segundo eles, não tinham dinheiro e não podiam divertir-se de outra forma senão “beber vodka do mais barato às portas das lojas de bairro”. Perguntámos acerca das raparigas da idade deles, por que razão não tinham eles namoradas ou amigas. O mais lúcido retorquiu-nos explicando: “Porque umas não saíam de casa interditas pelo ultra-conservadorismo dos pais e as restantes, a maioria, são na prática propriedade dos mafiosos locais que concentram em si a riqueza que deveria ser de todos os moldavos.” Pois, nem sequer tinha sido preciso dizer a segunda parte... já a tínhamos constatado ao vivo meia hora antes!

Luís Garcia, 22.12.2015, Lampang, Tailândia

 

 

 

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Livros de Jean-Paul Sartre em português e espanhol (PDF)

 

 

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Livros de Albert Cossery em português (PDF)

 

 

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