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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Putin, o mestre da diplomacia-xadrez

 

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Luís Garcia  POLITICA 

 

A reacção de Putin ao abate do seu bombardeiro por parte da Turquia no espaço aéreo sírio tornou-se na grande questão do momento, há uns dias atrás. Muita gente temia uma reacção musculada de Putin que poderia ter como consequência o deflagrar da 3ª e última Guerra Mundial. Mas esperar tal reacção supõe o total desconhecimento da estratégia e perícia de Putin no tabuleiro de xadrez geopolítico, assim como denota uma distracção enorme face a todas as recentes tentativas que os EUA (e os seus manietados estados vassalos da UE e companhia) têm criado para convidar a Rússia a entrar numa Guerra Mundial, as quais Putin tem sabido evitar sempre de forma sábia, aproveitando também, no processo, para por em posição de fazer xeque várias das usas peças.

 

Portanto, ao contrário do que poderiam acreditar os seus fãs mais eufóricos, Putin reagirá pouco, os russos andam há 25 anos a mostrar bom-senso em política externa e diplomacia, humilhando-se e indo com frequência contra os seus próprios interesses em prol da paz mundial. O bullying dos EUA tem prevalecido, portanto, enquanto Putin tem preferido o binómio paz/humilhação-russa em detrimento de guerra/altivez-russa.

 

Recentemente as coisas têm mudado e os russos tendem a ocupar o seu lugar lógico no tabuleiro de xadrez. Agora, sim, é complicado gerir os últimos desenvolvimentos: um avião de passageiros russo abatido pelo terrorismo (ocidental) do ISIS no Egipto, sabotagem de electricidade em toda a Crimeia (russa) às portas do inverno por parte do grupo neo-nazi Right Sector com o patrocínio do governo ucraniano e, para rebentar a escala, o troglodita Erdoğan abate-lhes um bombardeiro indefeso e em missão contra-terrorista nos céus da Síria! Que dizer? A verdade é que, com escudos anti-míssil norte-americanos na Polónia República Checa e Roménia apontados à Rússia, com tropas de intervenção da NATO literalmente na fronteira EU-Rússia (nomeadamente na Estónia), com o golpe dos EUA/FMI na Ucrânia e com o patrocínio de terrorismo na Síria, os EUA levam de facto anos empurrando a Rússia para um conflito global! Nada de novo portanto.

 

A única reacção "justa" e soberana seria bombardear alvos militares da Turquia e exigir-lhe o pedido de desculpas oficial a uma Turquia então humilhada. Como à sensatez pacífica russa não lhe agrada guerras mundiais, os russos não o farão, e bem, bem para a humanidade! Os russos podiam jogar sujo e treinar e ajudar a formar hipotéticas guerrilhas curdas ou arménias numa lógica terrorista, em jeito de retaliação suja. Mas quem conhece a história geopolítica russa sabe que isso nunca aconteceria. Os russos são muito pragmáticos e muito mais sensatos que o nosso Ocidente nesta matéria, sabem que criar terrorismo acaba por ser o caminho para sofrer terrorismo, coisa que os norte-americanos e os seus vassalos adoram ignorar. Veja-se AlQaeda, AlNusra, Boko Haram, AQMI, ISIS e toda a parafernália terrorista que o Ocidente insiste em criar mesmo estando consciente que acaba por perder controlo de todo e qualquer grupo terrorista que cria! Portanto, vamos ter paz até ao dia em que os russos sensatos percam a paciência e aceitem o longo convite ocidental de uma guerra mundial. Nesse dia voltamos à idade da pedra, mas não é para agora uma vez que a paciência russa e a paciência de Putin estão longe de ter acabado! Felizmente! E talvez nunca chegue a acontecer se, como tudo indica, as jogadas de Putin no tabuleiro de xadrez planetário continuarem a ser acertadas.

 

Putin reagirá com ameaças verbais e com medidas/castigos económicos para a Turquia  Para os EUA-NATO responderá com movimentos políticos, económicos e militares estratégicos dentro dos países seus aliados, actos que não ousava até então, por respeito aos EUA, e que agora ousa dada a demonstração clara de supremacia da Rússia perante um conflito mundial convencional exibido na forma dos modernos mísseis disparados do mar Cáspio para a Síria. O pessoal não toma atenção a estes detalhes mas o que a Rússia fez era desnecessário do ponto de vista prático. Por certo que poderia ter atacado os mesmos alvos do ISIS a partir de um navio de guerra ou submarino estacionados em Tartus (Síria) ou a partir das suas bases militares em solo sírio É, para mim, posso estar enganado, uma espécie de Hiroxima e Nagasáqui russos em miniatura: não tiveram como objectivo principal destruir o inimigo factual e momentâneo, muito mais fraco, mas enviar uma mensagem de supremacia à outra potência. As bombas nucleares foram uma mensagem de supremacia destruidora total dos EUA face a Rússia. Os mísseis do mar Cáspio foram uma mensagem de supremacia convencional da Rússia face aos EUA, o que num mundo em que sabiamente se recuse o uso do nuclear, coloca a Rússia na posição de começar a dar ordens em vez de recebê-las ou, de proibir futuras invasões dos EUA a terceiros em vez de pragmaticamente fingir que não vê!

 

Os EUA e companhia têm empurrado a Rússia a cair e a despoletar uma terceira guerra mundial. Como grande mestre de xadrez geopolítico que é, Putin tem evitado sabiamente todos os convites envenenados e mais, aos poucos tem vindo a inverter com toda a calma as situações desfavoráveis de tal modo que, agora, é a Rússia que está por cima e sobre controlo de todos os cenários de confronto criado pelos EUA (e companhia), permitindo-se mesmo ditar as regras e apontar o dedo aos criadores da barbárie, do roubo e da destruição. Não esquecer que fá-lo tão bem que nem precisa chamar as bestas pelos nomes para que se perceba de quem está a falar, demonstrando dotes de diplomacia de todo desconhecidos pelos políticos ocidentais. Estes últimos fazem precisamente o contrário.  A França é um exemplo gritante. Assaltou Bengazi com com tropas especiais, dizimou milhares de líbios habitantes dessa cidade, para depois os seus políticos acusarem Gadafi de ser um "genocida".  A França orquestrou e implementou o ataque químico de Guta, na Síria, para depois os seus políticos etiquetarem Al Assad de "sanguinário" (leia-se, a propósito, o artigo de Thierry Meyssan: Cómo los servicios de inteligencia de Occidente fabricaron «el ataque químico» de la Ghouta).

 

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Recapitulemos, por fim, os principais actos ocidentais de pressão sobre a Rússia que Putin soube sabiamente converter em seu favor:

 

Ucrânia: Os EUA e seus estados vassalos inventaram uma revolta contra o "regime" (democrático) de Viktor Yanukovych, como castigo por ter recusado um acordo económico com FMI e EUA, e por ter aceito assinar um acordo económico estratégico com a Rússia de Putin. Resultado: a palhaçada do EuroMaidan. Mercenários tchetchenos e polacos, assim como guerrilhas ucranianas ligadas a grupos neo-nazis (Right Sector é um exemplo), criaram uma mini-guerra civil na capital do país, enquanto os nossos media apelidavam esses 3000 bandidos de agricultores famintos protestando contra a opressão! De rir, sobretudo para quem se deu ao trabalho de analisar ao pormenor os métodos de guerrilha urbana, os equipamentos profissionais e os materiais militares usados por esses "agricultores famintos" (como o líquido inflamável cujas chamas são impossíveis de extinguir, uma modernice bélica do Pentágono). Resultados: os EUA instalaram uma ditadura económica fantoche governada por funcionários do FMI, com ministros estrangeiros provenientes dos EUA, assim como da Lituânia e da Geórgia, 2 tristes vassalos de Washington (a ler: Foreign-born ministers in Ukraine's new cabinet, BBC.com); em 3 horas aprovou-se uma constituição ilegal xenófoba anti-russos (interdição de falar russo em locais oficiais, e por aí fora), e instalou-se a caça às bruxas russas. Não é de espantar portanto que regiões de populações maioritariamente russas como Dombass se tenham rebelado.

 

Quanto à estratégia de Putin: para quem não sabe, a Crimeia é um território russo que foi entregue à República Socialista Soviética da Ucrânia pela URSS em 1954, muito provavelmente por razões administrativas. Olhem para o mapa e perceberão porquê. Quando Putin pegou na Rússia em cacos e se propôs levantá-la, sem dúvida que não estava em condições, na altura, de reinvidicar a Crimeia. Se se aventurasse em pura e simplesmente reconquistar a Crimeia russa pela força militar, desrespeitando a soberania de um estado reconhecido pelas ONU, teria criado um conflito global. Mas Putin não é Obama, nem Clinton, nem Bush, e tampouco é presidente dos EUA, portanto não sofre pressões por parte de nenhum complexo militar-industrial que exige regulares invasões de estados soberanos como estratégia de lucro. Daí que Putin tenha esperado pacientemente por um futuro e hipotético momento propício. Obama e a sua selvajaria guerreira foram quem presentearam Putin com essas condições propícias para recuperar a Crimeia: ao despoletar a caça aos russos, os trogloditas ucranianos e seus companheiros mercenários, convidaram Putin a cumprir com uma exigência da constituição russa, a de defender a integridade física de russos dentro e fora da Federação Russa. Traduzido para linguagem de xadrez geopolítico: Putin podia por fim recuperar a província da Crimeia sem provocar uma guerra mundial, assegurando a permanência da sua base naval de incalculável valor estratégico no Mar Negro (porta para o Mar Mediterrâneo). Obama pensava fazer a Rússia perder essa base naval russa na Crimeia, mas acabou por fazer a Ucrânia perder a Crimeia inteira. Bravo Obama, grande jogatana de tiros nos pés!

 

Síria: Depois da barbárie NATOniana na Líbia, seguiu-se a Síria. A Síria tem um antigo pacto de defesa com a Rússia e são entre si aliados estratégicos em ambos os sentidos, embora por razões díspares. No rescaldo da Líbia a máquina de barbárie norte-americana iniciou o assalto à Síria na totalidade impunidade, começando por organizar na Síria uma manifestação civil com mortes de ambos os lados, a receita do costume desde a Operação Ajax no Irão que derrubou o regime socialista e democrático de Mossadeg e instalou a ditadura sanguinária do Xá. A partir daí nunca mais pararam, são dezenas de casos, dou apenas alguns exemplos semelhantes: Brasil 1964, Chile 1971, Venezuela 2002.

 

Digo eu, desconhecendo em grande parte a posição secreta da Rússia de 2011 a 2014, que Putin ter-se-á limitado ao que sabemos: de início uma ajuda material tímida às Forças Armadas da Síria. Com o passar do tempo, um aumento de ajuda militar à Síria que acabou por, mesmo que sem reconhecimento oficial, passar a dispor certamente de homens em solo sírio.

 

Com a farsa de Guta, a do teatralizado "massacre químico" que referi acima, Putin subiu a parada, instalando-se definitivamente na base naval de Tartus (Síria) e enviando uma clara mensagem aos EUA: não vale invadir a Síria. Com a contínua pressão de "red lines" (linhas vermelhas) ultrapassadas por parte do "sanguinário" Al Assad e perante a insistência de Obama em invadir a Síria, Putin saiu-se com uma jogada de mestre. Propôs-se a liquidar o programa de armamento químico da Síria, com o consentimento e apoio de Al Assad, arrumando de uma vez por todas na gaveta a invasão convencional norte-americana que não chegou a acontecer.

 

A partir de junho de 2014, os EUA decidem instalar o Estado Islâmico na Síria, numa nova e rebuscada tentativa já não de conquistar a Síria toda mas sim de criar um estado terrorista sunita na zona de recursos petrolíferos. E fizeram o mesmo no Iraque que, democraticamente elegendo os seus governantes como os EUA haviam imposto, tinha passado a ser governado há anos por xiitas (a maioria religiosa, matemática elementar) que se foram aproximando do Irão também xiita (o que era óbvio para toda a gente menos para os milhares de "estrategas" militares que trabalham no Pentágono) e afastando-se do EUA. Nunca me esquecerei do dia em que o lendário Mahmud Ahmedinejad, na altura presidente do Irão, se deu ao luxo de se passear de camisa aberta pelas ruas de Bagdad, a capital do país mais perigoso do mundo! O Obama para ir mijar leva 100 guarda-costas, e para visitar o Iraque trás uma invasão do Iraque com ele, ahah!

 

Os EUA com o Estado islâmico, e Israel com o seu estado vassalo do Curdistão Iraquiano propuseram-se e realizaram a partição em poucos dias do Iraque em três partes. Apenas os xiitas ficaram sem petróleo! Tal Como a Síria do governo legítimo de Al Assad. Ah, para não falar do Kuwait, esse gamado pelo Inglaterra ao Iraque há umas dezenas de anos. Agora, a correr bem a estratégia de rapina de EUA-Israel, o Iraque fica sem pinga de petróleo, nem o petróleo de Mossul sobrará pois foi roubada aos árabes pelos curdos e pelos israelitas, acontecimento do qual ninguém no Ocidente quer falar, muito menos explicar. Pois deveria ser explicado que os curdos do Iraque (que têm a ajuda de Israel) fazem a partição organizada das riquezas petrolíferas iraquianas com o ISIS (que tem a ajuda dos EUA, Turquia, França, Reino Unido, Arábia Saudita, Catar e por aí fora).

 

Aproveitando o estratégico acordo EUA-Irão de 14 de Julho, e sem perder tempo, Putin assumiu oficial e ostensivamente a defesa do estado sírio pela via militar, e lá estão eles desde há 2 meses revertendo abruptamente o evoluir da situação em favor do estado legítimo da Síria governado por Al Assad e reeleito democraticamente pelo seu povo a meados de 2014. Esse acordo EUA-Irão incluía implicitamente a pacificação da Síria governada por Al Assad, aliado estratégico da potência regional Irão e que, enquanto zona de influência desta potência regional agora supostamente sob a tutela da potência mundial (EUA), deveria passar, em teoria, a partilhar o Médio Oriente com a outra potência regional há muito sob a tutela dos EUA: a Arábia Saudita. Xiitas de um lado, Sunitas do outro. Enfim, alucinações norte-americanas que o Irão sabiamente não respeitará, mesmo que diga que sim maquiavelicamente, ao contrário do que nos querem fazer querer desde a Casa Branca.

 

Por último temos o bombardeiro russo abatido pela Turquia no espaço aéreo sírio de forma claramente premeditada pela NATO, à qual a Rússia informou com um dia de avanço a hora e localização precisas do avião militar abatido. Erdoğan faz portanto figura de parvo ao dizer que se soubesse que o avião era russo não o teria abatido. Um perfeito disparate pois ao mesmo tempo afirma que continuará a abater todos os aviões russos que ponham em perigo a soberania turca, Pior mesmo só a afirmação de Erdoğan segundo a qual o futuro e hipotético abate de um caça turco por parte da força aérea russa no espaço aéreo sírio será considerado por Ancara como um "ataco de agressão da Rússia"! Vejai o ilegal descaramento! Vale tudo nas terras do neo-pachá! Incluindo fazer o contrário do que afirma pois, segundo fontes oficiais gregas e sírias, desde a tarde de dia 25 Novembro (dia em que foi abatido o bombardeiro russo) até hoje, a Turquia não mais violou o espaço aéreo destes 2 países! Para quem não sabe, a média de violações do espaço aéreo grego por caças turcos é de 10 por dia! Ou, que dizer da afirmação de que o avião russo bombardeava uma zona onde apenas se encontram civis? Ah sim, então por que raio o piloto russo foi abatido a tiro por terroristas enquanto caía de para-quedas, facto provado pelos vídeos de telemóvel dos próprios terroristas? E por que raio o helicóptero russo de resgate foi destruído por um rocket norte-americano lançado por terroristas (turcomenos sírios liderados por um cidadão turco, filho de um presidente de câmara de uma cidade turca) que também filmaram a façanha e da qual resultou a morte de um comando russo? Erdoğan, definitivamente, é deficiente mental!

 

Mas voltemos a Putin. Este, uma vez mais, não reagiu tresloucada e emocionalmente ao abate de bombardeiro russo, declarando guerra à Turquia (NATO) e dando início a uma guerra nuclear, como poderia esperar a Ditadura Económica Mundial ansiosa por uma carnificina à escala planetária. Não, estacionou um navio de guerra ao largo da Turquia, voltou a interromper as comunicações turcas com o seus ultra-modernos sistemas de guerra electrónica e trouxe para a Síria em tempo recorde o impensável: o impenetrável sistema de defesa S-400 Triumph! Com este último activo, o jogo de xadrez geopolítico na Síria alcançou a completa inversão. Se nos primeiros anos do conflito a ajuda russa à Síria foi secreta e limitada, se a ajuda poderosa e oficial dos últimos meses tem sido apelidada pelo ocidente de "chacina contra rebeldes moderados e civis", agora, com S-400 Triumph, apenas a Rússia decide o que se passa na Síria, ao ponto que os EUA também já cancelaram hoje (29 de Novembro) todos os voos sobre o espaço aéreo sírio. E nem uma acusação mais de infundadas mortes de civis, supostamente vítimas de bombardeamentos russos, por parte dos media e políticos ocidentais. Se Putin tivesse feito cheque ao início com S-400 Triumph, os EUA teriam lançado o tabuleiro ao chão e desatado o conflito nuclear. Jogando sabiamente, na defensiva, mas preparando com muitas jogadas de antecipação as suas jogadas ofensivas, Putin conseguiu lá colocar os S-400 Triumph e receber como reacção de Obama o total consentimento passivo!

 

Agora quem dita ordens é Putin, quem dá sermões é Putin, quem tem legitimidade para fazer avisos é Putin. Tudo isto sem fazer jamais ameaças à NATO e aos seus membros, ao contrário destes. Tudo isto sem disparar uma única vez contra membros da NATO, ao contrário destes! Bravo Putin, bravo!!!

 

Luís Garcia, Lampang, Tailândia, 29.11.2015

 

 

Vídeos de Putin: 

Como os Estados Unidos criaram o ISIS

 

Turkey and ISIS together on stealing Syrian oil

 

Russian S-400, Turkish terrorism & USA betrayal

 

Citações de Putin

 

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Só a ciência pode salvar o mundo

 

 

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE CIÊNCIA

 

Theodore Zeldin, académico da Universidade de Oxford, criticou recentemente o facto de a meditação estar a levar as pessoas a desperdiçarem tempo precioso que poderiam utilizar para pensar.

 

A meditação é uma ferramenta absolutamente nula no que concerne à resolução de problemas. O tempo dispensado em meditação não serve para mais do que distrair as pessoas. Sendo que a distração é a palavra de ordem de um tempo no qual as pessoas preferem choques elétricos a isolarem-se para pensar.

 

Não será a meditação, baseada numa filosofia niilista, de negação de uma vida irremediavelmente composta de sofrimento e horror, a resolver o que quer que seja. Até compreendo que para pessoas que vivem na mais absoluta miséria, e principalmente em tempos antigos, a meditação e a religião pudessem ser as suas duas únicas fontes de alívio.

 

Hoje em dia, não poderiam representar mais do que duas ferramentas que, por via do ascetismo e da aceitação passiva das condições em que cada um se encontra, havendo uma especial apologia do estado de pobreza, operam a favor do comodismo e da permissividade para com o sistema instituído.

 

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As pessoas não precisam de histórias da carochinha, de amigos imaginários omnipotentes nem de promessas de paraísos no além. Precisam, sim, de ultrapassar determinadas barreiras culturais, como sendo o sistema monetário, o nacionalismo, um sistema educativo elaborado com base no modelo iluminista do século XIX no qual ainda impera a distinção entre pessoa académica e não académica, a competição, a noção de propriedade, a noção de castigo, e principalmente todo um sistema de escassez insustentável, não científico e sem fundamento real, sem o qual nem sequer poderia ser suportada uma hierarquização social com base no poder e riqueza ostentados através dos bens materiais. Ideias criadas pelos teóricos de direita que, de uma forma não científica, atribuem à “natureza humana” a malícia associada à competitividade, à ambição ou à ganância.

 

As pessoas não precisam de métodos paliativos, nem de tratamentos sintomáticos. Precisam, isso sim, que seja tratada a doença do capitalismo. As pessoas precisam de acesso incondicional a comida, água potável, casa, cuidados de saúde, ar limpo, educação, informação e cultura relevantes e úteis, um bom sistema de transportes e, acima de tudo, de um planeta com recursos e condições para sustentar vida. E, para isso, temos a ciência e a tecnologia, com a capacidade para basear toda a produção energética necessária em energias renováveis, para gerir os recursos materiais do planeta de uma forma sustentada e de acesso universal, com respeito pelo ambiente e pelos outros animais.

 

O que precisamos é de estimulação do sentido crítico, da curiosidade, de educação científica para debelar dogmas obscurantistas que teimam em permear a cultura hegemónica, de não ter medo da tecnologia quando não instrumentalizada com fins perversos e de percebermos que todos produzimos mais e melhor num sistema cooperativo.

 

Ricardo Lopes

 

 

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Há que protestar pela proibição de protestos!

 

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 POLITICA SOCIEDADE Luís Garcia

 

 

O regime antidemocrático francês, a cada dia que passa, enterra-se mais e mais nas suas profundas contradições. O último tiro no pé flagrante foi decidir interditar a realização de protestos (de todos os géneros, pacíficos incluídos) em território francês por um período de 3 meses. Uma pessoa com um mínimo de sensatez acaba por fazer a sim própria a questão inevitável:  Por que razão o regime de Hollande oprime de tal forma os direitos e a voz do povo tido como soberano?

 

 Mas antes, terá o regime opressivo francês moral suficiente para o fazer? Eu diria que, de forma a ser minimamente aceite, uma medida impopular, ilegal e contraproducente deveria ser tomada por governos ou chefes de estado que se apoiassem sobre uma maioria confortável de apoio popular. Como por exemplo na Síria, onde o presidente (democraticamente eleito em 2014) realiza facilmente decisões complexas, seguro do apoio de mais de 2/3 da população (de acordo com sondagens internas e ocidentais). No caso do regime francês temos o aposto., uma vez que o seu líder é extremamente impopular. De acordo com as sondagens, em Dezembro de 2014 o chefe do regime francês dispunha de um apoio popular de apenas 17%, com tendência descendente.

 

Voltando à questão, parece-me absurdo a decisão do regime francês, não tem nada a ganhar com a medida e tem tudo a perder. É suicídio político do carniceiro que governa a França. Ah sim, França! Interditar protestos pacíficos sem razão nenhuma lógica é contraproducente mas, interditar protestos no país dos protestos (mesmo por tudo e por nada), é como proibir de rezar virado para Meca no regime da Arábia Saudita! Idiotices de estado mazé!!!

 

 

Insisto, interditar protestos por quê? São actos criminosos ou perigosos? Não, são actos de realização de direitos cívicos como a liberdade de expressão e a liberdade de reunião. Ou até de expressão da liberdade artística de quem pinta cartazes ou cria slogans sonantes! Interditar para quê? Para os defender de novos possíveis ataques? Não, para isso já têm os seus serviços secretos e a sua administração interna. É verdade que a primeira se mostra inútil (não digo mais para não ser preso) e a segunda convenientemente caótica, fazendo simulações de ataques terroristas em dia de ataques terroristas reais de forma a não poder acolher às necessidades reais das vítimas reais dos ataques reais! Para quê interditar agora e não antes dos ataques se se sabia que iam haver ataques? Para quê interditar protestos em vez de não deitar para o lixo sem ler o relatório oferecido pelo governo de Assad com a lista de terroristas activos em França? Não quiseram ler porque o relatório vinha "de mãos manchadas de sangue" (que grande treta), e ao fazê-lo proibiram-se a si próprios de descobrir que nele estavam contidos os nomes dos terroristas que atacaram em Paris a 13 de Novembro, acabando assim os puritanos do regime francês por sujar deveras as mãos com sangue. Bom, talvez não tenham lido por já conhecerem o conteúdo! Gostava de acreditar que não é o caso, pois assim sendo estarão é completamente imergidos numa banheira de sangue!

 

Mais, se de facto insistirem com a teoria da treta da necessidade de assegurar a segurança dos seu cidadãos pela negação ostensiva do direito de protestar na ressaca de um atentado terrorista, mmmm, então por que raio o sanguinário presidente francês se lembrou de teatralizar um manifestação (de braços dados com uma dúzia de ditadores ignóbeis) na ressaca dos atentados terroristas de Charlie, a qual resultou num mega protesto da nação francesa na sua capital banhada em choradeira e perdida numa paranóia colectiva de troca de identidades em que todos acreditavam ser Charlie? Alguém explica a dualidade? Mais, a ser verdade que proibir as pessoas de se manifestar pacificamente (França) ou proibir tudo (o fait divers actual belga para encher noticiários com não-notícias) é acto eficaz de luta contra o terrorismo, bom, chega-se a 2 aterradoras conclusões: primeiro, o terrorismo "islâmico" ganha por capota. Segundo, no limite, para a segurança se perpetuar, as "medidas eficazes" ter-se-ão de perpetuar também, de modo que deixa de haver razão para a existência desses 2 estados! Fechem a porta e mudem-se, sei lá, para ali ao lado na Holanda ou Alemanha onde, apesar das fronteiras comuns abertas, não se realizam medidas nenhumas do género! E ficaria sempre bem uma reserva ecológica de quase 600.000 quilómetros quadrados no coração da Europa Ocidental!

 

Le gouvernement invente des terroristes pour justifier des mesures sécuritaires

(François Hollande, 2008)

 

Para finalizar, lembro os leitores que cada vez que se proíbem ou reprimem (e está a haver repressão violenta neste momento às manifestações em França) manifestações em países (democráticos ou não) cujos governos não beijam o cu à Ditadura Económica Mundial, é o fim do mundo nos nossos media de desinformação programada. Quando o regime francês, protectorado manso dos EUA, o faz, os mesmos media desinformam-nos que são "medidas de segurança necessárias". Pois, pois, e quem não se lembra do início da farsa na Síria em 2010, que começou precisamente com repressão sobre manifestações populares... 2 pesos, 2 medidas, o logo por excelência da nossa amada civilização ocidental!

 

Força franceses lúcidos, protestai, protestai, protestai! A melhor forma de provar que não se pode proibir um povo de protestar, é por esse povo todo na rua a protestar. Os gorilas dos CRS ao final do dia também são franceses, e mesmo que a lobotimização seja tal que assim já não pensem, não há polícias do regime francês suficientes para deter os franceses todos. É matemática do 1º ano. E quando o povo todo sai à rua, como o venezuelano saiu aos milhões em 2002 para salvar da morte o seu presidente eleito Hugo Chávez, os vampiros políticos obedientes à máquina capitalista, têm que baixar a cabeça, ajoelhar e passar-se para melhor. No caso do chefe do regime francês, o melhor seria demitir-se e pedir asilo político aos EUA que o formaram enquanto, vampiro e moço de recados!

Viva a França!

 

p.s.: Crítica sintética aos jornalistas parciais e prostituídos do nosso Portugal: pensem 2 vezes antes de usar a palavra "regime"!

 

Luís Garcia, Lampang, Tailândia, 23.11.2015

 

 

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O perigo da imigração

 

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE

 

E se agora viesse aí um índio, um preto, um muçulmano, um hispânico ou um asiático e dissesse "Eh pá, os europeus é tudo uma cambada de terroristas. Vieram de barco até à minha terra no século XV, chegaram aí, meteram um pelourinho e disseram que isto era tudo deles, armados até aos dentes começaram a disparar contra nós só porque não lhes queríamos dar acesso aos nossos recursos. Vieram para aí e ficaram com as nossas árvores, os nossos rios, os nossos cocos e as nossas bananas. E, ainda por cima, os nossos líderes não quiseram saber de nada! Deixaram-nos vir, deram-lhes benefícios, fomos nós parar à miséria porque não só nos levaram as bananas, os cocos, as árvores e a água, como ainda nos obrigaram a trabalhar para eles por uma ninharia! Trabalhámos de sol a sol, fomos espancados, chicoteados, violaram as nossas mulheres, os nossos filhos e filhas, cortaram-nos mãos, cortaram-nos braços, condenaram-nos à fogueira e à cruz porque não queríamos seguir a religião deles! E obrigaram-nos! Vieram para aqui, e agora? Perdemos tudo! Ninguém nos quis ouvir na altura! Nós bem achámos que ia dar merda, mas ninguém nos ouviu! Porque os nossos líderes também ganharam com isso!

 

 

E, hoje em dia? Hoje em dia, ainda andam por aqui! Destruíram a nossa economia, deixaram-nos à mercê deles porque se apropriaram dos recursos, mataram-nos, destruíram as nossas casas em guerras consecutivas e intermináveis. Continuamos a trabalhar como escravos para eles, pagam-nos uma miséria como sempre, levamos com o lixo deles nas nossas terras, bebemos a água que esse lixo contamina, sofremos com as tempestades provocadas pelas alterações climáticas criadas pelo lixo que produzem, pelos carros que conduzem, pelas fábricas onde transformam os nossos recursos noutros para os das terras deles consumirem, pelas minas que abrem e onde nos obrigam a trabalhar sem proteção, pelas terras e terras sem fim que nos roubam para fazer super plantações para alimentar os animais que nós deixávamos andar na natureza e que caçávamos por necessidade, mas de uma forma sustentável, e que eles domesticaram e aprisionaram em jaulas, em pocilgas, em aviários, e que engordam para enviar para casas de morte onde os fazem sangrar e vomitar sem poderem ripostar. Mais aqueles que vêm caçar às nossas terras e com os quais estão a acabar para fazer roupa de que não precisam. Nós bem sabemos que não precisam, porque passamos os dias a costurar a roupa pela qual eles pagam dezenas, centenas e milhares de euros ou dólares, e que vem de volta para os nossos países quase por usar, que compramos com poucas moedas, só porque já ninguém quer saber dela. Gastam recursos, não porque precisam, mas porque querem saber e depois deixam de querer saber, mesmo que a coisa ainda esteja boa. Qualquer mínimo estrago, mandam para o lixo e compram novo. A maior parte das vezes, nem estragos tem, é só porque passou de moda.

 

Esta gente invadiu as nossas terras, destruiu as nossas casas, roubou-nos os recursos, escravizou-nos, impôs-nos a sua religião pela violência. E ainda são estes os valores que querem que respeitemos?"

 

Ricardo Lopes

 

 

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O fado

 

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE

 

Para aquelas pessoas que acham que, porque o mundo humano é uma merda, nunca vai mudar.

 

Para as pessoas que acham que, porque um sistema de escassez se perpetuou ao longo de toda a história da humanidade, a maior parte do tempo por falta de conhecimento e insuficiente desenvolvimento tecnológico, e produziu com ele uma estrutura social que fez com que ao longo do tempo se manifestassem nas pessoas valores, motivações e comportamentos semelhantes, consideram que aquilo que as pessoas são é resultado de algo que lhes é intrínseco (natureza humana) e não do seu contexto cultural, das influências externas, do ambiente em que são criadas e se desenvolvem.

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Para as pessoas que acham inútil, imbecil e digno de alguém alienado dedicar a vida a transmitir aos outros conhecimentos, que durante a maior parte da história humana nunca surtiram efeito, ora porque não se baseavam num conhecimento científico da cultura, do comportamento e do desenvolvimento humanos, ora por não terem para apresentar um esquema baseado em evidência para poder ser concretizado, ora por impossibilidade material para o realizar, ora por um sistema comunicativo precário, e que acham que é lúcido quem decide apartar-se da humanidade, seja por via da misantropia, seja por via do eremitismo, seja pelos dois.


Para aqueles que, na sequência do ponto anterior, acham que a única coisa a fazer é criticar o sistema atual sem apresentar alternativas e deixar-se a marinar numa negrura própria daqueles para quem o pessimismo é a verdade e a toxicidade é a única forma de relacionamento humano concebível, pessoal ou impessoalmente.


Para todos esses, a quem vou evitar de predicar de algo que tomariam, de acordo com o seu condicionalismo cultural, como insulto, faço das palavras da Jacque Fresco as minhas próprias.


Principalmente, já não seria mau não votarem ao ridículo, ao menosprezo e à ostracização, como sempre se fez, e como estão também a fazer, quer o aceitem quer não, aqueles que realmente se dedicam a tentar, dentro das grandes limitações que lhe são impostas e que não podem escolher nem superar sozinhos, melhorar o mundo, e não se encerram em fatalismos dignos de crentes.

 

Ricardo Lopes

 

 

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Lettre aux prieurs “Pour Paris”

Claire POLITICA SOCIEDADE  en français

 

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Cet article s’adresse à tous les gens qui “pray for Paris”.

 

Il y a beaucoup de choses liées à ces attentats qui inspirent effroi et dégoût, mais qui ne découlent pas de l’émotion politiquement correcte. Ces impressions résultent largement de l’observation des réactions sur facebook.

 

Dans nos médias occidentaux le monde entier est habituellement silencieux d’un point de vue émotionnel, au sujet des atrocités qui se produisent ponctuellement. Peut-on parler d’atrocités lorsque 130 personnes ont perdu la vie, relativement aux milliers de vies anéanties par des armes françaises offertes par la France à DAESH par exemple, pire, anéanties par l’armée française elle-même qui effectue des actes de terrorisme bien pires, notamment en Syrie depuis 2010? Proportionnellement c’est peu.

 

Quoi ? Objectivement c’est un fait que, proportionnellement, bien peu de français sont morts, en réponse aux massacres effectués par la France en Syrie. Et c’est lamentable et navrant que des gens soient choqués par un tel commentaire, et pas par le reste.

 

Avec ces attentats de Paris un fait affligeant est à nouveau mis en lumière, et nous ébloui même: le racisme et la classification hiérarchique de la valeur des vies humaines. À vous qui pleurez aujourd'hui, vous ne lisez pas les articles relatant le terrorisme commis par NOS pays à l’étranger, parce que «la politique ne vous intéresse pas», dans ce cas ce sont des histoires de politique auxquelles on ne comprend rien, et puis c’est loin, ça ne nous concerne pas vraiment.  Ne versons surtout pas une larme pour les 224 victimes décédées lors du vol russe Metrojet dans le Sinaï ce même mois de novembre (encore, objectivement et relativement au nombre de victimes et aux circonstances, le silence des médias et de nos représentants politiques a été assourdissant), attentat que les mêmes terroristes revendiquent. Ne prions pas non plus pour les 43 victimes de l’attentat-suicide survenu à Beyrouth ce même JEUDI 12 NOVEMBRE, c’est un peu trop loin pour atteindre nos sentiments, et c’est malheureux à dire mais dans «cette zone du monde» les attentats sont devenus monnaie courante... On n’aura définitivement pas assez de larmes pour les victimes de l’hôpital de Kunduz en Afghanistan, bombardé par les forces aériennes américaines le 3 octobre dernier.

 

Lorsque de tels évènements se produisent en France on pleure à chaudes larmes. Ce sentiment d’indignation devant la perte de certaines vies et pas d’autres est bien installé, et depuis longtemps. Vous allez faire une minute de silence pour 100 vies françaises alors que vous n’en avez jamais faite pour 10 000 ou 100 000 syriennes ou libyennes, ça, c’est vraiment à pleurer.

 

Comme les gens ne savent plus réfléchir par eux-mêmes et qu'on remet toujours la faute sur les médias, on va me répliquer que cet engouement et ces émotions sont provoqués par eux. Ne sommes-nous pas des êtres pensants?! La plus grande indignation ressentie pour ma part, a été provoquée en observant les réactions de tous pays sur le réseau social facebook.

 

Vous qui pleurez, vous rendez-vous compte que vos émotions ne sont pas spontanées? Avez-vous tellement de peine pour ces humains qui se sont fait tués ? Vous vous sentez gagné un tel élan d’humanité et de foi qu'on ne vous arrêtera pas de vous jeter sur votre souris d’ordinateur et d’adopter cette image qui demande à tout le monde de prier pour Paris (ce qui est absolument inapproprié pour un pays si peu religieux comme la France qui clame la grandeur de sa laïcité à longueur de discours politiques) !

 

Quelle engagement, quelle grandeur d’âme, si seulement cela pouvait rattraper votre manque d’intérêt pour les causes de ces attentats, et pour les ressortissants d’autres pays qui meurent dans des circonstances au moins aussi affreuses.

Mais vous vous dites que ça ne coûte pas grand-chose et que c’est sûrement une bonne chose à faire puisque tout le monde le fait. Comme c’est bon d’avoir le sentiment de faire partie de quelque chose de «noble»! Prier pour quelque chose ou quelqu'un c’est en quelque sorte faire le bien, n’est-ce pas?


Ces drapeaux bleu-blanc-rouge, que je vois les gens adopter sur internet, ne me feraient peut-être pas vomir si un jour j’avais vu apparaître aux mêmes endroits ceux de quelque autre pays auquel on s’attaque.

 

Et là il faut mettre en lumière l’abject symbolisme qui dépasse l’aveugle mouvement de foule et les émotions artificielles, qui a lieu en France mais qui vient surtout de l’étranger. Mais sur quoi pleurez-vous donc? Je crois que, malheureusement, ce qui a touché beaucoup de gens plus que tout c’est l’attaque à un symbole de superficialité, de glamour, de quelque chose que tout le monde aime, parce qu'ils l’imaginent tels qu'il n’est pas : Paris et son étincelante tour Eiffel. Vous (toujours sur facebook) publiez des images représentant bien-sûr la tour Eiffel, celle qui se trouve sur vos t-shirts ou votre porte-clés, qui incarne un romantisme existant uniquement dans le marketing et la publicité. Et ce, juste parce qu'on vous le vend depuis votre naissance!

 

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Vous sentiriez-vous aussi tristes si l’attentat avait eu lieu à Vierzon ou à Lyon? Vous pleurez sur des symboles et pas sur des vies humaines, c’est l’une des raisons pour lesquelles ce monde est ignoblement raciste, avouez, ce n’est pas aussi glamour de pleurer Beyrouth ou Alep, bien qu'elles soient ô combien plus importantes dans l’histoire de notre civilisation.

 

Je souhaite que les gens se reconsidèrent eux-mêmes comme des êtres pensants. Vous n’êtes pas obligés de pleurer parce qu'on vous dit que c’est ce qui est approprié, et que tout le monde semble se regrouper pour le faire. Je sais que beaucoup de gens ont conscience que ces attentats ne sont pas venus de nulle part, sans avoir une grande connaissance sur ce qui se passe dans le monde, mais ça n’est pas assez d’en avoir conscience, il faut rechercher la vérité et la faire connaître. Parce que, français, vous financez le terrorisme français dans le monde avec vos impôts. Parce que maintenant vous ne pouvez plus vous sentir distants de ce qui se passe, notamment en Syrie, pays dont la France a grandement organisé la destruction.

 

Heureusement je vois aussi des choses intelligentes sur facebook, l’une d’elle disait: «Ne priez pas, pensez.»

 

Claire Fighiera, 15.11.2015, Lampang, Tailândia

 

 

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Não querer saber

 

 

 RICARDO MINI copy  SOCIEDADE

 

Talvez se se deixasse de perpetuar à força um sistema de escassez fomentado pelo acesso a recursos através de dinheiro, acabasse a lamentela em relação ao facto de a maior parte das pessoas "não querer saber" da verdade acerca dos acontecimentos político-económicos, porque deixariam de ter de se arrastar em empregos precários, senão precários que ocupam a maior parte da jornada diária, altamente desgastantes, física e psicologicamente, os quais exercem sempre num ambiente altamente stressante, orientadas pelo medo de a qualquer momento poderem, como sempre podem, perder tudo, ser despedidas e já não poder sustentar a família, perder a casa, perder a possibilidade de se deslocar, não poder comer, viver na rua ao sabor das intempéries ambientais também elas provocadas por uma elite que pretende, a todo o custo, manter-se como tal na hierarquia social mundial e, para tal, manter também todos os estratos abaixo de si no seu devido lugar, também porque deixariam de aprender, de pequeninos, a submeter-se a autoridades, a submeter a sua opinião e posição pessoal, a sua capacidade crítica, ao grupo, a autoridades que emanam sempre os conhecimentos que são os considerados verdadeiramente essenciais para se manter vivo e prosperar, a frequentar um sistema de ensino desenvolvido para o exército prusso no século XIX e que deu origem à educação pública, em que tanto num como no outro o objetivo sempre foi doutrinar as pessoas para seguirem ordens e aprenderem o suficiente para desempenhar uma função requerida socialmente, aniquilando outros aspetos fundamentais do desenvolvimento do intelecto humano, e que levam a que as pessoas aceitem tão passivamente tudo o que lhes é imposto pelo coletivo, por quem está acima de si na hierarquia, e degluta e integre no imediato e para sempre os preceitos culturais transmitidos por essa via. Talvez se se superasse todas essas condicionantes, como eu ia a dizer, as pessoas não chegassem a casa cansadas demais para se interessarem por procurar fontes de informação independentes, para estudarem ciência, para aprenderem algo que poderiam aplicar para contribuir para melhorar a sua própria vida, a dos outros ao seu redor, a dos animais, a do planeta.

 

Não vale a pena perpetuar atitudes moralistas, atitudes de crítica destrutiva ao sistema, atitudes de padre a dar o sermão do púlpito, se não se criarem condições para que as pessoas desenvolvam valores diferentes, integrem conhecimento relevante e adquirem a capacidade de comunicar com os outros e não impor uma comunicação aos outros, o que não é possível se se insistir em manter modelos linguísticos ambíguos e culturalmente cêntricos. Não vale a pena pedir uma revolução, violenta ou não, se se perpetuarem culturalmente os mecanismos que fazem com se verifique um "eterno retorno" do fascismo.

Ricardo Lopes

 

 

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“Fúria Divina”, uma diarreia literária de José Rodrigues dos Santos (2ª PARTE)

 

grandessissimo cona - azul - tua tia

 

LITERATURA  POLITICA SOCIEDADE Luís Garcia

  

Mentiras

Igualdade na ONU - "Também não o podemos [referindo-se ao presidente dos EUA] tirar da sede da ONU. Tecnicamente o edifício não é território americano, pelo que o presidente não tem prioridade sobre os outros governantes que lá estão. E estamos a falar de mais de trinta governantes. Teríamos de os retirar a todos ao mesmo tempo, o que não é possível em poucos minutos."

 

Grotesca mentira! Facílimo de desmentir com a enciclopédia conhecida de escutas, intrigas, envenenamentos e tudo o mais que já lá se passou nos seus 70 anos de vida.  JRS acredita na teoria, o anjinho, eu acredito nos factos históricos! Querem um recente, que prova o contrário daquilo que JRS insinuou? Por exemplo, o de Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, em 2014, que foi humilhado e tratado como um criminoso enquanto sua excelência divina Barack Obama saía da sede da ONU, o seu brinquedo privado:

 

I want to apologize to you because I arrived a bit late, some 20 minutes late, but the thing is that today I have been twice a victime of president Obama, a President I respect. The first time was at the UNO, as I was leaving the headquarters of the organization, together with other presidents we were victims of the security of president Obama. We were held by some 45 minutes. We could not move out of a corner where we were held. Until Obama quickly walked by. I called him: “Barack!” But he did not even turned around. The second time was when we were coming here. (...) So we were coming along Park Avenue and in the middle of the avenue there was a huge deployment of police officers, New York police patrols, all streets blocked, two kilometres in both directions. We got stuck in front of a traffic light. We were held there for 25 minutes. Then, we saw the president Barack Obama’s convoy pass by. We waved him, but he did not see us… (excerto do livro "We have to democratize de UN" de Nicólas Maduro. Podem lê-lo online no site do Minci)

 

JRS, para quê tentar passar uma imagem de bondade e pureza que não existe na política norte-americana e que de todos os modos não interessa a ninguém? Ninguém na sala oval vai querer ler esta merda bro!  Estás à espera do quê com esta pueril bajulação? Que Obama te adopte para substituir o outro lambe-botas, o cão d'água português?

 

Fundamentalistas cultos - "As populações muçulmanas acham que se deve lapidar uma adúltera até à morte?" "Muita gente acha, sim." "Está bem, mas isso é o povo ignorante a falar..." "Está enganada! Muitos muçulmanos instruídos e esclarecidos são fundamentalistas."

 

Bom, palavra de Tomás Noronha, o homem que conhece o Islão a fundo! Ou não? Isto é um especialista em Médio-Oriente a falar ou os fantasmas mentais do próprio JRS? Insisto, o muçulmano médio, culto ou não, não tem nada a ver com esta baboseira. Falo por experiência própria. E o que são populações muçulmanas? Que conceito é esse? Há um padrão mental muçulmano de Marrocos até à ilha da Papua na Indonésia? Eu, do que conheço, digo o contrário, que pouco se distingue em comportamento um católico indonésio de um muçulmano indonésio e que, em contrapartida, o comportamento de um muçulmano indonésio nada tem a ver com o de um muçulmano sírio!

 

Colapso japonês - "As únicas bombas atómicas lançadas contra sociedades humanas foram as do Japão, em 1945. Essas explosões provocaram o colapso imediato de sociedade japonesa. Será que o mesmo aconteceria agora? O terrorismo nuclear é uma experiência que ainda não vivemos, pelo que só podemos calcular os efeitos sem ter muita certezas."

 

Mentira atrás de mentira! Primeiro não foram as únicas lançadas sobre sociedades humanas, a não ser que para JRS aborígenes da Austrália não contem como seres-humanos, o que não me espantaria nada! Como JRS "é um dos jornalistas mas cultos do mundo" e como "lê livros às toneladas para bem preparar as suas obras", é impossível que nunca tenha ouvido falar do melhor jornalista vivo, John Pilger, realizador de inúmeros documentários, entre os quais 5 sobre o holocausto aborígene, onde se pode aprender sobre as explosões nucleares de que foram vítimas. Aconselho a visita ao seu site oficial johnpilger.com, no qual se pode visualizar verdadeiro e gratuito jornalismo.

 

As explosões de Hiroshima e Nagasaqui NÃO fizeram colapsar a sociedade japonesa. Quase todas as cidades principais estavam quase completamente destruídas e o Japão já tinha capitulado quando de forma desnecessária e terrorista os EUA as lançaram. Porquê, porque as forças russas estavam a poucos dias de alcançar o Japão e ocupá-lo enquanto potência vencedora. As 2 bombas mostraram aos russos que quem seria o próximo dono do Japão seria os EUA e não o bloco comunista.

 

Não há certezas sobre os efeitos porque ninguém os viveu? Então, arranjai um tradutor de japonês e perguntai a japoneses! Ou japoneses também não são seres humanos? E para que acha JRS que serviram os testes nucleares sobre civis no deserto australiano? Precisamente para perceber esses efeitos! Que nulidade! Informa-te!

 

Interrogatórios sobre tortura - Houve um único condenado que depois de confessar os crimes e receber uma pena pesada, voltou atrás e disse que era tudo mentira obtida sobre tortura em Guantanamo. Mais ninguém além dele foi legalmente condenado a nada depois de anos a fios tratados abaixo de merda. Só JRS é que parece não saber! A próxima citação, suposta verdade das muitas que JRS pesquisou e integrou no livro é desse género de mentiras confessadas:

 

"Pois nós estamos a pensar. E os terroristas também. Depois de termos invadido o Afeganistão conseguimos deter um dos cérebros do 11 de Setembro, um tipo chamado Khalid Sheikh Mohammed. Sabe o que ele confessou? Revelou que o primeiro alvo dos aviões eram instalações nucleares, mas acabaram por decidir não as atacar para já. E repetiu a expressão para já."

 

Comunismo - Todo o comunismo é fundado na luta de classes, não na harmonia. - Lol, sem comentários.

 

Burcas no Egipto - Quem ler o próximo excerto há-de pensar que no mundo muçulmano, o de Ahmed e JRS, todas as mulheres se tapam com burcas e que nunca homem nenhum viu um cm2 de pele de uma mulher não sua familiar. Que estupidez encomendada a pensar nos portugueses que nunca saíram da aldeia e que gostam de ouvir "estórias do árabe mau". Lisboa aos olhos de Ahmed:

 

 "E que dizer dos comportamentos? Nunca tinha visto tanto kafir de uma só vez, mas o mais chocante foi observar as mulheres a andarem por toda a parte com a pele branca exposta —por Alá, iam praticamente nuas! Viam-se-lhes os braços, as pernas, o cabelo, os ombros; algumas até vestiam camisinhas tão curtas que expunham a barriga e deixavam mesmo antever o rego dos seios! "Prostitutas!", vociferou em voz baixa, indignado. "Todas umas prostitutas!""

 

Da Turquia à Indonésia vi muçulmanas de mãos dadas a suas amigas não muçulmanas de t-shirt e calções, e não me parece que se chamem putas umas às outras. Aliás vi e vejo o contrário, grande e maior tolerância, sobretudo para com estrangeiros broncos que da praia vão até à loja a pé, de calções e tronco nu e de biquíni. É de uma enorme falta de empatia, de adaptação e de respeito pelo costumes do país visitado. Ainda assim nunca vi nenhum ter um problema por isso. E se há quem tenha problemas, bom, quem ideia é essa de ir às compras em biquíni num país muçulmano?

 

E depois, o Egipto é conhecido no mundo muçulmano por as suas mulheres tradicionalmente não usarem o véu como no restante Médio-Oriente. Sim, muitas também usam, e quê? Não provamos nada com isso. Com a percentagem que não usa, no entanto, prova-se que nas linhas da anterior citação JRS MENTE! Então e Ahmed nunca tinha visto turistas ocidentais no Cairo, ele que trabalhava TODOS OS DIAS COM TURISTAS OCIDENTAIS? Não, JRS, esse espanto é... digamos, demasiado forçado e muitíssimo tosco. É uma infantil obsessão tua!

 

Somos todos ricos e cultos -  Um português descrevendo Portugal a um egípcio: "Não é bem assim, meu irmão. Nós investimos muito na educação e sabemos que a verdadeira riqueza é gerada pelo conhecimento. Se andares por este país ou por toda a Europa, verás que por aqui existem poucas riquezas naturais nas terras. Não há petróleo, não há ouro, não há diamantes." Colou o indicador às têmporas. "Mas possuímos conhecimentos. Aqui no Ocidente sabemos fazer carros, aviões, pontes, computadores... é essa a nossa riqueza."

 

Nem os portugueses são ricos assim, nem os muçulmanos são retardados como se quer fazer querer! Em Portugal investe-se (pouco) em educação para alimentar a fuga de cérebros, face tão perversa do neoliberalismo tão bem dissecada por Fidel Castro nas suas inúmeras "Reflexiones de Fidel"; A Malásia, país muçulmano tem a sua própria marca de carros (Proton), Portugal não; O Irão é uma das nações mais industrializadas e tecnológicas do planeta, capaz de colocar sozinho no espaço os seus próprios satélites; Massa cinzenta existem em todas populações humanas, excepto para seguidores de teorias de supremacia racial, coisa profundamente triste. Não tem ponta por onde se pegue a citação acima! Além do mais com aquele tom paternalista e gestos de arrogância obtusa!

 

Ainda assim, há que denunciar sem cessar o roubo de petróleo e recursos minerais ao resto do planeta. Como dizia e bem o visionário Hugo Chávez, o Ocidente, com as suas ferramentas de colonialismo económico como o FMI ou o Banco Mundial, obrigam "el Sur" à prisão do trabalho do sector primário, importam-lhes esses recursos quase gratuitamente e depois exportam bens de valores acrescentado (derivados dessas matérias primas) aos países pobres que, como não podem pagar, têm de se endividar (pedindo dinheiro emprestado ao ocidente) para obtê-los. Tais  empréstimos são assinados em troca de pacotes de austeridade que aumentam ad eternum as dívidas, e de programas de reestruturação da dívida que aprofundam e eternizam  o carácter primário e servil das suas economias. Isto agora, porque ainda há pouco tempo era mais simples, fazia-se golpes de estado a torto e a direito com agentes da CIA e estava resolvido o assunto com mais um dos muitos Pinochets Made In USA. Por tudo isto JRS...  bsh cala-te!

 

E depois quê, os árabes ou muçulmanos são trogloditas, não tem engenharia, não têm universidades? Então por que raio foi Tomás Noronha estudar para o Cairo? Foi estudar pastorícia? E JRS, dá uma olhada sobre os conhecimentos de matemática, cartografia e navegação árabes que tornaram possíveis os descobrimentos portugueses, OK?

 

Mentira - Mais uma vez  JRS  simplesmente se põe a citar e a debitar à parva propaganda desmentida!  Como se fossem factos! Vejai:

 

"Muito bem", disse. "O que aqui está é o que sabemos sobre os projectos da Al-Qaeda em relação à construção e uso de bombas nucleares, projectos que remontam à década de 1990. Um sudanês que desertou do movimento, um tipo chamado Jamal Ahmad Al-Fadl, revelou-nos que Bin Laden esteve nessa altura empenhado na compra de urânio enriquecido por um milhão e meio de dólares. O nosso informador disse ter visto, com os seus próprios olhos, um cilindro com uma série de letras e números gravados no exterior, incluindo um número de série e as palavras África do Sul, identificando a origem do urânio enriquecido."

 

Isto tudo foi desmentido (antes de JRS publicar Fúria Divina) pelo próprio Pentágono que, a pedido do congresso Norte-americano, teve de desclassificar documentos que demonstraram não passarem de criações da CIA de auto-engano planeadas. Enfim...

 

Sobre o 911 - "Ajoelhámos a América! Ajoelhámos a América! Masha'allah!" Quem ajoelhou? O Bin das arábias? Já não há paciência para gajos como tu JRS, dizem-se jornalistas e interessam-se menos pela verdade do que um cidadão curioso. Pesquisam e analisam infinitamente menos que um cidadão atento. Não lhes interessam as lições históricas. O óbvio e o lógico são perigosos se contradizem a versão oficial. E este adora regurgitar versões oficiais absurdas, por mais evidente que seja que edifícios como o World Trade 7 foram demolidos por implosão programada, por exemplo! Uma leitura que aconselho JRS, pois há que aprender com verdadeiros jornalistas rapaz, é o livro de Thierry Meyssan: La gran Impostura - Ningún avión se estrelló en el Pentágono (para aceder ao PDF desta versão espanhola clique AQUI).

 

 

"No hay nadie ya que no cuestione la versión oficial — la que diera el Gobierno de Bush— sobre los trágicos hechos ocurridos en la ciudad de Nueva York. Y lo más terrible es que fue tomada como pretexto para desencadenar una “guerra al terrorismo”, que le ha permitido al imperio atropellar impunemente pueblos y soberanías. Así sucedió con Afganistán y con Iraq." (Hugo Chávez, em Desde La Primera Línea)

 

 Absurdos

Arquitectura - Depois da AlQaeda já ter morto um, voltam para trás para recuperar documentos rodeados de terroristas, num edíficio em Lahore, Paquistão. Óptimo cenário, na óptica de JRS, para Noronha e os trogloditas da CIA se porem a fazer análises a estilos arquitectónicos e piadas fraquinhas. São várias seguidas mas, para não cansar, partilho apenas uma:

 

""Isto é o Diwan-i-Aam", identificou. "Era aqui que o imperador mogul recebia as visitas." Os dois homens curvaram-se e passaram a porta de entrada. "Esses moguls deviam ser uns anões"."

 

Não-existência existente - "Eu estou a afirmar que mais de cem armas de um total de duzentas e cinquenta não estão sob o controlo das forças armadas da Rússia. Não sei onde se encontram. Não sei se foram destruídas ou se foram guardadas ou se foram vendidas ou roubadas. Não sei." (...) "Convém esclarecer que, depois desta entrevista do general Lebed, um porta-voz governamental russo declarou que essas armas nunca existiram e que as existentes foram destruídas." Sorriu com sarcasmo. "Uma pequena contradição, não vos parece? Primeiro dizem que essas armas nunca existiram e logo a seguir afirmam que elas já foram destruídas, o que significa que afinal sempre existiram."

 

Estás a fazer-te de sonso JRS? Não percebeste a explicação e tens a lata de injectá-la no livro como sendo mais um dos teus "imensos factos comprovados"? Que moca. Eu explico: o general russo Lebed clarificou 2 coisas distintas. Primeiro, que essa história de armas nucleares portáteis desaparecidas ou roubadas era mentira. Segundo, que este tipo de armas nucleares (em miniatura, que cabem dentro de malas executivas) produzidas pela URSS foram entretanto destruídas. Não há incoerência nenhuma, apenas má fé de JRS que se aproveita da ambiguidade criada com a palavra "existentes" para dar um novo sentido à frase.  JRS retira à má fé a frase do seu contexto, pois anteriormente Lebed comentava acerca das armas nucleares portáteis. Umas são criação mediática, as outras, as verdadeiras, integrantes do arsenal soviético que não foram roubadas, foram entretanto destruídas.

 

AlQaeda's blowjobs - Este absurdo faz-me lembrar o episódio do South Park intitulado "Broadway Bro Down" (S15E11). Porquê? Pelo paralelo entre as mensagens subliminares e pelo exemplo de vídeo que JRS escolheu:

 

"Digitou a password que o key-tracker lhe fornecera. Apareceu a ampulheta do computador a tremer sobre a imagem da ruiva de boca escancarada e, em poucos segundos, a fotografia pornográfica foi substituída por uma linha composta por letras e números. "Bingo!" Tomás inclinou a cabeça para a frente e, a mente a funcionar como um criptanalista, leu a mensagem que a Al-Qaeda havia escondido naquela fotografia.  6 A Y H A S 1 H A 8 R U"

 

Que risada, não tinham outra forma de mandar mensagens escondidas que não fossem tão escandalosamente CONTRA os ensinamentos do Islão e do profeta? Então JRS passa 600 massudas páginas tentando nos convencer que os "islâmicos" são maus e perigosos precisamente porque seguem à risca os ensinamentos fanático-religiosos, e depois mete os mais hiper-fanáticos dos fanáticos a partilhar vídeos porno! Não dá para perceber! Não faz sentido nenhum! Quiseste espalhafato e sensacionalismo com esta "ideia" mas, não, o tiro acabou por sair pela culatra!

 

 

Cão infiel e prostituta - Na minha opinião, pelo que conheço deste mundo, inclusive da lógica comportamental humana, nem o guia árabe faria isto aos seus clientes, nem o turista norte-americano espancaria (por causa disto) um árabe numa ruela perdida de um pais árabe plena de árabes. Vamos lá ao absurdo sonhado por um JRS fraco fraquinho em realismo:

 

Este tipo chamou-te cão infiel a ti e prostituta a mim." O homem arregalou os olhos,  perplexo e embasbacado, duvidando até de que ouvira bem. "O quê?" "É o que te digo, Johnny. Ele insultou-nos." Passado o pasmo inicial, o rosto do americano enrubesceu e, com um gesto rápido e inesperado, esbofeteou Ahmed. Paf. "Como te atreves?", rosnou, subitamente enraivecido. Apanhado de surpresa, o rapaz caiu no chão e sentiu o americano aproximar-se. "Porco árabe!" Seguiu-se um pontapé, que passou de raspão nas costas do guia. "Toma! Quem pensas tu que és?"

 

A improvável cena continua até se espancarem um ao outro, Não interessa.

 

Piadas com o termo Alá vindas de um crente!?! Que moca  de pesquisa fez o JRS sobre o mundo muçulmano para este livro?

 

O homem gordo mudou a perna de apoio. "Todos acreditamos em Alá e somos testemunhas de que não há nenhum Deus senão Alá", retorquiu, a voz no limite da paciência. "Mas aqui quem manda é Alá Al-Hakam, o Juiz, e o que eu quero saber é se és ou não um radical."

 

Para um crente do Islão, mesmo que seja o mauzão do interrogador policial, é inconcebível fazer trocadilhos e piadas usando o termo Alá. Um crente nunca juntaria a palavra Alá ao nome do juiz encarregado do processo para fazer passar a ideia de preponderância das decisões deste sobre as do deus muçulmano. As 2 coisas são blasfémia, sobretudo a de "usar o nome de deus em vão", nossa conhecida. Tendo em conta que neste livro, JRS, tenta inúmeras vezes sem conta nos convencer que os árabes/muçulmanos cultos ou analfabetos, bons ou maus, idosos ou bebés de colo, sem excepção, são todos um perigo para a civilização ocidental devido à teimosia de levarem o Corão 100% a letra, mais improvável se torna a citação descrita acima! Não, não há espaço para excepcionais graçolas dessas no fanatismo do mundo islâmico que inventaste no teu livro JRS! Não faz sentido e mostra a falta de jeito para mandar piadas!

 

Ctrl+S mental - A acreditar em JRS, a memória humana e a procura de informação nela é sequencial como num computador! Quanto mais ficheiros numa pasta, mais tempo para encontrar o que procuramos. Ou, quanto maior o conteúdo do ficheiro PDF, mais tempo esperamos até encontrar uma determinada palavra ou passagem. Fico curioso para saber se também depende da velocidade do processador e das rotações por minutos do disco biónicos, ahah! A citação:

"A sura 2 é o capítulo mais comprido do Alcorão, pelo que Ahmed levou algum tempo a localizá-lo na memória."

 

Adora aquelas partes (metade do livro) em que um diz, "Ah e tal, o capítulo 9, versículo 20 diz branco". E outro: "Pois, mas o capítulo 3, versículo 10 diz preto. E mais, o capítulo 12 versículo 13 diz cinzento mas faz referência ao branco". Etc. E ficam assim 5 ou 6 páginas a divagar mentalmente para trás e para a frente no Corão, recitando de memória linhas inteiras, palavra por palavra. Inclusive crianças o fazem na boa! Nunca vi um fenómeno assim nas minhas viagens mas devo andar por certo ceguinho pois, a acreditar neste livro, são situações perfeitamente normais no "mundo islâmico". Ahahah!

 

Fontes de conhecimento - NewsWeek e Time para aprender sobre o mundo islâmico? Mais nada? Não queres também um personagem a aprender linguagem de programação com uma banda desenhada do Tio Patinhas? O excerto:

"Não é bem assim", corrigiu ela. "Eles fazem uma interpretação abusiva do islão." "Quem lhe disse isso?" "Quer dizer...", hesitou Rebecca, desconcertada com a pergunta. "Isso está... sei lá, está na imprensa. Já li isso na Newsweek... ou na Time, não sei bem."

 

Vais para Lisboa - Vejamos este raciocínio ilógico. Sem nenhuma razão estratégica para enviar em missão de formação o futuro terrorista para onde quer que seja, tipo capricho, discorrem umas conclusões à monga... e  escolhem Lisboa para destino do novo jiadista! Ahaha, que moca! Do género: "Epá, no Egipto não por causa da bófia. Na Arábia Saudita não porque já lá há muitos trogloditas como nós ... mmm, que tal Europa? Europa... Inglaterra. Mmmm, não, já têm muitos muçulmanos e os bifes andam a desconfiar... já sei, vais pra Lisboa!"

 

E já está! E quê, será possível coisa mais forçada que esta para por Lisboa na rota da AlQaeda!?! Como é possível! É a isto que os fãs chamam um "grande enredo" e "excitante suspense" e coisa e tal! Jasus!

 

Portugal, o paraíso na terra - É, preparem-se caros leitores, vem aí diarreia! Portugal no início dos anos 90 era O PARAÍSO NA TERRA:

A novidade que de início mais o espantou, e para a qual não estava verdadeiramente preparado, foi a riqueza que encontrou em Portugal. Os automóveis brilhavam de tão novos que pareciam, os autocarros tinham portas que se abriam automaticamente, as estradas eram impecáveis, não havia papéis nem plásticos espalhados pelos passeios, as pessoas tinham um aspecto bem tratado e dos seus corpos emanavam fragrâncias perfumadas, não se viam bairros degradados nem esgotos a céu aberto nem lixeiras pelos cantos nem revoadas de mendigos, o ar respirava-se limpo e tudo parecia ordeiro e arrumado. Que contraste com o Cairo!

 

Que Portugal , que Lisboa conhece JRS? O dos cocktails de VIP's, hotéis de luxo e gente chique? Só pode! Hahahaha, que moca, parece que foi para uma virtual Islândia ou um virtual Mónaco mais ricos e mais perfeitos que os da realidade, não sei. E quê, na cosmopolita Cairo de mais de 10 milhões de habitantes não há carros novos nem de portas automáticas? Como disse que disse? Eu já vi com estes olhos um Ferrari passar numa rua de buracos e lama com pobres descalços pedindo esmola no chão. JRS, que não sai do hotel nas suas viagens de estudo para livros, não parece conhecer a lógica deste mundo capitalista: onde há muita pobreza há a mais gritante riqueza. Mas qual quê, nem ricalhada, nem elite, nem máfia nenhuma egípcia tem a porra de um carro com portas automáticas! Ok. E não é desculpa Ahmed ser de classe-média (nem sequer pobre), pois todos os dias trabalhava com turistas na zona histórica do Cairo, não é propriamente um pastor de cabras do deserto do sul do Egipto! Brincamos? Mais, não há mendigos em Lisboa? Não há fome e miséria em Portugal? Na altura em que se passa a cena do livro não havia favelas como o Casal Ventoso? Vives num bunker JRS? O Médio-Oriente, descontando a miséria das guerras de intervenção e das de proxy dos EUA, é um mundo com muitíssimo menos pobres e mendigos que a nossa Europa, fruto de maior entreajuda e empatia! Não bárbaros como nos queres fazer querer! Por isto tudo, não me fodas com clichés! Pega numa mochila e vai ver o mundo real! E esta pérola:

Que terra aquela! "Estes Portugueses devem-se fartar de roubar aos crentes", observou após o seu primeiro passeio pela cidade.

 

absurdo, mentira, ou um pouco das duas? - Nem todos os bófias tugas são anjos bem-educados, servis e falam inglês, nem todos os bófias do Cairo são a encarnação do diabo! Tenhamos calma e leiamos mais um pérola:

Deambulou perdido pela Baixa de Lisboa e assustou-se quando viu um polícia aproximar-se dele. Pensou que ia ser preso e preparou-se para fugir, mas sentia-se paralisado de medo, ficou pregado ao chão. O polícia interpelou-o em português e, muito hirto, Ahmed abanou a cabeça e fez sinal de que não entendia. Após as primeiras palavras confusas, ouviu o guarda mudar para um inglês primário mas perceptível. "Precisa de ajuda?" O polícia queria ajudá-lo! No Cairo sempre vira os polícias como repressores agressivos e corruptos, pessoas que deviam ser evitadas a todo o custo. Mas aquele guarda mostrava-se desconcertantemente afável. Desconfiado, Ahmed balbuciou uma desculpa improvisada e afastou-se o mais depressa que pôde, convicto de que haveria ali uma artimanha qualquer.

 

Quem lê isto pensa que Ahmed é um membro de umas das últimas tribos isoladas dos planaltos da Roraima, lá na Amazónia profunda!

 

Os árabes desconhecem instintos biológicos -  Adara obedeceu e estendeu-se vestida na cama, o corpo hirto, os olhos a saltitarem de nervosismo. O marido desligou a luz: e deitou-se ao lado dela. Não sabia bem o que fazer em tais circunstâncias, uma vez que aqueles assuntos eram proibidos até nas conversas entre homens, mas tinha a ideia de que tudo se passava entre as pernas dela. Ganhou coragem e meteu-lhe desajeitadamente a mão pela parte de baixo do vestido, explorando-a até lhe detectar a abertura quente. Sentiu a erecção formar-se-lhe nas calças e despiu-se com um movimento rápido. Depois deslizou para cima dela e fez força para entrar. A coisa não resultou; devia haver qualquer mecanismo que ambos desconheciam. Teve então a ideia de lhe abrir as pernas e voltou a investir. Ela gemeu de dor no momento em que o marido conseguiu penetrá-la. Foi uma refrega rápida e atabalhoada.

 

2 minutos depois Ahmed estava na casa de banho a lavar-se. Tudo bem, mais uma vez um galã da TV portuguesa se diverte a espezinhar árabes, desta vez ridicularizando a sua performance sexual. Desconfio que JRS terá complexos graves a moer naquela "cabecinha"!

 

Grandes dúvidas ficaram-me na cabeça com esta passagem: Como fazem para se reproduzir as restantes milhões de espécies animais se não beberam instruções da providencial cultura ocidental? Serão mesmo atrasados mentais os árabes? Será preciso um doutoramento em biomecânica para saltar encima de uma fêmea? Como é que os portugueses conseguem gerar descendência viável? É que o ensino desta matéria tabu nas escolas e nos lares do Portugal conservador católico não é o melhor do mundo, pois não?

 

Bomba atómica no congelador - "Não temos a certeza", disse Vladimir. "Mas em 1997 apareceram num descampado de Ozersk os corpos de uns soldados e de vários funcionários que supostamente estariam na noite anterior de serviço no complexo de Mayak. Num outro local da cidade foram encontrados os cadáveres de familiares dos funcionários. Fizemos umas averiguações que não deram em nada e o caso foi encerrado. Mas agora, ao ver essa fotografia, comecei a interrogar-me sobre o que realmente se teria passado e decidi reabrir o caso." "Descobriu alguma coisa nova?" "Ainda estamos a fazer o inventário do material dentro do cofre de Mayak."

 

Voltamos ao tema do roubo de material nuclear na Rússia por fanáticos islâmicos. Nesta altura do livro ficamos a saber que a AlQaeda desde 1997 (mais de 10 anos) tinha na sua posse material para fazer bombas atómicas, mas não, não as criaram. Para quê matar milhões de norte-americanos com uma bomba de urânio (basta juntar num só monte 50kg de urânio enriquecido e a explosão nuclear acontece espontaneamente) com o material que já possuíam, quando podiam "perfeitamente" se entreter a espetar aviões contra alvos impossíveis como as Torres Gémeas ou o Pentágono, obtendo a morte de uns pouco de milhares de infiéis. Sem dúvida, é uma lógica de génio JRS!

 

O outro golpe de génio desta parte é fazer crer o leitor que os russos são tão burros, mas tão burros mesmo, que quando encontraram os corpos dos militares da base (mortos pelos assaltantes islâmicos), não se lembraram que os militares eram militares e que na base militar havia material nuclear, daí que não tenham averiguado o que foi roubado na noite do crime! A sério JRS? Só agora, 11 anos depois, com uma foto podre dos agentes da CIA é que os murcões dos russos estão a perceber que terão sido roubados naquela noite? Que abuso! Ah, sim, encontram-se na floresta corpos de militares russos mortos no dia em que estavam de serviço, incluindo o porteiro da base, mas ninguém até hoje tinha associado uma coisa com a outra! Pkp!

 

Apologia da escravatura - Preparem-se que vêm diarreia de novo:  "Oiça, você sabe de que vos acusam os fundamentalistas? Eles culpam a América por ter exterminado os índios, por ter escravizado os negros, por ter cometido crimes de guerra em Hiroxima e Nagasáqui, e ainda na Coreia, no Vietname, no Iraque, no Afeganistão e por aí fora, por apoiar Israel, por apoiar os tiranos árabes, por explorar o petróleo dos países árabes, por imoralidade, por prática de usura, por autorizar o consumo de álcool, por permitir a liberdade sexual, por garantir a liberdade de expressão, por defender a democracia, por deixar que as mulheres sirvam passageiros nos aviões, por..." "Já entendi", atalhou Rebecca. "Somos culpados de tudo."

 

Pois são, são culpados dos crimes TODOS acima escritos. Não entendo é o drama criado por Noronha sobre este assunto! E acho de uma falsidade grotesca misturar crimes hediondos dos EUA com exemplos de liberdades humanas existentes nos EUA numa mesma frase de forma a baralhar as cabecinhas fracas do nosso Portugal! Que nojo! Que asqueroso! Que abjecto! Que comportamento vil JRS!

 

"Exactamente! Algumas destas acusações são muito estranhas, como decerto reparou. Por exemplo, esta acusação de a América ter escravizado os negros. Vinda de quem vem, é hilariante! Não era Maomé que permitia a escravatura? Ele até tinha escravos! E a Arábia Saudita? Sabe quando foi que este país islâmico, o mais sagrado de todos, a pátria de Maomé, a terra onde se encontra Meca e Medina... sabe quando foi que a Arábia Saudita aboliu a escravatura? Em 1962! Como é possível que os fundamentalistas islâmicos estejam tão indignados com práticas na América que eram aprovadas e exercidas pelo próprio Profeta?"

 

Outra vez? E agora pior, agora queres justificar o mal norte-americano dando exemplos de males alheios? Apologia do terror baseada em exemplos de terror? Saíste agora da caverna JRS? E sim, a Arábia Saudita ainda hoje no século XXI tem escravatura, graças SOBRETUDO ao apoio incondicional do seu patrão, os EUA! Não te enterres! Por que não dás exemplos de estados laicos com a Síria? E mais, invertamos a situação: toda a barbárie e terror do fundamentalismo islâmico recente pode ser  comparado (ler perdoado) com os horrores das guerras civis, golpes de estado e genocídios perpetrados pelos EUA no século passado na América do sul, logo, PARA QUÊ ESCREVESTE ESTE LIVRO? Todo o horror pode ser comparado (ler desculpado) com um outro qualquer num ciclo vicioso que te levaria à aurora da espécie humana. Por que escolheste então os árabes muçulmanos fanáticos islâmicos? Por seres um lambe-botas? Ah, esta passagem é sem dúvida uma das maiores barbaridades que já encontrei num "livro".

 

Bomba atómica saída do nada - 2 minutos de conversa da treta e já está... a forma infantil e improvisada na qual Bin Laden e Ahmed desenvolvem a ideia da bomba atómica! Que moca!

 

"A construção da bomba... não é impossível, espero." "Não, não. Se eu tiver urânio enriquecido em quantidade suficiente, isso faz-se sem grandes problemas técnicos. Como o senhor disse há pouco, os princípios são simples." "E a tal década de que estavas a falar ainda há instantes?" "Isso era para enriquecer o urânio ou para produzir plutónio. Mas se já dispomos de urânio enriquecido esse problema não se põe." Finalmente convencido de que o homem diante dele estava à altura da missão, o xeque esfregou as mãos. "Excelente! Excelente!", exclamou!"

 

Incoerências 2

O professor especialista em nulidade - eu que gosto de ver na internet entrevistas de verdadeiros historiadores e sábios como Henri Guille ou Bassan Tahhan, fico surpreendidíssimo ao constatar que o nosso Noronha, apesar de saber de cor montanhas de declarações falsas da CIA, do Pentágono e da ALQaeda, não sabe situar Lahore num mapa mundial! Como assim. Um historiador a sério, como os acima citados, sabem de cor os mapas políticos do passado, assim como as dinâmicas de avanços e recuos de fronteiras e estão a par da criação de novos países e suas fronteiras ao longo da história... este não sabe onde é a histórica cidade de Lahore! Jasus!

 

Conhecia a cidade de nome e de múltiplas referências históricas, mas percebeu que não era capaz de a situar no mapa. Pegou no atlas e procurou as páginas da Ásia. Encontrou o Paquistão e deslizou o indicador até Lahore. Ficava perto da fronteira com a índia, constatou.

 

E depois, quando lhe perguntam o nome do autor do livro "Um Manuscrito para Decifrar Mensagens Criptográficas", responde a bruta, quase perdendo o fôlego:

 

Abu Yusuf Yacub ibn Ishaq ibn as-Sabbah ibn Omran ibn Ismail Al-Kindi." Tomás pronunciou o nome muito depressa, extraindo um esgar perplexo do rosto da sua interlocutora. "Quem?" O historiador soltou uma gargalhada. "Para facilitar chamamos-lhe apenas Al-Kindi", esclareceu, divertido.

 

Ó Noronha, és o maior (da tua aldeia)! Ó JRS, não paras, é tudo ou nada com este Noronha!

 

Os taxistas suicidas - "Cuidado!", gritou Tomás ao ver o táxi ir na direcção de um auto-riquexó. Uma guinada rápida evitou a colisão no último momento. O taxista voltou a cabeça para trás e exibiu os dentes amarelos, no que parecia ser a caricatura de um sorriso. "Não se preocupe, mister. Aqui em Lahore é sempre assim.

 

Viveu anos no Cairo e não sabe já como é caótico o trânsito em metrópoles do género!?! E quê, é Noronha que vai ensinar um paquistanês a conduzir no caos urbano do seu país? Que broncalhada desnecessária, apenas para insistir que o macho tuga é o maior!

Clichés 2

Como os chineses - São todos iguais os muçulmanos, desde o governo laico sírio até à monarquia medieval da Arábia Saudita, passando pelos indonésios de remotas ilhas que nem percebem o que significa ser muçulmano, os crentes do Islão são como as caras dos chineses: todos iguais! É a irmandade total de moçambicanos, tchetchenos, malaios, sírios, sauditas, curdos, marroquinos, falam todos em uníssono e têm todos  a mesmíssima visão do mundo, claro... que não! O JRS se se deixar de Sheratons e se se puser a viajar por este mundo, ao final suicida-se relendo a merda que escreveu neste livro. Não é preciso citações, metade do livro é isto!

 

Ditadura no Irão - "Mas o Irão tem democracia, meu irmão", argumentou Ahmed. "E, que eu saiba, os
iranianos são muito respeitadores da sharia." "Já foram mais", retorquiu o mestre com um esgar irónico. "Além disso os iranianos são xiitas, não praticam o verdadeiro islão. De qualquer modo, é preciso notar que quem realmente manda no Irão são os ayatollahs, e esses não são eleitos. Os presidentes e os parlamentos do Irão, embora eleitos, não têm o poder de violar a sharia, apenas de a fazer respeitar.

 

Quem manda verdadeiramente na Europa é a comissão europeia e o presidente da comissão, e ESSES NÃO SÃO ELEITOS! Quem manda em Portugal é o FMI,  o Banco Mundial, o BCE, o Fitch, os "mercados", a Angela Merkel, etc, e ESSES NÃO SÃO ELEITOS! No Irão o poder está nas mãos dos manipuladores religiosos, nos EUA está nas mãos dos manipuladores económicos! No Irão, para passar como candidato na peneira religiosa, há que ser crente e conservador. Nos EUA há que ser bilionário ou encontrar pelo menos uns 500 a 800 milhões de dólares antes da campanha começar! Onde está a diferença? Porquê Irão, Irão, Irão, quer nas tuas "notícias" na TV, quer na tua "obra" literária! Já enjoa este preconceito anti-Irão! Da-se!

 

Fundamentalistas - Claro, o que mais há nas prestigiadas universidades árabes é fundamentalistas... e coelhos da Páscoa! Leiamos:

Estudei na Universidade de Al-Azhar, a mais prestigiada universidade islâmica do mundo, e passei a perceber melhor o que se passa na mente dos muçulmanos. Falei com todo o tipo de gente, nem imagina." "Conheceu fundamentalistas?" "Claro."

 

No Ocidente teologia e história da religião são matérias de conhecimento sérias e respeitadas. No mundo árabe estudos islâmicos são aulas práticas de montagem e detonação de explosivos!

 

Entra fanático religioso, saí jiaidista - "Saio daqui com raiva! Saio daqui revoltado! Alguma vez aceitarei o que o nosso governo nos está a fazer? Jamais! Como é possível que acredite que eu seja assim tão fraco?" Pousou a mão no peito. "Nós somos crentes e eles perseguem os crentes! Como se atrevem eles? E como se atreve o meu irmão a pensar que eu tenho medo desses... desses cães? Se acha que esta gente do Diabo me fez medo, a mim, engana-se!"

 

O Ahmed chama prostituta e cão raivoso a turistas sem razão aparente. Vai preso por isso e quando sai da prisão vai directo alistar-se na AlQaeda. Linear! É mesmo assim que se formam membros da AlQaeda. Este senhor precisa mesmo de investigar a história da AlQaeda, de como os EUA a criaram, o que se passou entre ela e as forças militares soviéticas durante o conflito de 1979. Investigar como era o Afeganistão socialista e progressista antes da chegada da AlQaeda. Espantar-se que o EUA foi dos primeiros países a reconhecer diplomaticamente o poder dos talibãs no Afeganistão depois do golpe de 1996. Enfim, tanta coisa... JRS deveria simplesmente fazer restart e voltar ao jardim de infância!

 

Tortura - os árabes "torturam", os ocidentais usam "métodos mais musculados". O efeito é igual, mas enfim, o artista adora minimizar a barbárie ocidental com eufemismos pacóvios. JRS não se atreve a juntar a palavra "tortura" a cidadãos da terra do tio Sam torturadores, provocar-lhe-ia um derrame cerebral, imagino! Não dá é para perceber porquê!?! Afinal, os livro de torturas modernos e seus executores na América Latina, Médio Oriente e por aí fora, ou são norte-americanos ou aprenderam com norte-americanos na Escola das Américas. Não sabes que escola é essa? Vai ao google!

 

"Vontade não nos faltou", murmurou Rebecca, como quem faz um aparte. "Mas, tendo em conta as circunstâncias, não podíamos seguir de imediato para os métodos mais musculados.

 

Quando crescer quero ser mujaidine! Ahahah: "Queremos que te treines para ser um mudjahedin." Ahmed nem queria acreditar no que estava a ouvir. Treinar para ser um mudjahedin? "Mas... mas isso é o meu sonho! Por Alá, isso é maravilhoso! Não desejo outra coisa na vida!"

 

Mais uma: "Mukbayyam, todos o sabiam, era o nome que se dava aos campos de treino no Afeganistão. Estaria o seu sonho à beira de se concretizar? Por Alá, esperara tanto tempo por aquele momento!" Ah, quem não sabe uma coisa dessas!

 

Sonhos e mais sonhos! Já agora, não sonham com 72 duas virgens pá! Loiras como palha, de olhos azuis, lábios com sabor a morango e mamas arrebitadinhas! É que a ser assim até JRS se converte ao Islão e se rebenta com cintos explosivos!

 

Com tanta baboseira a desmontar, a crítica às questões centrais não couberam nesta 2ª parte. Na 3ª e última farei análises mais profundas a essas questões: a bomba atómica, a ideologia do terrorismo islâmico, o choque de civilizações, a supremacia ocidental, a supremacia religiosa do cristianismo face ao Islão, a paralisia mental e o heroísmo azeiteiro de Noronha, a inferioridade intelectual russa e as suas inúmeras prostitutas,  o código desencriptado, o desfecho hollywodiano do livro e sim, a orientação sexual da loira de mamas arrebitadas! Ahahah! E outras surpresas mais! Entretanto vejam estes documentários e as verdades sobre  a AlQaeda e outras "fontes de informação" de JRS para este livro, assim como as explicações de conceitos religiosos como "Califado" explicados por um verdadeiro historiador (Bassan Tahan):

The Empire Files - 9/11 and the Belligerent Empire

 

A qui profite l'avènement du nouveau califat ?

 

Um bem haja!

 

Luís Garcia, Lampang, Tailândia, 13.11.2015

 

 

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“Fúria Divina”, uma diarreia literária de José Rodrigues dos Santos (1ª PARTE)

 

grandessissimo cona copy

 

LITERATURA  POLITICA SOCIEDADE Luís Garcia

 

O pior romance que já li na vida. Aliás, isto nem sequer é um romance, é um manual de maus costumes: mentira, propaganda, manipulação, racismo, xenofobia, prepotência! E, como o autor é famoso e o público tuga analfabeto político, passa tudo. A doutrinação deste livro, igual à dos media mainstream, mas com o bónus nas últimas páginas garantido que as mentiras alqaedeanas e as baboseiras de José Rodrigues dos Santos são todas verdades, é muito bem sucedida e agora é vê-los a apelar à morte de refugiados sírios a caminho de Portugal, inclusive crianças inocentes! Parabéns José Rodrigues dos Santos por ajudares a criar um mundo PIOR!

 

Dada a falta de enredo e de personagens com profundidade e dinâmica intelectual minimamente realistas, posso resumir em poucas palavras que no seu todo Fúria Divina é um pingue-pongue simples e linear, entre capítulos sobre os bons (os norte-americanos e o herói português) e capítulos sobre os maus (os muçulmanos ou os árabes, ou as duas coisas, pois José Rodrigues dos Santos parece nem sequer ser capaz de fazer a distinção entre os dois).

 

Quase metade do livro é pretensa informação verídica, como se fosse possível em 2008 ainda acreditar na fantochada das cassetes de vídeo e mensagens da bonecada da AlQaeda (principal fonte de informação para esta obra, imagine-se! Que riso!), ainda mais quando se é jornalista há dezenas de anos. Ou melhor, precisamente por isso é que estará habituado a mentir sobre esta fantochada encenada pelos EUA! A outra quase metade é uma irritante repetição do que de mais violento há no Corão, junto com o esforço desonesto e perverso de fazer crer o leitor desatento que todos os árabes ou muçulmanos verão o mundo por esse prisma violento. Parece tirado de um manual do ministro da propaganda de Hitler que ficou famoso por afirmar que uma mentira muitas vezes repetida torna-se uma verdade. A ver pelos comentários no GoodReads, Goebbels estava definitivamente certo.

 

O resto é sobre um macho português azeiteiro mandando piropos "à trolha" a uma loira de olhos azuis de mamas em bico. Não exagero. Agora vamos à dissecação!

 

Incoerências

O espião otário - A CIA manda um agente seguir Noronha (o tuga personagem principal mulherengo) nos Açores. Nos Açores porque tem a Base das Lajes (cliché), O homem está lá de férias com a mãe e descobre aos poucos que é perseguido constantemente por um homem sinistro. Inquieto, tenta apanhar o homem que entretanto foge, que em seguida muda de ideias e vem ter com o Noronha, que tem algo muito importante a lhe dizer mas que não fala, e que por fim lhe passa um telemóvel e o põe à conversa com... um agente da CIA seu ex-patrão! Que risada! Das duas uma, ou têm medo de espionagem electrónica e mandam alguém pessoalmente falar com Noronha ou, não têm problemas desses e telefonam directamente dos EUA! Agora mandar alguém pessoalmente que em vez de se dirigir directamente anda não sei quanto tempo a brincar aos "polícias e ladrões", para depois acabar o herói tuga a falar ao telemóvel com o ex-patrão! O ex-patrão que lhe telefonasse!

 

O código para decifrar - Na segunda guerra mundial o Reino Unido pegou no seu génio da teoria da computação, Turing, e encarregou-o de decifrar os códigos múltiplos da Enigma, a máquina de encriptação militar do 3º Reich. Turing teve de passar da teoria à prática e inventar uma coisa nova: o computador digital. Custou milhões, levou meses e ocupou centenas de engenheiros, mas valeu a pena, acabaram por conseguir obter um bom algoritmo num computador suficientemente rápido que passou a decifrar os códigos alemães. Os EUA no séc. XXI, a era da hegemonia digital, lembram-se de pedir a um historiador tuga que decifre um código... de 12 dígitos! Da AlQaeda! E os super-computadores, estão todos avariados? Para cúmulo dos cúmulos, basta ler da direita para a esquerda (como os árabes), e a decifração é quase óbvia! Mas bom, era preciso um tuga para chegar lá. A sério José Rodrigues dos Santos (JRS), a tua obra parece-me uma daquelas anedotas do "Havia um inglês, um francês e um português...". E depois... AlQaeda, uma sub-agência da CIA! Pedissem-lhe a porra do código! Ahahah!

 

Reunião ultra-secreta no meio da multidão - A CIA precisa de fazer uma reunião ultra-secreta e em vez de usar uma das suas centenas ou milhares de localizações secretas próprias, não, escolhe um edifício super turístico na super-turística Veneza. Mas o génio do José Rodrigues dos Santos pensou em tudo, o manhoso, e a sua personagem da CIA lembrou-se de encenar umas providenciais obras de restauração no local para que este estivesse fechado para visitas! Ohhhh, brávô, brávô! Oh JRS, sim, um Código da Vinci que se respeite tem de passar por locais cliché como Veneza, Paris ou Florença mas, não sei se te explicaram, convém arranjar uma desculpa minimamente... plausível! Entendes "plausível"? Mmmmm, não me cheira.

 

O professor de estudos árabes de uma tribo da Papua -  Então o herói tuga da obra (JRS é perito em obrar) é fluente em aramaico, hebraico e árabe, é historiador perito em Médio-Oriente, estudou na grande universidade egípcia de Al-Azhar e, quando uma loira de "lábios suculentos e apetitosos como morangos" lhe diz que Portugal é um alvo prioritário do "terrorismo islâmico" porque a CIA (agência que criou a AlQaeda) encontrou uns vídeos da AlQaeda nos quais uns trogloditas afirmam (em nome deles não do mundo árabe muçulmano que eu conheço) que têm como objectivo conquistar a Península Ibérica e recriar o Al-Andaluz, o raio do homem espanta-se e cabisbaixo acredita na lengalenga! Que raio de perito é este que engole cassetes riscadas da propaganda que já nem norte-americanos lobotimizados têm paciência para ouvir. Soa estrondoso, fantástico, catastrófico... mas é um disparate! Um pessoa que tenha estudado, vivido e viajado no Médio Oriente sabe que nessa parte do planeta os seres-humanos, SIM, são seres-humanos, e não bombas com cronómetro embutido como nos impingem vendidos apresentadores em Jornais da Noite, ganhadores de prémios de jornalismo da CNN! Se Noronha fosse o historiador que JRS diz ser, ter-se-ia cagado a rir com a história da carochinha dos retardados agentes da CIA que acreditam nas suas próprias mentiras e teria voltado para o estudo dedicado de livros sobre a complexidade e riqueza da história e cultura árabe como fazem... os historiadores!

 

Bom, e chega por agora que a lista é interminável como o livro!

 

O Absurdo Russo

Quanto ao enredo fraco fraquinho que envolve material nuclear russo, primeiro, JRS baseia-se em "informações" de meios tendenciosos de muito fraca credibilidade, assim como em confissões de russos ainda menos credíveis. Mas tudo bem, quero acreditar que durante o colapso da URSS há 20 anos atrás muitas kalashnikovs terão sido vendidas ao desbarato por oficiais russos esfomeados, assim como peças de artilharia, tanques,  barcos de guerra e até porta-aviões! O JRS, que é jornalista, diz que sim, que gamaram porta-aviões! Enfim. Segundo ponto: tecnologia de programas especiais e/ou secretos não são deixados à sorte nem mesmo quando uma civilização "colapsa" parcial e temporariamente. A Rússia nem sequer colapsou, foi antes hiper-pilhada durante o processo de remodelação. Se não colapsa, por mais milhões que morram de fome com o processo de transição, o topo do poder bélico e do conhecimento científico nem sequer chega a ser beliscado. Aliás, mesmo numa guerra nuclear que matasse a maioria dos seres humanos, muitos milhares de russos, norte-americanos e chineses sobreviveriam junto ao seu conhecimento tecnológico em inúmeras cidades bunkers secretas ou não.

 

Por estas 2 razões juntas pergunto-me: como é que alguém pode não vomitar intelectualmente perante o roubo de material nuclear russo às mãos de uns trogloditas proposto neste livro? Para JRS, basta matar a tiro (com um silenciador, pois claro, de génio!) um, sim, UM militar russo sentinela à entrada da base militar russa, chantagear um outro com a decapitação da sua filha e mulher para obter os códigos desse e de um terceiro militar para abrir uma porta. Depois pega-se no material a roubar, matam-se silenciosamente todos os militares que testemunharam o acto, mete-se os cadáveres junto ao material roubado dentro do camião dos assaltantes, remove-se a neve vermelha de sangue do pátio da base militar e já está, siga pra Namec! A sério? É esta a ideia que JRS tem das bases militares nucleares russas? É este o tipo de segurança simples e não redundante que lá encontraria? Com esta receita, por favor!,  nem num armazém de enferrujadas kalashnikovs do museu do exército russo entrariam!

 

Má fé

Pôr uma criança egípcia a recitar de memória páginas do Corão exemplificativas da barbárie e agressividade islâmicas, da vontade infinita de degolar infiéis, do ódio doentio ao ocidental, e por aí fora, é um acto de má. Primeiro é mais provável alguém ganhar o euromilhões do que uma criança muçulmana venha algum dia a comportar-se assim de forma espontânea, sem condicionamento impingido por adultos de más intenções, ainda mais quando não cita meia dúzia de palavras mas sim páginas inteiras de texto e salta para trás e para a frente mentalmente como se fosse um motor de pesquisa. Depois, dá a sensação que essa criança de forma conveniente só escolhe as passagens más por que racialmente será um  bárbaro, não? Senão por que razão crianças fanáticas católicas não chegariam às mesmas conclusões influenciadas pelas equivalentes passagens bíblicas? A resposta só pode estar numa diferença racial ou genética! O muçulmano não é um de nós, não é como nós (como nos tentam convencer o tempo todo medias paranóicos). O árabe é "o outro", "o estrangeiro", o inimigo do nosso bem estar por definição! É o mal em pessoa! E não, não são os professores de religião os responsáveis do fanatismo de Ahmed no enredo deste livro pois a criança é o personagem  que possui a dinâmica de radicalismo mais forte e que tem a personalidade dominante, o que não se compreende numa criança de tão tenra idade. Mas aí está, o árabe é doutra espécie, não há portanto que supor que as crianças deles se comportem como as nossas.

 

O JRS escolhe as partes violentas do Corão, mete as na boca de uma criança que virá a ser um adulto terrorista (como se os mercenários islâmicos se geram-se assim) e com manifesta má fé propõe indirectamente ao leitor desatento (uma muito boa parte) que os muçulmanos pensam  e agem assim. Eu digo que não, viajei e passei bastante tempo em países do Médio Oriente e convivi largos períodos com muçulmanos leitores assíduos do Corão e sei que NÃO agem nem pensam assim. Agora psicopatas há sempre em todo o lado, como o católico Breivik da Noruega ou os da imensa lista norte-americana. Por que não também em países de maioria muçulmana! Caro que os há!

 

Que haja malucos que sigam a letra barbaridades de escritos sagrados não nego, mas por favor que se pare de propor que seja uma exclusividade islâmica. Bem pelo contrário, colonialismo, escravatura e mil e uma aberrações foram justificadas por barbáries escritas na bíblia. Baseados nos escritos sagrados judaicos, sionistas executam agora mesmo um genocídio sobre o povo palestiniano. Ou, insisto, o Breivik que matou quase 100 jovens na Noruega era um conservador católico! E que me prova isso, que uma pessoa que leia a Bíblia é uma bomba relógio por activar? Por favor não, as testemunhas de Jeová são por norma uns grandessíssimos chatos mas nada me leva a supor que não sejam boas pessoas e cidadãos exemplares! E que me dirão se, baseado no massacre da Noruega e em passagens bíblicas tão violentas como as do Corão escolhidas à má fé por JRS, um escritor muçulmanos ou árabe propusesse os mesmos preconceitos primitivos sobre o ocidente católico que JRS propõe neste livro sobre os muçulmanos! E enfim, tá gasta esta lavagem de guerra de civilizações, chega! Ou não? A novidade sou chegou a Portugal em 2009? Que país!

 

Querem um exemplo retirado do livro? Vou vos mostrar um que JRS propõe sem dúvida à má fé , pois ninguém nos adverte que são afirmações bélicas de Maomé proferidas num contexto concreto de guerra e não de paz. Tampouco o cultíssimo escritor pródigo a debitar fora de contexto e de forma muito forçada toneladas de "informação" ora irrelevante ora proposta à má fé, não é capaz em 600 páginas de fazer o leitor desconhecedor destas matérias descobrir que Maomé era acima de tudo um político. um estratega (mesmo que isto que acabei de dizer seja uma ofensa para os crentes da fé islâmica), e que por consequência via-se na necessidade de doutrinar as massas de forma a mobilizá-las!  E quê, nada de novo debaixo do sol!

 

O excerto: "abriu os o braços, fechou os olhos, levantou o rosto e, com a expressão mística de um asceta em transe, entoou o versículo que a revelação progressiva autenticar. "Matai os idólatras onde os encontrardes. Apanhai-os! Preparai-lhes todas as espécies de emboscadas!"

 

Clichés

Escritor poliglota - Vamos às caricaturas. Neste livro o norte-americano diz "fucking" uma 500 vezes, o alemão diz "mein gott", o italiano "buongiorno" e o árabe, pois claro, diz "allahu akbar" até fartar. JRS é tipo um Dostoiévski versão pimba da nossa "cultura".  Mas com claras diferenças! Dostoiévski e outros contemporâneos seus, imbuídos quiçá num profundo sentimento de superioridade intelectual (ou não) face aos não falantes da língua francesa, inundavam os seus livros com frases inteiras em francês. A desculpa é que as próprias personagens russas teriam a mania de querer mostrar que sabiam falar francês! Compro-a! Além do mais, Dostoiévski escreveu DE FACTO grandes obras da literatura mundial, defendo eu. No caso deste livro, o norte-americano diz uma palavra em inglês, o alemão em alemão e o italiano em italiano... porque o  nosso artista quer provar que é um poliglota, além de uma mente genial! Caso contrário, em vez das suas personagens estrangeiras falaram 99,9% em português, falariam 100%! Afinal o autor é português, não? Qual é o valor acrescido ao enredo trazido por essas palavras estrangeiras parva e aleatoriamente espalhadas pelo livro? Para mim nenhum! E sem nota de rodapé, haverá quem não as entenda, o que não é nada simpático para com quem desembolsou uma fortuna pelo calhamaço.

 

Perigo nuclear - Para não variar, e tal como nos noticiários apresentados por JRS, o perigo nuclear vem do Irão, da Coreia do Norte, da Síria e da Líbia, assim como vagamente dos "países pobres", dos "países subdesenvolvidos" e "dos países em via de desenvolvimento". Este man encarna à bruta a personagem do "bom aluno" cavaquiano, é mais papista que o papa e mais simplista que o pior dos falcões reaccionários dos EUA.

 

E que treta é essa da eventual produção de uma arma nuclear por parte de um país pobre constituir um perigo pois deixa de ser possível, a partir desse momento, impor sanções a esse estado? É perigoso para quem perder-se uma vítima de bullying estatal? Para o capital a quem beijas o cu? A realidade real não será ao inverso? Não será antes o fim do perigo para o estado pobre que encontrou forma de neutralizar as tentativas de bullying de estado?

 

No mundo real, caro JRS, a maioria dos países do Movimento dos Não-Alinhados, que constituem mais de 80%  da população mundial, não só não querem ter armas nucleares como passam o tempo a assinar acordos anti-nuclear e a propor resoluções na ONU para o fim das armas nucleares neste planeta. Exemplos concretos? Venezuela, Cuba e Bolívia.

 

No mundo real, os EUA despejaram 2 bombas atómicas sobre um Japão que já se tinha rendido (aos russos), ao contrário do que dizem os livros de história ocidental.

 

No mundo real os EUA e Israel usam armas radioactivas (bombas-sujas a que JRS faz referência neste livro) sobre alvos militares e sobre civis.

 

No mundo real George W. Bush ameaçou inúmeras vezes o Irão com o uso de bombas nucleares tácticas e nos últimos 3 anos Barack Obama tem feito igual à Síria de Bashar Al-Assad. Para quem não sabe, a definição militar desse eufemismo pentagonês é: uma bomba nuclear táctica tem o poder explosivo equivalente de entre 3 a 8 bombas atómicas de Nagasaqui. Táctica o tanas, este pessoal e os seus eufemismos! "Terror nuclear de grande escala" mas é!

 

O árabe mau - O romance em si é um hino à paralisia mental. Fúria Divina é um amontoado de clichés gastos utilizados para denegrir de forma simplista e simplória conjuntos complexos de centenas de milhões de pessoas que podem ser árabes muçulmanas, não-árabes muçulmanas  e inclusive árabes não muçulmanas.

 

Para a mente primitiva de José Rodrigues dos Santos é tudo igual, daí que proponha que um agente da Mossad estaria em condições de fazer o perfil do "terrorista islâmico" (marroquino, português, norte-americano, indonésio, sírio, não importa) pela simples razão de já ter interrogado (ler torturado) milhares de terroristas (ler resistentes palestinianos anti-ocupação sionista, o que não é de todo o mesmo). É como entrevistar 3000 católicos não praticantes franceses e depois ser-se capaz de perceber profundamente o que vai na cabeça de um católico filipino fanático quando se deixa pregar numa cruz durante a Via Sacra!

 

Nesta matéria de propaganda anti-Islão e anti-árabes JRS é como o Cristóvão Colombo da doutrinação: o último descobridor da América! Neste caso, da propaganda norte-americana. Quando já nem um cidadão dos EUA reage mais a bestialização dos árabes e do Islão,  JRS fá-lo no nível mais baixo e reles nível possível, acreditando ainda assim que terá acabado de descobrir a pólvora. A ver pelas referências de leitores lusos deste livro em sites como o GoodReads e a discursos de portugueses que conheço pessoalmente, o mesmo se aplica à população média do nosso país. O que é triste! O português engole tudo, até merda paginada!

 

Por que digo isto? Vejamos, ao contrário do que se passa noutras propagandas modernas e mais sofisticadas, neste vómito de propaganda em forma de livro, os árabes/muçulmanos, pois claro:

 

 

  • batem nas mulheres: "o pai já estaria a espancar a mãe", entre outras passagens bem mais descritivas e gráficas que esta;
  • são brutos, porcos e maus, daí que polícia árabe espanque sem razões aparentes um detido que não oferece resistência e que responde cordialmente às autoridades! E pelo meio ainda deitam ao chão uma criança testemunha do acto; Guardas prisionais metem beatas, pedras e areia na comida dos presos por simples divertimento, e metem-nos a correr porque sim, e quem parar de correr é chicoteado!?! Para não falar das torturas e violações de presos sob interrogatório. Sim, até são credíveis, infelizmente, mas perante tantos exemplos de muçulmanos e árabes vítimas desses tipos de barbárie às mãos de norte-americanos e seus lacaios em locais como Guantanamo ou Abu Ghraib, qual era a ideia de JRS, chocar-nos com os horrores "exclusivamente" muçulmanos? Brincamos? Ah, que reles doutrinação.
  • são feios e têm os dentes podres! Ou JRS, por favor, isso é propaganda de Hollywood do tempo em que eras bebé de colo! Como és um gajo cultíssimo que regurgita referências à bruta no fim de cada livro, parto do princípio que conheces melhor que a tua mãe o sociólogo e realizador Sut Jahlly e o seu documentário Reel Bad Arabs: How Hollywood Vilifies a People. Daí que me pergunte como tens o descaramento de ainda sair à rua depois de publicar esta coisa livresca. "Arif encarou-o e abriu a boca num sorriso feio, revelando incisivos apodrecidos." Há mais passagens similares, acreditem!
  •  

  • têm um gene terrorista. Assim que activado, já não há remédio! Sim, porque no mundo real terroristas islâmicos são mercenários religiosos criados e financiados pelos EUA. No mundo de JRS terroristas islâmicos são crianças árabes que ao aprender as incoerências intrínsecas  ao Islão (igual para as outras 2 religiões Abraâmicas), acabam inevitavelmente a rebentar bombas suicidas por entre ocidentais modernos e bem-pensantes;
  • desconhecem o conceito de democracia, e é preciso um turista ocidental com tom paternalista para lhes importar a novidade! JRS ou é um enormíssimo imbecil ou então não tem escrúpulos, deixando-se enriquecer mentido ostensivamente. O Egipto de 2008 tinha uma das mais activas e corajosas comunidades bloguistas/activistas políticos do planeta, coisa que em Portugal praticamente não existe e faz imensa falta. Em 2008 viviam sobre um regime ditatorial e opressivo, não por terem mentalidades medievais mergulhadas cegamente no Islão, mas sim porque o regime de Mubarak era patrocinado pelos "democráticos" EUA que lhe oferecia anualmente 3.000 milhões de dólares em armamento moderno! Basta pegar num orçamento de estado oficial dos EUA, está lá tudo escrito! Quem já viajou (turista não conta, em princípio) a sério em países do Médio Oriente sabe que umas das grandes paixões sociais é a discussão política. O contrário de Portugal. Existe nessa zona do planeta um grande nível de cultura política e a sua história está repleta de grandes pensadores deste tema. O cidadão comum discute política como o português discute futebol efusivamente (sim, também discute futebol, e é ainda mais efusivo), e adora fazê-lo com estrangeiros quando se lhe apresenta a oportunidade. Mas não, neste livro é o turista ocidental, cidadão do mundo por norma socialmente alienado e apolítico convicto, que vem ensinar definições políticas a egípcios, imagine-se! Que barbaridade! O excerto: "O que é isso, mister?" Foi a vez de o turista se rir. "Democracia? Nunca ouviste falar de democracia?" "Eu não, mister." "É tu poderes escolher o teu presidente", explicou o europeu. "É tu teres uma palavra a dizer na forma como se governa e se fazem as leis do teu país. Não gostavas?" "Mas para que preciso eu disso, mister?" A pergunta pareceu ao turista tão ingénua que o deixou por momentos desconcertado. "Sei lá, para... para poderes substituir o teu presidente, por exemplo. Olha, imagina que achas que ele está a governar mal. Em vez de o teres a mandar para sempre, podes tirá-lo e pôr lá outro que governe melhor." "Mas ele não vai deixar, mister." O turista riu-se outra vez. "Claro que não! É por isso que precisas de leis democráticas, que permitam substituí-lo. Não gostavas de as ter?""
  • são todos polígamos, inclusive o muçulmano português de origem moçambicana! Todos, de Moçambique à Tunísia, de Marrocos à Indonésia, espectáculo, haja mulheres para esta malta toda. Que raio que eu que tanto viajo em países muçulmanos é que não dei nunca por ela!
  • são bárbaros psicopatas: "Uma vez vi num desses chat-rooms um internauta fundamentalista dizer que pertencia a um grupo qu estava na posse de um refém e queria saber se, à luz do islão, era permissível decapitá-lo com um serrote ou se teriam de usar uma faca ou uma espada, conforme o exemplo do Profeta..." "E o que respondeu o especialista?" "Disse que o exemplo do Profeta devia ser seguido, como ordena o Alcorão, e aconselhou-os a usarem a faca ou a espada."
  •  vendem as filhas para casamento e falam delas como se fosse gado bovino ou caprino. "Terás de a domar, claro. A minha filha é um pouco rebelde e precisa da mão firme de um homem. Sentes-te à altura dessa tarefa?"
  • são tarados sexuais e pedófilos: "Logo que teve a primeira menstruação, o pai ordenou-lhe que se cobrisse quando saísse à rua, não fosse a nudez da sua pele leitosa desencadear involuntariamente a excitação sexual dos homens."

 

Don Juan de cortar os pulsos

Nada contra trolhas, profissão que respeito e que já realizei para ganhar um guito extra, mas a sério, a personagem Noronha é "um trolha", não no sentido profissional mas no sentido figurado mais machista e misógino que se pode imaginar, e os seus amigos da CIA não ficam atrás. Diria mais, esta diarreia foi escrita para agradar a leitores "trolhas" portugueses, que farão uma festa a ler a superioridade do macho latino bronco numa perspectiva hormonal-nacionalista. O tal Noronha, imagine-se, aceita trabalhar para a CIA porque uma gaja boa loira diz-lhe "Não me diga que quer trabalhar para mim...", disse Rebecca, fazendo beicinho e pestanejando muito."! Jasus, parece Looney Tunes para adultos em versão impressa! Quanto às descrições da gaja boa, por favor, que coisa simplória. Ficam aqui algumas citações desta temática, podiam ser 10 vezes mais, mas não, não me vou cansar a copiar aquela baboseira toda:

 

  • "Tenha cuidado com este português", avisou. "Tem ar de sonso mas é um predador de fêmeas";
  • "rapariga de cabelo curto e tão loiro que parecia palha. Tinha uns grandes olhos azuis, (...), e uns lábios suculentos e apetitosos como morangos."
  • "Despindo-a com o olhar, Tomás reparou que o corpo dela se desenhava curvilíneo como uma viola, com seios pequenos mas arrebitados, (...)" 
  • "Era a brasa prometida por Bellamy."
  • "Você é um fucking tarado!"
  • "Gee, não sabia que você falava italiano!" "Oh, falo muitas línguas." Piscou-lhe o olho verde e sorriu com malícia. "Na verdade, adoro exercitar línguas!" Atenta ao duplo sentido da graçola, Rebecca não deu parte de fraca e soltou uma gargalhada. "Reserve a língua para o sorvete."

 

fim da primeira parte, o melhor ainda está para vir!

 

Luís Garcia, Lampang, Tailândia, 10.11.2015

 

 

 

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Um dia de extremos

 

 HOLLYWOODICES - EPISÓDIO 4

 

 

bw VIAGENS Luís Garcia

  

Eu tenho visto tanta coisa nesse meu caminho, Nessa nossa trilha que eu não ando sozinho, Tenho visto tanta coisa tanta cena, Mais impactante do que qualquer filme de cinema. (Tás a ver?, Gabriel O Pensador)

 

UM DIA DE EXTREMOS (Mónaco, 2007) – Após duas noites quase sem dormir passadas na praia de calhaus de Nice, eu e o meu companheiro de viagem Diogo levantámo-nos cedo com o intuito de visitar o Principado do Mónaco ali mesmo ao lado. Antes de embarcar no comboio Nice-Mónaco, fizemos uma breve visita ao supermercado da estação ferroviária, em busca de algo em conta para matar o jejum. Sem surpresa, tudo naquela loja era caríssimo, preços escandalosos típicos de uma cidade aristocrática como é Nice e incomportáveis para a carteira de dois vagabundos viajantes com orçamentos pessoais de 350 euros para um mês de viagem. Revirámos a loja do avesso, em busca de algo que fosse simultaneamente nutritivo e que estivesse em saldo. O único bem comestível que encontrámos em promoção e de facto muito barato foi uma caixa de um litro de gelado com sabor a café. Negócio feito. Pegámos na caixa e fomo-nos sentar no muro da estação a comer a nossa injecção de leite e açúcar, usando como colher um cartão de crédito! Sim, éramos viajantes inexperientes, nem um par de colheres de plástico nos lembrámos de trazer na mochila! Enfim, aprende-se com os erros.

 

A travessia de comboio faz-se em poucos minutos e chegasse ao Mónaco numa estação subterrânea escondida nos montes sobrepovoados em frente ao mar. Escolhemos à sorte o primeiro túnel que encontrámos e saímos mesmo em frente à marina do Mónaco repleta dos tais iates de luxo que são a imagem de marca do principado. Encontrámos inclusive um iate de bandeira portuguesa hasteada, o que nos levou a concluir, com propositada ironia, que é capaz de ainda haver quem tenha umas boas posses na pátria lusitana. E para não dizerem que uma pessoa não liga à nação e aos seus símbolos, até tirámos umas fotos junto ao iate português.

 

Sem nada de muito mais interessante para fazer por ali fomos dar uma passeio pela marginal, admirando a manada de ferraris, lamborghinis e outros bólide do género, muitos deles estacionados, os restantes cumprindo com os seus orgulhosos pilotos voltas sem conta ao circuito citadino da Fórmula 1, para deleite dos aficionados de automóveis menos endinheirados e para delírio das beldades loiras de férias no principado. Espicaçados pelos maquinões em movimento e com umas reminiscências do circuito na mente, fruto de muitos Grandes Prémios do Mónaco assistidos pela televisão, ainda demos meia volta a pé ao circuito, parando para sacar umas fotos junto às míticas curvas do Grande Hotel Hairpin (aquela que se contorna a 20 km/h) e a curva do túnel que passa por baixo de um hotel. Depois de nos cansarmos de bólides fomos dar um passeio pelos jardins e escadarias um pouco mais acima na encosta onde, por puro acaso, fomos dar a um género de passeio da fama onde não faltavam sequer as pegadas do astro do futebol português: Eusébio da Silva Ferreira!

 

Fartos de caminhada, debaixo de um calor intenso e de mochila pesada às costas seguimos até à praia, tomámos um banho refrescante e fomos tentar almoçar algo em conta. O melhor negócio que encontrámos para a nossa carteira foi uma baguete grande e bem recheada acompanhada com um sumo. Custou quase 10 euros cada refeição o que, tendo em conta o lugar capitalista em que nós encontrávamos, era um preço bem razoável. Para nós é que foi um rombo enorme, dado que com aquelas refeições ligeiras mais a caixa de gelado em Nice tínhamos já ultrapassado o medíocre tecto orçamental diário da aventura Sudeleste 2007!

 

Fazia, como acima foi dito, bastante calor e o céu era todo ele azul. Quanto a nós, estávamos no vigésimo sexto dia de viagem (portanto quase a terminar aventura de um mês), tínhamos já atravessado vários milhares de quilómetros passando por oito países. Daí que, para variar, colocámos de parte o espírito nómado-viajante e oferecemos ao corpinho o belo favor de uma tarde de lazer apanhando banhos de sol e mar. O areal da única praia do Mónaco, pese embora a sua infinita fama, não tinha a mínima hipótese de rivalizar com as das nossas belas costas portuguesas. Bem localizada, é certo, frequentada pelo tipo de figuras mediáticas que aparecem em revistas cor-de-rosa, tudo certo, mas se me dessem a escolher não trocaria jamais um areal de uma praia como os da minha terriola (Ribamar), por aquele que nem sequer de areia era constituído! Aliás, o nome correcto deveria ser seixal e não areal. Desta constatação veio-nos uma curiosa inquietação à cabeça: como é que é possível que em Portugal se movam toneladas de areia fina de um lado para o outro de forma a recriar praias maltratadas por rigorosos invernos ou mesmo para criar de raiz novas praias e ali, num principado em que tios-patinhas tomam banhos em jacuzzis cheios com moedas de ouro, ninguém se lembrou de oferecer uns trocados para substituir os seixos por areia! O ser humano é um bicho difícil de entender...

 

No dia anterior, após mirabolantes voltas havíamos arranjado forma de lavar a nossa roupa suja. Só faltava pô-la a secar! Sem grandes preocupações montámos o nosso arraial de roupa húmida, espalhando as peças ao longo de uma fila, sobre o seixal, qual banca de venda ambulante! Qual o nosso espanto quando, ao invés de descobrir à nossa volta um enxame de olhares surpresos ou expressões escandalizadas, não, a ricalhada não ligara nenhuma e continuava tranquila apanhando os seus banhos de sol! Outra conclusão, daquelas óbvias, de que só se mostram escandalizados com actos que para todos os efeitos são banais (pôr roupa a secar), gente daquela classe social que eu gosto de chamar de pseudo-ricos, aqueles que tendo menos que o suficiente exibem muito, ou que não tendo nada se endividam para exibir ainda mais. Esses sim teatralizariam exageradas expressões de nojo ou desdém. Sei bem do que falo pois em toda estas viagens e na estrada da vida tenho levado com muitos desses olhares de soslaio e narizes empinados por muito menos. Parabéns à ricalhada monegasca que encarou com toda a naturalidade as coisas naturais da vida e as necessidades lógicas de quem não tem o seu poder de compra e insiste ainda assim em atravessar países inteiros de mochilas às costas.

 

Com a nossa roupa toda apanhando o sol, estavam arrumadas todas as necessidades de viajante. Além do mais custava-nos muito crer poder ser roubados por malta de Rolex no pulso e malas de praia da Gucci, pelo que abandonámos o nosso arraial e fomos curtir a vida dentro de água. Bem, nunca se sabe se o Rolex é falso e o ladrão disfarçado não andará à espera para atacar um turista mais distraído! De qualquer forma arriscámos, desconfiados de que no Mónaco larápio nenhum arriscaria a façanha de roubar um monte de roupa mal-lavada e pouco mais. Ah, e como se estava bem dentro da água quente do Mediterrâneo, translúcida e com os seus cardumes multicolores! Qual praia transformada em piscina natural, não faltavam sequer pranchas para mergulhar e mesmo umas jangadas (coisas nova para mim) estacionadas ao largo destinadas a quem quisesse parar para descansar à meio de umas braçadas dadas mar adentro. Sem dúvida bem optimizado o limitado espaço da praia. Só falta mesmo, insisto eu, trocar os seixos por areia. Para nos fazer esquecer essa falta de conforto fomos recompensados em diversão propiciada de forma inconsciente por um indiano (paquistanês quiçá) e o seu comportamento cómico-delirante. O pobre rapaz que não devia ter visto muitas vezes na vida moçoilas de cabelos loiros insistiu uns bons quinze minutos na sua teimosia de tirar uma foto a si próprio, todo emproado, com as beldades dentro de água por detrás dele compondo o idílico cliché fotográfico. De cada vez que preparava a máquina para uma nova tentativa levava demasiado tempo a compor o seu cabelo, manifestamente desiludido com os resultados anteriores da prolongada sessão fotográfica. Para piorar a situação e fazê-lo soprar de frustração, as meninas-sereias que sorrindo descaradas faziam crer que pousavam para câmara, escapavam-se sempre mergulhando no momento do disparo. O rapaz, parecia acreditar num qualquer fatalismo de dessincronia e insistia. O resto da praia já não se aguentava mais de riso com a matreirice das miúdas e quase explodia em êxtase.

 

Luís Garcia, 09.11.2015, Lampang, Tailândia

 

 

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