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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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USA TERROR - Chagos 1968, por Luís Garcia

 

 

Luís Garcia POLITICA

 

O desconhecido arquipélago de Chagos encontra-se no oceano Índico e teve como primeiro colonizador europeu o reino de Portugal no século XVI. Neste arquipélago encontra-se hoje uma da mais importantes bases militares dos EUA, da qual partem grande parte dos aviões de combate com destino ao Iraque, Afeganistão, Paquistão e Iémene.

 

Mas nem sempre foi assim no arquipélago de Chagos. Até 1968 era habitada pela sua população nativa de 2000 pessoas. A pedido do império bélico dos EUA o seu vassalo do Reino Unido aceitou alugar o arquipélago onde os norte-americanos poderiam instalar a sua base. Para que tal fosse possível, o Reino Unido deportou à força a totalidade da população das Chagos para as Ilhas Maurícias. Como nunca chegaram a ser independentes do Reino Unido os habitantes de Chagos eram para todos os efeitos cidadãos britânicos que foram raptados pelas forças armadas britânicas e abandonados nos bairros de lata da capital do recém criado estado das Maurícias.

 

O governo inglês tentou passar na altura a falsa ideia de que as pessoas raptadas seriam trabalhadores de contrato temporário de retorno às Ilhas Maurícias, mas não, aquelas 2000 pessoas tinham nascido em Chagos e de lá nunca tinham saído até então, assim como as anteriores gerações de chagossianos. Os EUA tentaram mais tarde com uma série de "estudos" e "análises" provar que o arquipélago a longo prazo não seria habitável e que portanto estariam a fazer um favor aos chagossianos raptando-os e deixando-os a apodrecer nas Ilhas Maurícias. Na realidade hoje vivem no arquipélago mais militares norte-americanos do que havia de chagossianos, e têm um nível de consumismo muitíssimo superior. E estão vivos (com excepção dos militares que vão morrendo nas suas intervenções terroristas na região), portanto as ilhas são habitáveis!

 

Temos portanto, desde 1968 até hoje, milhares de cidadãos do Reino Unido refugiados em bairros de lata na capital do micro-estado das Ilhas Maurícias. Nessa mesma capital existe uma embaixada do Reino Unido e o palácio do embaixador onde são gastas por ano 5 milhões de libras. Muito democrático, sem dúvida, há britânicos brancos e britânicos pretos, o que faz toda a diferença nas Maurícias.

 

Os chagossianos refugiados nas Ilhas Maurícias tem desde há décadas combatido pelos seus direitos nos tribunais ingleses.  Após décadas de burocracia acabaram por ganhar o caso no supremo tribunal inglês. No entanto, o Reino Unido não é uma democracia, pelo contrário, é uma monarquia constitucional com resquícios de absolutismo. A rainha Isabel II pela primeira vez no seu reinado fez uso do poder antidemocrático de anular uma decisão do supremo tribunal com uma simples assinatura sua. Além do mais o governo britânico passou em 2004 um decreto banindo para sempre os refugiados chagossianos de voltarem ao arquipélago. E assim o caso contínua na mesma, excepto para uma grande percentagem de chagossianos que simplesmente têm optado pelo suicídio, cansados de serem roubados, refugiados, desenraizados, abandonados e esquecidos pelos orwellianos media ocidentais.

 

Um dos raríssimos jornalistas neste mundo que merecem ser chamados "jornalistas", o independente  John Pilger, foi o único que se deu ao trabalho de denunciar de forma séria este acto de terror dos EUA e do seu vassalo britânico, filmando em 2004 o documentário Stealing a Nation:

 

Stealing a Nation, de John Pilger

 

O actual contrato de arrendamento do arquipélago expira em 2016 mas os EUA têm opção de renovação por mais 50 anos, ou seja, o sofrimento chagossiano é uma causa perdida. A base militar é essencial para a continuidade da hegemonia militar dos EUA no Médio Oriente e África Oriental. Para quem não sabe os EUA tem as suas forças armadas espalhadas por mais de 140 países aliados, países invadidos, colónias e protectorados. Esta super máquina de guerra está organizada em 6 regiões. O arquipélago de Chagos e o Médio Oriente fazem parte da USCENTCOM:

 

Luís Garcia, Ribamar, Portugal,  02.05.2013

 

 

 
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USA TERROR - Congo 1961, por Luís Garcia

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Luís Garcia POLITICA 

 

Patrice Émery Lumumba  nasceu a 2 de Julho de 1925 e morreu a 17 de Janeiro de 1961 assassinado. Em 1959 havia sido preso por supostamente incitar distúrbios anti-coloniais. Apesar de preso, o seu partido (MNC, Movimento Nacional Congolês)  ganhou de forma estrondosa as eleições locais no Congo e na Bélgica começava a Conferência de Bruxelas onde se iria negociar a futura independência do Congo. Após pressões várias Lumumba acabou mesmo por ser libertado e autorizado a participar na Conferência de Bruxelas. Em Maio de 1960 organizaram-se as primeiras eleições democráticas no país que passaria a ser oficialmente independente a 30 de Junho de 1960. O MNC  ganhou as eleições, Lumumba tornou-se  no primeiro primeiro-ministro e Joseph Kasa-Vubu o primeiro presidente democraticamente eleitos do Congo.

 

Descontentes por ver riquezas naturais africanas cair nas mãos de africanos (ah, esses bandidos!) os EUA e os seus aliados entram em acção. Com a desculpa de ir "proteger os interesses belgas na região" a Bélgica enviou 10000 soldados para a região congolesa de Katanga onde se situava a empresa mineira belga Union minière du Haut Katanga. À Bélgica, pais membro da NATO, foi oferecido apoio dos aliados, nomeadamente pela Alemanha que lhes deu acesso a bases militares e aos EUA que lhe forneceram treino e equipamento militar que tornaram possível o envio de aviões, o transporte de 10000 tropas em tempo recorde e o bombardeamento do estuário do rio Congo com navios de guerra.

 

Na realidade essas tropas belgas vinham para apoiar as "ambições" secessionistas da região de Katanga liderada por Moise Tshombe, um pião ocidental cuja principal tarefa foi perpetuar o controlo das riquezas minerais congolesas por parte do capitalismo ocidental branco. O recém eleito presidente Lumumba reagiu pedindo às Nações Unidas que o ajudassem a parar a agressão estrangeira no Congo. Como é óbvio a ONU, essa agência submissa da política externa norte-americana, assobiou oficialmente para o lado. Compreendendo por fim que interesses jogavam contra si e contra o seu país, Lumumba tomou a arriscada decisão de em plena Guerra Fria pedir ajuda à URSS. Só então a ONU reagiu e enviou os seus primeiros capacetes azuis, não para parar agressão da NATO ao Congo, mas para maquievelicamente instalar uma zona tampão em Katanga entre as parte beligerantes, primeiro passo para uma hipotética independência de Katanga (ao estilo do que fizeram com o Kosovo roubado à Sérvia, igualmente rico em recursos minerais). De notar que a NATO fazia parte das forças tampão "de paz" e das forças de invasão em Katanga, muito conveniente.

 

Entretanto em Léopoldville desencadeia-se um golpe de estado orquestrado pela CIA e executado com a ajuda desta. Mobutu Sese Seko (que ficou para história como um dos mais bárbaros ditadores africanos) chega ao poder através deste golpe. Nas semanas seguintes Lumumba e outros membros do governo democraticamente eleito tentam várias vezes se reorganizarem num governo paralelo na clandestinidade. Fracassaram, a 17 de Janeiro de 1961 Patrice Lumumba e outros dois políticos, Maurice Mpolo e Joseph Okito, são capturados e levados até à região de Katanga onde são executados pelas forças militares locais. Os EUA, a Bélgica e os seus aliados ocidentais tinham salvo as "suas" riquezas minerais africanas e inauguravam uma nova era de terror e miséria no Congo de Mobutu.

 

Em Fevereiro de 2002 o governo belga pediu oficialmente desculpa ao povo congolês e admitiu "responsabilidade moral" e uma "irrefutável parte de responsabilidade nos eventos que levaram à morte de Lumumba". Em 2010, numa carta enviada à London Review of Books, Davie Lea afirma que Daphen Park (antigo espião da inglesa MI6) lhe confessou ter sido ele o organizador do assassinato de Lumumba. A 21 de Junho de 2007 foram desclassificados documentos secretos da CIA que indicam ter sido esta agência a organizadora do assassinato. O mais certo é ter sido um trabalho em conjunto de ingleses, norte-americanos e belgas, faz todo o sentido. 

 

Link para o documento desclassificado da CIA: Lumumba Assassination

 

Luís Garcia,  Ribamar, Portugal , 01.05.2013

 

 

 
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